Orlando e New York têm estado afastados das grandes decisões. Os Magic ainda não recuperaram totalmente da saída de Dwight Howard, enquanto que os Knicks não obtiveram de Carmelo Anthony os resultados esperados. Os primeiros têm baseado o seu processo de reconstrução na evolução de um grupo jovem, mas o progresso tem sido lento, algo que esperam mudar com a aquisição de um veterano de qualidade, Ibaka. Os segundos tiveram de lidar com anos de más decisões que prejudicaram o futuro da franchise, parecendo resignados com a dificuldade em melhorar o conjunto. Este ano a atitude foi algo diferente, indo os Knicks buscar alguns nomes mais adequados aos seus pergaminhos.
Orlando Magic
Orlando ainda não viu uma série de playoff desde que Dwight Howard abandonou a cidade, mas isso pode estar prestes a mudar. A estratégia seguida foi a de ir acumulando e fazendo crescer jovens valores, mas os progressos têm sido lentos, e a equipa não mostrou ainda ser o competitiva o suficiente, mesmo na fraca conferência em que se encontram. Este Verão houve uma clara mudança de direcção, trazendo para bordo veteranos que ajudem o conjunto a dar o salto necessário para ficar finalmente entre os oito primeiros. Perante a recente evolução de Evan Fournier, os Magic não tiveram problemas em abdicar do promissor Victor Oladipo, de maneira a receberem Serge Ibaka, uma presença defensiva de respeito. Bismack Biyombo foi também atraído por um volumoso contrato, dando assim uma alternativa a Vucevic. E Orlando apostou também na experiência e versatilidade de Jeff Green, um daqueles jogadores que parece estar sempre à beira de explodir.
Ao contrário dos seus predecessores, Frank Vogel possui um misto de juventude e experiência. Um dos problemas de Orlando no ano passado foi a incapacidade de fechar jogos equilibrados, daí a importância em ir buscar jogadores veteranos, que tragam outra sagacidade na abordagem aos minutos finais. A adição de Ibaka e Biyombo traz melhorias a uma defesa que nem sempre foi competente o ano passado, pese o seu atleticismo. Aliás, o conjunto à sua disposição é extremamente atlético, talvez dos mais completos da actualidade nesse aspecto. Praticamente todo o elenco é alto, forte e rápido, o que faz deste conjunto um pesadelo na luta das tabelas e particularmente perigoso em transições rápidas.
A grande dúvida é saber se a equipa é tão forte no campo como no papel. Opções ofensivas não faltam (até Ibaka, visto como essencialmente um defensor, é capaz de marcar pontos, e de várias posições do campo), mas nenhum dos jogadores de Orlando é capaz de marcar um grande volume de pontos numa base constante. Green e Ibaka estão a jogar para o contrato, e se muitas vezes os jogadores excedem a sua produção devido a esse facto, outras acabam por jogar mais para os números individuais do que para o colectivo. Vucevic, Ibaka, Biyombo e Aaron Gordon vão ter de dividir entre si os minutos, o que pode ser complicado, mais ainda se Vogel optar por dar minutos a Green na posição quatro. Por outro lado, Elfrid Payton fez uma boa temporada, mas ainda está muito longe dos melhores na sua posição, o que numa Liga virada cada vez mais virada para os jogadores exteriores, é uma fragilidade. Payton tem de melhorar a agressividade e controlo do ritmo de jogo, a sua defesa, e tem de ser capaz de marcar mais pontos. Esta posição, ao contrário das interiores, não foi bem preenchida, já que as alternativas passam pelos pouco impressionantes D.J. Augustin e CJ Watson.
A aposta deste Verão foi claramente a de criar imediatamente uma equipa vencedora. Os nomes impressionam, mas há muitas interrogações, e o sucesso depende de quão depressa Frank Vogel consegue criar um grupo coeso e capaz de vencer partidas de modo consistente. Veremos se os reforços serão suficientes para limpar quatro anos em que a derrota era um desfecho natural.
Objectivo: regressar ao playoff
Força: soluções no jogo interior
Fraqueza: falta de mentalidade vencedora
New York Knicks
Se estivéssemos em 2011 e nos fosse apresentado um cinco inicial que incluísse Derrick Rose, Carmelo Anthony, Joakim Noah e um dos melhores rookies do ano anterior, a reacção seria de êxtase. Já em 2016, os substantivos utilizados serão desconfiança, reserva ou expectativa. Phil Jackson tem a missão de usar sabiamente os últimos anos de Carmelo enquanto jogador altamente produtivo ao mesmo tempo que desenvolve o talento de Porzingis, isto numa cidade exigente e não propriamente paciente. Os Knicks tiveram algum impacto no mercado, sendo que desta vez conseguiram ir buscar grandes nomes. A questão é que esses nomes parecem fazer mais parte do passado do que do presente, e isso pode ser um problema para quem quer vencer no imediato.
Derrick Rose, recebido através de uma troca com Chicago, é supostamente um reforço de peso. Mas o rendimento mostrado nos últimos anos está bem longe daquele que lhe rendeu o prémio de MVP, as constantes lesões que o mantiveram no estaleiro provocaram um acentuado declínio no seu jogo, tirando-lhe o poder de explosão e capacidade física que possuía. Rose é nitidamente uma aposta, e não um investimento, pois estando no seu último ano de contrato é claro não ser solução a longo prazo. Mesmo que surpreenda e regresse ao topo na sua posição, dificilmente alguma equipa, nem mesmo New York, irá oferecer-lhe um contrato na linha do actual, em duração ou montante, mesmo neste mercado. De Chicago chegou também o agente livre Joakim Noah. O francês já foi um dos melhores defensores da Liga, e mesmo ofensivamente o seu contributo era maior do que os números indicavam. Mas tal como Rose, as lesões tiraram eficácia ao seu jogo, e o atleta que defendia qualquer tipo de adversário passou a arrastar-se em campo, sempre sob a constante ameaça de se magoar sempre que fizesse um movimento mais brusco. E por falar em apostas de risco, eis que chega Brandon Jennings, um base que sempre gostou de ter bola na mão e de a atirar ao cesto (o que por si só não parece combinar bem com ‘Melo), mesmo que o fizesse com baixa eficácia, e que também ele foi assolado por diversos problemas físicos. O ponto positivo é que também ele parece estar à experiência, como prova o seu contrato de apenas um ano. Nome menos sonante, mas quiçá o melhor negócio, Courtney Lee, um bom atirador capaz de defender o perímetro.
Jeff Hornacek foi o escolhido para se sentar no banco, depois de uma experiência em Phoenix que teve bons e maus momentos. Se por um lado os Suns mostraram inicialmente uma qualidade de jogo superior colectiva superior às individualidades que possuíam, por outro a equipa não manteve a fasquia elevada, e o treinador teve mesmo problemas em lidar com alguns egos e lutas por protagonismo. Se isto foi um problema no Arizona, que dizer em New York, uma cidade repleta de estrelas, desde o campo até às bancadas. Hornacek tem, no entanto, armas disponíveis para colocar em campo o seu estilo de jogo baseado em transições rápidas e lançamento longo, isto se Rose e Jennings conseguirem manter-se fora da enfermaria. Anthony deve assumir o papel de PF e juntamente com Porzingis no centro, formar uma dupla difícil de parar no ataque. Para lá da predisposição para os problemas físicos, a quem nem Carmelo foge, o maior defeito destes Knicks é a falta de profundidade do banco. Mesmo que os seus titulares não percam muitos jogos, a equipa vai baixar bastante sempre que for necessário ir buscar soluções de entre os suplentes.
Considerando o material existente e a quantidade de super-estrelas que compõem o elenco, o regresso a uma temporada positiva é uma possibilidade. Mesmo que as estrelas já tenham passado o prazo de validade.
Objectivo: obter acima de 42 vitórias e regressar ao playoff
Força: poder ofensivo
Fraqueza: falta de banco, agravado com tendência para problemas físicos
Nuno R.


6 Comentários
De Carvalho
Esta equipa dos Knicks esta se a preparar para o pós CARMELO.
Rose e Jennings um ano de contrato, Melo deve estar restrito o que permite no proximo ano uma investida no mercado e ir buscar os jogadores certos.
Esta ano ano sinceremente que esta equipa entra nos POO mas nada mais que isso.
Gostava de ver Wall, Giannis, e PORZ como base desta equipa na proxima epoca.
Prosporix
Ah para terminar, na minha opinião se NY alcançar os playoffs foi pq o Rose esteve em destaque. É por onde passa o sucesso… Porzingis é um jogador que gosto, sendo novo, acho q vai melhorar um pco mais esta epoca. Mas Rose é o joker ( com uma pequena ajuda do Noah) pq viu-se este ano q Melo e Porzat é curto para chegar aos PO
Prosporix
Entre estas duas acho q os Magic fazem melhor epoca, mas ainda assim mt complicado ir a playoff… Na minha opinião não dá, mas a acontecer é pq têm jogadores jovens e que “fogem” ás lesões..
Tiago Oliveira
A cair uma equipa dos playoffs so poderá ser Charlotte. Logo custa-me a crer que alguma faça playoffs. Ainda por cima ha Chicago que me parecem sempre mais candidatos aos playoffs que eles. Cleveland, Toronto iguais. Pacers e Boston melhores. Miami mais fraca, mas melhor que qualquer 1 dessas duas. Atlanta perdeu Teague e Horford, mas pronto, tenho um feeling que fazem os PO na mesma. Sobra Charlotte e Detroit. E ha sempre Chicago. Parece-me muito dificil
Goncalo Gaia
Orlando tem um plantel bastante intrigante este ano. Com a chegada de Vogel não me surpreendia se se tornassem numa das defesas mais aguerridas da liga (um pouco à semelhança do que eram os Pacers na altura em que disputavam a conferência com os Heat). Espero que seja este o ano em que Aaron Gordon finalmente expluda, pelo que tenho lido tem trabalhado bastante a parte técnica no verão e melhorado o lançamento exterior.
Estes Knicks são uma verdadeira incógnita, até porque para já Rose está afastado da equipa enquanto decorre o seu julgamento. Depois do falhanco que foi a Triangle offense e da incapacidade que este plantel tem para jogar no mesmo estilo de jogo dos Suns (principalmente do ano em que Dragic foi MIP), estou curioso para ver qual a estratégia que Hornacek vai adotar, mas acredito que os Knicks consigam alcançar o oitavo lugar
José Ribeiro
Estas equipas devem ser as maiores incógnitas no Este. Os Knicks vão precisar de muita sorte no capítulo das lesões para voltar aos play-offs. A decisão de trazer Rose até se entende, pois só tem um ano de contrato e parece que já passou a pior fase das lesões. Agora o contrato de longa a duração a Noah é que tem tudo para correr mal! Ainda assim, continuam com um jogador top ofensivamente em Anthony e um possível franchise player em Porzingis. Mas esta equipa tem todo o aspeto de falhar devido a lesões.
Os Magic têm uma equipa jovem e que se espera que vá aos play-offs, e têm em Ibaka e Biyombo uma dupla infernal na defesa e luta das tabelas. O problema será mesmo ter um jogador ofensivo que resolva quando os jogos tiverem apertados