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«Muitas vezes no final nem sabem quanto ficou o resultado, só querem é ter a bola e marcar golos»

Os frutos que vamos colhendo são o resultado de produções passadas. Confundir o estado actual do nosso Futebol com o modo de trabalhar nas camadas jovens em Portugal é um enorme erro e bastante intuitivo, por sinal. Os jogadores que hoje temos, ou que vêm surgindo, são o reflexo do esforço e do modus operandi instalado nas décadas de 90 e 2000. Pelo contrário, os atletas que nos brindarem na próxima década não serão nada mais, nada menos, do que o produto da nova forma de pensar.

Enquanto nos satisfazemos com a nova geração que é consubstanciada nos sub-21, negligenciamos por completo o que se passa no futebol de formação. Para contextualizar o leitor, nada melhor que uma breve descrição do panorama genérico a que se assistimos:
Em primeiro lugar, houve uma alteração drástica nos hábitos futebolísticos em Portugal. O tão célebre ” futebol de rua” chegou ao fim. Os horários ocupados e desenfreados dos Pais, aliados à nova vaga de tecnologias, afastaram das ruas as nossas crianças. Este fenómeno, ao qual nos temos de adaptar, vem atrasar o processo de crescimento técnico dos jovens – indubitavelmente aliado ao menor contacto com a bola- e, por conseguinte, condicionar a vertente mais importante do jogo.
Para além disso, surge uma tendência demográfica à qual os organismos futebolísticos são evidentemente alheios. O decréscimo no ritmo de crescimento populacional a que assistimos e que se agravará com naturalidade, só vem obstar ao desenvolvimento do futebol em Portugal. Se é certo que quantidade não é sinónimo de qualidade, uma maior restrição no leque de recrutamento só vem deteriorar o grau de competitividade no nosso futebol.
Por último, e não menos importante, a incapacidade generalizada dos treinadores na formação em Portugal em assumirem um papel de menor relevo no treino. Parece estranho, não parece?
A situação mais fácil de contrariar será, porventura, a apresentada no último ponto. A nossa opinião segue a de Horst Wein, reconhecido formador Alemão, em que se dá uma maior liberdade aos jovens. «Com mais jogadores, as crianças jogam menos e marcam menos», apontou o formador, sublinhando que na rua os jovens não jogam para ganhar mas para marcar, o que ajuda a desenvolver o seu potencial. «Muitas vezes no final nem sabem quanto ficou o resultado, só querem é ter a bola e marcar golos». Se o tempo dedicado ao jogo é cada vez menor, por que motivo o vamos restringir ainda mais? Que sentido fazem as filas de 4 ou 5 jogadores, onde os momentos de descontracção e concentração competitiva são menores, para realizar um exercício? O melhor exercício não será o jogo? “Sou bom porque aprendi a jogar no meio da rua… tinha de usar as paredes que me ajudavam a fazer tabelas.” – afirmou Rooney. É óbvio que não vamos trazer a rua para a academia, mas podemos recriar perfeitamente essa situação. A forma mais pedagógica de ensinar um jogador é….deixá-lo aprender. Na maior parte das vezes, a tentativa e erro urge como o fenómeno mais célere de aprendizagem. O treinador é importantíssimo por todos os conhecimentos que poderá transmitir. Mas se fizer mal as coisas, será mais interessante juntar as crianças e deixá-las organizar a sua própria actividade. Verá que se vão dividir por duas equipas e jogando vão descobrir o caminho.
Trazer a rua para as escolas de futebol, alterar os quadros competitivos, melhorar a relação entre desporto escolar e o futebol e consciencializar os treinadores de formação parecem ser pontos indispensáveis na melhoria do nosso futebol. E, porque não, interiorizar o que de melhor se faz nas escolas emergentes? Foi exactamente isso que, quer os Alemães, quer os Ingleses fizeram para agilizar as suas estruturas. O caso dos Alemães, pós euro-2000, é sobejamente citado. E bem.

No nosso caso, não seria ingrato conhecer o modelo de desenvolvimento futebolístico aplicado nos Países Baixos e, em particular, na Bélgica. De 2004 para cá, aplicaram exactamente o defendido acima.

Maior liberdade para o atleta, maior contacto com a bola, mais tempo de jogo e maior enfoque na criatividade. Deixaram de lado as mesquinhices tácticas e a predominância pelo físico. Encher crianças com complexos sistemas tácticos e com demasiadas obrigações em campo só vem interferir naquilo que é o seu prazer pelo jogo. Nesta nova forma de pensar, o treinador assume um papel passivo, sendo apenas útil em ajustes pontuais quando o atleta não interioriza por si o que o jogo pede. As gritarias para dentro do campo, os castigos por não soltar a bola rápido, os afastamentos da equipa por os centrais não jogarem fácil, são deixados para trás. É óbvio que este processo que descrevemos é maioritariamente aplicado até os sub13/sub14, uma vez que, ultrapassado este período, o conhecimento táctico começa a ser uma característica essencial no jogo.

Não é tarefa fácil alterar o paradigma de pensamento que vigora na cabeça de 95% dos formadores em Portugal, tal como não foi em Inglaterra. Esse obstáculo foi contrariado recentemente pela Federação Inglesa de Futebol que aboliu qualquer sistema classificativo ou competição até aos sub-12, facto que, como seria de esperar, levou os treinadores a uma menor obstinação por ganhar que condicionava o desenvolvimento do talento dos atletas.


Scouting: João Magalhães e Rui Valente

0 Comentários

  • Sergio
    Posted Março 31, 2015 at 10:22 am

    Basicamente: a melhor maneira de aprender é fazer e errar por si próprio… E a melhor maneira de errar é ter liberdade para o fazer.

  • Ricardo
    Posted Março 31, 2015 at 10:24 am

    Excelente post. Muito pedagógico.

  • Anónimo
    Posted Março 31, 2015 at 10:36 am

    Excelente texto, muitos Parabéns. Apenas referir que o nosso futebol sempre foi um pouco mais táctico que o dos Paises Baixos e basta olhar para os nosso treinadores de elite. O ideal seria tirar bons apontamentos de alguns países e depois criar um sistema de treino jovem perfeito para o nosso futebol. Criativo e ao mesmo tempo forte tacticamente.

    Aimar10

    • Anónimo
      Posted Março 31, 2015 at 12:44 pm

      Mais táctico desde quando?Os holandeses e belgas tiveram muito mais treinadores de elite que nós e que revolucionaram o jogo como o Rinus Michels ou o Ernst Happel austriaco mas grande parte do seu legado foi feito nesses paises.

      Filipe Ribeiro

  • Kafka I
    Posted Março 31, 2015 at 10:40 am

    Excelente post, não podia estar mais de acordo com o mesmo…

    Nos dias de hoje, no Mundo Ocidental, com a subida do nível médio de vida e o decréscimo da pobreza extrema, o futebol de rua tem vindo a perder o seu espaço o que do ponto de vista social acaba por não ser mau de todo pelo contrário, agora perante esta vicissitude, o post toca num ponto chave "é preciso trazer a rua para as escola de futebol",

    É esse o grande segredo da formação actual e que talvez a maior parte dos clubes Europeus (não é só em Portugal) ainda não tenha percebido, e basta olhar em redor e ver o actual tipico jogador europeu, que cada vez é menos criativo, e cada vez se parecem mais com máquinas, onde são muito bons tacticamente, fisicamente e tecnicamente (ao nível de passe, recepção, remate), mas pouco ou nada criativos e com pouca capacidade de desequilíbrio no 1 para 1, porque lá está, falta essa "magia" só o futebol de rua dá…

    • Anónimo
      Posted Março 31, 2015 at 11:36 am

      Concordo. So tenho 20 anos, vivemos numa era de Messi e ronaldo. Mas o melhor 'jogador de rua" e o melhor jogador que vi jogar foi o Ronaldinho. Espectacular.

      Nuno

    • Zizou
      Posted Março 31, 2015 at 11:42 am

      Tens uma certa razão, mas quem é que tem ganho mundiais a partir de 2002 ? Só selecções europeias muito fortes a nível táctico e com as características que tu apontas no teu texto, Itália, Espanha e Alemanha. E só passados 12 anos é que voltou a haver uma selecção sul americana numa final de um mundial…

    • Zizou
      Posted Março 31, 2015 at 11:51 am

      Nuno, era muito bom, mas é sem dúvida inferior ao Messi e tu estás a ver o Messi agora… E mesmo o Zidane não lhe fica nada atrás.

    • Jonas
      Posted Março 31, 2015 at 12:56 pm

      Kafka, acho que confundes o desiquilibrio no 1 x 1 com a insistencia em driblar (o "partir para cima") no 1 x 2 que era tipico noutros tempos.

      Na minha perspectiva, hoje os treinadores insistem que os jogadores tomem as melhores decisoes em cada momento do jogo e a melhor decisao e aquela que garante maior probabilidade de sucesso e ai as jogadas de combinacao sao quase sempre a melhor opcao.

      Claro que se es o Messi, vez 2 defesas e um colega teu a oferecer linha de passe a 30 metros e tens 2 opcoes igualmente validas com provavelmente a mesma probabilidade de sucesso. Para todos os outros, segurar a bola e esperar por uma melhor alternativa e a opcao que garante melhores resultados.

      Jonas

    • Kafka I
      Posted Março 31, 2015 at 1:20 pm

      Zizou

      Tens razão, e o meu comentário não foi para criticar o modelo actual (até porque é um modelo vencedor como a Alemanha o tem demonstrado), até porque a Europa neste momento é de longe a zona geográfica mais evoluída do Planeta, quando se trata de futebol de formação

      O meu comentário foi mais no sentido de se poder ainda fazer melhor do que se faz, e atentemos ao seguintes exemplos:

      Qual é o protótipo actual do jogador Alemão? poderei dizer que é o Mueller que talvez represente melhor esta nova vaga do protótipo actual de jogador Alemão…e sem dúvida que uma equipa com "11 Mueller" estará SEMPRE mais perto de vencer que qualquer outra, agora o Mueller tem TUDO, excepto aquela magia do tipico jogador de rua, capaz de encantar meio Mundo..

      Compara agora com o Messi, que para além de ser perfeito em todos os capítulos do jogo que o Mueller é (tacticamente, tecnicamente, fisicamente, visão de jogo, velocidade, etc), tem ainda aquela magia e criatividades únicas, ou seja, digamos que o Messi é a junção dos 2 tipos de formação, tem a magia do futebol de rua, e a táctica, técnica etc que se trabalham nos clubes..por algum motivo o Messi também é o jogador mais completo da actualdiade

      Agora, perante isto, o que preferes? teres 11 Muellers? ou teres 8 Muellers e 3 Messis? foi neste sentido o meu comentário, e aí entra o tal "futebol de rua"

      Atenção não estou a criticar nem desvalorizar o Mueller, pois é dos meus jogadores favoritos, é o exemplo do jogador quase perfeito e o único defeito que ele tem é ser jogador do Bayern, eheh, de resto adoro o Mueller e a sua forma de jogar, é acho que é um jogador que deve ter bem mais reconhecimento do que tem, mesmo a nível de prémios etc

      E também quando dei o exemplo de Messi, não é a pedir de forma literal que haja novos Messis, porque isso não vai haver nos próximos 10/15 anos, é na mais como exemplo de protótipo de jogador..

      Como tal, acho que é possivel (e o Messi é a prova suprema disso) ter o melhor dos 2 Mundos, e noto que a parte da magia cada vez falta mais ao tipico jogador Europeu

    • Kafka I
      Posted Março 31, 2015 at 3:40 pm

      Jonas

      A minha resposta ao Zizou, penso ser válida para ti também…jamais quis desvalorizar o modelo actual (do qual sou admirador), agora olhando para o tipico jogador Europeu hoje em dia, sinto que lhe falta alguma "magia", não estou com isto a dizer que essa falta de magia é menos válida para ganhar, nada disso

    • Zizou
      Posted Março 31, 2015 at 6:15 pm

      Kafka

      Concordo contigo. Também gosto muito do Müller , mas de facto não tem aquela magia de um Messi ou de um Zidane. E sem dúvida que era preferível ter o melhor dos 2 mundos.

      Por outro lado não concordo quando dizes no primeiro comentário que falta magia ao jogador Europeu, acho há jogadores criativos na Europa ( e que são Europeus geneticamente) e nestas selecções, como o Götze e o Reus, que são dois jogadores "à futebol de rua". Na Espanha há o Iniesta , o Isco, etc.. Há ainda o Hazard na Bélgica. E agora nos novos valores emergentes vê-se muitos e bons jogadores com criatividade e qualidade técnica. Até já aparecem noruegueses com bom toque de bola (Odegaard). ahah
      A questão é que não há , no estilo de jogo do futebol europeu, em geral, muito espaço pra estes jogadores apostarem no 1 vs 1 e fazerem aquelas coisas que o Ronaldinho fazia, que não acho muita piada sinceramente…Prefiro ver a genialidade a ser utilizada de recurso, como a do Zidane ou do Messi do que a ser usada à circo… Acho mais espectacular o futebol praticado do Barça do Guardiola (e do Messi, Xavi e Iniesta em termos individuais) do que ver 20 "cabritos" e 30 "cuecas" do Ronaldinho. Continua haver jogadores europeus criativos/mágicos só que são disciplinados em termos tácticos.
      É a minha opinião sobre este assunto e acho que o táctico vai continuar a ter supremacia e a evoluir cada vez mais nos próximos anos. E os países que vivem no século passado em relação a isto vão ter cada vez mais dificuldades e em vez de levarem 7, levam 14. Não vejo, por exemplo, o Brasil a ganhar um mundial tão cedo… Vão passar por uma seca de títulos mundiais sem precedentes e eles é que vão ter os Neymar's e os Ganso's do brasileirão a fazerem 20 cabritos e 30 cuecas por jogo.

    • Anónimo
      Posted Março 31, 2015 at 6:27 pm

      Zizou não sou brasileiro mas nem por isso sou cego. Tu achas mesmo que o Brasil vai passar por uma seca de títulos mundiais? De 2002 para cá o Brasil ganhou 2 taças das confederações, 2 copa americas e ainda foi para a final das olimpiadas e tem 4o lugar no mundial. Achas mesmo que um 7-1 nas meias finais é que vai ditar o futuro do brasil? Então se formos por aí a Espanha está bem pior do que o Brasil porque apanhou 5-1 contra a Holanda, 2-0 contra o Chile e saiu na fase de grupos. E olha que a tua logica não ajuda em nada Portugal, dá a entender que não vamos ganhar nada dentro dos próximos 50 anos…

      Gonçalo Pinheiro

    • Zizou
      Posted Março 31, 2015 at 6:48 pm

      Gonçalo,

      A Espanha estava em fase de saturação… Não é o melhor exemplo. E a Holanda é europeia acho eu… O Brasil tem sido travado constantemente por selecções europeias… Ficou em 4º no mundial mas vê o caminho até ter apanhado uma selecção a sério… E se me estás a falar de taças de confederações e copas americas (são só sul americanos, algum sul americano há de ganhar… não apanham europeus.) e finais de jogos olímpicos só podes ser brasileiro. Só os brasileiros é que ligam a campeonatos do mundo de clubes e a taças de confederações como se fossem grandes competições… Eu estou a falar de coisas sérias, MUNDIAIS , onde as selecções europeias levam aquilo mesmo ao limite e não a "meio termo". O Brasil não ganhará um mundial tão cedo, na minha modesta opinião.

    • Zizou
      Posted Março 31, 2015 at 6:52 pm

      E sim, se esta geração Sub21 Sub20 de Portugal não for bem aproveitado não acredito em títulos para Portugal nos próximos anos, se não houver mudanças no futebol português e no futebol de formação.

    • Anónimo
      Posted Março 31, 2015 at 7:50 pm

      Meu caro acho que estás perdido. O Brasil ganhou a taça das confederações contra a campeã mundial e europeia, a toda poderosa Espanha levou 3-0 do Brasil e esse nem é o melhor Brasil dos últimos anos. Sem esquecer espetou 4 batatas a Italia(vice campeã da europa) pelo caminho. Essa de que só os brasileiros é que se importam com a taça das confederações é mais uma mentira dado que a maior parte das seleções europeias têm dificuldades em ganhar e o Brasil é país com mais títulos nesta competição. Sobre o mundial de clubes, se fosse assim tão fraco, o Cristiano não estaria a bater no escudo de campeão mundial diante dos torcedores do Cordoba em forma de resposta aos insultos que estava a sofrer. E outra, no mundial o Brasil teve Croacia(actual top 10 das seleções europeias), Mexico(Foi preciso o Robben simular penalty para a Holanda conseguir vencer), Chile(espetou 2 batatas sem resposta a campeã mundial e europeia) e a Colombia que fez um grande mundial. Qual é propriamente o caminho que estás a falar? Encontrou seleções fracas? Acredito que não…
      Epa não vamos estar aqui a dar a entender que o futebol Europeu está muito melhor do que o Sul-Americano, neste momento está equilibrado. Quer queiras ou não, o Brasil vai ser sempre favorito em todos os mundiais que participar.Digo-te sem medo de errar que neste momento só a Alemanha teria condições de ganhar uma Copa Ámerica. Holanda, Italia, Inglaterra, Portugal, Croacia e França mas por outro lado a Argentina e Brasil se participassem em um Euro neste momento, seriam de longe favoritas. É que se formos pela tua logica, e sabendo que o futebol alemão não representa toda a europa, chegamos a conclusão que o futebol europeu está em crise dado que a Costa Rica eliminou a Italia, Inglaterra e a Grecia…Enfim

      PS: Não sou brasileiro, sou cidadão português do mundo e acima de tudo realista…

      Gonçalo Pinheiro

    • Anónimo
      Posted Março 31, 2015 at 7:57 pm

      #Holanda, Italia, Inglaterra, Portugal, Croacia e França não seriam favoritas a ganhar uma Copa America mas por outro lado a Argentina e Brasil se participassem em um Euro neste momento, seriam de longe favoritas.

      Gonçalo Pinheiro

    • Zizou
      Posted Março 31, 2015 at 8:58 pm

      Gonçalo Pinheiro

      1- Volto a repetir que se em vez de ser na taça das confederações, fosse num mundial isso não aconteceria facilmente.

      2- O Cristiano bateu no escudo de campeão mundial ? A sério que levas isso a sério? Achas que não prefere ganhar uma Champions League a um Mundial de Clubes? Bateu no símbolo do mundial de clubes porque não tinha lá o de detentor da champions….

      3- O Brasil apanhou boas selecções, mas de top só apanhou a Alemanha. Viste o que aconteceu ? Depois com a Holanda , que neste momento não é de top como a Alemanha ou a Espanha , mas que é uma grande selecção perdeu outra vez… Já tinha perdido em 2010… México, valem pela raça, e Chile tem 1 ou outro acima da média, mas é raça… Em termos técnico-tácticos são inferiores às selecções europeias de nível médio. A Croácia (boa selecção mas não é de top) noutras circunstâncias teria feito melhor. Contudo, o Brasil viu-se grego pra ganhar… A Colômbia , outra boa selecção , mas é inferior ao Brasil… Mal do Brasil se não ganhasse à Colômbia no seu território onde se realiza o mundial… Resumindo, com selecções europeias jogou 3 jogos, 1 ganhou porque Deus quis, os outros 2 jogos foram atropelados pela Alemanha e pela Holanda… Selecções de grande nível… Se calhar se fosse na taça das confederações tinham ganho…

      4- Como não eram favoritas? Partindo do princípio que o Brasil só era considerado favorito a vencer o mundial porque jogava em casa… Achas mesmo que Espanha, Holanda, França, Inglaterra, Itália e até mesmo Portugal não estavam nos favoritos pra ganhar a copa América? Por amor de deus… Em relação à eliminação da Inglaterra, Itália, Portugal , etc, no mundial do brasil tens que ter bom senso, aquilo acontece 1 a cada 10 vezes. Há muitos factores que fizeram com que aquilo acontecesse. Vê o mundial de 2010 e de 2006 também… Em 2006 o top 4 é Europeu e em 2010 o top 4 é constituído por 3 selecções europeias e com o Uruguai a fechar , que por acaso até teve muita sorte no sorteio…

      Neste momento numa grande competição (Mundial ou Europeu , caso os sul americanos participassem como estavas a exemplificar ) de selecções o Brasil ficava atrás de Alemanha , Espanha, França e Argentina para ganhar a competição e ia se ver grega com selecções tipo Portugal, Holanda (com a holanda perdia sempre ahah) , Croácia, Itália, Inglaterra …

      Agora o Brasil ser sempre considerado favorito a ganhar qualquer mundial estás completamente alucinado… E muita "sorte" tem o Brasil de ter tantos jogadores a aprender na Europa. E para terminar , a Europa no geral está muito à frente a América do Sul em termos de evolução no futebol actualmente e quase desde sempre. Basta olhar para os campeonatos de ambos os continentes… E acima de tudo para o sucesso esmagador das selecções europeias sobre as da america latina. Nos últimos 5 mundiais, 4 foram para a Europa…

    • Zizou
      Posted Março 31, 2015 at 8:59 pm

      *de 5 mundiais , 4 foram para a Europa e para países diferentes…

  • Diogo Palma
    Posted Março 31, 2015 at 10:50 am

    O futebol de rua pode estar quase extinto principalmente nas grandes cidades mas na maioria das escolas os miúdos passam os intervalos a jogar como se estivessem na rua o que até é bom porque têm ao seu dispor uma maior segurança e condições para jogarem em recintos próprios para o efeito.

    • Kafka I
      Posted Março 31, 2015 at 11:06 am

      Entendo o que dizes, mas um dos segredos do futebol de rua e que faz evoluir o jogador é precisamente jogar fora do "habitat" normal, ou seja, jogar com buracos no chão, em empedrados, etc…ou seja, fora "dos recintos para o efeito", porque isso é que leva à evolução e aumento de criatividade…

      Pois um miúdo que que jogue sempre num jardim cheio de buracos vai evoluir mais (ao nível de criatividade) que um miúdo que jogue sempre com relva ou cimento bem lizinhos, inclusive já vi uma entrevista do Aurélio Pereira onde ele menciona precisamente esta situação,

    • Diogo Palma
      Posted Março 31, 2015 at 11:25 am

      Kafka l,

      Talvez mas quem joga nessas condições adversas também pode começar a ter "vícios" (em termos futebolísticos) que depois complicam a adaptação ao futebol com regras, limites do campo, etc.

    • Anónimo
      Posted Março 31, 2015 at 12:22 pm

      Já o Pélé dizia eu era o melhor porque a minha rua era a que tinha mais buracos.

      Filipe Ribeiro

  • Zolo
    Posted Março 31, 2015 at 10:54 am

    Ao contrário do Kafka acho que além do jogador português ter cada vez menos capacidade no 1 contra 1, também é fraco na recepção e remate. Até o Ronaldo é um jogador limitado na recepção, apesar de ele já não se enquadrar no padrão que é definido no post.

    • Kafka I
      Posted Março 31, 2015 at 11:12 am

      Não falei no caso Português em particular, mas sim no típico jogador Europeu actual

    • Zizou
      Posted Março 31, 2015 at 11:47 am

      Ivo Rodrigues, Rony, Bernardo Silva, Gelson, Gonçalo Guedes, Bruma, Nuno Santos são fracos no 1 contra 1 ? Por amor de deus… Se o são na recepção e no remate isso já é culpa da incompetência dos clubes que os formaram….

    • Fábio Sousa
      Posted Março 31, 2015 at 2:14 pm

      Aconselho-te a ver a recepção do Ronaldo contra o Schalke. Se aquilo é de jogador limitado não sei o que são os outros.

    • Henrique Dias
      Posted Março 31, 2015 at 3:39 pm

      Já agora aquela recepção do Ronaldo no euro 2012 contra a holanda, e a do bernardo Silva que até motivou um post aqui no Vm…

    • Anónimo
      Posted Março 31, 2015 at 4:00 pm

      Come on, o Ronaldo comete muitos erros quando o assunto é recepção…

      Gonçalo Pinheiro

    • Anónimo
      Posted Março 31, 2015 at 4:34 pm

      Eu acho é que procuramos demais as limitações do Ronaldo e do Messi. Se olhássemos com os mesmos olhos os outros jogadores, a nossa opinião mudaria.

      João Magalhães

  • Miguel Clemente
    Posted Março 31, 2015 at 11:11 am

    Deixo aqui uma grande reportagem realizada pela Sport Tv a respeito deste assunto: " ReportTV – No principio era a bola ".
    https://www.youtube.com/watch?v=OMazPs0ki4M

  • Luís Lima
    Posted Março 31, 2015 at 11:13 am

    Muito bom texto. Apesar de eu não estar ligado à formação, nem sequer ao futebol, sou apenas adepto, acho que as ideias defendidas no texto são o caminho certo. Basta olhar para o trabalho da federação alemã e para os jovens que todos os anos despontam na Bundesliga, em quantidade e qualidade. Também a seleção belga é hoje uma das mais bem apetrechadas e jovens com talento parecem não faltar no país. Nos dois casos é notório o aparecimento de craques com grande qualidade técnica, contrastando um pouco com o histórico dos dois países. Já a França nos últimos anos tem feito muito boa figura nas competições de esperanças com jogadores muito fortes fisicamente que depois acabam por não aparecer no mais alto nível competitivo.
    No caso português, os grande resultados que já obtivemos foram fruto de grandes jogadores e grandes treinadores que despontaram no nosso país, fundamentalmente porque cá existe uma grande paixão por este desporto e porque de facto temos capital humano de grande qualidade. Por outro lado não podemos contar com uma organização, seja a que nível for, uma visão e um plano para o futuro por parte da nossa federação como aconteceu em países como Alemanha, Inglaterra ou Bélgica. Cá os líderes têm o estilo de políticos e fazem-se rodear de amigos e não de pessoas interessadas e competentes nas suas funções. Ao longo dos últimos anos pouco ou nada foi feito, exceção feita ao ressurgimento das equipas B. Da parte da FPF só vejo Fernando Santos como pessoa conhecedora e com capacidade para fazer algo melhor para o futuro do nosso futebol. Uma palavra também para Rui Jorge que para mim é o único bom selecionador que temos nas camadas jovens já há bastante tempo.

  • Anónimo
    Posted Março 31, 2015 at 11:18 am

    Grande post! Muitos parabéns.

    Fica a sugestão ao VM, porque não abrir uma secção do blog só para o Scouting? Penso que é uma área cada vez mais importante no futebol actual e a identificação de talentos precoces, nacionais ou não, será uma ferramenta cada vez mais útil para os clubes portugueses, na tentativa de fazer mais com menos.
    Saudações
    Crow

  • Fábio Matos
    Posted Março 31, 2015 at 11:37 am

    Grande Post.
    Uma realidade verdadeira dos tempos modernos.
    Já não se vê miúdos a brincar na rua.

    SL

  • m1950
    Posted Março 31, 2015 at 11:43 am

    Penso o mesmo sem tirar nem por.

  • João Teixeira
    Posted Março 31, 2015 at 11:46 am

    Muito bom posque
    No entanto apesar de concordar, também tenho que discordar em parte.
    Ora bem, para alem de jogar também sou formador numa Academia com miúdos até aos 8 anos. Tal como muita gente aqui também eu cresci com uma bola na rua, e era la que passava talvez 90% dos meus tempos livres, viviamos para aquilo. O que acontece hoje é totalmente o contrário, eu pergunto aos "meus" miúdos quando eles vão voltar a jogar e eles respondem "no próximo treino"! Ora bem, só existe dois treinos por semana, eles só jogam duas vezes por semana?! Muitos deles chegam a dizer que só estão lá para os pais aproveitarem aquelas horas para fazer algo, que eles nem querem seguir no futebol! O que eu acho é que acima de tudo o amor pelo futebol já não é o que era.

    • João Teixeira
      Posted Março 31, 2015 at 11:58 am

      *post

    • Anónimo
      Posted Março 31, 2015 at 12:16 pm

      É exactamente essa falta de prática que nos assombra. Jogar futebol apenas nos treinos pode ser prejudicial no futuro. Aliás, um conhecido homem do futebol Argentino já referiu que os seus jogadores com 10 anos têm mais tempo de contacto com a bola do que um europeu com 20…

      Pertinente…

      João Magahães

    • tomascapucho
      Posted Março 31, 2015 at 1:31 pm

      Isto. Que saudades de jogar na rua e ainda ir aos treinos. Hoje em dia (em Portugal), trocam a bola pelos telemóveis. Que tristeza

    • Kafka I
      Posted Março 31, 2015 at 2:03 pm

      Também noto isso, a paixão pelo futebol está a diminuir entre as crianças comparativamente com o nosso tempo…

      Diga-se no entanto, que hoje em dia também os miúdos também têm mais coisas com que se entreter, no fim de 80 e inicio de 90 não havia internet, não havia computadores (só o mais rico lá do bairro é que tinha pc por norma eheh, e nem dava para ligar à net, era apenas para jogar nada mais e os jogos tinham de ser comprados ou conhecer alguém que tivesse, hoje em dia vais à Net e sacas um jogo em 5 min) e o mesmo era válido para a consola, nem todos tinham consola …, para além de que só havia inicialmente 2 canais de televisão, e depois passou a haver 4, ora tudo isto somado a uma maior liberdade que os nossos pais nos davam para brincar na rua, levava-nos a focar-nos a 100% em futebol eheh

      Hoje em dia, já todos têm telemóvel, computador (como acesso á net e possibilidade de sacarem todos os jogos e mais alguns), consolas, possibilidade de jogarem online etc, para além de mais de 100 canais de televisão com variadas ofertas de programação, o que naturalmente leva a uma dispersão de interesses, que no nosso tempo era quase impossível dadas as limitações (tecnológicas) a que estávamos sujeitos..

      Portanto acaba por ser natural, quanto maior a oferta de entretenimento, maior dispersão há entre os possíveis consumidores

    • João Teixeira
      Posted Março 31, 2015 at 6:53 pm

      Compreendo isso Kafka, mas a mentalidade dos pais também devia ser outra. Muitos miúdos que lá tenho não têm atenção nenhuma dos pais, aquilo deve ser sair da escola e ir para casa enterrar-se num quarto agarrado a uma consola qualquer até à hora do jantar e consequente hora de se deitar. Que pais são esses? Chego a pensar que os miúdos só não fazem mais porque não lhes deixam.

    • Kafka I
      Posted Março 31, 2015 at 7:24 pm

      Ah nisso concordo inteiramente contigo, há muitos pais hoje em dia que parece que olham para os filhos como "empecilhos" então enchem-nos de coisas para eles se entreterem, esquecendo-lhe de lhes dar atenção, educação e tudo o que os pais devem ser…

      Acabam por "comprar" os filhos, ou seja, "dou-te uma consola/pc e o jogo que queres e não me chateias a cabeça, combinado?"

  • Anónimo
    Posted Março 31, 2015 at 12:08 pm

    Absolutamente fantástico, não conheço quem o escreveu, mas revela um conhecimento da formação muito simpático…
    São estas as pessoas que deviam trabalhar na FPF e em organismos com responsabilidades…

    Nuno

  • straightout7
    Posted Março 31, 2015 at 12:10 pm

    Delicioso. Do início ao fim, retrata perfeitamente aquilo que é a formação. Com as palavras certas, envolve-nos no texto e faz-nos refletir daquilo que é a essencia do futebol..

    Continuem VM

  • Amílcar
    Posted Março 31, 2015 at 12:22 pm

    Eu nunca fiz parte de nenhuma formação, mas agora faço parte duma equipa que joga uma vez por semana. desta equipa fazem parte pessoas que jogaram como eu na "rua" e pessoas que tiveram formação. A maior diferença que noto é a vertente defensiva, quando um jogador de rua perde a bola a sua vontade de correr para trás para recuperar a bola é muito menor que um jogador que teve formação.

    Também reparo que a tomada de decisão num jogador com formação é melhor que um jogador de rua. No entanto a visão de jogo ofensiva tende a ser pior, muitas vezes jogam pelo seguro, mantendo a bola, tornando o Futebol às vezes pouco objectivo e mais pragmático. O que não é necessariamente mau, houve selecções e clubes que ganharam competições sem grande virtuosismo.

    Concluindo, acho que uma equipa deve ser baseada maioritariamente na formação e apenas 2 ou 3 elementos serem mais irreverentes e criativos. Claro se tiverem as duas componentes melhor.

  • Anónimo
    Posted Março 31, 2015 at 12:39 pm

    Apesar de frequentador assíduo do VM…nunca comentei nenhuma notícia.
    Por norma, os bons comentários aqui presentes, acabam por ter sempre "interesses clubísticos" associados e acabo por perder o interesse em comentar.
    Na minha opinião, este é um dos melhores artigos aqui publicados até então. Subscrevo totalmente. Penso da mesma forma, mas infelizmente somos poucos (ainda) a ver o futebol / formação sob este prisma.
    Importa referir, a meu ver, só um “pequeno” detalhe: nós (Portugal) não devemos querer apenas formar futebolistas profissionais. Devemos também querer formar bons seres humanos.
    E apesar de o futebol de rua ser associado a bairros mais carenciados – tipicamente sul-americanos (sem qualquer desrespeito) – onde as crianças muitas vezes acabam por seguir caminhos não desejados, a verdade é que as crianças podem e devem praticar o futebol de rua, sempre com o devido acompanhamento, pois não só na formação de pessoas e de atletas, os pais devem ter um papel decisivo.
    Muitas vezes na rua aprende-se muito mais que na escola ou que na academia… agora cabe às crianças, e aos pais serem presença assídua na vida dos filhos, para que estes possam fazer um devido aproveitamento dos ensinamentos. Perceberem e distinguirem o bem do mal, seja no futebol, ou enquanto cidadãos.
    Não só as crianças que tem de ser educadas / formadas. Tem de ser também os pais. E quantos são pais, apenas porque sim(?), e não participam nem direta nem indiretamente na formação dos seus filhos?
    Ser pai ou mãe, não é apenas o ato de fazer a criança. É educar! É formar! É acompanhar o seu trajeto!
    Vejo e ouço frequentemente a desculpa da carga horaria, das horas tardias a que se chega e que se sai de casa, como justificação para não acompanhar o percurso das crianças, jovens ou adolescentes… mas quando aceitaram / quiseram ser pais, não tiveram tempo para o fazer?
    A vida é curta, muito curta e cabe-nos a nós dar o nosso melhor na formação e educação dos nossos descendentes, que na realidade são e serão sempre um pouco de nós e o futuro do país.
    Quero com isto dizer, seja o Ronaldo ou o Messi, o Neymar ou o Tevez, o Zidane ou o Ronaldinho, o Buffon ou o Oliver Kahn… procurem a história deles e vejam… os pais estiveram sempre presentes na vida deles.
    Não só os treinadores, não são só os clubes, não só as associações e a federação. Seja que desporto for, também somos nós, cidadãos de Portugal, que temos de mudar a mentalidade para formarmos melhores jogadores ou melhores seres humanos.

    Fábio

  • André Ribeiro
    Posted Março 31, 2015 at 1:10 pm

    Excelente post, concordo inteiramente com isto, ninguém pode dizer a um menino que num treino de 2 horas só vai estar em contacto com a bola 10 minutos e que não pode dar toques de barbela e pegar a bola na defesa e tentar ir marcar golo!!!! Um dia tentei discutir com algumas pessoas que treinam miúdos na formação e arrependi-me na hora, vão lá tentar dizer aos treinadores que os miúdos tem é de ter alegria para jogar à bola que isso pode implicar por vezes piores resultados contra equipas extremamente formatadas ou tentei explicar aos pais dessas crianças que eles ainda tem de tocar milhões e vezes na bola antes de treinar como os grandes? Pior que isso no futebol de formação põe os jovens demasiadas vezes presos a uma certa posição, quase como se fosse proibido que um ponta de lança num jogo pudesse jogar a central ou a extremo ou a médio… Tudo demasiado mau… E com isto começa a aparecer outro fenómeno que não foi mencionado aqui, o futebol de rua não morreu por completo ainda existem bairros onde se joga futebol de rua, o problema é que estes jogadores que depois aparecem com um toque de bola acima da média são endeusados por treinadores pais amigos e etc. E na verdade depois quando passa a fase dos 13 anos e chegam a outros patamares competitivos conseguem fazer uma diferença tão grande em relação aos restantes que poucos treinadores os põe no banco quando é necessário, que ralham ou tentam corrigir as lacunas desses jogadores, pois o importante é ganhar!!! Claro que depois com o passar dos anos muitos desses jogadores continuam a ser iguais ao que eram à 3 ou 4 anos atrás, apenas tem mais força, uma vez que os treinadores nunca se preocuparam em evoluir os pontos fracos desses jogadores ou se o fizeram ele chateou-se muito com isso e foi para o clube vizinho e o treinador que o reprimiu na tentativa dele evoluir é uma porcaria porque deixou sair o melhor jogador, e depois chegamos ao campeonato de juniores e vimos quase jogos de uma equipa veterana da liga italiana, muito fortes tacticamente todos sabem o que fazer dentro de campo, sabem muito quais são os tempos de jogo, jogar com bola e sem bola, mas no fim quando a bola chega ao pé, pensamos, porra!!! Estou a ver um jogo da ultima divisão distrital? E assim vai o nosso futebol de formação

  • David Silva
    Posted Março 31, 2015 at 1:27 pm

    concordo totalmente com o autor do texto e posso afirmar como jogador de futebol juvenil que sinto esse excesso de importância do treinador e das suas respetivas ideias de jogo. entrei no futebol há apenas duas épocas( iniciado) e senti falta de liberdade, muita "robotização" dos jogadores, contrariamente ao futebol de rua que sempre joguei. posso dizer que piorei no meu passe e sobretudo remate (visto que sou trinco) e para além disso não me é permitido o tal erro, em prol da equipa e da sua classificação no campeonato… outro problema que não foi referido é a falta de rotatividade no plantel, pois os treinadores jogam com o mesmo 11 toda a época salvo lesões ou motivos de maior.

  • Gonçalo Alvim
    Posted Março 31, 2015 at 1:47 pm

    O conhecimento sobre jogadores jovens é meritório. Mas será que é assim tão relevante? De que vale saber quem é e as qualidades (ou defeitos) de um jovem de 17 anos se ele ainda tem que dar o salto final e aquele que é mais importante na sua carreira? Quantos talentos não ficaram pelo caminho na sua passagem para o futebol sénior? Se um jogador só está totalmente formado entre os 23 e os 25 anos de que serve estar a augurar este ou aquele futuro? E esse critério de avaliação chamado potencial, quem e como se mede? O que acrescenta dizer que um jogador tem um elevado potencial?

  • Joao Silva
    Posted Março 31, 2015 at 2:40 pm

    Post interessante e correcto até um certo ponto. Se por um lado o futebol de rua acaba por estimular a criatividade e o amor ao jogo por parte dos futebolistas nao é menos verdade de que a componente táctica ocidental continua a ter uma importancia muito grande. Porque se o que diz este post fosse assim tao verdadeiro como explicar o declínio das selecoes sul-americanas no panorama das competicoes mundiais? Equipas como o Brasil, México, Argentina,etc tem países em que o futebol de rua é algo cuotidiano mas depois as suas equipas e selecoes nao tem propriamente logrado atingir o next step que sao conquistas.

    Acho que no caso Portugues o maior problema vem da centralizacao dos fundos que acaba por ir todo para os clubes das primeiras duas divisoes ficando muito pouco para a formacao dos "clubes de bairro" e clubes regionais. Esses deveriam ser os grandes centros de captacao de talentos e aí devería comecar o investimento dos clubes grandes e das próprias selecoes. É necessário mais infra-estruturas fora dos centros urbanos e um estímulo maior a que os jovens sintam que tem aonde jogar nao apenas por passatempo entre amigos mas num clube que tenha algum objectivo ainda que seja apenas competicao saudável. Para lhes dar um exemplo muito próprio eu vivo numa pequena cidade do México, muito turística mas sem um grande clube na regiao, e posso vos dizer que só nesta cidade e numa ainda mais pequena aqui perto existem, nas calmas, uns 30/40 campos de futebol, tanto de 7 como de 11. Muitos deles patrocinados por equipas grandes como o caso do Pachuca.

    Em Portugal essa realidade já é muito diferente sendo que os clubes pequenos ou até mesmo pequeninos acabam por ter muito pouco apoio estatal para reabilitar as suas infra-estruturas. Casos como o campo do Pasteleira (no Porto) sao raros e acabam por existir equipas clássicas de futebol de bairro (ex. Ramaldense) que vem o passar do tempo e as condicoes piorarem anualmente.

    Por isso terminando o ponto concordo com o que se disse mas acho que a problemática passa mais por uma maior divisao de recursos por os clubes pequenos e pequenininhos do que propriamente por uma mudanca rasgo completo com a formacao táctica dos jogadores.

    • Kafka I
      Posted Março 31, 2015 at 3:57 pm

      Mas o post não diz para se acabar com a componente táctica, diz sim para juntar a essa componente táctica, o futebol da rua, trazendo o "futebol de rua para as escolas"

    • Joao Silva
      Posted Março 31, 2015 at 5:53 pm

      "deixaram de lado as mesquinhices tacticas e predominancia pelo fisico. encher criancas com sistemas tacticos e com demasiadas obrigacoes em campo só vem interferir naquilo que é o seu prazer pelo jogo."

      Claro que o texto nao faz apenas mencao a isso mas também ao aproximar dos jovens de escolas de futebol no que eu levei para o ponto dos clubes de bairro porque sao de mais fácil acesso para as criancas do que as escolas de futebol. Dou o exemplo da regiao metropolitana do Porto em que existe mais identificacao dos miudos com o clube "da rua" do que propriamente com escolas de futebol, apesar de existirem alguns bons exemplos como a escola do AC Milan(creio que é este) que está sediada no Estádio do Bessa.

    • João Teixeira
      Posted Março 31, 2015 at 6:56 pm

      Acha a escola do AC Milan um bom exemplo? Uma escola que só funciona para limpar a bolsa dos Portugueses que têm lá os filhos?

    • Kafka I
      Posted Março 31, 2015 at 7:20 pm

      João Silva

      Mas os autores do texto, mencionam essa questão de deixar de parte a parte táctica, ao inicio, até aos 10/11 anos, depois a partir daí a componente táctica tem (e bem) de ganhar relevo…foi assim que intrepretei o texto, mas só memso os autores do post, poderão confirmar

    • Joao Silva
      Posted Março 31, 2015 at 8:38 pm

      Joao Teixeira exactamente o que eu pretendo dizer, que escolas de futebol sao de acesso mais limitado do que os clubes de bairro. Agora do ponto de vista de exemplo de existencia de uma escola com "renome" no Porto a do Milan é das poucas que me recordo. De qualquer das formas a escola do Milan tem apenas 5 anos de existencia, creio que ainda é um pouco cedo para avaliar o seu sucesso.

      Kafka I entendo o teu ponto de vista mas nao acho que seja propriamente esse o ponto, a educacao tactica quando bem aplicada só trará frutos ao desenvolvimento dos jogadores, agora a questao está o quao "bem aplicada" é, e para isso é preciso formacao profissional e aproveitamento de recursos coisa que nao sabemos, enquanto país, fazer em condicoes.

    • Anónimo
      Posted Março 31, 2015 at 10:23 pm

      João Silva,

      Não falamos em alterações tácticas no processo de desenvolvimento dos jogadores. O que pretendemos enfatizar foi que elas são ensinadas aos jogadores precocemente, ao contrário do que acontece em escolas emergentes do Futebol. Foi para isso que recorremos ao exemplo da Bélgica.

      O Modelo deles baseia-se num ensinamento sequencial e faseado, onde até os escalões sub12/sub13, o jogador tem plena liberdade para se expressar em campo, onde experimentam várias posições sem qualquer restrição imposta pelo treinador. Daí para a frente começam a ser introduzidas essas "nuances" tácticas que são importantíssimas..

      João Magalhães

    • Joao Silva
      Posted Março 31, 2015 at 11:17 pm

      Okay entendi e isso tem lógica que os jogadores nao sejam "escravos" de determinada posicao.
      Agora gostava que tivessem comentado algo sobre o resto do meu comentário aparte da questao tactica. Acho que o comentário do Kafka acabou por limitar um bocado o que eu disse.

      Obrigado pela resposta Joao Magalhaes

    • João Teixeira
      Posted Abril 1, 2015 at 11:01 am

      joao Silva, já tive a oportunidade de ver treinos deles e posso dizer que os treinadores/formadores só dão atenção aqueles que realmente já mostram algo para a sua idade, o resto, bem o resto anda para lá a chutar a bola para um lado e para o outro enquanto os outros jogam. E o mesmo se passa na Dragon Force por exemplo, são capazes de ter mais de 50miudos por treino mas a maioria anda ali a não fazer nenhum. Estas escolas só se focam no dinheiro e em puder aproveitar alguns jogadores para a formação dos respectivos clubes, os que conseguem claro. Ainda gostava de saber quanto um pai destes miudos gasta num ano numa escola dessas, assim por alto devem ser só para inscrição, equipamento e afins 100€+ e mensaliade a rondar os 50€!!

  • Bearzot
    Posted Março 31, 2015 at 3:07 pm

    Concordo com o artigo. Muito bem analisado.
    Quanto ao futebol de rua, está cada vez mais em desuso. E faz muita falta ao jogador de hoje, quanto mais não seja para dar mentalidade: jogamos porque queremos, ninguém nos obriga a estar lá; não há árbitros, nós é que fazemos as regras, damos "porrada" levamos "porrada" só é falta quando alguém fica com os joelhos em sangue!; não há idades, jogamos contra o vizinho que tem mais 3 anos que nós, aprendemos a jogar com as nossas fragilidades, evoluímos porque os outros são mais velhos e, por tendência, com mais físico que nós; mandamos o gordo à baliza e o gajo que nunca passa a bola é o último a ser escolhido… coisas destas fazem falta a um miúdo para crescer!

  • Rafael Almeida
    Posted Março 31, 2015 at 3:42 pm

    Excelente post! Tenho apenas 16 anos, sou um leitor diário do VM, estou, quase sempre que ligo a internet, a atualizar a página para ver se há artigos novos, porque gosto imenso. Concordo com tudo o que foi dito, principalmente com a parte do futebol de rua, aos poucos e poucos estar a desaparecer. Lembro-me que há uns 5/6 anos atrás eu ía para a rua com os meus vizinhos jogar futebol, então quando era Verão, ficávamos lá até às tantas da noite. Os meus vizinhos mudaram de casa há uns anos atrás, e agora, só existe aqui pessoal uns 2 ou 3 anos mais velho que eu ( os mais próximos da minha idade ), ou então uns miúditos mais novos, com quem nunca falei. Parece que não mas isto do futebol de rua também servia para se fazerem grandes amizades, porque qualquer miúdo " novo " que aparecesse ao pé do campo de futebol para jogar, era bem-vindo. Agora passo inevitavelmente a maior parte do meu tempo ou no computador, ou a estudar, ou então vou correr e trabalhar o físico durante 1h30m, ao ar livre claro. E de vez em quando, todos os sábados ou domingos, organizo com os meus amigos um jogo de futebol num campo sintético no parque da minha cidade. E lá até consigo melhorar num aspeto ou noutro. Tenho o sonho de ser jogador de futebol desde novo. Nunca andei em nenhuma escola de futebol da minha cidade ( de ano para ano as escolas de futebol da minha cidade têm cada vez mais vindo a melhorar, não só nos campeonatos onde estão inseridas, bem como na qualidade dos jogadores que de lá saiem, e atenção que não vivo nem em Lisboa, nem no Porto. ), só joguei durante umas semanas numa dessas escolas da minha cidade, a do melhor clube da minha cidade, quando tinha 6 anos. Na altura era um miúdo, a maioria dos meus amigos andava em escolas de futebol, e eu não queria fugir à regra. E na altura, só fui para lá porque estava na moda. Na altura não dava grande importância ao futebol, mas hoje, é realmente aquilo que me faz feliz a 1000 por cento. Sei que esse meu sonho é impossível porque: nunca tive formação em nenhuma escola de futebol ( e com 16 anos é muito complicado conseguir entrar em alguma equipa, ainda para mais sem formação, e tal como referi, os jogadores da minha idade, dos clubes da minha cidade, são grandes jogadores, e não iria nunca na vida conseguir roubar lugar a nenhum ), e porque eu sempre quis jogar a extremo ( talvez porque sempre tive como ídolos, jogadores que jogam nesta posição, ou noutra posição do ataque como PL ). Até acho que tenho capacidades para tal, mas peco ao nível da técnica e outros aspetos ( talvez por nunca ter tido formação nas camadas jovens ). Até acho que dava um bom Lateral Esquerdo, porque sou bastante rápido. cruzo bem, posso deixar bastante espaço nas costas da defesa que consigo rapidamente recuperá-lo, venço no 1 contra 1 a nível defensivo. Infelizmente, sei que isto nunca vai passar de um sonho, porque só o facto de nunca ter tido formação, põe logo de fora qualquer possibilidade de eu algum dia entrar em alguma equipa. Era o que realmente me ía fazer feliz. Mas como nunca irá acontecer, terei que ficar a vida inteira a trabalhar numa secretária ( caso haja trabalho ), ou então emigrar. Só gostava mesmo era de com esta idade, ter uma oportunidade numa equipa qualquer. Nem que fosse na pior equipa do mundo. Só queria mesmo era poder sentir a sensação de adrenalina quando estás em campo a lutar pelos 3 pontos, a lutar pela felicidade dos teus adeptos. Marcares um golo e poderes festejar com eles. Só isso, e já poderia viver feliz o resto da vida.Continuação do bom trabalho VM, e resto de bom dia a todos

    Rafael Almeida

    • Anónimo
      Posted Março 31, 2015 at 3:47 pm

      Fantástico Rafael. Todos nós já tivemos esse sonho, julgo eu. Muita sorte na tua vida e que tenhas sucesso, seja lá onde for..

      João M.

    • Kafka I
      Posted Março 31, 2015 at 4:07 pm

      Excelente comentário Rafael, esse comentário dava um post parabéns, devias comentar mais vezes

    • Rúben Gomes
      Posted Março 31, 2015 at 4:26 pm

      Eu tambem tinha esse sonho, mas nem cheguei a entrar numa equipa, "ja" tenho 18 anos. Sinceramente, acho q tinha futuro. Tenho 1.90 e tenho uma boa compleção fisica. Muitas vezes perguntam porque não jogo futebol, comparam me ao Matic as vezes eheh, mas tenho problemas de respiração: renite alergica. Portanto, é impossivel jogar futebol profissional.

      Gostei do teu comentario, Rafael. Comenta mais vezes pois por vezes sinto falta de ideias mais novas e sinto me sozinho nos comentarios. Costumo comentar aqui… Bem, boa sorte, abraço.

    • Bearzot
      Posted Março 31, 2015 at 4:37 pm

      Não deixes que esse mito da formação te leve a não tentares o teu sonho. Com 16 anos tens muito para aprender. Não penses que os que andam em escolas de formação são melhores do que tu. Estão mais aptos para o ser, mas já tive colegas que com essa idade começaram a jogar futebol federado e em nada ficavam atrás dos que já la andavam aos anos. E sabes porquê? Porque tinham exactamente essa paixão que tu transmites. Desfrutavam de cada treino. Tiravam prazer do que faziam. Sabiam das suas limitações, ou tinham consciência dos seus medos, e portanto, aplicavam-se ao máximo.

    • Rafael Almeida
      Posted Março 31, 2015 at 5:39 pm

      Muito mas mesmo muito obrigado a todos mais uma vez. É sempre excelente receber comentários de alguém que de certa forma se admira. E obrigado pelo incentivo a sério. Irei fazer os possíveis e os impossíveis para não deixar este sonho morrer.
      Grande abraço a todos

      Rafael Almeida

    • João Lains
      Posted Março 31, 2015 at 5:57 pm

      O talento para jogar futebol, reconhece-se no campo. Senão te dás a conhecer, é óbvio que nunca vai passar de um sonho. Se jogas assim tão bem, nunca te desafiaram para fazer um treino no clube da tua localidade? Acho estranho.

    • Awesome_Mark
      Posted Março 31, 2015 at 6:19 pm

      Excelente comentário Rafael. Eu tenho apenas mais um ano do que tu e no início também sentia que não acrescentaria muito mas é muito bom discutir ideias sobre aquilo que mais gosto e aconselho-te a comentar mais também.

      Quanto ao conteúdo do comentário eu também alimentei esse sonho em tempos e sinto que se me tivesse dedicado mais poderia ter algum futuro (como guarda redes eheh) mas é isto que eu respiro também e é com futebol que eu vou viver no futuro, mesmo que hajam outras profissões mais viaveis. So ainda nao sei se como treinador, manager ou jornalista desportivo.

    • Rafael Almeida
      Posted Março 31, 2015 at 6:25 pm

      Mais uma vez não concordo consigo, tal como em comentários seus que faz em outras notícias . Mas na sua resposta, contrariou-se. Primeiro diz que se nunca me der a conhecer, óbvio que nunca vou poder jogar. E tal como refere, se nunca me dei a conhecer, como é que me podem desafiar para fazer uns treinos no clube da minha localidade? ( então, continua a achar estranho nunca me terem desafiado para uns treinos? Claro!, nunca fui a nenhum clube perguntar se podia fazer esses tais treinos que refere, por existir o tal medo que o Bearzot refere: o de os jogadores que já lá estão no clube, por já terem formação, serem melhores que eu. ) Obviamente que se nunca me der a conhecer, nunca me poderão desafiar para uns treinos em qualquer clube que exista. E quando digo que jogo bem, é o que eu acho. Não significa que os outros achem.
      Cumprimentos,

      Rafael Almeida.

    • João Lains
      Posted Março 31, 2015 at 6:56 pm

      Eu estou a tentar abrir-te os olhos mas com esse discurso da terra dos sonhos é complicado. Ninguém vai olhar para ti e pensar que podes dar um bom jogador de futebol sem mais me menos. Ainda assim, boa sorte e que concretizes esse sonho.

    • João Teixeira
      Posted Março 31, 2015 at 7:03 pm

      Rafael muito bom post. Deixa me dizer que ainda és novo e tens todo um futuro a tua frente, basta lutares por ele. Com um ano mais que tu e também sem formação, jogava apenas com amigos, convidaram-me para ir fazer uns treinos a um clube da terra e hoje apesar de ainda não poder dizer que posso viver da bola consigo fazer o que gosto e ainda ser recompensado por isso. Se é da bola wue gostas então não desistas dela.

    • Rafael Almeida
      Posted Março 31, 2015 at 7:15 pm

      Muito obrigado Awesome Mark. É bom ver que há mais gente quase a minha idade que também ama o futebol como eu. E caso eu não dê em jogador profissional, também quero fazer da minha vida algo relacionado com o futebol, como tu referes ( jornalista, comentador desportivo, gerenciador de um site ou página desportiva, escrever artigos desportivos). Mais uma vez, muito obrigado.

      Senhor João Lains, de facto, não me percebeu. O que quis dizer, é que se contradiz-eu na sua resposta, mais nada. Simplesmente levei demasiado a mal a parte do: " se és assim tão bom, acho demasiado estranho nunca ninguém te ter desafiado para uns treinos. " É normal, nunca fui a nenhum clube experimentar, nunca nenhum treinador me viu jogar ( acho eu ). Por isso é que nunca fui desafiado para treinos nenhuns. Não estou a querer critica-lo. E quanto à terra dos sonhos a que se refere ( isso não se aplica a mim ), quem me conhece, diz que sou demasiado negativo, e que devia levar a vida a pensar como o senhor referiu, na terra dos sonhos é que se está bem. Mas não. Sou negativo, mesmo muito negativo por natureza. Por isso, não percebo onde é que se encaixa a parte da terra dos sonhos.
      Cumprimentos,

      Rafael Almeida

    • João Lains
      Posted Março 31, 2015 at 7:21 pm

      Para terminar, quem quer jogar futebol és tu. Os treinadores apenas trabalham com o que têm em mãos.

    • Rafael Almeida
      Posted Março 31, 2015 at 8:40 pm

      Muito obrigado pelo incentivo João. Espero que consigas chegar longe no futebol.Grande Abraço.
      Cumprimentos,

      Rafael Almeida

    • João Teixeira
      Posted Abril 2, 2015 at 12:52 am

      Rafael, de que terra és se nos for possivel saber? Se fores do Porto sou capaz de te arranjar algo.

  • straightout7
    Posted Março 31, 2015 at 3:42 pm

    Basta ir ver um jogo de uma equipa qualquer pelo país fora e vemos as dificuldades técnicas que os jogadores tem. Mais do que fintas e isso, é recepção e passe. Até faz doer os olhos…

    • Rafael Almeida
      Posted Março 31, 2015 at 4:50 pm

      O meu problema é mesmo o 1 contra 1. Tenho passe, receção. A finta é o que me falta para dar um extremo razoável.

    • João Lains
      Posted Março 31, 2015 at 5:44 pm

      Senão tens finta, não podes querer ser extremo. O passe e a recepção são fundamentos básicos do jogo, exigem-se a todos os jogadores.

    • Rafael Almeida
      Posted Março 31, 2015 at 6:19 pm

      Desculpe caro senhor, mas eu posso ser o que eu quiser. E acho que ninguém tem nada a ver com isso, acho eu. E quando digo finta, refiro-me a técnica, criatividade. Nada mais. Sim e repito, só me falta isso. E olhe que sei as minhas qualidades e os meus defeitos.

    • Rúben Gomes
      Posted Março 31, 2015 at 6:42 pm

      O que o Joao quer dizer é quando se imagina um extremo pensamos em velocidade, tecnica e finta. Se é es rapido, e tens pulmão acho que nmr 8 era otimo. Box to Box.

    • João Lains
      Posted Março 31, 2015 at 6:49 pm

      Senão te destacas nos atributos mais importantes para um extremo, como é que podes querer ser um? O mundo real e bem mais duro do que imaginas.

    • Rafael Almeida
      Posted Março 31, 2015 at 8:05 pm

      Por acaso dos últimos jogos que tenho feito dava um bom número 10, e nem sou eu que acho, até são os meus amigos mais velhos que o dizem

    • Rafael Almeida
      Posted Março 31, 2015 at 11:21 pm

      Lembrei-me agora de um extremo que, no meu ver, não tem técnica nenhuma, mas que dava um bom PL, o Ivan Cavaleiro. Como vê, é possível.
      Cumprimentos,

      Rafael Almeida

  • Anónimo
    Posted Março 31, 2015 at 3:52 pm

    Grandea verdades aqui ditas. Enorme post. Quando vou buscar o meu irmão a escola, anda no basico deparo-me com uma situação totalmente diferente da que havia na minha era ( decada de 90). No meu tempo, tudo o que pediamos aos nossos pais era umas boas 'tilhas' , umas total 90, sanjo entre outras para jogar ao baralinho na escola ou aos 5 sai fora. Quando tocava para o intervalo la iamos todos a correr para ganhar uma vaga no campo. Hoje em dia os miudos so querem saber do swag, so se ve miudos de nike airforce, telemoveis e tablets na mao.
    Diogo Oliveira

    • cmoreira.ft
      Posted Março 31, 2015 at 4:19 pm

      Talvez o melhor post que vi aqui no VM, e estou de acordo contigo Diogo. Eu nunca joguei em nenhum clube, no entanto fiz sempre aquilo que referiste com os meus amigos até aos 14 anos – e hoje tenho 21. Para além da escola, eram as tardes passadas a jogar futebol em ruas em paralelo. Grandes tempos, dos mais felizes da minha vida até agora.
      Hoje em dia os miúdos fecham-se em casa com os pc's, tablets e smartphones. Mesmo os da formação. É pena, e espero que isto dê uma volta.

    • Fábio Santos
      Posted Março 31, 2015 at 4:46 pm

      Lá está… os pais que não passam tempo com os filhos… e a forma que encontram de os "compensar" da sua ausência é através da tecnologia.

      Parte de cada um de nós começar a mudar o paradigma.

      Fábio

    • Fábio Santos
      Posted Março 31, 2015 at 4:49 pm

      Lá esta…

      os pais que na sua grande maioria não tem tempo para os filhos e que encontra na tecnologia o melhor refugio para os compensar… do tempo que não passam com eles.
      Continuo a achar, que educação tem de partir de todos nós para conseguirmos os resultados pretendidos.

      Fábio

  • Rodrigo M
    Posted Março 31, 2015 at 4:43 pm

    Bom texto. Concordo, embora, como também o Kafka já disse (e outros), o modelo europeu funciona.

    É uma questão de futuro e não do imediato. Ou seja, é o próximo passo na evolução. O actual modelo resulta, contudo chegaremos a uma altura em que os outros continentes também já se adaptaram a um modelo que resulte e aí o continente europeu, mais uma vez (a história mostra isso), irá evoluir, caso queira manter a supremacia.

    Na minha infância apareceram as primeiras consolas e os primeiros computadores (sem Internet e bastante básicos). Logo tive contacto com as mega drives e outras consolas anteriores, mas no meu tempo sabíamos compatibilizar o tempo de jogo de computador (que eu acho que tem muitos benefícios, como diversos estudos demonstram) com o tempo de brincadeira e futebol.

    No meu caso, jogava muito futebol (até porque não tinha telemóveis para me distrair) mas só com amigos. Gostava de ter jogado mas nunca pude jogar num clube, porque eu praticava Judo, modalidade que adorava, era federado e ia a vários campeonatos (até ganhei algumas medalhas). Infelizmente uma lesão que não me deixava continuar com o ritmo de treino necessário obrigou-me a abandonar o Judo.

    Actualmente, por razões de trabalho (tenho responsabilidades que não ficam no trabalho e obrigam-me a trabalhar em casa) e de tempo, não jogo muito futebol. Mas enfim, eram bons tempos

  • Anónimo
    Posted Março 31, 2015 at 4:45 pm

    Esta realidade acontece no futebol e em todas as restantes modalidades. Eu sou treinador de uma equipa de iniciados de Basquetebol que se dedica exclusivamente à formação. Tento sempre incentivas os miúdos a jogarem fora dos treinos, a juntarem-se no fim de semana ou depois das aulas para jogarem à vontade, fora do contexto treino. Mas poucos o fazem… Por vezes coloco exercícios que estimulem a criatividade e, outras vezes, deixo-os jogar sem o meu controlo, para cometerem os erros e fazerem os movimentos naturais da idade.
    Tento sempre colocar exercícios onde todos participem, evitando as filas e as esperas. Durante os jogos, como estamos a falar de iniciados, todos jogam em todas as posições e todos desempenham várias funções. Os "grandes" a defender os pequenos, os "pequenos" no bloqueio defensivo, etc. Acontece que, contra equipas que jogam "à senior", os resultados nem sempre são os melhores. Os miúdos ficam desmotivados, os pais protestam… E como fica o treinador nesta situação? Felizmente os frutos desta política são visíveis no escalão de juniores, onde temos os jogadores "grandes" a saber driblar e lançar e os "pequenos" a conseguirem jogar dentro, etc. Mas ninguém tem paciência para esperar e pelo longo prazo. O meu discurso, para a minha equipa actual, é muito focado no "atenção que estamos a trabalhar bem, no futuro as coisas vão funcionar melhor". Mas todos querem é ganhar! Felizmente até temos ganho, mas ninguém entende o esforço que fazemos para seguirmos na nossa filosofia. Por isso é que o nosso Basquetebol está como está… Temos uma Liga fraca e uma selecção sem qualidade.
    Depois temos o problema que se verifica, pelo menos no Basquetebol. Em todos os clubes os miúdos têm de pagar mensalidades para jogar. Muitos miúdos não conseguem jogar porque não têm dinheiro! Eu deixo que todos treinem mas, mais cedo ou mais tarde, alguém vai-lhes pedir o dinheiro. Dá-me pena… Como diz um colega meu, por isso é que só temos "Nenucos" a jogar.

    João Filipe

  • Sombras
    Posted Março 31, 2015 at 5:54 pm

    Existe ainda outro problema na formação em Portugal (e não só, a Bélgica irá sofrer do mesmo, a julgar pelo Anderlecht) que é a grande presença de jogadores africanos. E isto não é racista ou xenófobo, é meramente factual, Moretto Cassamá é de origem africana e foge completamente ao meu reparo. Explicando, o meu ponto é que existem dezenas de jogadores talentosos "tapados" por jogadores africanos que, face a terem um desenvolvimento mais rápido, ou seja, atingem o pico físico da adolescência mais cedo (fora aqueles com a quilometragem martelada que se foram registar a andar, mas quero acreditar que disso já há pouco). A grande questão é que estes jogadores apenas são superiores aos demais enquanto as vantagens físicas se fazem sentir, sendo do mais banal que existe a nível técnico, sendo que ao chegar aos seniores são jogadores perfeitamente comuns porque já têm físicos equiparáveis aos adversários (tirando os Lukakus destas vidas), ao passo que o jogador franzino e pequeno, que até dominava a técnica, teve a sua evolução perfeitamente estagnada. Ao contrário do que possa parecer, nem são os grandes que sofrem mais destes males, nos pequenos é mais gravoso. Fui este fim de semana ver um jogo de um familiar no clube aqui da terra que joga nos sub15 e o extremo titular ao meu lado que não sabe dominar uma bola, mas as cargas de ombro são todas dele, e tem menos 2 ou 3 centímetros que eu…que tenho 21 e 1,83m.

    • Rodrigo M
      Posted Março 31, 2015 at 6:07 pm

      Na zona onde frequentei o ensino básico a equipa da cidade (que por acaso tem uma ligação estreita com o SCP) tinha jogadores de 17 e 18 anos nos iniciados. Lembro-me dum caso no qual um árbitro perguntou a um desses indivíduos, cuja alcunha era Katanhó, a idade dele. O rapaz respondeu "a idade que você quiser". Muitos destes "jovens" eram autênticos tijolos que só tinham altura, força e velocidade. Por outro lado, outros jogadores foram completamente tapados e largaram o futebol eventualmente.
      Lembro-me dum rapaz incrivelmente talentoso, era espectacular, que era sistematicamente observado pelo SLB e pelo SCP, que estava totalmente tapado por um indivíduo com o dobro do tamanho mas com tamancos nos pés (na posição de 10!) porque, e segundo o treinador, "tu tens pouco físico para ganhar bolas e nós temos é de ganhar". Estas situações já foram à alguns anos, mas ainda acontecem.

      A título de curiosidade, esse treinador era pai ou tio ou uma outra afiliação qualquer do Roderick Miranda.

    • Miguel Costa
      Posted Abril 1, 2015 at 12:21 am

      Concordo, esse é um dos problemas na formação em Portugal, penso que a federação se devia impor e limitar a participação dos jogadores estrangeiros nos escalões de formação, já que o objectivo é formar para Portugal não para outras nações. Pode parecer racista mas temos de defender o que é nacional ou daqui a um tempo estaremos como a França de que uma selecção de brancos passou para uma selecção de negros. Não me interpretem mal defendo apenas que cada país mantenha a sua cultura e identidade não sou contra negros nem nada do género, pois concordo que se um jogador nasceu em Portugal e possui a cultura portuguesa deve, se tiver qualidade, pertencer à selecção nacional.

  • Anónimo
    Posted Março 31, 2015 at 11:22 pm

    o grande problema do futebol em Portugal no futuro é a diferença abismal de miúdos a jogar à bola na rua. Tenho 23 anos e no meu tempo, um dia de sol como este tinha dezenas de miúdos de férias a jogar à bola na rua em qualquer aldeia, nem falo de cidades.
    Hoje, em trabalho, passei a tarde em vários parques da zona de Lisboa. Vi três putos a jogar à bola… uma tristeza.
    A minha geração passava os dias de aulas a pensar nos intervalos e no fim das aulas para ir dar uns toques. Organizavam-se as equipas durante as aulas, escolhiam-se os jogadores que cada um ia encarnar, e fazia-se as eliminatórias num papel.
    Pergunto-me como pensarão os miudos dos 5 aos 15 anos hoje em dia

    dfmsb

  • Anónimo
    Posted Abril 5, 2015 at 7:05 pm

    Infelizmente, só agora consegui ver este post. Devia voltar a ser partilhado para que mais gente o pudesse ver e comentar. É absolutamente fantástica a descrição que fazem do clube médio de Portugal e do futebol neste país.

    Falo como coordenador da formação de um clube que habitualmente luta por títulos nas camadas jovens, mas que opera da forma descrita acima. Sem plano de futuro, sem pensar a longo-prazo, só querem os resultados. É difícil mudar isto, porque acontece o mesmo nos outros clubes e levam a que todos sigam as mesmas práticas.

    Devíamos seguir o descrito acima e a começar pela FPF. O exemplo da bélgica é muito bem conseguido,porque têm aproximadamente a mesma população e apanham jogadores alguns jogadores africanos, tal como nós..

    Cumprimentos e parabéns…

    João Couto

  • Matos
    Posted Maio 21, 2015 at 6:33 pm

    Ora boas. Sou treinador de futebol juvenil na Bélgica no Mechelen e um conhecido meu(Lage) mandou-me ler este texto para ver se reconhecia alguma semelhança com o país e tenho a dizer que está uma analogia bem feita. Na Bélgica, diria que estamos na vanguarda dos métodos futebolísticos, com estímulos para os jogadores, mandando os resultados para 2º e 3º plano ao contrário do que acontece em Portugal. Felizmente, costumo ir aí pelo menos 1 mês por ano, e vou vendo alguns jogos na zona de lisboa e é aterrador.
    Bom texto e foi pena só agora o ver, até porque é muito pedagógico.
    Um abraço e partilhem para chegar a mais gente

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