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“Novos Ricos” e jogadas de empresários poêm em causa a formação e carreira de futuros craques (os jogadores, ainda menores, são muitas vezes iludidos)

Existem cada vez mais transferências de jogadores ainda menores (falamos principalmente para o estrangeiro), devido à maior facilidade de acesso à informação sobre novos talentos e também ao facto de ser cada vez mais necessário “antecipar” o negócio (não só porque o valor de mercado das grandes promessas tem tendência a subir, como também o numero de interessados deverá crescer). O que acontece é que, muitas vezes, os jovens são iludidos pelos empresários e pelo nome do clube que os pretende comprar (com os emblemas ingleses à cabeça, nomeadamente o Chelsea, que ainda recentemente contratou um jogador de 15 anos do Mónaco por 300 mil euros) e não tomam as melhores decisões para as suas carreiras.

Os clubes que são reconhecidos por terem academias de formação de qualidade (os holandeses estão extremamente indignados com esta situação) ficam assim impedidos de dar seguimento à formação do atleta, por dois motivos: porque não têm capacidade financeira e porque o próprio jogador não quer prosseguir no clube, visto que tem a oportunidade de se transferir para um emblema de topo mundial. Recentemente, o Sporting também não conseguiu manter duas das suas principais promessas: Agostinho Cá (tinha contrato profissional que terminava no próximo ano) e Edgar Ié (contrato de formação que também chegava ao fim em 2013), que não quiseram renovar com o clube de Alvalade e irão para o Barcelona (aparentemente por 2,5 milhões), depois de terem estado com um pé no Inter de Milão. Este é um caso do que o mau aconselhamento (da parte dos empresários, à espera de comissões chorudas) pode provocar (isto sem saber se os jogadores terão ou não sucesso, mas irem para uma equipa sénior com muitas opções nesta altura à partida não parece a melhor opção).

Dando um exemplo concreto que dá conta da dimensão e influência dos empresários na transferência das estrelas do futuro, vejamos a mudança de Lucas Piazón para o Chelsea. O craque brasileiro iniciou a formação no São Paulo, deu nas vistas e chamou a atenção do clube londrino, que o contratou quando tinha apenas 17 anos (deixando-o ficar no seu país até atingir a maioridade). A transferência no total custou aos Blues cerca de 7,5 milhões de euros, com 1,5 milhões a irem directamente para Giuliano Bertolucci, o empresário. 

A questão aqui não é saber se os jogadores se vão ou não afirmar no clube (na grande maioria dos casos até têm qualidade para isso), pois isso depende de vários factores. Mas a probabilidade não seria maior no emblema de origem? Por exemplo, Agostinho Cá e Édgar Ié não teriam mais oportunidades no Sporting do que no Barça B (que tem bons jogadores, Bartra para central, Sergi Roberto e Riverola no meio campo, entre outros)? Mas de quem é a culpa nestes negócios das estrelas do futuro, dos clubes endinheirados, dos empresários ou dos próprios jogadores?

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