Embora ainda uma potência política, a influência global da Rússia a nível desportivo vem baixando de ano para ano. Outrora uma nação habituada a brilhar nas grandes competições desportivas do Mundo (quer em Jogos Olímpicos, quer mesmo em provas futebolísticas), o país de Tolstoi passa, agora, por um assustador ocaso – do qual o futebol é o caso mais óbvio. Desde a queda do Muro de Berlim, um ano após o brilharete no Europeu de 1988, a herdeira directa da União Soviética só ultrapassou a fase de grupos de uma grande competição por uma ocasião – em 2008, orientados pelo experiente Guus Hiddink; desde então, são desilusões atrás de desilusões, mesmo em momentos de aparente fulgor competitivo (em 2012, por exemplo, esperava-se muito de uma equipa jovem, mas caíram num grupo que até era acessível). Para este ano, após o fiasco que foi o Euro 2016 (no “teste geral” para o Mundial perderam com Eslováquia e País de Gales, ficando no último lugar), as expectativas não são elevadas (ninguém espera que sejam campeões, nem tampouco que avancem para lá dos oitavos de final), mas uma exibição decente é imperiosa (cair face a um adversário obviamente superior, por exemplo). Para tal, apostam no factor casa, num grupo acessível (com concorrência de Uruguai, Egipto e Arábia Saudita) e num elenco com predominância nacional (só três atletas alinham fora do campeonato russo), guiado por Stanislav Cherchesov, técnico de 54 anos que, estando no cargo desde 2016, ainda não conseguiu formar uma selecção sólida – em 19 amigáveis desde então, só venceu 5. Assim, um triunfo esclarecedor face à frágil Arábia Saudita, na partida de abertura do certame, é crucial, seguindo-se outro decisivo jogo, perante o Egipto (que nem deverá ter Salah a 100%) e um fecho contra o Uruguai, teoricamente a nação mais forte do grupo.
Estrela: Alan Dzagoev (Médio, 27 anos, CSKA Moscovo) – A haver um jogador russo capaz de ser titular num clube de qualidade das 5 principais ligas europeias, seria Dzagoev. O centrocampista, que se deu a mostrar ao Mundo no Europeu de 2012, quando, tendo completado 22 anos, apontou 3 golos e realizou exibições de encher o olho, é uma das poucas referências de que a sua selecção dispõe. No CSKA desde 2008, tem sido sempre indiscutível, parando apenas devido a problemas físicos, que o atiraram, por exemplo, para fora do Euro 2016, sendo absolutamente instrumental encontrando-se em boa forma. Vindo de uma época bem conseguida, com 8 golos e 7 assistências (esteve particularmente bem nos confrontos na Champions League e Liga Europa), une a facilidade de remate a um interessantíssimo nível de passe, afigurando-se como elemento central para Cherchesov.
Jogadores em destaque: Igor Akinfeev (Guarda-redes, 32 anos, CSKA) – Já não é o “benjamim” que se apresentou a enorme nível no Euro 2008 (isto depois de ter sido convocado em 2004, na época com apenas 18 anos), mas 10 anos e 105 internacionalizações depois segue sendo uma das máximas referências da nação russa. Um guardião experientíssimo (incrível como ainda “só” conta 32 anos, feitos há dois meses), lendário e que, pese não seja, talvez, tão bom como há um punhado de anos parecia ser, continua a ser indiscutível. Fyodor Smolov (Avançado, 28 anos, Krasnodar) – A Rússia tem sido capaz de formar elementos ofensivos interessantes (Arshavin, Kerzhakov, Kokorin…) e Smolov enquadra-se na tendência. Um ponta de lança fisicamente forte (187 cm), tecnicamente hábil, com capacidade de finalização notável e que tem feito mossa na Liga Russa (50 nos últimos 3 anos), Fyodor tem ainda a seu favor um registo francamente positivo ao serviço da selecção nacional: 12 golos em 31 jogos. Sergey Ignashevich (Defesa, 38 anos, CSKA) – Tinha-se retirado do futebol internacional no final do Euro 2016 mas aceitou regressar. Este veteraníssimo central jogou pelas cores nacionais em mais ocasiões que qualquer outro (120 partidas), vem de um ano em que completou 36 jogos e, a nível físico, parece estar pronto a corresponder. É certo que nesta fase não se esperam exibições de topo, mas será, certamente, um baluarte para Stanislav Cherchesov.
XI Base: Akinfeev, Mário Fernandes, Ignashevich, Granat, Kudryashov, Zobnin, Dzagoev, Samedov, Golovin, Zhirkov; Smolov
Jogador a Seguir: Aleksandr Golovin (Médio, 22 anos, CSKA) – Mais um elemento do CSKA, principal municiador da selecção russa nos últimos tempos. Um médio elegante, inteligente, fortíssimo com a bola no pé (embora deixe a desejar na componente física) e que tem tudo para acompanhar devidamente Dzagoev no meio campo russo. Completou a melhor época da carreira, demonstrando possuir um potencial tremendo e, após um Euro 2016 interessante, espera-se que ajude a sua nação a realizar um Mundial à altura das expectativas.
Principal Ausência: Aleksander Kokorin (Avançado, 27 anos, Zenit) – Não se tratando de um super-jogador, a verdade é que a ausência de Kokorin, um atacante com qualidade inequívoca (apontou 19 golos este ano – o mais produtivo de sempre), acaba por enfraquecer uma selecção por si só algo frágil. O atacante do Zenit é um dos melhores russos da actualidade, dos poucos capazes de decidir uma partida com o seu talento individual e que, num país a necessitar de figuras de primeira linha, se distinguia. Uma terrível rotura nos ligamentos cruzados do joelho direito atirou-o para fora do Mundial (perderá vários meses de competição), privando, assim, a Rússia de um elemento fulcral.
Convocatória: Guarda-redes: Igor Akinfeev (CSKA), Vladimir Gabulov (Club Brugge/Bélgica) e Andrey Lunev (Zenit); Defesas: Vladimir Granat (Rubin Kazan), Fedor Kudryashov (Rubin Kazan), Ilya Kutepov (Spartak), Andrey Semenov (Akhmat Grozny), Sergei Ignashevich (CSKA), Mario Fernandes (CSKA) e Igor Smolnikov (Zenit); Médios: Yuri Gazinskiy (Krasnodar), Alexsandr Golovin (CSKA), Alan Dzagoev (CSKA), Aleksandr Erokhin (Zenit), Yuri Zhirkov (Zenit), Daler Kuzyaev (Zenit), Roman Zobnin (Spartak), Alexsandr Samedov (Spartak), Anton Miranchuk (Lokomotiv) e Denis Cheryshev (Villarreal/Espanha); Avançados: Artem Dzyuba (Arsenal Tula), Aleksey Miranchuk (Lokomotiv) e Fedor Smolov (Krasnodar).
Seleccionador: Stanislav Cherchesov
Prognóstico VM: 2.º no grupo e oitavos-de-final
António Hess
Outras selecções já abordadas no nosso guia:
Grupo A: Uruguai, Rússia
Grupo B: Marrocos
Grupo C: França, Dinamarca
Grupo D: Islândia, Argentina
Grupo E: Costa Rica, Brasil, Sérvia
Grupo F: Suécia, Coreia do Sul
Grupo G: Inglaterra, Panamá, Bélgica
Grupo H: Senegal, Japão


5 Comentários
Rodrigo Ferreira
Muita atenção a este Golovin, excelente médio.
Acho esta Rússia uma equipa muito talentosa. É pena a ausência de Kokorin, mas elementos como Dzagoev, Smolov, Kuzyaev, Golovin, Miranchuk, Samedov, os irmãos Miranchuk ou Mário Fernandes têm muita qualidade e podem claramente elevar o nível da Rússia neste Mundial. Todavia, passar dos oitavos será quase impossível, embora não descarte totalmente se apanharem Portugal.
Tiago Silva
O grupo da Rússia é acessível e mesmo jogando e casa não acredito que cheguem longe. A seleção tem demasiadas lacunas e o plantel é muito envelhecido para estar sempre a jogar ao mais alto nível.
JoaoMiguel96
Não espero nada desta seleção russa, apesar de ter muito interesse neles.
A baliza será o posto mais seguro. Akinfeev e Lunev dão muita segurança. Gabulov não vi, mas teria levado Guilherme, do Lokomotiv.
Na defesa temos o setor mais fraco. Mário Fernandes é muito acima da média, mas tudo o resto deixa a desejar. Kupetov é bom e tem algum futuro e, claro, nomes como Kombarov, Djikia, Vasin e Schennikov (uns por lesão, outros por opção) fazem bastante falta.
Meio campo tem um belo toque de bola. Golovin tem tudo para chegar a patamares bem mais altos, tal como o Miranchuk (aqui coloquei o Alexey, não o Anton). Dzagoev é o melhor médio da equipa e tanto Zobnin como Kuzyaev conseguem dar mais consistência defensiva ao meio campo russo. Infelizmente, jogadores como Glushakov, Pavel Mamaev e Denisov não vão dar a sua qualidade e experiência à equipa.
O ataque é um setor com boas opções, mas que vai sentir a falta de Kokorin e de um extremo desequilibrador como Shatov.
Esta seleção está longe de ser a seleção do Euro 2008, mas tem matéria prima para fazer algo decente. Acho que o grande problema do futebol russo é a capacidade de manter os melhores no país. Se saíssem, tal como Arshavin, por exemplo, poderiam ganhar muito traquejo e qualidade para levarem a Rússia a outros patamares.
Visão de Mercado
616 equipas na Liga do Visão de Mercado. Link para o Fantasy – https://blogvisaodemercado.pt/2018/05/fantasy-do-mundial2018/
MiguelF
Não sei se a seleção Russa irá passar a Fase de Grupos mas tudo é possível e na minha opinião lutarão com o Egipto pelo 2° lugar sendo que em 1° acho que irá ficar o Uruguai.