O Real Madrid está, pela 3.ª época seguida (e pela 4.ª vez nas derradeiras 5 campanhas), na final da Liga dos Campeões, conseguindo garantir presença em Kiev após empatar a dois com o Bayern Munique no Bernabéu. Tal como na 1.ª mão, os alemães criaram mais perigo, dominaram o encontro e poderiam perfeitamente ter garantido outro resultado, mas a fortuna voltou a sorrir aos de Zidane na mais importante prova de clubes da UEFA.
Destaques:
Real Madrid – Numa época na qual, desde Dezembro, vencer a Champions se tornou o único objectivo, a presença na final já está assegurada e isso é importantíssimo para o clube, que acentua o seu extraordinário registo na prova no último lustro. Ainda assim, apesar de começar a parecer que é uma “inevitabilidade” que o Real domine na Liga dos Campeões, esta eliminatória foi das mais pobres dos merengues no passado recente, com doses de sofrimento e de (des)controlo dos acontecimentos que não podem agradar a Zidane. Tal como em Munique, o Bayern foi superior, sendo que hoje, a nível defensivo, o controlo do espaço entre a linha defensiva e a média (os alemães tinham uma facilidade enorme em ganhar essa zona, muito fruto do mau posicionamento do meio-campo e de diversos desajustes a nível da pressão) e do lado direito da defesa foram dois grandes problemas para o Real Madrid. A juntar a estas debilidades atrás, no momento com bola os espanhóis não conseguiram encadear sequências de passes que levassem o jogo para onde mais lhes convinha, incomodando pouco a estrutura defensiva do Bayern. Mas o mais importante foi conseguido e o objectivo da 13.ª vitória na Champions – a 3.ª seguida, quando ainda há 12 meses se falava da maldição em repetir triunfo – está bem presente. Individualmente, Keylor Navas foi a grande figura, já que o costa-riquenho (sem culpas nos golos sofridos) fez diversas defesas de grande nível (a nível de agilidade é um monstro) e nos seus pontos mais débeis (concentração ou bolas pelo ar) esteve impecável, dando muita segurança ao colectivo. Na defesa, Marcelo brilhou com a assistência para o 1-1 e Ramos começou com um erro que deu o tento inaugural ao Bayern mas depois esteve solidíssimo, com imensos cortes e intercepções cruciais (já Lucas Vazquéz, adaptado a lateral, emprestou a sua garra e determinação mas não só não foi nada ajudada pela equipa – muito desprotegido – como revelou fragilidades na defesa à zona, sendo muitas vezes arrastado para fora de posição por Ribéry, ainda que se deva destacar que esteve bem nos duelos individuais com o francês). No meio-campo, Kovacic foi aposta mas não deu muita segurança, saindo na pressão demasiadas vezes de forma desordenada, o que levou a alguns buracos, e Asensio teve algumas arrancas sem bom resultado. Finalmente, Benzema teve a sua noite de maior glória nesta temporada, juntando ao trabalho com e sem bola dois preciosos tentos que justificam a “teimosia” de Zidane e Cristiano Ronaldo esteve a maior parte do tempo apagado, perdendo algumas bolas e desperdiçando uma enorme oportunidade de golo na cara de Ulreich, ainda que se deva reconhecer o seu esforço e sacrifício pelo colectivo na parte final.
Bayern Munique – Uma vez mais os bávaros ficam às portas de regressar a uma final da Champions. Pela 4.ª vez nas 5 temporadas seguintes à conquista de 2012-2013 o Bayern fica-se pelas meias-finais, sendo que, como em várias das vezes anteriores (ainda com Guardiola ao leme), fica a clara sensação de que o desfecho final poderia ter sido diferente. A formação de Heynckes foi superior ao bicampeão europeu no global dos 180 minutos, mas uma conjugação de azar, erros individuais impróprios para este nível e falhas na finalização impediram que os alemães sorrissem. O Bayern soube ser paciente com bola, circulando até encontrar o espaço nas costas da linha média do adversário, mas em diversos momentos falou algum engenho aos homens da frente, sendo que as baixas por lesão também condicionaram o plano de Heynckes, que viu a sua capacidade de intervir desde o banco algo castrada (mas volta a ficar a sensação de que falta um extra de talento ofensivo a este Bayern). Individualmente, Ulreich fica ligado a esta eliminação com um erro crasso, de uma dimensão ainda superior ao de Rafinha em Munique e que dará razão aos que defendem que o colosso alemão deveria ter um suplente de Neuer que desse mais garantias. Kimmich voltou a fazer a diferença com um golo (tem muito “faro” dentro da área) mas até apareceu menos do que é costume, enquanto Sule fez uma grande exibição, não só no plano defensivo mas também revelando qualidade com bola. Alaba, que não jogou na 1.ª mão, deu bastante qualidade a subir pelo flanco, enquanto todos os elementos do meio-campo tiveram nota positiva: Thiago deu muita fluidez à circulação e ainda fez alguns desarmes cruciais, Tolisso apareceu menos do que o espanhol mas teve critério em todas as acções e James, no regresso ao Bernabéu, filtrou muitas bolas para as costas dos médios do Real e fez o gosto ao pé, ainda que, ao contrário do que sucedeu com Morata ou Morientes, não tenha sido suficiente para passar. Já na frente faltou alguma capacidade. Ribéry esteve muito pouco inspirado, não desequilibrando, Muller movimentou-se, batalhou e não se escondeu mas revelou as conhecidas debilidades técnicas e Lewandowski teve uma exibição que não calará os críticos, voltando a desperdiçar na cara de Navas, sendo que esta prestação dos atacantes poderá levar o Bayern a ponderar “abrir os cordões à bolsa” por um atacante no próximo defeso.


3 Comentários
Joao D
O Muller é daquele tipo de jogador que parece que joga melhor na seleção do que no clube.
Rivelino
Troca selecção por Bundesliga.
T. Pinto13
Estava a comentar isso mesmo com um amigo meu…