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Muita técnica, mas a viver uma longa crise

Desde que profissionalizou o seu futebol e criou a J-League em meados da década de 1990, o Japão foi crescendo e tornou-se uma potência do futebol asiático. Presença habitual em Mundiais desde 1998 (será o 6.º consecutivo), os nipónicos pautam o seu futebol pela técnica e inteligência, mas tardam em confirmar esse potencial ao nível dos resultados. Em 2002 co-organizaram a competição com a rival Coreia do Sul, mas, se estes atingiram as meias-finais, os japoneses caíram nos oitavos, aos pés da Turquia. De resto, os oitavos-de-final em 2002 e em 2010, onde perderam nas grandes penalidades com o Paraguai, são os melhores resultados obtidos em fases finais de Mundiais e a missão passará por surpreender na Rússia e tentar ultrapassar uma meta que está difícil de superar. Apurado em 1.º lugar num grupo de qualificação com Arábia Saudita, Austrália ou Arábia Saudita, os Samurais Azuis tentam agora dar a volta a uma espécie de crise que se instalou nos últimos anos. Eliminados na fase de grupos no Mundial 2014 e nos Jogos Olímpicos em 2016 e eliminados pelos Emirados Árabes Unidos nos quartos-de-final da última Taça da Ásia, o conjunto asiático estará agora apostado em dar uma resposta. A estabilidade não é naturalmente a melhor e a prova é a saída de Valid Halihodzic em Abril último do comando técnico da equipa, sendo substituído por Akita Nishino, alegadamente por más relações entre o bósnio e os jogadores. Nishino era o responsável técnico da federação e assumiu assim o leme numa altura já muito próxima da grande competição. A estreia não foi a melhor, em face de uma derrota com o Gana, onde apresentou uma sistema inovador (3-4-3), mas há matéria-prima para montar um bom elenco (o talento e técnica do meio-campo para a frente é uma constante em quase todos os jogadores e na defesa há experiência de futebol europeu) e aparecer bem quando a competição for a sério. Naquele que é o grupo, o H, mais aberto da prova, o Japão irá medir forças com a Polónia, o Senegal e a Colômbia, três conjuntos com vários jogadores de topo mundial e que prometem ser um osso duro de roer.

Estrela: Shinji Kagawa (Médio Ofensivo, 29 anos, Dortmund) – O criativo voltou a não ter uma época muito feliz, mas é a unidade de referência do meio-campo e o elemento que pode fazer a diferença mais facilmente. Kagawa representa a técnica, a criatividade e a inteligência do jogador japonês e é um dos indiscutíveis, tendo apontado seis golos na qualificação.

Jogador em Destaque: Keisuke Honda (Médio Ofensivo, 32 anos, Pachuca) – O criativo vinha estagnando no Milan, mas a ida para o México fez-lhe muito bem, apontando 13 golos e revitalizando a sua carreira. Foi também o melhor marcador na qualificação (7 golos) e é um dos elementos mais experientes do elenco (94 internacionalizações), oferecendo a sua visão de jogo e qualidade no remate e nas bolas paradas. Yuto Nagatomo (Lateral, 32 anos, Galatasaray) – Também ele deu um novo rumo à sua carreira, trocando Milão pela Turquia e sendo campeão no Galatasaray. É uma referência na selecção nipónica, podendo ser uma solução em ambas as laterais. Contabiliza 104 internacionalizações e a sua experiência poderá ser importante. Shinji Okazaki (Avançado, 32 anos, Leicester) – O mais internacional do elenco (112 internacionalizações) e um elemento com muita experiência de Premier League (campeão no Leicester em 2016) e que faz a diferença com a sua entrega e facilidade de finalização (50 golos na selecção). Não é um goleador, mas é um avançado útil pelos espaços que cria e por aquilo que oferece também sem bola.

XI Base: Eiji Kawashima, Hiroki Sakai, Yoshida, Shoji, Nagatomo, Hasebe, Yamaguchi, Honda, Kagawa, Genki Haraguchi, Okazaki

Jogador a Seguir: Naomichi Ueda (Central, 23 anos, Kashima Antlers) – Surgiu recentemente na selecção e nem teve um início feliz, ao apontar um auto-golo perante a Ucrânia, mas é uma das poucas caras sub-25 do elenco seleccionado, sendo que tem sido figura de destaque na campanha do Kashima Antlers na Champions Asiática, onde irão enfrentar o Tianjin Quanjian, de Paulo Sousa, nos quartos-de-final. Não deverá partir como titular, mas é possível que tenha uma oportunidade no decorrer da competição.

Principal Ausência: Shoya Nakajima (Médio Ofensivo/Extremo, 23 anos, Portimonense) – Um elemento que o futebol português conhece bem e que rubricou uma super temporada, figurando mesmo no melhor XI da Liga para o VM. 10 golos e 13 assistências foram os números do nipónico em Portimão, além de toda a técnica, velocidade e magia que mostrou e que motivaram um olhar atento da federação japonesa. A concorrência era feroz (Inui, Haraguchi, Kagawa, Honda, Shibasaki ou Usami pisam os mesmos terrenos, sendo que Kiyotake, Kubo e Asano também ficaram fora), mas o que fez nos Jogos Olímpicos, o seu rendimento este ano (Ryota Oshima tem piores números, por exemplo) e o golo que apontou na estreia em Março jogavam a seu favor. Contudo, o comando técnico mudou e Nishino decidiu não contar com Nakajima.

Convocatória: Guarda redes: Eiji Kawashima (Metz), Masaaki Higashiguchi (Gamba Osaka), Kosuke Nakamura (Kashiwa Reysol); Defesas: Yuto Nagatomo (Galatasaray), Tomoaki Makino (Urawa Red Diamonds), Maya Yoshida (Southampton), Hiroki Sakai (Marselha), Gen Shoji (Kashima Antlers), Wataru Endo (Urawa Red Diamonds), Naomichi Ueda (Kashima Antlers); Médios: Makoto Hasebe (Eintracht Frankfurt), Keisuke Honda (CF Pachuca), Takashi Inui (Eibar), Shinji Kagawa (Dortmund), Hotaru Yamaguchi (Cerezo Osaka), Genki Haraguchi (Fortuna Dusseldorf), Takashi Usami (Fortuna Dusseldorf), Gaku Shibasaki (Getafe), Ryota Ohshima (Kawasaki Frontale); Avançados: Shinji Okazaki (Leicester), Yuya Osako (Koln), Yoshinori Muto (Mainz).

Seleccionador: Akita Nishino
Prognóstico VM: Fase de Grupos

Rodrigo Ferreira

Outras selecções já abordadas no nosso guia:
Grupo B: Marrocos
Grupo C: França
Grupo D: IslândiaArgentina
Grupo E: Costa RicaBrasil, Sérvia
Grupo F: Suécia
Grupo G: InglaterraPanamá
Grupo H: Senegal

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