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Mundial sub-17: Nigéria sagra-se campeã; Iheanacho foi de longe o melhor jogador do torneio – craque para o futuro ou “novo Rabiu Ibrahim”?; México volta a mostrar o poder da sua formação; Danilo (apontado ao Braga) e Ezeh (associado ao Sporting) são alguns dos nomes que deram nas vistas

O Mundial sub-17 disputou-se num calendário diferente, devido às elevadas temperaturas que se fazem sentir nos Emirados Árabes Unidos no Verão, mas nem por isso perdeu o interesse e a história do costume com as equipas africanas. A Nigéria, apesar das desconfianças, sagrou-se campeã no relvado (4º título na categoria), mostrando uma enorme superioridade em relação a todos os adversários e vencendo na final o México por 3-0.

A ausência das principais potências europeias era uma das notas de destaque à entrada para a competição. Sem grandes equipas vindas do Velho Continente, a primeira fase ficou marcada pelas goleadas de Nigéria (que venceu o México por 6-1 na primeira jornada) e Brasil a todos os adversários. Esperava-se uma final entre as duas equipas, mas os campeões mundiais acabaram por contrariar o favoritismo da canarinha nos quartos-de-final (fase em que também estiveram as Honduras, a grande surpresa da competição), vencendo nas grandes penalidades. Nas meias finais, os mexicanos superaram a Argentina, que deixou boas indicações, enquanto que a Nigéria ultrapassou a Suécia, que sem ter uma grande equipa, conseguiu realizar um torneio bem interessante. Na grande final, mais um triunfo fácil para a Nigéria. Na verdade, os nigerianos praticaram um futebol espectacular, mostrando uma capacidade ofensiva do outro mundo.

Para não variar, o Mundial sub-17 é uma montra que permite descobrir talentos de toda a parte do mundo. Iheanacho, médio ofensivo nigeriano, foi de longe o melhor jogador do torneio. Tem um pé esquerdo fantástico, é forte no drible, tem visão de jogo, qualidade de passe (fez seguramente 10 assistências) e aparece muito bem em zonas de finalização (marcou 6 golos). Na Nigéria, também se destacaram o lateral direito Musa, extremamente ofensivo, o médio Musa Yahaya e os avançados Success (que era titular mas que acabou por se lesionar) e Awoniyi, que aproveitou da melhor maneira a lesão do compatriota. Finalmente, Chidera Ezeh, jogador associado ao Sporting, mostrou algum potencial e capacidade de agitar o jogo vindo do banco, mas esteve longe de ser uma peça fundamental. No conjunto mexicano, a força do colectivo substituiu a falta de uma super estrela. Uma equipa muito bem organizada, com o melhor guarda-redes do torneio (Gudiño, decisivo frente ao Brasil e Argentina), uma defesa liderada pelo central Pedro Terán, dois laterais extremamente competentes (Aguirre à direita e Rodríguez à esquerda), um meio campo composto por dois médios muito completos (o capitão Rivas e Govea), um ala direito que terá sido um dos destaques da equipa (Ochoa, muito eficaz, dá largura a atacar e equilibra a equipa na hora de defender) e um avançado que, sem ser brilhante, segura bastante bem a bola (Alejandro Diáz). Vindo do banco, saía normalmente outro elemento muito talentoso – Marco Granados, jogador muito potente e capaz de desequilibrar. Nos outros semifinalistas, de destacar o papel de dois avançados para o futuro: Sebastian Driussi, espectacular avançado da Argentina; e Valmir Berisha, o “novo Ibra” da Suécia, que terminou o torneio com 7 golos, que lhe valeram o prémio de melhor marcador. O sul-americano é um avançado muito móvel, rápido e agressivo, que finaliza muito bem com os dois pés e que tem um sentido de baliza notável. Em relação ao sueco, ainda é cedo para compará-lo a Ibra. Apesar disso, é um avançado que joga bem de costas para a baliza (não é muito rápido) e que é letal na finalização.

O Brasil tem uma geração que vai dar muitos craques. O grande destaque foi Nathan (segundo melhor jogador do torneio), médio ofensivo com um talento incrível – muita técnica e capacidade de decisão muito acima da média. O central Lucas Silva, autêntico patrão em campo, e os laterais Auro (muito parecido com Dani Alves) e Abner, lateral esquerdo com grande capacidade física (o Benfica tem direito de preferência por este jogador), deram nas vistas no sector defensivo. No meio campo, o grande destaque foi Danilo, que tem sido dado como forte hipótese para reforçar o Braga. Seria uma grande aquisição para os minhotos, de um jogador que tem um estilo muito semelhante a Fernando. No ataque, o extremo Boschilla foi uma máquina de fazer golos e criar desequilíbrios. Os pontas de lança Mosquito e Gabriel (Gabigol) têm também tudo para vingar. Importa ainda destacar a qualidade da selecção uruguaia, que apenas caiu aos pés da Nigéria. Mais uma grande geração da selecção charrua, com Otormin, Acosta e Mendez a assumirem-se como grandes figuras (todos jogadores de ataque).

PS – Circulou a informação que a FIFA tinha retirado o título aos nigerianos por utilização irregular de 4 jogadores (tinham idades superiores a 17 anos). O que daria o bicampeonato ao México (um prémio pela força da sua formação). No entanto, foi desmentido. Mesmo assim, a desconfiança em relação ao título da Nigéria é óbvia. E percebe-se porquê (foi demasiado evidente a diferença para as outras selecções).

9 Comentários

  • Ricardo
    Posted Novembro 9, 2013 at 2:12 pm

    Que situação, como é que é possível isto ainda acontecer?? Mas quem viu o Mundial percebeu que a maior parte dos nigerianos já deviam ter 20 e tal anos.

  • SardaoDaNoite
    Posted Novembro 9, 2013 at 2:19 pm

    Finalmente as técnicas de verificação de idade começam a surtir efeito, depois de outros títulos, digamos "suspeitos", da Nigéria noutras competições jovens, finalmente são apanhados com a boca na botija. Acho muito bem que percam o título e acho que pela insistência da Nigéria neste tipo de aldrabices que a FIFA deveria punir a federação de maneira grave, pois isto não é a primeira, segunda ou terceira vez que acontece. O problema da falsificação de idades por parte de alguns países é grave, retira a hipótese de alcançar a glória a outras selecções que fizeram todo o seu percurso de maneira justa e não me parece que alguma vez tenha sido aplicado um castigo que realmente motivasse uma federação a não embarcar por este caminho novamente. Algum dia terá que ser posto fim a esta prática, esperemos que hoje seja esse dia com um castigo exemplar.

  • Mário Redondo
    Posted Novembro 9, 2013 at 2:21 pm

    O Campeonato do Mundo de Sub-17 é o único que a Nigéria poderia ganhar que é quando os jogadores são muito mais velhos que a concorrência, nada de novo, enquanto os jogadores continuarem a ir de bicicleta para o cartório vai ser sempre esta palhaçada.

  • rf
    Posted Novembro 9, 2013 at 2:29 pm

    Que palhaçada. No fim é que fazem a verificação? Ñão se entende. FIFA no seu melhor

  • Tiago Pereira
    Posted Novembro 9, 2013 at 3:53 pm

    Quando estas selecções africanas conseguirem acrescentar capacidade táctica e atitude competitiva à técnica de rua (a melhor das técnicas) que já possuem, vão ser casos sérios a nível de selecções séniores. Só é pena que estejam a demorar tanto tempo a dar esse salto qualitativo.

  • Lopes
    Posted Novembro 9, 2013 at 7:31 pm

    ser craque nos sub-17 pouco ou nada vale, da penúltima seleção campeã da Nigéria (2007) quantos são hoje conhecidos no mundo do futebol? Nenhum, estão todos como o Rabiu Ibrahim.

    • Anónimo
      Posted Novembro 10, 2013 at 1:10 am

      Toni Kroos? Bojan? Fabio e Rafael da Silva? Moses? é verdade que nem todos vingam, mas daí a dizer que ser craque nos sub-17 nada vale~

      Joao Carlos

    • Guilherme
      Posted Novembro 10, 2013 at 1:30 am

      Ia jurar que ele tinha perguntado só sobre nigerianos… As pessoas precipitam-se para se contrariar umas às outras…

  • Guilherme
    Posted Novembro 10, 2013 at 1:36 am

    Quem assistiu a algum jogo da Nigéria notou claramente que os jogadores tinham mais uns 10 kilos, e mediam mais 20cm que os adversários… Estas situações não ajudam a ninguém, porque os clubes europeus já conhecem bem estes esquemas, e a adullteração da idade dos jogadores já não os valoriza como antes…
    Vi uma vez na Sport Tv uma reportagem bastante interessante sobre este tema. Passava-se no Gana, e explicava como muitos "agentes" de jogadores iam ao registo alterar a idade dos seus jogadores, e para isso bastava subornar um funcionário público. Nessa reportagem mostravam mesmo um homem a fazer isso, e a admitir que assim valorizava os jogadores, aumentando a sua comissão obviamente…

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