Terminadas as meias-finais do RWC conhecem-se já os dois finalistas. A Nova Zelândia bateu sem surpresa a Austrália, numa partida relativamente tranquila, já a França não se pode dizer bem o mesmo pois passou por grandes dificuldades contra Gales e teve que defender a vantagem com unhas e dentes.
Meias-finais
França teve que dar uso a toda a sua experiência para vencer por 9-8 um grande País de Gales reduzido a 14 unidades desde muito cedo, e também privado do seu pilar Adam Jones que saiu lesionado aos dez minutos, 8’ antes da ultra decisiva expulsão de Warburton por suposta placagem perigosa. Morgan Parra foi decisivo para os franceses devido às três penalidades que converteu que deram a vitória ao seu país. Durante o encontro, catorze fantásticos guerreiros galeses lutaram desesperadamente por uma vitória que seria épica, mas a sorte não lhes sorriu e foram afastados do sonho que alimentava todo um país e seus apoiantes. Apesar de todo este espírito guerreiro que Gales demonstrou, o esforço foi insuficiente para que ultrapassassem a linha defensiva francesa, que chegou a ser obrigada a defender vinte e sete fases consecutivas, provocadas pelas ofensivas do seu adversário, porém os Bleus deram sempre a melhor resposta e iam esgotando as energias ao seu oponente, que por tudo queria marcar presença na final. França avançou assim para a final, após uma partida em que ficou no ar o sentimento de alguma injustiça e a ideia que poucos foram os adeptos de rugby, excluindo os franceses, que terão ficado satisfeitos com esta vitória. O que fica para a história não é a justiça, mas sim quem vai lutar pela Webb Ellis, e neste caso é a França que o vai fazer.
Na outra meia-final a Nova Zelândia venceu a Austrália por 20-6 e tem agora a hipótese de repetir o título mundial que conquistou pela primeira e única vez em 1987 curiosamente contra o mesmo adversário que irá enfrentar nesta edição. Um ensaio de Ma’a Nonu, quatro penalidades convertidas por Piri Weepu e um drop de Aaron Cruden garantiram a vitória aos All Blacks que asseguraram a presença na final do RWC. A equipa da casa realizou uma excelente exibição e desde cedo se percebeu que seria a vencedora desta partida, pois bloqueava com grande ferocidade as investidas australianas e no ataque, sempre com um ritmo de jogo muito elevado e através de um pack de avançados muito activo, dava bastante trabalho à defensiva wallabie. Apenas perto do final a Austrália incomodou o adversário que soube sempre resolver os problemas que lhe apareciam pela frente, num embate em que os neozelandeses ainda acabaram com menos uma unidade devido à expulsão do recém entrado Sonny Bill Williams. Vitória mais que justa da Nova Zelândia que vai assim tentar presentear os seus adeptos com uma grande vitória após um mês e meio de competição ao mais alto nível técnico, físico e psicológico.
Final
Nova Zelândia – França
Os anfitriões são claramente os grandes favoritos a vencer o torneio, e apenas uma surpresa fará os All blacks não ganharem a competição, visto terem bastantes aspectos a seu favor, a sua qualidade é mais elevada, são fisicamente mais fortes e intensos e têm o sonho e apoio total de um país que neste momento tem apenas presente no pensamento, uma palavra, a vitória! No entanto os gauleses não podem ser desrespeitados e também terão a sua palavra a dizer, pois no rugby ao mais alto nível não pode haver falhas de concentração, e se a Nova Zelândia falhar, a França estará com certeza preparada para lançar as redes num jogo em que irá claramente adoptar uma postura mais defensiva na tentativa de surpreender o seu oponente com rápidos contra ataques e aproveitar a qualidade que tem no seu jogo manuseado. A Nova Zelândia sabe que não pode menosprezar o seu adversário pois ainda tem bem presente a surpreendente eliminação aos pés dos Bleus em 2007, e tem com certeza o alarme ligado, contudo todos os alarmes têm falhas e a vitória não pode ser considerada uma certeza!
Espera-se acima de tudo um grande espectáculo!
3º e 4º lugar
Austrália – País de Gales
Esta será com certeza uma partida bastante disputada e interessante de seguir. Australianos querem ficar com o honroso bronze, já os galeses querem conquistar um histórico terceiro posto, e partem para esta partida com o desejo de colocar uma cereja no topo do bolo e finalizar a sua fantástica prestação com uma vitória sobre a toda poderosa Austrália. Numa partida em que não há um clara vantagem para nenhum dos lados, o favoritismo até pode pender para o lado da Austrália, não pela qualidade dos dois países, mas sim pelo histórico e experiência. O factor decisivo será claramente saber como vão reagir mentalmente as duas equipas às derrotas que as afastaram da decisão final.
Francisco Paiva


