O verão de 2013 estava a ser, para o Arsenal, como tantos outros, uma desilusão. Após nova temporada a “seco”, com um modesto 4.º lugar na Premier League, tudo apontava para uma forte ofensiva no mercado para, assim, poder disputar o título de campeão inglês com os poderosos rivais. Contudo, os gunners chegaram ao dia 31 de Agosto com reforços pouco sonantes e que, em abono da verdade, não ofereciam garantias de serem reais mais-valias. Eis, então, que cai uma “bomba” em Londres: Mesut Özil, o prodigioso “10” alemão, que havia afastado o galático Kaká do onze titular do Real Madrid de José Mourinho, era reforço do Arsenal. A troco de quase 50 Milhões de Euros, Arséne Wenger recebia um dos jogadores mais cativantes do momento – elemento com visão de jogo periférica, maturidade competitiva extraordinária e, acima de tudo, capacidade de guiar e comandar qualquer equipa a enormes vitórias. E, repentinamente, a atitude do Arsenal na janela de transferências, até então amorfa, era esquecida; os londrinos eram os “reis” do mercado!
Mas o craque da mannschaft não explodiu como expectável. Não por responsabilidade de lesões, um mal comum por aquelas bandas, mas essencialmente por culpa própria. Excetuando acontecimentos e momentos esporádicos, como os meses iniciais do germânico em Inglaterra, Özil revelou-se quase sempre distante, desinspirado, desmotivado, até. Com o “mago de Öz” caíram também as aspirações dos fieis adeptos gunners que, nas derradeiras duas épocas, tiveram de se contentar com apenas duas Taças de Inglaterra, sofrendo com um par de derrotas humilhantes.
Atualmente, o panorama é bem distinto no Emirates. Embora se tenham verificado alguns percalços (casos das derrotas em Zagreb e na receção ao Olympiakos, ambas para a Champions e da eliminação da Taça da Liga aos pés do Sheffield Wednesday), o emblema londrino já demonstrou o seu poderio, nomeadamente a jogar na condição de visitado (triunfos sobre Bayern de Munique e Manchester United são excelentes exemplos) e vive, por esta altura, em estado de graça, com apuramento garantido para os oitavos de final da Liga dos Campeões e a somente dois pontos do primeiro posto da Premier League. Como total ironia, o grande destaque é a desilusão da temporada transata: precisamente Mesut Özil.
Recuperado o prazer de jogar, o Mago surge hoje como líder natural de um dos emblemas que melhor requinta o futebol mundial. Bem secundado por Coquelin e Cazorla, autênticos “guarda-costas” do alemão, o atleta formado no Schalke 04 assume uma tal preponderância que, nesta fase, é com considerável margem o elemento com maior número de assistências nas grandes ligas europeias (tem 11) e aquele que, nos clubes de topo, nas ligas domésticas, mais contribui diretamente para o sucesso coletivo (somando às assistências os dois golos, constata-se que o germânico participou em 54% dos tentos do Arsenal na BPL até agora).
“Nem tanto ao mar, nem tanto à terra”; nem o melhor nem o pior. Özil é, e sempre foi, um jogador do mais alto quilate. Porém, por motivos desconhecidos deixou muito a desejar nas duas anteriores temporadas. Talvez devido ao excesso de pressão que tinha sobre os ombros, que nunca antes conhecera em nível tão elevado (no Real Madrid, por exemplo, sempre fora ultrapassado em mediatismo pelos “galácticos”, como Cristiano Ronaldo), a verdade é que o camisola 11 desiludiu Inglaterra, e a imprensa do país de “Sua Majestade” não perdoou. Os mesmos jornais que quase o consideravam o “n.º1” em 2013, volvido pouco mais de um ano crucificavam-no em praça pública. No entanto, as críticas parecem ter dado um novo alento ao 70 vezes internacional pela Alemanha, como é bem patente pelas suas mais recentes exibições, plenas de categoria, a fazerem lembrar os bons e velhos tempos de Madrid. Por fim, o momento pelo qual tantos aguardavam chegou: o génio nascido em Gelsenkirchen assume, finalmente, o papel de liderança. De agora em diante, deixemos o ruído de parte e concentremo-nos em ver o Mago espalhar a sua magia. Garantidamente, não daremos o tempo por perdido.
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): António Hess



0 Comentários
Ricardo
Voltou ao nível dos 15 melhores do Mundo.
João Lains
Nem para uma bola de ouro concorre, quanto mais para um top 15…
Anthony
A continuar a este nivel, certamente entrará na lista dos 23 nomeados para a Bola de Ouro (principalmente se a Alemanha ganhar o Euro).
Sergio Costa
Entao e a bola de ouro nao é mais importante que o top-15? Nao percebi Joao Lains
João
Excelente texto.
O Ozil há muito que é dos meus jogadores preferidos e antevejo que seja uma das principais figuras no Europeu.
Sergio Costa
Nao se esqueçam que nas epocas anteriores jogou muitas vezes deslocado para as alas, agora com wilshere nas boxes a historia é outra e o melhor "10" do mundo esta de volta!
The Monster
O melhor 10 do mundo e o James!
Nelson Mohr
O James nem é top 10 quanto mais melhor do mundo…
Miguel Bitton
Pois, o James tem de provar muito mais, a meu ver.
Pedro Fernandes
O James não é o melhor 10 mas dai a nem sequer figurar num top 10? Haja noção…
Rui Bastos
Este hype com o James já irrita. Ao ponto de dizerem que é melhor que o Iniesta. No mínimo, ridículo! Esta mania de quem aparece agora e faz 2 ou 3 golos ser logo o melhor, tem muito que se lhe diga. Do mesmo modo que o Diego Costa era o melhor avançado do mundo, até se naturalizou espanhol e tudo.
Sergio Costa
Tambem adoro o James, mas Ozil nos seus dias é uma delicia.
Um feiticeiro em forma de jogador..
Sérgio Barros
Boa imagem a deste belo texto. Até porque Gotze está a ser um segundo Ozil. Incrível os tempos dele no Dortmund e o que tem apresentado no Bayern. Precisa ou de mudar de ares ou então de uma injecção de confiança.
João Lains
Precisa da Juventus, onde poderia assumir um papel central na manobra de toda a equipa e assim até era um peso que se soltava dos ombros do Pogba.
André Dias
Dos jogadores que mais saudades deve deixar a Cristiano Ronaldo. Mourinho chegou a dizer no Real que queria ver Özil marcar mais, mas é em assistências que o alemão se destaca. Aquele pé esquerdo é magnífico.
Rodolfo Trindade
Já tinha falado sobre este tema, este ano Ozil está de volta às boas exibições.
É uma pena a sua capacidade de finalização ser tão fraca para o jogador que é.
Miguel Bitton
É um excelente jogador. É, realmente, o rei das assistências.
ACT7
Ozil é um craque, aquele pé esquerdo é um sonho. Parece que falta-lhe um pouco mais de ambição, ele com metade do empenho e ambição de Ronaldo poderia estar no pódio pela bola de ouro.
Espero que continue no Arsenal, é dos meus jogadores favoritos numa das minhas equipas favoritas. Quando se transferiu para Londres fiquei contentíssimo com essa noticia.
Anónimo
O Ozil é um Bryan Ruiz com um bocadinho menos de qualidade na finalização!
Hahah.
SL
João Ferreira
Sant thiago
Ou um Pedro Barbosa um pouco mais lento!
Sant thiago
Ja que estamos para a brincadeira ;)
Anónimo
Golos marcados na liga interna:
Arsenal e Benfica = 27 golos
Participação de Ozil = 13 golos/assistências
Participação de Jonas = 14 golos/assistências
Portanto, ao contrário do que se consta, o jogador com mais participações em golos da equipa na principal divisão interna é Jonas e não Ozil.
Luis Freitas
Anónimo
o problema do Jonas é que isso tudo é contra Moreirense e Tondelas (com o devido respeito pelos clube)
Não compares o Arsenal com o benfica e Liga Inglesa com a Portuguesa
Joel Silva
Anónimo
Mas acho que aqui não estão a falar de participação em golos mas sim em assistências.
Anónimo
Não me digas que o Jonas é melhor que o Ozil. O Jonas não marca nem assiste contra grandes. Que vá lá jogar com o moreirense.
Jonathan
Tiago Santos
Nunca percebi essa desvalorizaçao que fazem do Jonas por ter pouco rendimento nos jogos grandes!
Se ele marcar em 30 jogos e ficar em branco em 4, acho que nenhum benfiquista fica chateado
ACT7
Quem é o Ozil ao pé do Jonas?
Agora números são números não passam disso. O Ronaldo também se encheu de marcar golos na fase de grupos da LC e todos concordamos que é uma má época do CR7
Anónimo
''aquele que, nos clubes de topo, nas ligas domésticas, mais contribui diretamente para o sucesso coletivo (somando às assistências os dois golos, constata-se que o germânico participou em 54% dos tentos do Arsenal na BPL até agora)''
Não comparei em momento algum o Jonas ao Ozil, até porque são jogadores completamente diferentes, apenas fiz uma correção à estatística constatada.
Luis Freitas
Anónimo
Luís Freitas a estatística é sobre médios. Senão tava muita gente à frente. E de qualquer forma é sobre clubes de topo.
Jonathan
Unknown
Sinceramente o quarteto Ronaldo, Di Maria, Ozil e Benzema e bastante melhor do que o atual, Ronaldo, James, Bale e Benzema.
Aquele ano dos 100 pontos foi espetacular.
DadhuJr.
Nuno R
O Bale e o James foi duas manobras galácticas Florentino Vintage.
Em vez de ir buscar um tractor estilo Pogba, ou Yaya, para jogar nas costas de Ronaldo, Dimaria e Benzema, e um jogador com presença defensiva para actuar com Modric OU Kroos, pôs-se a inventar e a gastar balúrdios nos "melhores" sem querer saber como se iriam integrar no colectivo.
E se calhar a capacidade de passe do Xabi ainda dava jeito.
André Dias
Bale não está a render nem metade do que rendia no Totenham e Ronaldo é um jogador diferente do que era há 3 anos. Benzema tem um valor inquestionável. James e Di Maria (pelo menos o que jogava no Real) têm funções diferentes em campo.
Anónimo
No 1º ano havia Ramsey fortissimo, aliado a Wilshere, Walcott, Ozil e Cazorla sendo que Ozil caia na ala. A conciliação mesmo assim era fantastica, até ao momento em que um por um se foram lesionando. No 2º ano foi semelhante mas já com Alexis como protagonista, e mais lesões em cima. Pior época de Ozil.
Este ano Wenger voltou a mostrar a sua mestria em formar/desenvolver jogadores. Coquelin assumiu-se como o 6 em definitivo e sem contestação, Cazorla quando parecia que ia cheirar o banco ou a transferência eis que surge numa posição completamente nova e que dá garantias ao Arsenal. Ramsey assume o papel de fechar a direita sendo o homem que ataca, defende, chega à area e anda por todo o lado. E com isto ganha Ozil, que se concentra na sua posição preferida, e o resto já está dito no texto.
O Arsenal ainda não foi campeão com Ozil, certo, mas em 8 competições internas desde a chegada do alemão o Arsenal venceu 4.
Jonathan
Sant thiago
Com todo o respeito mas quando falas de Wenger e mestria so podes estar a crer referir ao Wenger de à 13/14 anos atras, porque este de Mestre ja nao tem nada.
Alias, "teimar" com o Ozil na linha durante 2 anos diz muito da qualidade dele. As transferencias (muitas absurdas, Djourou, Arshavin…), a insistencia em Metesarker e o desaproveitamento de alguns talentosos jogadores como oxlade chamberlain, Wilshere, Gervinho…
Anónimo
O Wenger pode estar longe do titulo por inumeros factores, mas nunca deixou de desenvolver bem os jogadores, como referi no meu comentario o Coquelin e o Cazorla são prova disso, e ainda podia dizer por exemplo o Koscielny e o Monreal que ninguem dava nada por eles. Essas transferencias absurdas não são bem assim, o Djourou foi para lá novo, não deu nada foi embora qual é a duvida? O Arshavin rendeu muito bem ao inicio, depois caiu foi embora. Pronto não se acerta em tudo. O Ozil ter jogado mais sobre a linha n quer dizer que fosse extremo, mas sem duvida que no meio está muito melhor.
Sobre o desaproveitamento que falas.. O Ox não tem capacidade de ser titular porque há Ramsey e Alexis. O Wilshere tem menos assistencias que qualquer outro jogador do arsenal, e está sempre lesionado. Sobre o Gervinho eu gostava dele também.
Jonathan
Anónimo
Ganhou 4 títulos em 8, contudo falhou como referiste aquele que mais importa que é ser campeão.
Wenger desenvolve talentos com mestria quem diria que um Coquelin que começou 2014/15 no Championship hoje seria o 6 incontestável do Arsenal. Mas e há quantos anos não conquista Wenger o titulo para o Arsenal? É tudo muito engraçado mas títulos que realmente interessam é um redondo zero.
Acácio Norberto
Diogo J.
Se está a jogar bem é porque a noite de Londres perdeu algum fulgor.
Scheiß
Para mim o melhor "10" do momento é o de Bruyne. O Özil ainda tem que não desaparecer o resto da época, como tem feito, depois, aí sim, falamos… Mas a partir do momento em que o de Bruyne pode ser considerado o melhor 10 do momento, está demonstrado o claro desaparecimento de maestros dos campos de futebol… Não há muitas escolhas… Antes havia Zidane, Totti, Káká, etc…
Scheiß
Mencionar David Silva e Iniesta, já agora, que nem jogam a 10 mas para mim são o que um 10 devia ser. Muito talento e critério naqueles pés.
Paulo Silva
Estou curioso para ver o seu rendimento, agora que o Coquelín e o Cazorla – o dueto que fez a orquestra tocar até então – vão estar afastados dos relvados por uns tempos.