Estádio cheio, bandeiras no ar, um ruído ensurdecedor, um ambiente eletrizante. O árbitro apita e rola a bola. Esta poderia ser uma breve descrição sobre a atmosfera de que a generalidade dos adeptos de futebol gosta. Ao invés disso, aquilo que acontece na maioria dos estádios portugueses é exatamente o oposto. Vemos constantemente jogos com pouca afluência, em que o único ruído é o eco que o apito do senhor de amarelo faz soar no estádio. Podia-se pensar que afinal estamos perante um país que não gosta, ou não se interessa, sobejamente por esta forma de entretenimento. Mas pasme-se, esta também não é a realidade. O futebol é um tema com amplo espaço na praça pública e motivo de tantas e tantas discussões em tascas e cafés por esse país fora.
Muitas das vezes aponta-se a falta de atenção da comunicação social e a falta de investimento por parte de patrocinadores, como estando na génese da falta de receita e visibilidade dos clubes. No entanto, porque há uns que conseguem atrair todo esse mediatismo e outros que não? Porque os que usufruem desses benefícios conseguem gerar receitas a quem lhes dá visibilidade ou os patrocina. Parece-me que os clubes cada vez mais se esquecem daquele que é o principal pilar do seu património e sustentabilidade: os adeptos.
Numa era em que a informação voa e o alcance da mensagem rapidamente chega ao outro lado do mundo, a tentação de centrar todas as estratégias dessa forma é grande. Porém, na minha ótica, totalmente errada. Vemos clubes com poucos adeptos a investirem muito nos post´s que fazem, espremendo a sua criatividade ao limite. No entanto, de que serve ter publicações nas redes sociais muito boas, se depois não há gente interessada em vê-las? A propaganda de um clube que pretende aumentar o interesse pelo seu desenvolvimento, envolvendo assim mais gente no seu quotidiano, tem de começar por “casa”.
Urge que os clubes olhem para as suas localidades, percebam o que mais orgulha aquelas gentes de serem habitantes de determinada região e “colar” a sua filosofia às raízes desse sentimento. No fundo, criar uma identidade própria que os ajude a distinguir dos demais. Ser uma marca presente no dia-a-dia da cidade, expondo o seu símbolo da forma mais regular possível. Abrir casas, bares de desporto (ou o que se lhe queira chamar) pela cidade. No fundo ser uma marca presente.
Juntamente com facto de ser uma marca presente é importante cativar e motivar essas mesmas pessoas na ida ao estádio. E se há medidas na defesa do adepto, que têm de ser tomadas por outras instituições, tais como os horários dos jogos. Outras existem que podem ser tomadas pelos clubes. Desde bilhetes “low cost”, possibilidade de levar um acompanhante na compra de um bilhete, possível oferta de merchandising do clube a quem vai ao estádio, oferta de comida, parecerias com serviços locais com benefícios para os sócios, atribuição de um camarote para o adepto mais assíduo durante o ano e até o sorteio de um automóvel, como já vimos a nível internacional. Existe um sem fim de medidas que podem ajudar e incentivar os adeptos a dirigirem-se ao estádio para assistirem ao jogo da equipa da sua cidade. Equipa essa que os defende e representa a nível nacional. E muitas destas medidas estão totalmente ao alcance de praticamente todos os clubes profissionais em Portugal.
Não deixa de ser curioso que clubes com estádios construídos para o Euro’2004 (ou seja, beneficiam de infraestruturas de topo) e que estão afetas a capitais de distrito como Leiria, Coimbra, Aveiro e Faro à cabeça. Teriam capacidade, devido à densidade populacional da sua região, para terem uma afluência ao estádio de cerca de 20 000 pessoas. Contudo, vemos esses clubes arrastarem-se em ligas secundárias e sem capacidade para crescerem, depois de anos e anos de estagnação divisão mais elevada do futebol português. Não deixa de ser curioso que a 1ª Liga esteja, neste momento, cheia de clubes com um potencial de crescimento mais reduzido, como são os casos do Desportivo das Aves, Tondela, Rio Ave ou Moreirense. Esses por muito que queiram, representam vilas ou cidades com populações drasticamente reduzidas, enquanto que outros que podiam trabalhar mais e melhor para chamar o adepto da sua cidade, não o fazem.
Obviamente, este não vai ser um trabalho com frutos no plano a curto prazo. Possivelmente, as direções que iniciarem os processos nos respetivos clubes, não colherão os frutos do seu trabalho. Mas afinal, o que é mais importante? Um presidente colher frutos do seu trabalho ou o clube que representa caminhar sustentadamente para outro patamar? Numa era em que a globalização impera em todos os contextos de vida, é importante não esquecer que o bairrismo é fundamental. E partir sem essa base local para a globalização, parece-me que seria o mesmo que construir uma casa a partir do telhado.
Visão do Leitor: Santander


47 Comentários
Fantantonio
O Rio Ave é de uma localidade com cerca de 80.000 habitantes. Vila do Conde só é “vila” no nome, não faz sentido estar a englobar no mesmo lote que esses outros clubes, se o ponto é dar exemplos de localidades que estão na primeira sem grandes perspetivas de crescimento nem possibilidades de muito maior afluência no seu estádio.
O Rio Ave só tem vindo a aumentar a assistência nos últimos anos, até a um passado relativamente recente, o Varzim – na cidade vizinha com menos população, recursos e a jogar em divisões menores – chegou a ter médias de assistência semelhantes, mas os vilacondenses estão a claramente a mover-se mais para apoiar o clube da sua cidade, ainda que não seja um crescimento muito significativo de ano para ano.
Rui Miguel Ribeiro
Está enganado. Vila do Conde tem cerca de 30.000 habitantes, menos de metade do que divulgou. O concelho é que tem 80.000 habitantes.
Fantantonio
Eu usei o termo “localidade” referente a Vila do Conde, não “cidade”, mas mesmo que não tivesse usado… esse preciosismo não mudaria rigorosamente nada no ponto que expus.
Rui Miguel Ribeiro
Muda, porque a população da vila, termo que também refere, é uma, a do concelho é outra e em momento algum refere o concelho, que abrange territórios relativamente distante de Vila do Conde.
Fantantonio
O termo “localidade” não é restringido a cidade. Eu começo a frase claramente a fazer a correlação entre a localidade e o número da população.
Na segunda frase é que refiro que como cidade, a Vila do Conde atualmente de vila só tem o nome porque, principalmente se compararmos com a Vila das Aves, Moreira de Cónegos e Tondela, pois tem bem mais população que as três juntas, logo, muito maior possibilidade de subir a média de assistência. Não faz sentido ser incluída no mesmo lote, daí o facto de não alterar rigorosamente nada nesse argumento.
FVRicardo
Por exemplo o Santa Clara.
Uma região ávida por futebol de primeira há 18 anos, numa ilha com 135 000 pessoas e as assistências dos seus jogos não chegam aos 2 000 espetadores na maior parte dos jogos.
Diogo Moura
Simples, porque são demasiados clubes no país inteiro e 80% deles sem expressão. O estado não tem recursos nem meios para fazer uma fiscalização decente às contas. Aliás, as lebres que aos poucos se vão levantando são de associados que se insurgem contra a má gestão por parte das direcções.
Os de topo do CNS andam a reboque de empresas e de patrocinadores – alias, os clubes mais bem cotados das ligas secundárias, geralmente, estão inseridos em localidades com uma Zona Industrial bastante forte – os mais pequenos, distritais, restantes vivem de caridade da população, rifas, bar e afins.
É recorrente ver equipas que atacam a subida com super planteis e super orçamentos quando comparados aos restantes clubes da mesma divisão, e quando não atingem o objecto dentro de 1 ou 2 anos, no terceiro andam a lutar para não descer porque o dinheiro acabou.
Se isto não é má gestão, é o quê? São muito raros os projectos duradouros e sustentáveis, não existe paciência.
Nuno Pereira
Temos o exemplo do VilaVerdense: Ha uns anos o dona da Prozis tornou-se presidente e investidor do VilaVerdense. Ha 2 anos estiveram no playoff para subir a 2a liga, mas perderam com o Mafra. O presidente saltou fora, o clube desceu na epoca passada. Deixa me triste porque e’ o clube da minha terra.
FVRicardo
Os clubes/entidades responsáveis deviam tomar algumas medidas para chamar pessoas aos estádios urgentemente.
Na minha opinião um dos grandes problemas é o preço dos bilhetes. Quando quero ver o clube da minha terra na 2a liga ou no CNS tenho de pagar 7,5€ ou 10€, até para ver jogos do Pró-Nacional pago 5€ e ainda no outro dia fui ver um jogo do SLB por 3€, acho que não está certo. Vivemos num país em que muita gente vive com dificuldades, será que se o preço dos bilhetes fosse revisto em baixa ou se as crianças e adolescentes até 15 anos não pagassem bilhete as assistências não aumentavam? Não iriam mais famílias ao futebol?
Outra questão reside nos horários dos jogos: A Liga devia abrir os olhos para esta situação e obrigar que todos os jogos se realizassem no fim-de-semana entre as 12 e as 18 horas.
Muitos users dão a opinião de que os direitos televisivos devem ser centralizados. Eu concordo com isso, mas não pode ser feito de qualquer maneira. Na minha opinião esse dinheiro devia ser distribuído com certas regras (obrigação de investimentos em jogadores portugueses, infraestruturas, formação, entre outras) iguais para todos.
TORGA
Excelente comentário. O meu concelho tem 8 mil habilitantes e 2 equipas a disputar a disputar a distrital de Vila Real. O preço do bilhete é sempre 5 € independentemente do adversário, fora as rifas que compro à entrada e mais o que consumo ao intervalo. Em média por jogo deixo mais de 10 € aos clubes da minha terra e multiplicando por 4 jogos por mês dá um total de mais de 40 €, que feitas as contas deve andar à volta de 10 % ou perto dum salário mínimo nos gastos totais de um mês. Não me parece de todo descabido. Pior é quando mesmo na distrital cobram-te 20 € por um bilhete, totalmente descabido !!
FVRicardo
Obrigado!
O que me choca mais em relação a esta questão dos preços é que os clubes da I Liga (excepto um ou outro) passam a época toda a cobrar 15, 20 euros e nas últimas quatro jornadas (quando precisam de apoio) distribuem bilhetes de graça.
Amigos e bola
Falta bairrismo nas grandes cidades. O que acontece é que a maioria da população de cidades como Coimbra, Aveiro, Viseu, Leiria, etc não são originários de lá e como tal não criam essa ligação.
O que é grave é verificar o declínio dos clubes do Centro.
Já tivemos Beira-Mar, Académica, Leiria, Naval ao mesmo tempo na I . Hoje ou caíram aos distritais ou até já acabaram como foi a Naval.
Nuno Pereira
Mas voces acham que estes clubes mais pequenos vao fazer alguma? Ah pois claro que vao, vao se queixar que os 3 eucaliptos nao deixam nada para si. Como profissional de Marketing, vejo facilmente imensas medidas para atrair pessoas aos estadios. A comecar por baixar os precos dos bilhetes e a melhorar a qualidade de jogo. “Nao!!! Queremos a centralizacao dos direitos televisivos”. Mas porque e que as operadoras televisas vao querer gastar milhoes com clubes que nao atraem espetadores ao estadio sequer? Alguem aqui pagaria (muito) para ver um Aves X Setubal?
Volto a dizer, esta nas nossas raizes culturais queixarmo nos e esperamos que os outros facam algo por nos antes de nos fazer mos algo primeiro.
TORGA
Comentário um bocado descabido. Enquanto as armas não forem iguais ou minimamente justas não se pode conseguir melhorar o futebol português como um todo. Como se pode esperar que o Aves jogue jogo por jogo com o Benfica, quando possui um orçamento extremamente inferior e mesmo em sua própria casa joga como se fosse fora? A mentalidade têm que mudar, o futebol nacional não pode ser só Porto, Sporting e Benfica. Não se justifica que em mais de 100 anos apenas 5 equipas tenham sido campeãs e curiosamente dessas 5 equipas são apenas de 2 cidades.
Empaler
Não se pode exigir a um aves que ganhe a um benfica, mas pode-se exigir que jogue futebol.
Como é que o brighton com um orçamento de 1/10 dá 3-0 ao Tottenham? Não só dá 3-0 como faz mais do dobro dos remates!
Claro que ter mais dinheiro te posiciona mais perto do sucesso mas se não mudarmos a mentalidade dentro de campo não passamos disto.
58% das receitas de tv de espanha vêm de fora, acham que alguem quer comprar os direitos dos nosso jogos a ser jogados como são?
jalves1950
Como queres que os clubes tenham mais qualidade de jogo se tens um orçamento 30x (ou mais) inferior?
Quem disse que os clubes não fazem manobras de marketing para atrair adeptos ao futebol?
Eu sou sócio do FC Paços de Ferreira e pago 100€ por ANO (inclui quotas e lugar anual) para ver todos os jogos referentes ao campeonato. Há outdoors pela cidade para incentivas as pessoas a fazerem-se sócias. E na maioria dos jogos, excepto é claro contra os 3 grandes tenho bilhetes de acompanhante a 2, 3€ ou mesmo de borla! Isto é muito?
Há um grande problema no futebol PT, os eucaliptos secam tudo quer adeptos quer € e a Liga não sabe gerir nem horários nem jogos. Por exemplo este ano tivemos um Belenenses vs Paços às 19h numa segunda-feira.
Empaler
O problema não são os cartazes, os outdoors, a publicidade.
O problema é eu preferir ver um filme do que passar 2 horas de seca num estádio. Porque o que se passa nos relvados tugas é isto, uma seca.
jalves1950
O problema é que se for seca mas estiver o Porto, Benfica ou Sporting em jogo já está tudo bem, já vai tudo ver a bola, já não é seca. E sim há jogos do Porto, Benfica e Sporting que também não têm qualidade e têm sempre adeptos. Então este ano não faltam exemplos.
Adicionalmente, se tens piores orçamentos, tens, à partida, jogadores mais limitados, treinadores mais limitados e por aí fora. Claro que os clubes vão ser obrigados a lutar para sobreviver e sobreviver significa manter-se na primeira a todo o custo, pois caindo na segunda é que os apoios se vão à vida.
Empaler
Nos jogos dos grandes sempre há alguém a querer ganhar o jogo, sempre se vê alguma coisa. Se bem que nalguns até esses grandes perdem tempo.
Eu não quero ver pontapes de baliza a durar 1 minuto para serem feitos, jogadores constantemente no chao, equipas medicas sempre em campo, alivios constantes, relvados pessimos. Primeiro quero ver um espectaculo, segundo se a minha equipa jogar quero que ganhe. Por isso é que prefiro ver outras ligas, com clubes que não me dizem nada, por isso é que essas ligas são vendidas para o estrangeiro
Empaler
É mesmo isso. Dividir os direitos televisivos para quem não contribiu em nada para o espectaculo porque??
Já me custa ver os jogos do benfica (na realidade devem ser 40 minutos de jogo, o resto são jogadores deitados no chão e a queimar tempo) quanto mais ver os outros “jogos”. É uma vergonha o que se passa nos relvados de portugal.
TORGA
Artigo bastante interessante. Inteiramente de acordo contigo em várias partes. Para mim um dos maiores problemas do futebol em Portugal está na distribuição dos direitos televisivos, que ao panorama geral é a maior fonte de receita de qualquer clube. Deve-se avançar e rápido para a centralização dos direitos televisivos (se não há vontade da FPF e da Liga de Clubes, o governo devia intervir). Com a centralização dos direitos televisivos, acho que as entidades gestoras do futebol português deveriam exigir uma serie de condições a todos os clubes profissionais, como a a existência duma academia, equipa feminina, todos os escalões de formação e departamentos profissionais de marketing e comunicação e etc. Só assim se pode alterar esta situação!! Os grandes clubes em Portugal sugam tudo e não permitem que o futebol português evolua mas são sempre os primeiros a queixar-se do anti-jogo e afins das equipas pequenas quando estas não tem 1/100 das suas condições. Isto num momento em que qualquer equipa grande em Portugal pratica um futebol deprimente.
Paralelamente, devia-se lançar uma campanha a nivel nacional de apoio ao clube da nossa terra, só assim é que as assimetrias podem ser combatidas. Ainda assim concordo contigo, que mesmo com as actuais condições (paupérrimas) a maioria dos clubes pequenos trabalha muito mal e que exige que faça muito mais, para bem do nosso próprio futebol!
Rui Miguel Ribeiro
Só faltava o Estado vir imiscuir-se (ainda mais) em mais uma área que. em boa verdade, não lhe diz respeito. Fala de clubes com dificuldades e depois quer que tenham uma pleíade de departamentos que geram encargos.
Porque é que haviam de ser obrigados a ter futebol .feminino? Também há clubes com futebol feminino sem terem futebol masculino.
E gostava de saber como uma campanha a nível nacional ia ter grande impacto no plano local, para não falar de que a maioria das pessoas escolhe um clube independentemente de campanhas.
TORGA
Caro User, já pensou que o desenvolvimento do futebol feminino possibilita que milhares de raparigas joguem futebol e que por sua vez desenvolvam uma relação de carinho com o próprio clube que investe na sua formação podendo tornar-se assim uma adepta desse mesmo clube? Gerar encargos pode ser positivo pois são sinal de aumento de receita. Explique-me como vamos ter um campeonato competitivo quando o Porto/Benfica recebem 100 M de receita televisiva e o Tondela 2 M? O orçamento do Tondela deve só cobrir o investimento na equipa de futebol profissional pouco sobrando para o investimento em infraestruturas e demais investimentos que são chave para o desenvolvimento do clube.
Rui Miguel Ribeiro
Eu não critico o futebol feminino, critico que se imponha a criação de futebol feminino ou outro qualquer nos clubes, que devem ser livres de ter os escalões que entenderem por bem ter.
Quanto ao Campeonato competitivo, usando o seu esmplo, o Tondela jamais terá um orçmento remoramente parecido com os do Benfica e do Porto nem terá capacidade competitiva para ombrear com esses clubes. Aliás, a décalage entre os primeiros e os últimos é recorrente na maioria dos campeonatos, não apenas no nosso.
Kafka
O governo tem de intervir porquê? Isto é um assunto totalmente privado… 9 governo tem coisas realmente sérias e importantes para o País com que se preocupar como a saúde, transportes públicos (sector vital para combater as alterações climáticas), educação etc…isto sim, agora estarem preocupados com fantochada de futebol e de centralização ou não
TORGA
Boas Kafka, sabes quanto vale a industria do futebol em Portugal? Se há algo que merece atenção por parte do governo é também o futebol mas basicamente os políticos associam para o lado porque são o reflexo do país. Sofrem de clubite aguda e não impõem lei e ordem!! Quem sofre desta clubite aguda são também os presidentes dos clubes mais pequenos que em vez de pensarem nas suas próprias equipas pensam somente no seu clube de coração (3 grandes)!
Blika
gostei da referência à queixa do anti-jogo… nunca tinha pensado nisso
André Dias
Excelente post e concordo plenamente com o que foi escrito. Os clubes precisam de se associar mais às suas respectivas cidades para atrair adeptos, criar uma base para poder crescer e atingir uma dimensão que atraia cada vez mais receitas.
Aproveito para dar o exemplo do Leicester que é um clube de uma cidade com menos de 300 mil habitantes num país com população de 55 milhões. Isso não os impediu de serem campeões ou de estarem a ser a equipa sensação da actual edição da PL.
O problema dos clubes portugueses é querem tudo no imediato e não pensarem a longo prazo. Vê-se isso até pela escolha dos treinadores.
nomster
Concordo com tudo Santander.
Os clubes têm de fazer mais para ter apoio nós seus estádios, tem de criar ligação com os que moram lá perto para os poder chamar. Precisam de tomar medidas que não visem o lucro fácil, mas que criem uma estrutura de futuro. O Boavista tem tomado boas medidas neste sentido (talvez outros também, mas não tenho ouvido falar tanto).
Pelo lado contrário (na Primeira Liga) há o Vitória. Um clube que está na capital de distrito, não tem concorrência de nenhum outro nesse mesmo distrito, não pode ter a organização que o Vitória tem. É demasiado mau. Acho que reflete um pouco a cidade de Setúbal porque há potencial para muito mais (opinião pessoal).
A Liga tem um papel a desempenhar fundamentalmente na distribuição de receitas e na calendarização dos jogos.
É preciso criar condições para chamar pessoas ao estádio e não é com jogos às 21h ao domingo que isso acontece. Ou à 2a feira às 18h. Ou à 3a, 4a ou 5a. Os horários deviam ter como prioridade principal o adepto e não a televisão.
Penso que as medidas para chamar os adeptos aos estádios (na redução do preço dos bilhetes, por exemplo) levaria a uma quebra nas receitas a curto prazo nos clubes. Uma melhor distribuição de receitas na Liga ajudaria a colmatar esta quebra.
É preciso um esforço conjunto mas também indivual para virar a direção do barco!
Santander
Muito obrigado pelo feedback..
Concordo perfeitamente que a liga deve ser parte ativa nesta mudança de paradigma, no entanto os próprios clubes devem ter um papel ativo e pressionar a liga para que assim seja.. Porque com a inércia com que muitas vezes se apresentam, a liga simplesmente assobia para o lado
Diogo Moura
Comparo a situação actual do futebol português à politica. Existem inúmeros factores que têm levado à queda abrupta do interesse nesta modalidade – quer da 1º Liga, quer das divisões inferiores.
Duma forma sucinta, julgo que as pessoas se vão afastando do futebol porque acham que não vale a pena “investirem” tempo e dinheiro num desporto que está completamente minado. São casos sucessivos de corrupção, favores, interesses, etc. que conduzem à perca da credibilidade e por consequência, levam à perda de adeptos – tal como na politica, que todos os anos é batido o recorde da abstenção.
E quando falo em corrupção, nem me refiro aos e-mails, apito dourado, etc, refiro-me a presidentes de clubes pequenos que usam e abusam dos clubes regionais para proveito próprio. Em Portugal, os clubes são geridos à balda e a maior parte deles está a saque. Os relatórios de contas são aprovados por meia dúzia de associados, e não existe nenhuma fiscalização às contas dos clubes. Os Presidentes vão-se sucedendo por “compadrios” e amizades.
A titulo de exemplo, o Beira-Mar quando jogava no centro da cidade – havia um grande ligação entre o clube e a população local – o estádio estava sempre cheio e os jogadores tinham qualidade – muitos deles deram o salto para o Porto e Benfica. Jogasse na 1º ou na 2º Liga. Desde que o clube mudou de instalações (para a periferia) e faliu – gestão danosa – existiu um afastamento. Isto aliado à quebra e ao desinvestimento na formação e nas modalidades – que eram uma imagem de marca e que levavam muitos jovens Aveirenses a terem um carinho pelo clube. Claro que as pessoas deixaram de ir ao estádio, afinal de contas, um investidor rebentou financeiramente com o clube que anos antes se havia mudado para uma zona onde o acesso mais rápido e fácil é cobrado por um pórtico de uma SCUT.
Mantendo esta linha de raciocínio, acontece o mesmo na 1º Liga. Os pequenos clubes quando conseguem fazer um encaixe financeiro considerável, compram jogadores aos pacotes a empresários duvidosos que cobram comissões altíssimas. Isto, enquanto as formações e as modalidades andam pelas ruas da amargura. Revolta um bocado este tipo de investimentos, visto que existem jogadores no CNS com o dobro da qualidade e 20 vezes mais baratos – muitos deles a custo zero e com contractos de 1 ano.
Este tipo de politicas de gestão levam à perda de qualidade do jogo em si. Ora, se o jogo é feio e os executantes não são bons – porque os clubes só investem em jogadores limitadíssimos e em treinadores da “velha guarda” , as pessoas deixam de acompanhar o clube e o futebol. Apesar de alguns adeptos levarem o desporto e viverem o seu clube intensamente, este nunca irá deixar de ser o que sempre foi, um entretenimento.
Destaque ainda para os horários dos jogos, ir ver um Tondela – Setúbal numa segunda-feira de Inverno às 21H00 não dá com nada. É mesmo a pedir para às pessoas deixarem de ir ao futebol.
Destaque ainda para os preços do bilhetes que por vezes roçam o ridículo para a qualidade dos estádios e para a qualidade de jogo apresentada. Já cheguei a pagar 25€ para ver um Tondela – Benfica e foi das piores coisinhas que já vi ao vivo. Anti-jogo, Guarda Redes no chão de 3 em 3 minutos, faltas atrás de faltas e por aí adiante. Jogo jogado, zero! 25€ por uma mão cheia de nada!
Também existe outro factor igualmente importante, fala-se muito dos direitos televisivos, e estes, têm bastante influência. Com a qualidade de jogo apresentada pela BPL, Bundesliga, La Liga e a Serie A, só um tolo é que troca “jogaços de bola” por um jogo de meia tabela da primeira liga portuguesa. A maior parte dos adpetos conhece mais depressa o plantel do Atalanta ou do Betis do que 5 titulares do Paços de Ferreira.
Resumindo, é primeiramente importante subir a qualidade de jogo apresentada nos relvados – apostar em jogadores de real mais valia e não andar a entregar comissões de mão beijada a empresários duvidosos que hipotecam as contes dos clubes – apostar em treinadores com boas filosofias de jogo – não se andar sempre na troca de cadeiras como são os casos de Petit, José Mota, Inácio, etc. e por fim, valorizar realmente o adpeto colocando jogos a horas decentes e, como refere bem o Posto do VM, ofertas, prémios, merchandising, etc.
Isto e claro, mais transparência nas gestões desportivas.
Estigarribia
Diogo Moura,
Excelente comentário. Disseste tudo. Ainda assim, posso acrescentar um exemplo do meu lado: como eu já disse várias vezes, além de eu ser do Sporting Clube de Portugal sou também adepto do Sporting da Covilhã e todas as épocas o SC Covilhã inicia a época com o orçamento mais baixa da 2ª Liga, mas ainda é dos poucos clubes na Liga de Honra que consegue sacar bons jogadores no Campeonato Nacional de Seniores (Traquina, contratado ao Sertanense, em 14-15, é um desses exemplos). E aos poucos, sem entrar em loucuras financeiras, já conseguiu modernizar um pouco mais o principal estádio onde joga, vai conseguindo trazer cada vez mais jogadores das divisões como o CNS (lá vai continuando a trazer alguns brasileiros dos campeonatos regionais) e prepara-se para começar a construir uma Academia de futebol. E é um dos poucos clubes, na 2ª Liga, que consegue ter sempre as contas em dia e pagar sempre os salários aos jogadores (sem qualquer falta).
Enquanto os Estoris e os Nacionais têm, se calhar, investidores por trás a injectar dinheiro nos clubes, tenho orgulho no SC Covilhã por conseguir, com o orçamento mais baixo da 2ª Liga, manter-se equilibrado a nível financeiro e ao mesmo tempo modernizar as suas infraestruturas sem entrar em loucuras.
Saudações Leoninas
P.S.: E, mesmo assim, continua a ser um clube sempre pronto a abater pelo sistema corrosivo do futebol português quando, por exemplo, neste último jogo da 2ª Liga, contra o Nacional, perdeu por 1-0 na Choupana num jogo onde foi altamente prejudicado pela arbitragem. E com essa derrota caiu do 2º para o 5º lugar. Ainda assim, espero que continuem a jogar como têm jogado e que subam à Primeira Liga para darem uma ‘chapada de luva branca’ ao sistema corrosivo do futebol português.
FVRicardo
Em relação aos ReC dos clubes, podia-se criar uma autoridade que os examinasse antes da apresentação de cada exercício.
Amigos e bola
Tudo treta. Não sabes do que falas, Diogo.
Diogo Moura
Pronto, presumo que saibas mais do que eu. Refuta o meu comentário com base na tua vasta (presumo) experiência de gestão de pequenos clubes. Ou se tens algo a acrescentar, chuta aí. Isto é um forum e um espaço de opinião, quero saber qual é a tua sobre este assunto.
Empaler
Já custa ver os jogos do nosso proprio clube quanto mais ver os outros. O nosso futebol está completamente ultrapassado, como é possivel ninguem ter mão nos RCs dos clubes? Um presidente pode meter quanto quiser ao bolso que não se passa nada, se tiver o minimo de cabeça.
Santander
Concordo totalmente diogo! Por vezes parece que os três grandes são o governo e os outros clubes são as câmaras municipais que se vão associando para tirar benefícios
Empaler
Bastava os clubes quererem jogar futebol. Era o primeiro passo. Entreter as pessoas por 2h.
Se seguida usar as camadas jovens, não faz sentido nenhum o pessoal da região apoiar uma equipa que tem 0 jogadores formados lá.
Santander
Desculpa mas não acho que as coisas sejam assim tão simples… Olhas para o Vitória que quando esteve na segunda liga teve uma média superior a 20 000 pessoas ou para o Boavista que não passou a jogar à Barça e consegui quase duplicar as suas assistências em 1 ano e meio… É preciso é haver vontade de fazer mais e melhor que por vezes não parece que haja
Empaler
Quando é que o vitoria esteve na segunda liga?
O boavista aumentou em 50% desde ha 2 epocas, sendo que na altura tinha em media 5.5k. De realçar que se encontra na cidade do porto.
O Vitoria sempre teve jogadores das camadas jovens e tem tido sempre um futebol positivo.
Fazer mais e melhor o que? Fazer o que?
Santander
Não deves ter interpretado bem a minha resposta.. Não aponto o Vitória e o Boavista como clubes que devem fazer mais mas sim como exemplo para aqueles que têm que fazer forçosamente mais….
Relativamente ao vitória esteve na 2ª liga na época de 2006/2007 e nem sequer foram campeões esse ano, perdendo para o Leixões, mas estiveram sempre com uma média acima das 20 000 salvo erro
Empaler
Do meu ponto de vista o Boavista não é exemplo, pois situa-se numa grande cidade com estádio no centro, logo deveria ter muito mais. Mas com o mau futebol praticado, ainda no ultimo jogo a perder desde os 10 minutos acabam o jogo com 5 defesas, toda a gente a defender no seu meio campo e a trocar a bola na defesa, parecia que o melhor resultado do mundo era perder só por 1. Eu se fosse adepto ficaria revoltado com esta postura, podiam perder por 3 ou 4, mas tinham de tentar marcar, não defender a derrota minima.
Já o Vitoria sim, é um clube exemplo. Bate-se com todos, tem malta da região, tem camadas jovens é isto que se tem de seguir.
Santander
Como podes esperar que o Boavista faça muito mais? Está numa grande cidade mas dividi-a com um clube com uma dimensão muito superior… Para além disso estar a comparar um clube que se tem solidificado com anos e anos de projeto como caso do Vitória com outro que regressou há cinco anos sem qualquer tipo de apoio e com recursos hiper limitados parece-me que não é de todo justo… O Boavista está a crescer e está a fazê-lo sustentadamente… Se pode crescer ainda mais? Óbvio mas isto não é um trabalho que com dois tres anos vai la… A verdade é que neste momento está em 4º lugar em médias de assistências na liga e com uma média de mais de 10 000 pessoas… Há que criticar mas também há que reconhecer o mérito quando ele existe
Marik
O Boavista já recebeu Porto, Sporting e Braga, o que inflaciona bastante essa média. Tiras esses jogos e a média dos jogos “normais” é bastante inferior.
Santander
Curiosamente os piores jogos do Boavista este ano foram em Agosto, altura em que muita gente está de férias e ausente… Deves ficar supreendido mas o jogo com o Braga teve cerca de 8 500 pessoas, enquanto que com o Tondela estiveram cerca de 14 500 (ou seja ainda mais do que com o Sporting) o ano passado tiveram 12 000 contra o Moreirense e cerca de 16 000 com o Nacional… por isso dá para perceber que a estratégia que têm adotado tem dado frutos
Empaler
Claro que quero que faça muito mais. Só o Setubal tem jogos com menos golos que o boavista. A malta não vai ao estadio para ver golos e bom futebol? Ou para ver a equipa contente por perder 1-0 e ser passivo o jogo todo? Não estou a dizer que deviam ter ganho ou cabazeado os jogos todos, mas nem tentam marcar golos
Antonio Clismo
Já nem falo da FPF mas a Liga de Clubes lá vai assobiando para o lado… Interessa-lhe apenas manter o status quo