Há uma coincidência tétrica entre o descalabro desportivo de três derrotas consecutivas e os problemas de saúde do antigo presidente Pinto da Costa, que há poucas semanas tinha publicado um testamento sobre os convidados para o seu funeral.
Como associou o poeta, é uma pronúncia do norte a confundir-se com o prenúncio de morte – cenário fantasmagórico que reclama exorcismo urgente num meio em que, como dizem os amigos de Vigo, “brujas si, que las hay, las hay”.
Muitos previram que o dia seguinte à queda do regime não seria bonito. A herança é pesada e exige tempo para o luto, considerando que chega às mãos dos sucessores completamente esfrangalhada.
No Porto atual, após derrotas em campo, gestão danosa ou violência gratuita entre maus adeptos, o processo de refundação é obrigatório, como exercício de nojo em simultâneo com a montagem de um novo suporte de vida, o saneamento financeiro.
Porque a força interior do clube estará tão viva como um dia perpetuou outro dono da palavra que desarmou os maus augúrios sobre o destino ao escrever que as notícias sobre a sua morte eram evidentemente exageradas.
Rei morto, rei posto – longa vida ao Porto e ao seu novo presidente, o Luís André, que ousou intrometer-se num labirinto de interesses pessoais e de associações duvidosas que sobrevivia num sistema de intimidação e violência, mantido pela guarda pretoriana à custa dos bens do clube até ao nível da falência.
A essa forma de ganhar e ser poderoso deram o nome de “rassa portista”, a turbamulta da bancada das carpideiras, mas o lado bom do passado exige uma lápide limpa, honrosa e sem erros ortográficos.
João Querido Manha (https://joaoqueridomanha.blogs.sapo.pt/)


13 Comentários
Joao Gomess
Como portista e portuense fico contente que esta reestruturação esteja finalmente a acontecer. Como qualquer reestruturação, primeiro é necessário limpar o que está mal, ir ao fundo, organizar e profissionalizar. Pode ser que contribua para a melhoria do futebol português com menos corrupção, mais pureza, menos interesses.
Mike-UK
Quem com ferros mata.
Next.
Antonio Clismo
A saúde do clube podia medir-se através da cor da cobertura do Estádio do Dragão…
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Enquanto era vigorosamente branca, o clube transpirava força financeira e atitude competitiva… com o passar dos anos foi ficando amarela.. nos últimos 2 ou 3 anos ficou ainda pior e hoje está cheia de verdete.. qualquer foto aérea do Estádio do Dragão apanha a cobertura cheia de verdete… e isso é sintomático da saúde do clube… podem tentar fazer operações de charme, pintar uma parede aqui, comprar uns jogadores caros acolá… mas a cobertura enquanto não voltar a ser branca tipo NEOBLANC GENTIL, o clube não irá a lado nenhum.
Mantorras
Nao paras de me surpreender. Tens tanto de boring/previsivel, com a conversa sobre ene chavalos que nunca jogaram serem os reis disto tudo se tiverem 45min de tempo de jogo amanha, como sacas estas cenas do nada. Quem raio se lembra de falar da cobertura do estadio, e o que e que isso tem a ver com o que quer que seja? Fantastico.
junior_1984
A “rassa” não sei… Mas o fim da raça só se deve a quem semeou isto durante tanto tempo.
O problema do porto está mais no que acontecia fora de campo do que dentro.
Lemas como “contra tudo e contra todos”, “norte vs sul”, os oprimidos do norte, como se o Norte fosse apenas o Porto. Enfim. São tantas coisas que nem vale a pena ler este texto.
Valentes Transmontanos
Concordo.
Gil-Galad
Sinais dos tempos. Ainda assim nada apaga a quantidade de vitórias e festejos e marcos históricos que tive o prazer de ver ao vivo e a cores. Faz parte do processo mas acredito que iremos voltar ao normal dentro de alguns anos. Até lá é ter esperança na competência dos profissionais para trazer algumas vitórias (como o milagre da supertaça). Há que ter humildade para dar espaço aos outros, neste momento, porque também não há muito a fazer
Antonio Clismo
É preciso dar tempo ao clube para se recompor, é saudável ir ao fundo, porque só indo ao fundo conseguirá depurar toda a porcaria que foi acumulando ao longo de décadas.
lipe
O Porto nunca há de cair muito simplesmente porque o nível do futebol português é patético. Mal ou bem há sempre de ficar no pódio e estar presente nas decisões.
O Sporting nos seus piores anos foi sempre ficando em 3° lugar e ia ganhando umas taças aqui e acolá, o que para os restantes clubes seria uma era dourada.
Lúcifer Morningstar
O FC Porto está a colher o que semeou há mais de 40 anos. Não tenho peninha nenhuma pelo que estão a passar.
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Quem com ferros mata, com ferros morre.
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Saudações Leoninas ?
lipe
Amigo Lucifer, se o karma quisesse alguma coisa com o futebol, há muitos clubes que hoje em dia nem secção de berlinde teriam.
Petrol
O melhor é ouvir “O Porto não é isto” ou “Estas coisas não costumavam acontecer ao Portos. Aos outros sim mas ao Porto não”
asdrubal
Não diria melhor.