Após as grandes campanhas nas décadas de 1970 e 1980, que culminaram com dois terceiros lugares em Mundiais (em 1974 liderados por Grzegorz Lato e Szarmach; em 1982 Zbigniew Boniek era a grande estrela), a Polónia viveu um período negro, marcado pela ausência das grandes competições internacionais durante mais de 15 anos. Em 2002 deu-se o regresso, curiosamente inseridos num grupo com Portugal, mas, tal como nas provas seguintes, caíram na primeira fase sem grande brilho. A crise parecia não ter fim e a irregularidade foi-se mantendo, tendo a Polónia conseguido qualificar-se para o Alemanha 2006, mas falhando depois o acesso ao grande certame mundial em 2010 e 2014. A aparição dos polacos em termos internacionais ia-se dando apenas nos Europeus e, de repente, começou a surgir uma geração talentosa, alimentada pela competitividade do futebol alemão e, mais recentemente, pelo futebol italiano, que parece disposta a tentar aproximar-se dos feitos do passado. 2016 foi um começo importante, com os Białe Orły a seguirem até aos quartos-de-final, onde seriam eliminados do Europeu por Portugal, nas grandes penalidades. Nesse sentido, urge dar o passo seguinte, consagrando o estatuto de uma das selecções mais fortes da Europa, naquela que será a 8.ª presença em Mundiais. Às costas de um dos melhores pontas de lança do globo, ‘Bob’ Lewandowski, que foi o melhor marcador na zona de qualificação europeia (16 golos), o objectivo passa por ultrapassar a primeira fase e, se possível, ir longe na competição. Contudo, a tarefa promete ser complicada. O Grupo H é um dos mais abertos da prova, tendo a turma de Adam Nawalka, técnico de 60 anos que guia esta formação desde 2014, que medir forças com Colômbia, Senegal e Japão. A Polónia será a selecção mais cerebral e fria do grupo, tendo igualmente uma grande figura internacional, que pode resolver um jogo, e um elenco que conjuga bem a experiência de homens como Glik, Piszczek, Szczesny, Błaszczykowski, Krychowiak ou Grosicki com a irreverência e juventude de Linetty, Zieliński, Milik, Bednarek ou Kownacki, mas triunfar num grupo tão equilibrado não será fácil. Todavia, a regularidade da fase de qualificação, onde os Biało-Czerwoni fizeram 25 pontos e obtiveram o 1.º lugar, à frente de Dinamarca, Montenegro e Roménia, marcando 28 golos, deixa alguma margem para optimismo.
Estrela: Robert Lewandowski (Ponta de Lança, 29 anos, Bayern Munique) – O maior artilheiro da história da selecção polaca (53 golos em 94 internacionalizações) e um dos melhores avançados do mundo na actualidade. Foi o melhor marcador da Bundesliga (29 golos, tendo apontado 41 no total da temporada) e da fase de qualificação na zona europeia (16 tentos, mais um do que Cristiano Ronaldo), pelo que falar de Lewandowski é falar de golos. Capitão de equipa e figura máxima do futebol polaco, é a grande esperança dos adeptos e muito dele dependerá uma boa prestação neste regresso da Polónia aos Mundiais.
Jogadores em Destaque: Kamil Glik (Central, 30 anos, Mónaco) – O patrão da defesa e um elemento determinante na organização defensiva da equipa. Experiente, muito forte no jogo aéreo defensivo e ofensivo, na leitura de jogo e na marcação, foi novamente imprescindível para Leonardo Jardim e a sua voz de comando é fundamental. Uma lesão no ombro tem-no impedido de se preparar convenientemente para este Mundial, mas a sua presença é fundamental. Grzeg Krychowiak (Médio Defensivo, 28 anos, WBA) – Depois de uma época falhada em Paris, o centrocampista rumou à Premier League por empréstimo, onde readquiriu a condição física e se impôs com naturalidade. Na selecção nunca perdeu o protagonismo e é um dos imprescindíveis de Adam Nawalka, oferecendo a sua capacidade de pressão e recuperação de bola, assim com uma leitura e visão de jogo acima da média. Jakub Błaszczykowski (Extremo, 32 anos, Wolfsburg) – O mais internacional do grupo (98 presenças) e um elemento que, apesar da temporada pouco conseguida (apenas utilizado em 13 desafios) continua a ser muito importante no seio da selecção, ocupando uma das faixas e oferecendo a sua qualidade de passe e no cruzamento. Já não possui a explosão de outrora, mas a sua experiência e inteligência de movimentos tornam ‘Kuba’ uma referência em campo para os colegas.
XI Base: Szczesny; Piszczek, Glik, Pazdan, Rybus; Krychowiak, Linetty, Zielinski; Błaszczykowski, Grosicki, Lewandowski
Jovem a Seguir: Piotr Zieliński (Médio Centro/Ofensivo, 24 anos, Nápoles) – Foi uma espécie de 12.º jogador para Sarri durante grande parte da época, mas no final roubou mesmo o lugar a Hamsik, cumprindo 47 jogos e apontando 7 golos no total da temporada. Um médio total, com um grande raio de acção, forte com bola, mas também na pressão e na ocupação dos espaços. Tem vindo a crescer de ano para ano e será uma das principais atracções da Polónia nesta competição, sendo que na qualificação foi utilizado nas dez partidas.
Principal Ausência: Krzysztof Maczynski (Médio, 31 anos, Legia Varsóvia) – O experiente centrocampista esteve no Euro 2016 e efectuou sete jogos na qualificação, mas acabou por perder o comboio para o certame da Rússia para Góralski, que acompanhará o trio de médios titular. Trocou Cracóvia pela capital e foi bastante utilizado (35 jogos), mas assistirá ao desempenho dos seus colegas no Mundial no sofá.
Convocatória – Guarda-Redes: Bartosz Bialkowski (Ipswich), Lukasz Fabianski (Swansea), Wojciech Szczesny (Juventus); Defesas: Jan Bednarek (Southampton), Bartosz Bereszynski (Sampdoria), Thiago Cionek (SPAL), Kamil Glik (Mónaco), Marcin Kaminski (Vfb Stuttgart), Lukasz Piszczek (Borussia Dortmund), Artur Jedrzejczyk (Legia Varsovia), Michal Pazdan (Legia Varsovia); Médios: Jakub Blaszczykowski (Wolfsburg), Jacek Goralski (Ludogorets), Kamil Grosicki (Hull), Grzegorz Krychowiak (West Bromwich Albion), Rafal Kurzawa (Gornik Zabrze), Karol Linetty (Sampdoria), Slawomir Peszko (Lechia Gdansk), Maciej Rybus (Lokomotiv de Moscovo), Piotr Zielinski (Nápoles); Avançados: Dawid Kownacki (Sampdoria), Robert Lewandowski (Bayern Munique), Arkadiusz Milik (Nápoles), Lukasz Teodorczyk (Anderlecht).
Seleccionador: Adam Nawalka
Prognóstico VM: Fase de Grupos
Rodrigo Ferreira
As selecções já abordadas no nosso guia:
Grupo A: Uruguai, Rússia,Egipto e Arábia Saudita
Grupo B: Marrocos, Irão
Grupo C: França, Dinamarca, Austrália e Perú
Grupo D: Islândia, Argentina, Nigéria
Grupo E: Costa Rica, Brasil, Sérvia, Suíça
Grupo F: Suécia, Coreia do Sul, México
Grupo G: Inglaterra, Panamá, Bélgica e Tunísia
Grupo H: Senegal, Japão, Colômbia, Polónia


10 Comentários
Kafka
Aqui discordo completamente da previsão do VM, não acredito de todo que o Senegal e o Japão possam ficar à frente da Polónia…aliás até vou mais longe, para mim Polónia será 1ª classificada à frente da Colômbia
Flavio Trindade
Este é o grupo mais incerto em termos de qualificação porque é muito similar.
Para complicar um pouco mais as previsões, acredito que o primeiro lugar seja da Colombia
Rui Miguel Ribeiro
Eu concordo em absoluto consigo, Kafka. Pode, obviamente, acontecer, mas a previsão da eliminação prematura da Polónia parece-me algo bizarra.
Mike The Kid
Acho que neste grupo, ao contrário do VM, passa a Polónia e o Senegal
Tiago Silva
É uma seleção interessante, penso que ganham o grupo e poderão chegar longe na fase a eliminar. É a minha aposta para surpresa.
Jogam um futebol criterioso, apoiado, não sendo sempre o mais bonito. Zielinski é uma peça chave para versatilidade que oferece ao meio-campo, Linetty fez uma grande época, Milik é sempre uma arma importante e nem falo no melhor ponta de lança do Mundo que tem maior liberdade a jogar pela seleção.
Ze Maria
Acho que a Colômbia vai cair. Passam Polónia e Senegal mas estou muito curioso para ver este Japão.
RuiGomes7
Nutro de grande carinho por esta seleção uma vez que estive la este ano…E apesar de a gastronomia não ser a melhor…a Simpatia das pessoas compensa e acho que os Portugueses podiam aprender muito com este Povo…Tem uma historia terrivel e sofreram tanto mas hoje andam de cabeça erguida e de bem com a vida…
Bfas
Não concordo muito com a previsão do VM, acredito que Polónia passe em primeiro e depois vem o Senegal…mesmo assim continua sendo um grupo muito equilibrado
José S.
É um grupo difícil e algo imprevisível de fazer apostas. Teoricamente pensamos em Colômbia e Polônia a passarem mas Senegal e Japão têm uma palavra a dizer, aliás tenho curiosidade em ver o que fazem os japoneses.
Acho que vai haver dificuldades em todos os 3 jogos.
Senegal vai se bater até ao fim com a Colômbia e Polônia, mas a minha aposta mantém-se na teoria.
Vamos ver.
MiguelF
Esta Polónia tem qualidade para passar, uma equipa muito boa e coesa com um dos melhores pontas de lança do mundo mas a verdade é que estão num dos grupos mais imprevisíveis deste Mundial.
A minha aposta para passar este grupo continua a ser Colômbia e Senegal mas nunca se sabe.