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O caminho para o sucesso: formação!

Construir uma personalidade, educar um talento, poderá ser realizado por formas muito distintas. O futebol não escapa à regra, e é isso mesmo que hoje aqui é feito e tratado: a formação como raiz da germinação do sucesso desportivo do atleta. Porque é que alguns atletas atingem a excelência desportiva e outros não? Em que medida os resultados alcançados/ a alcançar decorrem do potencial genético e/ou do operacionalizado no treino? Como poderemos identificar e desenvolver o potencial de um futebolista, de modo a alcançar a excelência? Apesar dos muitos candidatos a campeões, são poucos os que logram alcançar a glórias dos títulos desportivos. São poucos os que têm o privilégio de ver o seu nome na lista de convocados para a selecção nacional.

Em Portugal, assim como nos restantes países latinos e/ou sul-americanos (fazendo a excepção à Espanha e Itália), ainda se acredita que o talento inato nos levará a atingir os mais elevados pódios, patamares. A verdade é que essa crença nos está a encravar a progressão como potência futebolística europeia e mundial. Ao acreditar-se no talento inato, coloca-se em causa o poder do treino, da aprendizagem e da capacidade transformadora que os legitima. É aqui que entram as academias, verdadeiras escolas de talentos jovens em Portugal. Para começo de reflexão, um apanhado estatístico da “casa” de formação dos 23 convocados portugueses para o jogo com a Dinamarca:

Sporting (7) – Beto, Moutinho, Varela, Nani, Ronaldo, Patrício e Carlos Martins
Porto (5) – Bruno Alves, Hugo Almeida, Ricardo Carvalho, Postiga, e Paulo Machado
Benfica (3) – Sílvio, Manuel Fernandes e João Pereira;
Braga (2) – Eduardo e Tiago;
Marítimo (2) – Danny e Pepe (ainda fez o último ano de júnior nos madeirenses)
Boavista (1) – Meireles
Belenenses (1) – Rolando
U. Madeira (1) – Ruben Micael
Rio Ave (1) – Coentrão

Sendo despiciendo o facto de no Norte a formação estar um pouco mais distribuída a nível clubístico que a Sul, facilmente se constata que a actual grande forrnecedora de jogadores seleccionáveis é a academia leonina, com 7 jogadores. O mesmo se passa olhando para os onze que ontem subiram ao relvado do Dragão, somando 4 jogadores ex-academia dos leões no terreno de jogo, a saber: Moutinho, Nani, Ronaldo e Carlos Martins. Apesar de isto serem meros dados curiosos, não pode estar desligado do acima dito. É por demais conhecido (e reconhecido por treinadores estrangeiros), o trabalho de formação que é feito na formação do Sporting, não sendo de estranhar ter sido a primeira e única academia desportiva na Europa a receber o ISO9001:2008 – um certificado de qualidade entregue pelo EIC (Empresa Internacional de Certificação), uma sociedade anónima portuguesa reconhecida local e internacionalmente por este tipo de prémios e certificados. Isto é o reconhecimento, acima de tudo, pela extraordinária contribuição da formação verde para a habilidade de transformar e moldar o talento de jovens futebolistas.

Variadíssimos estudos têm permitido reforçar a importância da relação entre o tempo de prática acumulada numa actividade e o nível de desempenho conseguido pelos praticantes nessa actividade. Voltamos então ao crucial trabalho na formação, demonstrando-o e sentenciando com uma afirmação que, apesar de subjectiva, não lhe retira verdade: “It takes 10 years of extensive training to excel in anything” – Herbet Simon, laureado com um Nobel

Ou seja, 10.000 horas. Isto significa, em média, a prática deliberada de 3 horas horas de treino diário durante um período de 10 anos.

A natureza dá ao homem um potencial que uma prática deliberada e contínua transforma em capacidade. À medida que os cientistas examinam as carreiras dos seres humanos mais proficientes, menor parece ser o papel atribuído ao “talento inato” e maior significado se atribui ao do treino/aprendizagem. Por isso faço, em nome próprio, um apelo: NÃO às sessões pontuais de detecção de talentos!

Não é crime copiar os bons exemplos. Não será crime copiar o modelo espanhol. Não será crime copiar o modelo francês. O futuro do futebol português têm, e só pode, estar na formação. Ganham os clubes, beneficia a selecção, e ajuda a que a identidade do nosso jogador português predomine e se afirme cada vez mais, cá e lá fora. O maior exemplo que poderá ser dado mora em Barcelona, e o conselho é dado por Capellas, o coordenador de todo o futebol jovem blaugrana: “Os nossos castelos catalães têm sempre uma base muito forte. Tens de posicionar toda a gente na sua posição correcta. Não levarás ninguém ao topo do castelo sem as fundações correctas e adequadas. Tens que ter sempre uma forte base porque, sem isso, tu não tens nada”

Urge não perder, e gastar, mais tempo e dinheiro de forma errada no nosso futebol.

Qual será o futuro do jogador português? Porque razão os clubes nacionais não apostam mais no jogador português e na formação de jogadores? Tendo em conta que 1/3 dos seleccionados e da equipa titular de Portugal fez formação no Sporting, pode-se dizer que a nossa selecção está cada vez mais dependente do que a Academia leonina pode produzir?

A.Borges

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