De forma genuína, sincera, fico com o coração despedaçado quando alguém tão enorme como Ronaldo se encontra reduzido a uma imagem de nível futebolístico baixo, quando não é lembrado por aquilo que amealhou na sua brilhante caminhada no futebol europeu, mas pelo seu peso actual, ou o último corte de cabelo com que presenteou a torcida do Corinthians. Por isso, decidi respirar fundo e escrever sobre um jogador que é, provavelmente, a maior inspiração para alguns futebolistas.
Luis Nazário de Lima Ronaldo apareceu em cena pelo Cruzeiro, o seu clube de formação no Brasil, onde, em 44 jogos, marcou outros tantos golos. Em 1994, com 18 anos, viu o seu nome na lista de vencedores do Mundial 94´, embora não tenha somado qualquer minuto na prova pelo escrete. Foi então recrutado pelo PSV, da Holanda, clube que há muito é reconhecido pela apetência na contratação dos bons jogadores brasileiros que procuravam vencer em território europeu (basta viajar até aos tempos de Romário..). Em duas épocas, O Fenómeno marcou 54 golos em 57 partidas. Este jovem de 19 anos começava, de forma gradual, a ser conhecido pelo seu poder de passe, aceleração vertiginosa, balanço corporal, domínio de bola e uma técnica única, capaz de encantar as duas facções presentes num jogo de futebol. Recordo uma passagem do livro de Sir Bobby Robson onde ele, sobre Ronaldo, afirma o seguinte: “Nunca vi jogador um jogador assim encorpado com tal velocidade e domínio corporal. Olhem para aqueles ombros incríveis e como ele se transforma numa autêntica enguia no relvado!”
Não tardou até que os gigantes da Catalunha, o Barcelona, se interessassem pelos seus serviços, numa época que foi de ouro para Ronaldo. Juntou aos dados estatísticos a conquista de um título individual que ainda permanece como recorde: o de mais jovem vencedor de jogador do ano para a FIFA. Tinha então 20 anos, e o mundo aos seus pés. Lionel Messi tem números parecidos, mas é engraçado como toda a gente se esforça ao máximo para encontrar superlativos para os seus feitos. Como se tudo o que ele tem feito, não tivesse sido já realizado por…Ronaldo. Com 21 anos, Ronaldo já tinha um Mundial no bolso, dois prémios de jogador do ano FIFA e, se não fossem os problemas físicos que todos lhe conhecem, só Deus sabe que outros recordes ele não derrubaria.
Na época seguinte o Inter fez-se com os seus préstimos. No entanto, foi a partir da chegada a Itália que a sua carreira perdeu o fulgor de outrora. Em 1998, Ronaldo acompanhou o Brasil até França para disputar o Mundial, competição onde a canarinha atingiu a final, mas a prestação de Ronaldo foi uma sombra do atleta que tinha marcado mais de 80 golos nos dois anos anteriores. Numa colisão bárbara com Barthez, Ronaldo foi levado para o hospital, o que só serviu para que se descobrisse o verdadeiro motivo do seu pálido desempenho: na noite anterior à final, o astro brasileiro tinha sofrido uma série de convulsões que o indispuseram para se apresentar em forma naquele jogo. Jogou, pois o milionário contracto publicitário que o ligava à Nike, junto com a pressão do povo brasileiro, obrigavam a que um jogador daquela importância não ficasse de fora por motivos daquela estirpe. Infelizmente, as más notícias não terminaram com este episódio. Em Novembro de 1999, a tragédia voltou a bater-lhe à porta e, num jogo frente ao Lecce, rompeu o tendão do joelho, levando-o até à mesa de operações. Cinco meses depois, apareceu num jogo para a Taça de Itália mas, apenas com 7 minutos de utilização, lesionou-se pela segunda vez no joelho. Mas a história de Ronaldo não tinha terminado. Em 2002 realizou um Mundial excelente, sendo coroado como o melhor marcador da prova, MVP, ano em que juntou a esses títulos o de jogador FIFA e o prémio Laureus.
A próxima vez que alguém disser “Ronaldo”, o leitor pensará no Cristiano que venceu o FIFA World Player uma vez, ou o brasileiro, que o venceu por três vezes? Não tenho dúvidas da vossa resposta mas, para mim, não é entre Pelé ou Maradona, Messi ou CR7…é o outro Ronaldo, O FENÓMENO!
António B.


