Foram vários os técnicos em destaque no futebol português esta temporada – Artur Jorge bateu o recorde de pontos no SC Braga, Evangelista levou o Arouca ao 5.º lugar, Moreno surpreendeu ao terminar em 6.º e ninguém esperava que o Chaves de Campelos ficasse em 7.º – mas nenhum foi tão impactante como Roger Schmidt, o treinador campeão de 2022/23. Chegado ao Benfica com a missão de reerguer o clube, o alemão marcou logo diferenças no aeroporto. Ainda não tinha a bola começado a rolar e o antigo timoneiro do PSV Eindhoven já estava a marcar pontos junto da crítica e, sobretudo, junto dos seus adeptos, na medida em que a frase “If you love football, you love Benfica” foi o melhor cartão de visita que poderia apresentar. De repente, nenhum benfiquista queria saber do seu histórico, da sua língua ou das suas ideias do ponto de vista tático. 1-0 muito cedo.
Cedo foi também a vontade do Benfica em fechar o plantel e atacar a temporada. Na verdade, a presença nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões não permitia tempo para brincadeiras e grandes testes. Schmidt escolheu um XI base muito cedo, definiu quem contava e quem não contava, bem como as prioridades de mercado e a tripla Rui Costa, Lourenço Coelho e Rui Pedro Braz tratou de lhe satisfazer os desejos. É certo que nem todos foram possíveis (Sangaré desde logo), mas houve capacidade para montar uma equipa coesa e que entrou na época a todo o vapor. A entrada na Champions tornou-se um proforma e muito daquilo que foi a conquista do campeonato deveu-se a uma 1.ª volta quase imaculada, apenas manchada pelo desaire pesado em Braga, já numa fase em que a saída de Enzo Fernández era tema.
Neste sentido, o mérito do técnico de 55 anos, o mais velho da Liga, foi ainda mais notório, uma vez que, apesar de lamentar a saída do argentino em janeiro, não se desculpabilizou e procurou encontrar soluções para manter a equipa no trilho das vitórias. A parte final da temporada não foi tão fulgurante, mas o título tão desejado acabaria mesmo por chegar no final da temporada, na derradeira jornada, frente ao Santa Clara, como havia acontecido em 2019.
No fundo, foram quatro anos “a seco”, sem alegria nem glória, com muitos erros, problemas no campo e extra-campo, más decisões e que começaram a ser destruídos com a chegada de Roger Schmidt. Aposta certeira de Rui Costa, sendo uma revolução em toda a linha no futebol das Águias. Com Schmidt, o Benfica voltou a demonstrar alegria no campo, ambição, audácia e capacidade para discutir a vitória em qualquer campo, inclusivamente na Europa. As Águias venceram um grupo de Liga dos Campeões onde pontificavam PSG e Juventus e atingiram mesmo os quartos-de-final da prova, onde caíram perante o finalista Inter.
Além dos resultados, do futebol enleante, muitas vezes de rolo compressor e que permitiu à formação encarnada marcar 131 golos na temporada (melhor ataque do campeonato – 82 golos), o Benfica foi também a melhor defesa da Liga (20 golos sofridos) e valorizou vários jogadores. Schmidt recuperou Florentino para o plantel, revitalizou Chiquinho e João Mário; fixou Gonçalo Ramos a ‘9’ e deu-lhe a moral que o português precisava, ao ponto que chegar a destacar-se no Mundial; segurou Grimaldo e Rafa; lançou João Neves e António Silva para a ribalta e permitiu a Enzo Fernández igualar a maior transferência de sempre do clube, depois de oferecer um grande rendimento desportivo.
Deste modo, foi um ano de estreia onde correu praticamente tudo bem a Roger Schmidt em termos de objetivos principais (título nacional, sucesso na Europa e potenciação de ativos, inclusivamente da formação) e a tarefa passa agora por consolidar o domínio na próxima época, melhorando, se possível, o desempenho nas Taças.


20 Comentários
Nickles
Não há outro. É este
AndreChaves9
Para o próximo ano tem de resolver a questão dos jogos pós seleção. De resto é.continuar assim
Borsalino
Espero que o clube lhe proporcione um plantel mais profundo, para que não tenhamos uma queda tão abrupta como no final de Abril a Maio. Assim já não há desculpas para a falta de rotatividade e demora nas substituições.
DNowitzki
Se o Chaimite, na próxima época, jogar como jogou este ano, o Benfica não é campeão. Foram demasiados jogos maus e muito maus. O desafio na Luz contra o Porto e a primeira parte em Alvalade são o expoente máximo do que é levar um bailarico.
Acresce que muito dificilmente o Sporting terá um início de época como o passado e o Porto idem. O Benfica do Chaimite foi vulgarizado em Guimarães, em Braga, com o Porto e Alvalade.
Gato das Bolas
Deu 50 bailes, como não deu 4 está tudo mal
henry14
Exato ??
Neville Longbottom
Ei pa que exagero é esse? Jogaram mal em Alvalade e com o Porto em casa, mas 2 jogos nao fazem uma época.
Se o Benfica jogar assim no próximo ano arrisca-se a ser novamente campeao. Tremeram ali numa fase perto do fim, mas fora isso foi sempre vosso.
Citizen_Erased
Quero acreditar que ele aprendeu algumas coisas com esses jogos. Mas concordo que se continuar com as teimosias, não se deve repetir o título.
Rui Ferreira
Vulgarizados? Nossa, e fez 87 pontos. Talvez ter o Veríssimo fosse mais vantojoso, dado que já saberíamos que nem seria para tentar discutir o jogo.
Se nesses jogos não estivemos tão bem, a verdade é que a equipa deu sempre uma boa resposta, fosse no próprio jogo ou em jogos seguintes. Por outro lado, há sempre quebras durante uma época, portanto, as quebras não acontecem só com o Benfica.
Por último, nos jogos que referes, os adversários pareceram estar a jogar no seu potencial máximo e o Benfica não, o que quer dizer que há espaço para melhorar e, se há espaço para melhorar, porque não ter uma postura mais otimista?
Como se algum treinador nos últimos anos do Benfica tenha tido algum jogo a massacrar Porto, Braga ou Sporting…
P.S.: Braga foi massacrado na Taça (passou sabe-se muito bem como) e na Luz (podia ter levado 5 ou 6). No campeonato, foi o 1° ou 2° jogo pós-mundial, com a novela Enzo no seu máximo e com a equipa relaxada; Sporting e Porto nunca são fáceis, especialmente o Porto e, nos 2 jogos contra o Porto, pode-se admitir que a equipa foi inferior, mas foi a 1ª vez em anos que tentamos (sem sucesso) realmente jogar contra eles.
anjos
Os dois na segunda volta. Um apos a paragem para as selecoes e o outro numa altura em que a equipa tava sob imensa pressao.
Por isso usando o teu “se”
Se nao tivessemos perdido o enzo eramos campeoes a quatro jornadas do fim.
Se nao tivessemos o estupido calendario das selecoes nao tinhamos empatadp com o guimaraes. Perdido com o braga e perdido os pontos na recta final.
É o mundo dos “ses”
Periklis
Aconselho psicoterapia.
DNowitzki
Para não estar a gastar o meu latim individualmente, aguardemos a próxima época e veremos, ou não, se ele vai mudar e os resultados disso.
henry14
O Sr. Chaimite fez uma excelente época, ponto final. Agora aguenta 2 meses e depois faz as tuas críticas em tempo oportuno e com mais nexo pfv.
DNowitzki
Não, não fez, exceto na LC. Quanto ao resto, fez os mínimos.
Além disso, quem te avisa teu amigo é.
cards
Vamos lá á teoria dos Ses:
Se na proxima epoca voltar a fazer 87 pontos é campeão.
Se na proxima epoca o Porto voltar a perder pontos contra equipas da fundo da tabela o Benfica é campeão.
Se ns proxima epoca o Sporting iniciar os seus jogos com 9/10 jogadores o benfica é campeão.
Se na proxima época o Braga voltar a falhar contra os grandes o Benfica é campeão.
Roger Schmidt é um treinador perfeito? Óbvio que não tem algumas limitações assim como têm o Sergio Conceição e o Ruben Amorim.
Miguel Jack
Deve ser mais fácil comentar basket….comentário para fazer print e rir muito em Maio 2024
TugadaBola
Época quase perfeita. Campeonato conquistado com bastante mérito. Bom futebol. Liga dos campeões incrível (chegou o mais longe possível só tendo perdido um jogo.) Valorização do plantel incrível. Reabilitação de jogadores que estavam mortos como Florentino, João Mário e Chiquinho, (coisa que o Jesus nunca conseguiu fazer) aposta na formação.
Os poucos pecados:
Roger Schmidt tem gostos refinados, como peixe e vinho. Mas tem que saber variar um pouco. Se não será culpa dele não ter mais jogadores de qualidade para substituir, será certamente culpa quando os tem e não aposta neles. Substituições tardias, dificuldade em criar alternativas viáveis ao onze. Apoiou se muito no Aursnes que chegou a jogar a 5 posições diferentes ao longo da época.
Clássicos. Se é certo que tal como Rui Vítoria já tinha provado, é contra os ditos pequenos que se ganham títulos. Mas é certo que contra Porto Sporting e Braga ganhamos 2 empatamos 2 e perdemos 3. Custou nos a taça de Portugal e custou o Benfica deixar de ser o clube mais titulados de Portugal.
Por fim, fazer a gestão fisica e moral. Tivemos quase a ver o título fugir após a derrota com o Porto. A derrota é aceitável mas fica a sensação que até essa derrota teve impacto na Champions.
Dito isto, avaliar e corrigir. Siga para a frente. Continuar o bom trabalho.
Periklis
Ano perfeito, que ficou manchado apenas pela eliminação em Braga para a taça de Portugal, senão podíamos estar a falar de uma dobradinha.
Jogo esse em Braga que terá sido o roubo do ano, num jogo em que o Tiago Martins tudo decidiu mal e tudo decidiu contra o Benfica.
Vermelhudo
Pois estou bastante solidário com aquela galera que diz que não é por ser campeão que um treinador é necessariamente o melhor da liga.
E percebo os argumentos de quem diz que há, nos clubes mais pequenos, trabalhos que merecem amplo destaque.
Mas o Tio percebe a escolha no Rogério, porque o Benfica fez um bom campeonato.
Fora o campeonato, acho que o Sérgio foi globalmente melhor porque conquistou 3 títulos e ficou a 2 pontos da liderança.
Portanto, Rogério no campeonato e Conceição na temporada.
Falando mais a fundo no Benfica, e porque o Tio nem sempre pode vir cá… vou aproveitar para falar já no Kokçu.
Pois a confirmar-se será mais uma aposta fortíssima do Benfica na formação… desta feita na do Groningen.
Gosto da aposta nestes mercados, o Rogério conhece-os bem, mercados europeus onde há valor e boas comprinhas em perspectiva.
O jogador parece-me ser bastante habilidoso, será uma pipa, e certamente ganhará a titularidade no início da época.
Agora é ver no que dá aquela dupla do meio, ver se o Rogério quer dois jogadores com mais raio de ação ou se o Florentin-lélé permanece no 11.
Não coloco já o Chiquinho no olho da rua, uma vez que ele me parece mais criativo com bola do que as restantes opções e isso dá ao treinador mais armas.
O João Neviesta acabou bem, e há hipótese de o Rogério se sentir algo pressionado a meter o guri mais vezes para o belo do negócio.
Mas Iniesta só havia um, e o Neviesta tem um caminho a percorrer e é preciso perceber se já não está com a cabeça na lua pensando que é melhor do que realmente é.
Acho que há possibilidade de o Florentin-lélé dar o fora, uma vez que é um jogador mediano fora ações defensivas. E acho que dará o fora não por ser mau, mas sim porque irá perceber que noutras equipas poderá ganhar bem e jogar mais vezes.
é um ponto a ser observado.
Aursnes é fetiche do técnico, um belo jogador que estará com maior ou menor dificuldade no 11. Tendo já jogado com o turco, não me admiraria que fizessem dupla.
Mas isto são “tiorias”, vamos ver o que o futuro nos dá para fazer a devida análise.
E isso ficará, naturalmente, para uma próxima masterclass… … … … … … …
Paulo Roberto Falcao
Há alguma dúvida?
No início da temporada António Silva e Gonçalo Ramos eram banco, mas tipo as terceiras opções, e João Neves nem cheirava o banco. Florentino era um jogador fracasso, João Mário idem, o Rafa tinha deixado os melhores anos para trás, o Benfica parecia uma manta de retalhos.
Tonar decisões é ter tomates, desculpem a expressão. E ter tomates é vender Ewerton e Nunez, ver sair jogadores como Pizzi, Seferovic e Yarenchuk, ir buscar um único reforço Top chamado Enzo Fernandez e fazer uma coisa nova: tratar TODOS os jogadores por igual, os reforços, os do Seixal, os que já estavam.
Em janeiro ainda teve a surpresa, nada agradável, de ver sair o maior craque da equipa, aquele médio argentino que metia toda a gente a gravitar à sua volta. E soube aguentar, soube descobrir os chiquinhos e os neves, e sobreviver.
Fez o máximo com o mínimo, num ano de claro desinvestimento do Benfica.
É obra!