Costuma-se dizer que nenhum ciclo é eterno. De facto, a história está recheada de eventos que confirmam esta velha máxima, sendo que o futebol não foge à regra. Em França, na competitiva Ligue 1, assistimos a um ciclo que parecia não ter fim. O Olympique Lyon dominou, conquistou e escreveu um capítulo na história do futebol francês, que irá perdurar ao longo dos tempos. No total foram sete títulos consecutivos conquistados pela equipa francesa, concretizando assim o sonho do seu presidente Jean-Michel Aulas. O carismático presidente criou e lutou para tornar o Lyon num grande clube, quer em França, quer na Europa. Chegou ao clube em 1987 e o palmarés resumia-se a umas quantas taças e supertaças. Vinte anos depois, o clube que tem como casa o Stade de Gerland, é um dos mais titulados de França e foi o conjunto que, num passado recente, potenciou o futebol francês no panorama europeu.
Foram inúmeros os jogadores que brilharam com a camisola do emblema francês, contribuindo para os anos dourados. De Juninho a Malouda, passando por Essien ou Benzema, Les Gones, como são apelidados pelos seus adeptos, caracterizaram-se por albergar jogadores de qualidade nas suas fileiras, funcionando também como um “trampolim” para voos mais altos. O sucesso e as conquistas internas criaram as bases para que o conjunto francês se desenvolvesse na Europa, tendo sido uma presença assídua na Liga dos Campeões, chegando mesmo às fases mais adiantadas da prova por diversas vezes. De 2001 a 2008, o Lyon foi rei e senhor em solo gaulês, não tendo adversários capazes de contrariar o seu domínio. Contudo, quase tudo tem um fim. O passado brilhante do Lyon já lá vai e, hoje em dia, a realidade é bem diferente. Desde logo, salta à vista a ausência de jogadores capazes de fazer a diferença. Depois de perder o campeonato para o Bordéus na temporada 2008/09, o clube não conseguiu reencontrar o trilho da vitória e assistiu-se a uma debandada de jogadores com muitos anos de casa. Para além disso, alguns problemas financeiros provenientes de investimentos feitos no passado aceleraram todo esse processo de desagregação do plantel. Actualmente, Lisandro López é o capitão e a estrela maior de uma equipa renovada, que perdeu nomes como Lloris, Cris ou Källström. Embora ainda haja Gourcuff ou Michel Bastos, a equipa do Lyon sofreu uma profunda remodelação. Monzón, Fofana ou Lacazette são as novas caras duma equipa que, aos poucos, pretende voltar aos tempos de glória e, acima de tudo, conquistar títulos. Terão pela frente um milionário PSG, um Marselha rejuvenescido e todos os restantes que competem numa das ligas mais equilibradas da Europa.
Depois de se sangrar heptacampeão, conseguirá o Lyon voltar a dominar o futebol francês? Qual o futuro da equipa francesa? Terá condições para permanecer num patamar elevado? Ou, como aconteceu a outras equipas, jamais voltará a triunfar?
André Mesquita


