O Benfica deixou cair por terra as aspirações da revalidação do título nacional. A derrota em Braga e o empate caseiro frente ao Portimonense, mostram que as intenções de Jorge Jesus e dos seus pupilos estão agora totalmente concentradas nas três competições onde os encarnados estão inseridos: Taça de Portugal; Taça da Liga; Liga Europa.
A carga de jogos na temporada do plantel encarnado tem sido dura. Actuando em várias frentes, após as derrotas no estádio do Dragão e frente ao Schalke 04, os encarnados partiram para uma série vitoriosa estrondosa, voltando a praticar o futebol vistoso e “de nota artitisca elevada” que empolgou os adeptos na temporada passada. No entanto, a calendarização dos jogos nas diferentes competições praticamente obrigou a jogos de 4 em 4 dias onde para além das vitórias alcançadas, o ainda campeão nacional apresentava os mesmos jogadores a cada encontro. Ou seja, Jorge Jesus pouco mexeu no onze titular do Benfica nos últimos meses, colocando os jogadores em sobrecarga física e até psicológica.
Fazer 2/3 jogos semanais sempre com os mesmos 12/13 jogadores acabou por ser um erro do técnico dos encarnados. A certa altura, era mais que visível a fadiga que jogadores como Gaitán, Sálvio, Saviola ou Coentrão apresentam e nem com isso existiu uma poupança em termos de plantel por parte de Jesus. Quem pagou a factura foi o próprio clube da Luz que se viu já sem hipóteses de repetir a conquista no campeonato e que nas outras competições poderá sofrer ainda algum revés.
Não deixa de ser estranho algumas opções do técnico encarnado, pois com um plantel de mais de 25 jogadores não é plausível esta política de não rotatividade, por outro lado, em vários jogos com o Benfica a vencer por uma margem confortável ao contrário do que seria normal (fazer uma poupança dentro do próprio jogo nos últimos 20/25 minutos), os jogadores encarnados parecem jogar sempre em excesso de velocidade até ao apito final. Este tipo de situações acabam por ter consequências na recta final das temporadas, e se a época passada com a eliminação precoce na Taça isso não se verificou, pois também o estado psicológico era outro, esta época as coisas ganharam claramente outros contornos.
Se 2+2 não são 5, como é que se explica este visível desgaste nos jogadores encarnados? Não terá o técnico encarnado confiança na sua 2ª linha e devido a isso dá pouco rotatividade ao seu 11 titular? Ou a prova de que Jesus tem algumas limitações nas abordagens aos encontros e durante os mesmos?
A. Mesquita


