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NFL Semana 13: Problema dos Patriots, a luta pela NFC East e a equipa de Russell Wilson

Imagem: USA Today

Todos os anos, sempre mais ou menos nesta altura, todos querem ser os primeiros a anunciar o fim da dinastia dos New England Patriots, e, principalmente, o fim de Tom Brady. Há anos que é assim e parece que isso não vai mudar até que Brady decida parar de castigar o resto da liga e anuncie o fim da sua carreira. Tentar afirmar que o quarterback dos Pats continua a ser o mesmo com 42 anos que era, por exemplo, aos 35 é obviamente errado. Mas acreditar que é este ano que Tom não tem qualidade suficiente para ser o Qb que lidera esta equipa ao Super Bowl é igualmente incorreto. E tudo isto porque na noite de domingo os Patriots somaram a segunda derrota esta época, desta feita frente aos Houston Texans, em mais um jogo onde o ataque pareceu em grandes dificuldades, isto apesar de ter dominado o jogo em first downs (29-16), no total de jardas (448-276) e uma eficácia superior a 50% em third downs. O problema de New England é apenas um, falta de armas. É estranho criticar uma organização que faz tudo virtualmente bem, mas a falta de talento dos receivers começa a ser evidente, e, com isso, a dispensa de Josh Gordon e a falta de esforço para manter ou voltar a integrar Antonio Brown (caso a liga o permitisse, claro) em nada condiz com o modus operandi dos Patriots. Além disso, a perda de Rob Gronkowski e a falta de habilidade em lidar com essa contrariedade, em especial tendo em conta a importância que a posição de tight end desempenhou no ataque de New England no passado recente, é igualmente incompreensível. Com isto, vejamos o que sobra a Tom Brady. Em primeiro lugar Edelman, mvp do último Super Bowl e sem dúvida a melhor opção que Brady tem. Depois disso, James White, running back, joga nos Patriots há já alguns anos e consegue aparecer uma ou outra vez por jogo a receber a bola, muito graças à química que já construiu com o Qb. Daqui para a frente fica difícil. Jakobi Meyers não foi sequer escolhido no draft. Phillip Dorsett não corresponde ao seu estatuto de escolha de draft na primeira ronda. Mohamed Sanu não teve o impacto esperado, tal como N´Keal Harry, cujo erro no jogo contra os Texans custou uma interceção, com o rookie também de primeira ronda a desistir da sua route antes do fim da jogada, permitindo a recuperação de bola ao jogador de Houston. No domingo, Brady teve a melhor proteção de toda a época, e, no entanto, os receivers nunca foram capazes de criar qualquer separação ou aparecer soltos na profundidade, algo que se tem visto durante toda a época. Bastou à defesa dos Texans fazer marcação dupla a Edelman e o ataque dos Patriots ficou neutralizado. Este é um problema sério em New England. Ou um dos receivers além de Edelman é capaz de dar um passo em frente (neste caso, vários), ou Antonio Brown tem de voltar. De resto, tudo na equipa é suficiente para vencer o Super Bowl: o treinador, os coordenadores, a defesa, equipas especiais, quarterback e até o running game consegue aparecer em determinados momentos. Mas a falta de armas ofensivas pode vir a custar caro à equipa de Bill Belichick, principalmente quando o caminho para o Super Bowl pode passar por Baltimore, cujo ataque tem sido o mais dominante e refrescante dos últimos tempos, e Kansas City, que esta semana voltou a demonstrar o que pode fazer quando está no seu melhor. Será este o fim? Arriscado afirmar isso, os Patriots parecem conseguir sempre inventar uma solução quando todos os dão como acabados. Por outro lado, algum dia será o fim, e com a evolução que o jogo tem sofrido, com o passing game a ser cada vez mais fundamental, esta falta de soluções ofensivas de New England pode realmente prejudicar as aspirações da equipa para os playoffs.

Um dos pontos mais interessantes desta época de NFL tem sido a luta pela NFC East, com os Dallas Cowboys e os Philadelphia Eagles lado a lado na corrida pela conquista da divisão. Na noite de quinta feira, dia de ação de graças nos Estados Unidos, os Dallas Cowboys tiveram a oportunidade de dar um passo em frente e mostrar num jogo grande aquilo de que são feitos. Infelizmente para os fãs de Dallas, foi isso mesmo que aconteceu. Apesar do excelente início, que valeu aos Cowboys um touchdown e vantagem de 7-0 no jogo frente aos Buffalo Bills, a equipa de Jason Garret voltou a vacilar quando não podia e deixou escapar mais uma vitória em casa. E mais uma vez, tudo parecia a favor dos Cowboys: Amari Cooper pareceu recuperar do pesadelo que foi o jogo com os Patriots e apanhou o primeiro passe do jogo. Dak Prescott lançou para 355 jardas contra a terceira melhor defesa da liga. O running game funcionou e deu-lhes 103 jardas. O jogo foi em Dallas, num feriado nacional e a equipa teve um fantástico início de jogo, que empolgou os adeptos e devia ter feito o mesmo a todos os jogadores. Mas, mesmo com tudo isto a seu favor, a noite dos Cowboys acabou novamente em desilusão e com o sentimento geral de que muito mais podia ser feito. O problema mantém-se, e não é a falta de talento dos jogadores. Após esta jornada, Dallas continua a ser a equipa com mais jardas ganhas, mais jardas ganhas em passe e, apesar de Elliot estar a ter uma época abaixo das expetativas, continuam a ter o 8º melhor running game da liga, assim como a 8ª melhor defesa. No entanto, com todos estes números e estatísticas, aquele que realmente importa continua a não ser suficiente, seis vitórias e seis derrotas. O problema continua a ser a equipa técnica e a falta de entusiasmo e de vontade que esta parece transmitir aos jogadores, ao mesmo tempo que transforma situações favoráveis em pesadelos, tal como se viu mais uma vez esta semana. Com isto, a época de Dallas não está perdida, e ainda são os favoritos a ganhar a divisão. Mas com 0 vitórias frente a equipas com mais de 50% de vitórias, não deixa de ser muito pouco para o talento da equipa.

Incapazes de aproveitar mais um deslize dos Cowboys, também os Philadelphia Eagles continuam a ter uma época muito aquém do esperado. Castigados por lesões e com o quarterback Carson Wentz a parecer cada vez mais em declínio (apesar de ter um feito um bom jogo), os Eagles somaram mais uma derrota surpreendente, desta feita em Miami frente aos Dolphins, que apesar de muito bem treinados, continuam a ser uma das piores equipas da liga. A lutar pelos playoffs, e a vencer por 28-14 já na segunda parte, torna-se imperdoável não ganhar a partida. Com isto, e a faltarem quatro jogos para o fim da fase regular, tudo indica que o destino da divisão será decidido na semana 16, com a visita dos Cowboys a Philadelphia, naquele que promete ser um dos jogos mais importantes do ano.

A somar vitórias continuam os Seattle Seahawks, que mais uma vez defrontaram uma boa equipa e mais uma vez derrotaram uma boa equipa. A cada semana que passa, cada vez mais os Seahawks parecem os favoritos a chegar ao Super Bowl, com a equipa a ser capaz de encontrar diferentes formas de vencer diferentes adversários. Não importa se é uma equipa que gosta de guardar a bola e controlar o jogo como os Vikings ou se defrontam a explosividade e juventude dos 49ers, a equipa de Pete Carroll parece sempre encontrar uma maneira de vencer. Seattle é uma equipa muito bem gerida e treinada, física, motivada e que foi capaz de identificar as limitações que tinha no início da época e contrariá-las com a adição de algumas novas peças como é o caso de Josh Gordon. Mas o motor que mantém tudo a funcionar é Russell Wilson, que apesar da época incrível de Lamar Jackson, continua na luta pelo mvp e a ser o jogador mais importante para a sua equipa em toda a liga. Há três épocas atrás, o quarterback dos Seahawks liderou a liga em passes para touchdown com aquela que foi considerada a pior linha ofensiva da liga. E ano após ano vemos Wilson a superar todo o tipo de adversidade, a funcionar com todos os receivers que aparecem no plantel, a ganhar consistentemente mesmo com um calendário complicado, a ser um grande líder no balneário e a fazer com que praticamente todos os anos os Seahawks sejam vistos como uma equipa com legitimas aspirações a vencer o Super Bowl. Russell Wilson nunca sequer teve uma época com registo negativo, isto enquanto teve de superar imensas limitações numa liga onde os quarterbacks são normalmente os mais perdoados quando as coisas correm mal. A época de Lamar Jackson tem sido fantástica, e é fácil dedicar toda a nossa atenção ao que é novo, ao que está a criar furor e ao que todos dizem ser o futuro. Mas o que Russell Wilson tem vindo a fazer ano após ano e está a fazer mais uma vez esta época colocam-no um patamar acima e oferece aos Seahawks uma vantagem à partida para os playoffs.

Por falar em Lamar Jackson, o jovem quarterback dos Baltimore Ravens voltou a liderar a sua equipa à vitória, desta vez frente aos San Francisco 49ers, naquele que foi o melhor jogo da semana. Duas excelentes equipas, bem treinadas, repletas de talento e candidatas ao Super Bowl, num jogo onde os Ravens demonstraram um pouco mais no ataque e venceram por 20-17. Fossem estas as duas equipas a chegar ao Super Bowl e ninguém ficaria insatisfeito com a qualidade do jogo. Após a derrota da semana passada, Aaron Rodgers e os Green Bay Packers venceram na visita aos New York Giants, que não parecem capazes de parar ninguém no lado defensivo e foram por isso facilmente derrotados pelos Packers, 13-31. Ainda existem dúvidas em torno da equipa de Matt LaFleur, e não vejo esta equipa capaz de demonstrar mais vontade de vencer que Russell Wilson e os Seahawks, nem tanta agressividade na defesa como os 49ers. Mas nos playoffs com Aaron Rodgers, nunca se diz nunca. Vitória também para os Saints (18-26 frente aos Atlanta Falcons), que garantiram assim, pelo terceiro ano consecutivo, o título na NFC South, mais uma vez a demonstrarem a qualidade e consistência do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido em New Orleans. Por fim, dar destaque ainda aos Kansas City Chiefs, que depois de uma fase menos bem-sucedida, voltaram a demonstrar todo o seu poder quando estão no seu melhor ao vencer uma boa equipa dos Oakland Raiders por 40-9. Na próxima semana, a equipa de Andy Reid e Patrick Mahomes visita os New England Patriots, num jogo que servirá de aperitivo para os playoffs. Se os Chiefs conseguirem aproveitar as dificuldades ofensivas dos Patriots e Mahomes for capaz de contrariar a excelente defesa de Bill Belichick, esta equipa volta a partir para os playoffs como sérios candidatos ao título.

Resultados da semana 13:

Detroit Lions 20-24 Chicago Bears
Dallas Cowboys 15-26 Buffalo Bills
Atlanta Falcons 18-26 New Orleans Saints
Baltimore Ravens 20-17 San Francisco 49ers
Carolina Panthers 21-29 Washington Redskins
Cincinnati Bengals 22-6 NY Jets
Indianapolis Colts 17-31 Tennessee Titans
Jacksonville Jaguars 11-28 Tampa Bay Buccaneers
Miami Dolphins 37-31 Philadelphia Eagles
NY Giants 13-31 Green Bay Packers
Pittsburgh Steelers 20-13 Cleveland Browns
Arizona Cardinals 7-34 LA Rams
Denver Broncos 23-20 LA Chargers
Kansas City Chiefs 40-9 Oakland Raiders
Houston Texans 28-22 New England Patriots
Seattle Seahawks 37-30 Minnesota Vikings

Pedro Afonso Farinha

2 Comentários

  • Kafka
    Posted Dezembro 5, 2019 at 5:11 pm

    Jornada que pode ter sido decisiva para encontrar o finalista da AFC, porque Baltimore passou para 1º lugar e portanto nos playoffs já não terá de ir a casa dos Patriots caso consiga manter este 1º lugar até ao fim

    Uma nota ainda para o ataque dos Baltimore, são de facto fascinantes, mas San Francisco na 2ª parte foi imperial e conseguiu anular o super ataque de Baltimore, provando que este ataque não é imbativel

  • Leonidas
    Posted Dezembro 5, 2019 at 9:28 pm

    Na quinta feira pensei que os Cowboys estariam eliminados dos playoffs, mas os Eagles ainda conseguem ser piores e perdem com os Dolphins. Contra os Bills, Dak fez um mau jogo e a defesa foi incapaz de parar Josh Allen (a defesa este ano tem-me desiludido imenso). Penso que vai ficar tudo decidido quando os Cowboys forem a Philadelphia, mas mesmo que ganhemos a divisão é urgente uma troca de treinadores (e Ron Rivera ficou livre).

    Quanto ao resto da NFL, é preocupante o estado do ataque de New England. E ainda é mais preocupante quando na Conferência terão de eliminar ataques temíveis como o dos Chiefs ou Ravens (Lamar cada vez mais perto de garantir o MVP) para chegar lá.

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