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O homem e o mito

O primeiro dia de Fevereiro de 2014 ficou na História da NBA. Trinta anos passados, David Stern abandona o posto de Comissário da mais prestigiada e mediática liga de basquetebol do planeta. Se Michael Jordan é descrito como o homem que mudou a face do jogo, despoletando até mudanças nas regras, para além de ter revolucionado a ligação entre atletas, patrocinadores e alcançado um público a nível global, Stern pode bem ser considerado o MJ dos gabinetes. O comissário transformou a NBA num fenómeno não só desportivo, mas de entretenimento e espectáculo. Aproveitando todas as chances, potenciou as oportunidades com as quais se deparou para aumentar a popularidade da prova e atrair a atenção de cada vez mais adeptos. Com o crescente interesse pela competição vieram chorudos patrocínios, transmissões televisivas, locais e internacionais, o marketing, e a construção de uma organização que gera milhões de dólares de proveitos. Hoje, a NBA é difundida globalmente, seja via TV ou através da internet, são realizados jogos, alguns oficiais, além-fronteiras, e possui milhões de fieis seguidores nos mais variados cantos do globo. Mas Stern está longe de ser uma figura adorada (alguns donos sempre o expressaram de forma exacerbada), e estas três décadas tiveram a sua dose de polémica. Além de enfrentar quatro lockouts, Stern entrou em colisão com os jogadores ao impôr um código de vestuário, através do qual proíbia certas indumentárias e adereços, considerados menos correctos, ou então quando decidiu trocar a velhinha bola de jogo por um novo modelo de microfibra, prontamente rejeitada. Em 2011 vetou a ida de Chris Paul para os Lakers, levantando um coro de protestos, e o ano passado aplicou uma multa aos Spurs, depois destes visitarem Miami desfalcados dos seus melhores jogadores, sendo por isso acusado de levar San Antonio em menor consideração relativamente a outras franchises. Mas o momento mais marcante terá acontecido após a pancadaria no jogo entre Pacers e Pistons. A mão foi pesada para os prevaricadores (Indiana era claro candidato ao título, mas nem isso salvou os seus jogadores de duras sanções), sendo visível a vontade em apresentar a NBA como um espectáculo familiar, e livre de violência. Ao longo da sua regência foram diversas as regras implentadas com a intenção de tornar o jogo menos duro e violento, de modo a dirigir-se a um púbico mais abrangente. E depois, há todo o mito à volta da sua pessoa, ou não fossem os states ferrenhos adeptos de uma boa teoria da conspiração. Há quem afirme que a pausa de dois anos de Jordan não passou de uma suspensão encapotada, para abafar um escândalo relacionado com jogo, ou quem jure que aldrabou drafts (o mais notável em 1985, com os Knicks a levarem Ewing para casa). Acusado de proteger as franchises mais fortes (leia-se, lucrativas), diz-se que mantinha firme controlo sobre a arbitragem, de forma a que essas equipas, bem como os jogadores mais mediáticos, fossem beneficiadas em relação a outros emblemas menos interessantes (Tim Donaghy ainda tentou dar corpo a estas acusações, mas Stern, e a NBA, saíram incólumes). Com ou sem polémicas, amado e odiado, com punho de ferro ou maleabilidade negocial, o facto indesmentível é o de que estamos perante uma figura incontornável da História do dirigismo desportivo. Talvez certas personagens em Portugal pudessem aprender algumas coisas com o seu percurso.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Nuno Ranito

14 Comentários

  • Paulo Vieira
    Posted Fevereiro 7, 2014 at 8:09 pm

    1 – Dream Team's

    Genericamente concordo contigo Kafka.
    Christian Laettner "não conta" para este nível, foi em 92 porque acabou por "ter de ir um elemento de College", e ele acabou por nem ser o melhor da sua geração, sequer do seu draft.

    Quanto aos outros 11 eu "consigo retirar" Mullin" e incluir aí o Kobe e o Lebron nos lugares de Laetner e Mullin, mas Durant não tirava o lugar a qualquer um dos outros extremos: Bird, Barkley, Pippen ou Karl Malone.
    Guards: Magic, Stockton, Jordan, Kobe, Drexler
    Forwards: Bird, LeBron, Pippen, Barkley, Malone
    Centers: Robinson, Ewing

    Quanto à equipa que "poderia bater" a de 92, para mim a que estava mais próxima foi a de 94, o Dream Team II, nomeadamente pelo nível que homens como Kemp, Coleman, Larry Johnson e Mourning apresentavam nessa altura, sendo que por diferentes razões caíram a pique depois disso:
    Guards: Kevin Johnson, Mark Price, Joe Dumars, Steve Smith, Reggie Miller
    Forwards: Dan Majerle, Dominique Wilkins, Larry Johnson, Shawn Kemp, Derrick Coleman
    Centers: Shaquille O'Neal, Alonzo Mourning

    2 – Pessoalmente acredito que boa parte da história da NBA nas ultimas 3 décadas foi "manipulada". O que se calhar temos de entender, já que o que para nós é "desporto", "diversão" e "espetáculo" é para "A" NBA (proprietários, funcionários, imprensa, agentes) apenas um enorme NEGÓCIO. E nesse sentido acho que "perdeu a pureza" dos anos 70, até ao início dos anos 80.
    Esquecer Bird/Magic é heresia. Eles SALVARAM a NBA que estava a FALIR! A entrada de Stern mobilizou novos conceitos e a partir daí …
    Jordan como ícone que fez saltar as barreiras dos States? Concordo que sim, mas sobretudo foi uma "nova máquina de Showbiz" (marketing, merchandising, etc…) criada e desenvolvida por Stern que fez a NBA tornar-se o "monstro" (no bom e mau sentido) de hoje.

    É verdade que num momento ou noutro praticamente todos os "owners" se manifestaram contra o David Stern, mas a verdade é que cada vez que ele considerava abandonar até os mais críticos "lhe colocavam à frente um cheque em branco" para que ele não se fosse.
    A NBA é o espetáculo "no campo", sim, mas a máquina que Stern criou e desenvolveu ano após ano é que potenciou esse espetáculo e a imagem que dele chega ao mundo. ;)

  • Jeremy
    Posted Fevereiro 5, 2014 at 5:17 pm

    Bom post, mas só um reparo, quem mudou a NBA e a tornou apetíecível ao grande público foram Magic Johnson e Larry Bird, que chegaram á liga em 79 (depois da final mais vista de sempre do NCAA entre as equipas de ambos) e mudaram a visão global que as pessoas tinham da NBA, transformando-a na grande liga que é hoje.

    Antes de eles chegarem as finais davam na TV em diferido, pois não havia audiência para dar em direto, depois com a grande rivalidade entre eles e Lakers, Celtics, a liga começou a ganhar mais adeptos (também pelo estilo de jogo de ambos mais focados em ganhar do que em obterem os seus pontos) e os anos 80 foram das melhores épocas da liga (em grande parte sem os Bulls de Jordan estarem envolvidos pois só começaram a dar luta lá para 89).

    Jordan, Barkley, Malone, Stockton e Ewing só chegaram depois e sobretudo Jordan elevaram ainda mais a popularidade da liga.

    • Kafka
      Posted Fevereiro 6, 2014 at 12:20 pm

      Na minha opinião claramente venceria o de 92…não só por ter Michael Jordan (melhor jogador de sempre e por aí já partia em vantagem), mas na restante comparação entre jogadores, na maioria das posições o de 92 também era melhor…só talvez o Kobe Bryant, Lebron e Durant tivessem lugar nesse dream team de 92 e mesmo assim não seriam titulares, estariam no banco..na minha opinião.

    • Nuno R
      Posted Fevereiro 6, 2014 at 11:01 am

      Houve um post sobre isso, penso de que, na altura de Londres 2012… quem venceria um jogo, o dream team de 92 ou a equipa de 2012.

    • Nuno R
      Posted Fevereiro 6, 2014 at 11:00 am

      A NBA sempre teve os seus ícones; Dr.J, Chamberlain, Kareem, Magic e Bird, etc, mas MJ foi um ponto de viragem (no ano em que ele entrou vieram também Barkley, Hakeem e Stockton). Ele tornou-se numa estrela global, e acima de tudo trouxe com ele o patrocínio da Nike, que alterou a maneira como os jogadores e a liga se relacionam com o público em geral, através da publicidade. A ida a Barcelona na minha opinião não é a causa da internacionalização, mas sim uma consequência: comçaram a existir pressões de todo o lado para que os melhores da NBA competissem nos JO, fruto da tal "abertura" da NBA ao Mundo.
      Claro que depois temos um conjunto de fenómenos que ajudaram; a internet, a explosão das redes sociais, a globalização das próprias marcas.
      Anyway… tenho a ideia (e isto baseado no que leio e vejo, pois não acompanhava a NBA antes dos anos 80) de que Stern adicionou as vertentes espectáculo-negócio à da competição, e isto sim é relevante. Teve "sorte", como o aparecimento de MJ em conjunto com outras estrelas de uma só assentada, mas aproveitou as oportunidades que teve.

    • Rui
      Posted Fevereiro 5, 2014 at 11:12 pm

      Concordo!hj as estrelas da nba estão longe do nível daquela malta…fazem é coisas engraçadas

    • kafka
      Posted Fevereiro 5, 2014 at 9:27 pm

      Esse Dream Team é algo único e que duvido que algum dia no Desporto Mundial volte a acontecer algo assim, ou seja, (quase) todos os melhores jogadores de sempre da história da modalidade, juntos numa só equipa….mesmo para quem não goste de Basket ou não goste de Desporto, vale a pena ver aquela equipa

    • Jeremy
      Posted Fevereiro 5, 2014 at 8:58 pm

      A internacionalização deveu-se sobretudo á Dream Team, com Jordan, Bird, Magic, Barkley ou Pippen…

      Claro que a grande estrela era o Jordan, mas os outros também eram famosos á sua maneira, o Barklery por exemplo foi uma grande figura desses Jogos pela sua personalidade inigualável e pelas declarações engraçadas que costumava ter.

    • kafka
      Posted Fevereiro 5, 2014 at 8:09 pm

      Jeremy, da ideia que tinha, a rivalidade Magic Jonhson vs Larry Bird e consequentemente Lakers vs Celtics, proporcionou um grande aumento de popularidade da NBA em território Americano, mas mesmo assim continuava a não conseguir internacionalizar-se, e essa internacionalização só chegou mesmo com o Jordan, que elevou o patamar para um nível nunca alcançado e "obrigou" o Mundo Inteiro a pôr os olhos nele…era esta a ideia que tinha, mas admito estar errado..também só vejo desporto desde o fim da década de 80, inicio da 90

  • Kafka
    Posted Fevereiro 5, 2014 at 3:07 pm

    Foi com ele no comando que a NBA se conseguiu internacionalizar passando a ser uma competição com impacto no Mundo Inteiro, se bem que ficará sempre a dúvida se o mérito foi dele e da organização projectada por ele, ou do melhor desportista/atleta da História de qualquer desporto, ou seja, sua Alteza Real Michael Jordan…

  • jaynaz
    Posted Fevereiro 5, 2014 at 12:58 pm

    Fez muito pela NBA em tempos que nao havia tanto poder monetario, mas que as regras que fez no intuito de tornar o jogo menos "violento" foram muito mal feitas, qualquer jogador com corpo ao ir para o cesto tem sempre vantagem pois ao minimo toque e falta, o que acho bastante estupido.
    E como se as equipas nao podessem defender.

  • troza
    Posted Fevereiro 5, 2014 at 10:18 am

    Fez coisas boas, mas esteve lá tempo a mais.

    O jogo 6 entre os Lakers e os Kings em 2002 ficará na história da NBA pelas piores razões, desde que o Jordan saiu a segunda vez, todos se focaram em encontrar outro para manter a estratégia e a situação com as chamadas "superstar call" pioraram (basta ver os números de lances livres do Kobe sem este ir para o cesto para perceber) bem como o over-hype de tudo o que é jovem jogador e faz umas coisas engraçadas.

    E falam do caso dos pacers contra os pistons, lembremo-nos também dos suns vs spurs em 2005 ou 2007…

    No entanto, o limite de idade na entrada do draft, o sorteio do draft e muitas outras coisas foram positivas. Mas tudo tem um prazo e ele esteve tempo de mais na frente da NBA.

  • Fábio Teixeira
    Posted Fevereiro 5, 2014 at 1:07 am

    Excelente crónica Nuno. Por acaso estou expectante quanto ao que o Adam Silver poderá fazer. Sou só eu que acho a figura dele um pouco assustadora?

  • nXnK
    Posted Fevereiro 5, 2014 at 12:14 am

    Só falta mencionar que ele não pode visitar Seattle.

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