Cristiano Ronaldo confirmou, através das redes sociais, que abandonou o estágio da Seleção Nacional na sequência da polémica com Jorge Jesus, sendo que, independentemente daquilo que realmente aconteceu nos bastidores, toda esta situação é absolutamente lamentável, inqualificável e intolerável.
É difícil compreender que um jogador com o currículo e a carreira de Ronaldo, aos 41 anos, continue a protagonizar episódios desta natureza por ficar no banco, ser substituído ou não ter o protagonismo que pretende. Chega a ser surreal que, depois de tudo aquilo que conquistou, continue a existir a sensação de que o seu estatuto lhe confere uma espécie de imunidade perante decisões técnicas.
Ficar frustrado por não marcar, por não receber a bola ou por as coisas não correrem de feição é humano, mas fazer disso um problema recorrente, demonstrar desagrado quando não é protagonista ou colocar os próprios números acima das necessidades da equipa é outra coisa. E é aqui que, na minha opinião, está o verdadeiro problema.
Ronaldo teve várias oportunidades para sair pela porta grande, como um ídolo geracional e uma das maiores figuras da história do futebol português, mas preferiu continuar.
E este não é um comportamento isolado. No Real Madrid, Juventus e Manchester United teve episódios semelhantes, com a mesma dificuldade em aceitar que o futebol muda, que o protagonismo deixa de ser garantido e que nenhum jogador está acima da equipa.
Criticar Ronaldo não é ingratidão, não é apagar a sua história, diminuir os seus recordes ou esquecer tudo aquilo que deu ao futebol português. Um jogador desta magnitude deveria ser o primeiro a perceber que a Seleção não existe para alimentar egos, estatísticas ou objetivos individuais.
As decisões técnicas pertencem ao treinador. As decisões não pertencem ao jogador, ao marketing, aos números e muito menos ao estatuto.
Ronaldo será sempre incontornável na história da Seleção, no entanto ninguém é maior do que a camisola.
Como disse Carlos Queiroz em 2010: “Se o tamanho da camisola for pequeno demais para algum corpo, então não precisam de estar aqui.”
Visão do Leitor: Manuel Pereira


5 Comentários
Joao C. Nogueira
Nem mais.
Cristiano é o maior jogador da nossa história (melhor? Discutível).
Porém, o enorme estatuto que conquistou não pode colocá-lo acima da Seleção ou das decisões técnicas.
E isto não é um episódio isolado. Ao longo dos anos houve vários momentos em que Ronaldo demonstrou uma dificuldade evidente em aceitar ser substituído, ficar no banco ou deixar de ser o centro das atenções.
No Mundial de 2022, por exemplo, a reação à substituição frente à Coreia do Sul foi tão evidente que o próprio Engenheiro veio dizer publicamente que não tinha gostado da atitude.
Também houve o episódio do Euro 2020, quando, depois da eliminação frente à Bélgica, atirou e pontapeou a braçadeira de capitão antes de entrar no túnel. E, anos antes, depois da eliminação frente à Espanha no Mundial 2010, respondeu aos jornalistas com o famoso “falem com o Queiroz”.
Podemos também falar dos amuos sempre que não lhe passam a bola, da frustração sempre que não consegue roubar um golo a um colega de equipa, da reação ao prémio do Bernardo de MVP da liga das nações, etc etc, ficaríamos aqui o resto da tarde.
É perfeitamente legítimo e da natureza humana um jogador ficar frustrado. O problema começa quando essa frustração se transforma repetidamente em manifestações públicas de desagrado sempre que as coisas não acontecem como ele quer.
E chegamos agora a 2026. Aos 41 anos, já sem nada a provar, deveria ser precisamente o momento em que o seu estatuto permitisse uma saída tranquila e digna. Um jogo de despedida, obrigado e poderia futuramente ser nosso embaixador lá fora ou algo do género.
Em vez disso, temos novamente uma situação de conflito com um selecionador.
Obviamente que nada apaga ou muda a história, e o que a figura Ronaldo trouxe ao nosso país enquanto estandarte máximo do futebol (algo que até é sobrevalorizado, pois pela seleção, ao longo de mais de 20 anos, contam-se facilmente pelos dedos das mãos as grandes exibições que teve ou as vezes em que foi decisivo, o que é manifestamente pouco. Nunca foi nem de perto tão decisivo como querem fazer parecer, por mais que possam contorcer a narrativa).
Mas gratidão não significa imunidade à crítica.
Ninguém está acima da Seleção, nem do país.
Nem Ronaldo, nem Figo, nem Eusébio, nem qualquer outro jogador. Um treinador tem de poder decidir quem joga, quem sai e quem fica no banco sem que o estatuto individual do jogador transforme cada decisão técnica numa crise.
Como ser humano, nunca me enganou. Todo o dinheiro do mundo e nunca passou de um sujeito intragável, egoísta, e desequilibrado até, diria, e com um complexo de inferioridade brutal.
Mais ridículo ainda, é se voltar a vestir a camisola da seleção depois de tudo isto. Só mostraria que não há respeito pelo nosso país, pelos portugueses e por quem tenta efetivamente elevar-nos.
Portugal não é Ronaldo.
Art Vandelay
Mas ainda não é o fim, estão tão enganados…o poder político já entrou em acção para fazer lobby pró-Ronaldo e para além disso há o poder do dinheiro e a FPF só quer saber de dinheiro e tudo fará para se humilhar perante o Ronaldo e ele voltar
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Portanto das duas uma, ou ele volta já na convocatória de Novembro, ou então vai acontecer como em 2018/2019 onde ele abandonou a seleção em 2018 mas depois quando chegou o bem bom das fases finais, afinal já queria voltar e voltou em Junho de 2019 para jogar a fase final da Liga Nações e aqui será igual e portanto se ele não voltar já em Novembro vai voltar em Junho para a fase final da Liga das Nações e depois ficará tudo igual e voltaremos a jogar com 10
Pmiguel
Sobretudo o que é difícil de compreender e para mim inaceitável, é um jogador do seu estatuto fugir para o balneário não acompanhar a equipa no agradecimento aos adeptos. Birrinha completamente inadmissível para qualquer jogador que representa seu país, quanto mais um capitão de equipa!!
Faz pensar, sobre que tipo de relação este capitão sempre teve com os jogadores…
Paulo Roberto Falcao
Tudo dito, é isto tudo.
Quando me vêm com tangas de ser um hater, é isto tudo. Para mim foi um dos melhores jogadores da história, FOI. Nos últimos sete/oito anos sobra tudo na sua carreira, tudo, declarações, o seu “entorno” como se diz em Espanha, a sua personalidade abjeta e asquerosa. Podia ser recordado como um grande desportista, vai ser recordado como um tipo inqualificável que só pensava nele.
Um Jasomp
Isso é que é impossível de perdoar ao Ronaldo.
Foi ele achar que tem de estar acima de tudo e todos, nem que para isso prejudique a sua própria seleção.