Depois do interregno de uma semana, voltamos à melhor rubrica escrita de sempre da NFL em Portugal. Também é a única, é verdade, por isso não estamos errados.
Passou-se muita coisa, e ao mesmo tempo não se passou nada de extraordinário. Curiosamente estas semanas têm sido mais de confirmações que de surpresas. Por isso, e com o final da época regular tão próximo, iremos analisar as candidatas, as jeitosas mas tremidas e os grandes candidatos aos prémios individuais.
Nas próximas semanas iremos analisar a definição final na classificação e fazer previsões dos jogos a eliminar. Mas para já:
REAIS CANDIDATOS
NFC:
Giants – Vocês já sabem o que pensamos. Na época regular são muito pouco consistentes, com níveis de motivação que variam entre o ridículo e razoavelzito. No entanto a qualidade desta equipa é inquestionável. Elite inquestionável. Uma das defesas da liga mais cheias de qualidade, um QB do mais clutch que há, um grupo de receivers óptimo. O Running Game pode ser a chave que, sabendo que nos playoff jogam a sério, destranca jogos para esta equipa. O rookie David Wilson tem mostrado ser grande arma a correr. Tanto na unidade ofensiva como nas equipas especiais. Um óptimo complemento para Bradshaw e talvez um factor decisivo este ano.
Packers – Se a protecção for boa, Aaron Rodgers tem o melhor braço da liga. É tão simples como isto. O Running Game parece estar a aquecer, com Alex Green e John Starks (lesionado nesta altura) a terem cada vez mais jogo. Se a linha ofensiva e a corrida funcionarem, é praticamente impossível parar estes Packers. Na defesa não são certos, já sabemos, mas recuperaram Sam Shields esta semana e recuperam Charles Woodson e Clay Matthews durante as próximas duas. Ou sejam, têm playmakers. Se o ataque for, com a soma daqueles elementos, o melhor da liga, são os principais candidatos desta conferência.
49ers – São a equipa mais equilibrada em termos de qualidade das unidades, poder físico e capacidade mental. Kaepernick pode ter trazido o talento e explosão na posição de QB para fazer com que a equipa de São Francisco dê o salto qualitativo. Se Kaepernick não cometer erros, a defesa vai dar-lhe oportunidades suficientes para ganhar os jogos. Há que recordar que no ano passado esta equipa perdeu um lugar no Superbowl por causa da péssima exibição das equipas especiais. Este ano já lhes custou. Veremos se não se repete.
Nota: Os Seattle Seahawks são nesta altura uma das melhores equipas da liga. Com um grande Marshall Lynch e um surpreendente Russel Wilson a QB, têm ganho e estão praticamente nos playoff. Agora a luta será pela divisão. 49ers vão a New England ter um jogo complicado. Se os Seahawks vencerem contra os Bills, ficam a 1 jogo da liderança da divisão. Esta corrida é muito, muito interessante. Seattle é das equipas mais fortes da liga em casa. Ainda não perderam. Se conseguirem essa vantagem, serão candidatos a chegar longe.
AFC:
Patriots – Desde que se tenha Brady, é-se candidato. O homem está numa forma incrível e New England acabou de atropelar Houston para assumir definitivamente o favoritismo nesta conferência. A defesa está a subir de nível, embora ainda não seja suficientemente consistente para que possa ser considerada boa. Tudo aponta para um embate de lendas na final desta conferência.
Broncos – Desde que se tenha Manning… Já sabem. Denver é a equipa com mais vitórias seguidas. A defesa é forte e cria desequilíbrios grandes. Manning está a enorme nível. A cada jogo parece mais coordenado com o seu talentoso grupo de receivers. Tudo aponta.
JEITOSAS MAS TREMIDAS
NFC:
Falcons – Podem ser o melhor record da liga, mas sempre dissemos que estes senhores não são candidatos. Uma defesa de elite não sofre tantos pontos contra uns Panthers como Atlanta sofreu esta semana. Nesta altura, tão perto dos playoff, também não devia perder. A defesa deixa de assustar, o balanço emocional perde-se. Acreditamos numa derrota ao primeiro jogo.
Bears – Jay Cutler não se aguente. Ou está lesionado ou tosco. Sem um QB a bom nível, ninguém tem hipótese nesta liga. Mesmo com uma das melhores defesas da NFL.
AFC:
Ravens – Tudo depende do nível da defesa. Tem estado lenta, lesionada, e velha. Se subir de nível, recuperar pessoal e apresentar atitude, a equipa de Baltimore sobe para os favoritos.
Texans – O que dizíamos de Atlante durante o ano, repetíamos sobre Houston. Muitíssimo talentoso, mas falta o “x-factor”. Aquilo na NFL se chama os “Intangibles”. O intangível. Não é números, talento ou postura. São uma das equipas mais cheias de qualidade da liga, em todas as unidades. Mas há qualquer coisa que estes Texans ainda não têm. Tiveram a primeira viagem aos playoff o ano passado. Da sua história. Também lhes falta mais disso.
Steelers – Esses intangíveis? Estes tipos têm em grandes quantidades. Só por isso é que os pomos aqui. Mesmo com a péssima gestão de Big Ben, ele já está aí para as curvas (até à próxima lesão). Se se mantiverem saudáveis, esta equipa é um perigo. Podem ganhar a qualquer um em qualquer sítio. Nos playoff, não é na época regular. Não têm demonstrado ter qualidade suficiente, e até podem nem ir aos playoff, mas havendo possibilidade de irem, há possibilidade de serem campeões.
MELHORES DA ÉPOCA
ROOKIE:
Luck – Para se perceber a qualidade deste senhor, e no fundo do trabalho técnico e executivo de toda a gente nos Colts, o melhor é mesmo olhar para o record deles. A 9-4, os Colts estão a 2 jogos do melhor record da conferência e um jogo, já esta semana, com os Texans, detentores desse record. No ano passado, 2 era o número que estava na coluna de vitórias da equipa no final da temporada regular. Luck é tudo aquilo que o pessoal em Indiana estava à espera, mais cedo. Isto é, o homem joga com maturidade de 3º ou 4º ano. Com este tipo de qualidade no campo e uma continuidade nas boas opções no draft e free-agency, estes Colts vão ser candidatos ao Superbowl em 2 ou 3 anos.
Griffin – Igualmente estrondoso. No entanto, Griffin levanta alguns problemas, parece-nos. Griffin talvez esteja a ter uma temporada mais espectacular que Luck: uma divisão mais difícil, um estilo de jogo mais explosivo. Mas esse estilo de jogo fará também com que o QB dos Redskins esteja mais exposto a lesões, pancadas, placagens, jogo perigoso. O que Griffin dá ao jogo faz com que seja, provavelmente o rookie do ano, mas que se justifique ter sido segunda escolha atrás de Luck.
Martin – Uau. O RB de Tampa Bay não vai ganhar, mas uau.
JOGADOR DEFENSIVO:
Von Miller – Melhor a cada jogo e isso nota-se na sua equipa. Com 16 sacks, 6 fumbles forçados e 1 intercepção, Miller é uma das grandes razões da forma em que está Denver. A defesa dos Broncos não é apenas sólida, é completamente disruptiva. E este é o seu motor.
J.J. Watt – Desde o início que é o principal candidatos a melhor jogador defensivo do ano. Chegou a ser possível que pela primeira vez desde há muitos anos houvesse um MVP da liga que pertencesse à unidade defensiva. Mas Watt, assim como Houston, desceu um pouco o nível. No entanto ainda é o favorito e uma força destruidora do lado defensivo “da bola”. Os 16,5 sacks e os 15 passes desviados não são suficientes para se entender a qualidade e importância do trabalho de Watt. Mas são números impressionantes na mesma.
Aldon Smith – Atenção, todos estes candidatos (e são indiscutivelmente os 3 grandes candidatos), são jogadores de 2º ano. Serão pilares defensivo de franchises durante mais um década pelo menos. Este está a explodir. Numa defesa de estrelas, Aldon Smith aparece hoje em dia como o grande desequilibrador. Com 57 tackles, 19.5 sack (líder da liga) e 3 fumbles forçados, hoje em dia é impossível proteger decentemente um QB quando Smith está em campo
TREINADOR
Chuck Pagano and Bruce Arians – Depois de Pagano, que estava a fazer um óptimo trabalho, ter sido diagnosticado com Leucemia, Bruce Arians pegou na equipa e as coisas têm corrido tão bem ou melhor. Já falámos nos Colts, não há muito mais a dizer. Pagano e Arians merecem vencer em conjunto, por tudo e por mais alguma coisa.
Leslie Frazier – De realçar o trabalho de Frazier nos Vikings que eram fracos e que num ano se transformaram numa equipa de qualidade.
Pete Carrol – Grande trabalho que está a fazer nos Seahwaks já há uns anos. A sua candidatura a este prémio pode ser ainda mais justificada nos jogos que falta, mas para já, e na nossa opinião, o prémio está
entregue.
MVP
Adrian Peterson – 1600 jardas corridas, 211 recebidas. Um tractor com motor da ferrari. Claramente o melhor jogador da liga que não um QB, Peterson destruiu as dúvidas sobre a sua recuperação depois da grave lesão em 2011. Na sua melhor época, demonstrou ter ainda muito para dar à liga. Ponham talento à volta deste homem. Ganhará o Comeback player of the year com toda a certeza.
Manning/Brady – Sejamos objectivos, quem vai ganhar é um destes artistas. 2 dos grandes jogadores da história do jogo e os 2 grandes nomes desta geração da NFL. É apenas justo que, à medida que as suas carreiras se aproximam do fim, sejam um com o outro que duelam. Se vamos ser mesmo objectivos… estão praticamente iguais. Brady tem mais 21 jardas que Manning, Manning tem mais 1 TD que Brady. Brees tem 4028 jardas, Brady apenas 3833. Mas vamos ver os records das equipas e, infelizmente, Brees já foi. Matt Ryan tem mais 99 jardas que Brady, mas, com 14 intercepções, tem mais 10 do que o QB de New England. Manning, apesar das 10 INT, tem Denver a jogar a grande nível e, ao contrário de Ryan, o seu nível tem vindo a subir à medida que os Playoff se aproximam. Parece-nos que este troféu cairá para Manning. Pelo simbolismo do seu regresso e pelo impacto que teve numa equipa nova.
Luís Figueiredo