França, país carregado de história e que já emprestou alguns dos melhores intérpretes que o desporto da redondinha já viu. Platini, Cantona, Zidane, Henry, Makélélé, Benzema, Ribéry, Mbappe ou Kanté, entre tantos outros. A lista poderia ser praticamente infindável. Uma nação que já conquistou a Europa por duas vezes e o mundo por outras tantas. Um país com uma estrutura formativa, do melhor que há a nível mundial. O projeto da Academia de Clairefontaine, assume-se como um projeto ousado e vanguardista, desde da sua fundação na década de 70, do século passado. Os melhores talentos a nível nacional são criteriosamente selecionados e treinados durante dois anos, atuando apenas pelos clubes durante o fim de semana. É fácil perceber o sucesso deste projeto, para isso basta atentar na quantidade de jogadores que aparecem anualmente e a profundidade de que goza, hoje, a seleção francesa. Se olharmos às duas principais competições continentais (a nível de seleções), percebemos que, desde 1998, disputaram-se 6 finais de mundiais e 6 finais de campeonatos da Europa. Neste período, a seleção francesa disputou 3 finais de mundiais e 2 finais de europeus, mais do que qualquer outra nação europeia, no mesmo período. O país apresenta uma população de mais de 60 milhões de habitantes e apesar de ter outros desportos importantes (como o andebol ou o rugby), a verdade é que nenhum parece ter o peso mediático do futebol.
Perante este cenário poderíamos admitir que a probabilidade de estarmos perante um dos maiores campeonatos da Europa seria grande. No entanto, quando comparamos a capacidade de receitas das restantes outras quatro ligas percebemos que hoje ainda existe um fosso enorme entre o campeonato francês e o alemão, o inglês, o italiano ou o espanhol. Contudo, é também percetível que, na mesma proporção, existe no campeonato francês um poderio económico bem superior a campeonatos como o português, o belga ou o holandês. Com a chegada dos investidores do Catar, o campeonato tem ganho cada vez mais visibilidade, muito por culpa da chegada de craques planetários que colocam os holofotes na cidade luz. Inicialmente com Zlatan, depois com Mbappe e Neymar, culminando na chegada de Messi para a época que se avizinha. O PSG tem conseguido com isso aumentar o interesse estrangeiro pela liga, no entanto esta ainda parece longe de produzir o seu máximo potencial.
E se o futuro parece cada vez mais promissor, muito devido ao PSG, não deixemos de olhar o passado. A diferença de capacidade para os restantes campeonatos já existia antes da chegada dos investidores para o clube da capital. Basta recordar, por exemplo, num só ano (2009) Lyon (Lisandro) e Marselha (Lucho) foram capazes de fazer grandes investidas por jogadores que eram cabeças de cartaz na liga portuguesa e oferecendo salários inigualáveis por qualquer clube português. Contudo a grande incógnita prende-se com as dificuldades na afirmação internacional ao nível de clubes. De facto, este pode ser o grande handicap para que o campeonato nacional ganhe outro peso e outro mediatismo aos olhos do mundo. Considerando a Liga dos Campeões/Taça dos Campeões Europeus percebemos que a França apenas teve clubes a disputar a final por 7 ocasiões em toda a história (menos que Portugal, com 9, e a Holanda com 8). Possui apenas um título conquistado, pelo Marselha contra 4 de Portugal e 6 da Holanda. A nível de Liga dos Campeões, a França regista tantas vitórias como a Escócia, a Roménia e a Sérvia. Se fizermos o mesmo exercício para a Liga Europa, os números são ainda mais assustadores. Percebemos que a França não possui qualquer título quando a Holanda tem 4, Portugal, Suécia e Rússia têm 2, a Bélgica a Turquia ou a Ucrânia têm 1. A nível de finais disputadas a França tem 5 face às 7 da Holanda ou às 6 de Portugal (uma final com dois clubes portugueses).
Por tudo o que envolve o futebol francês, torna-se complicado compreender os motivos que levam a esta situação. Como é que um país que possui a população que possui, que tem as infraestruturas que tem, em que existe um sistema formativo top-mundial, um país que apresenta alguns dos melhores jogadores da atualidade, um país que consegue rivalizar a nível de seleções com qualquer país do mundo e que, apesar de perder financeiramente para os maiores campeonatos europeus (e aqui ainda poderíamos lançar a questão de porque é que perdem), mas que ganha a grande parte dos outros, tem esta dificuldade crónica na disputa de grandes competições continentais ao nível de clubes. A Ligue 1 acaba de ser ultrapassada pela Liga Portuguesa, no ranking da UEFA e de facto, olhando o todo o cenário, torna-se complicado encontrar uma causa lógica para este mistério francês.
Visão do Leitor: Santander


42 Comentários
Kafka
É de facto inexplicável..
JCCR
É indiscutivel que a França goza de um sistema há muito trabalhado de formação que permite que todos os anos surjam promessas e jogadores já formados para grande clubes europeus. Basta reparar na quantidade de centrais promissores, na fase crescente de evolução e já em plena maturação que neste momento dispõem para fazer a convocatória da seleção nacional francesa. Aqui o problema, reside não apenas neste ponto muito forte, formação, ou seja não há nenhum clube que aposte neste sistema numa lógica de longo prazo de forma a reter o jogador sendo referência ou não (ou são muito poucos os casos talvez Barcelona o unico em que jogadores com um potencial acima da média na formação poderão ter uma carreira no clube, casos falhados de Chelsea (duvido que Mason Mount, Reece James, aparecessem se nao fosse o impedimento de transferências em 2019), City e a outro nível de Ajax, mesmo o Benfica, Porto ou Sporting são o melhor expemplo), será sempre numa lógica de activo do próprio jogador e de forma a captar fundos para transferências que a Liga Francesa por mais que tenha evoluido não consegue captar. Só o PSG mas este será sempre um caso à parte e não revelador da capacidade financeira dos clubes franceses quando comparado com os outro big-4. Steua Bucareste, Estrela Vermelha, Ajax todos estes clubes ganharam a Liga dos Campeões com geração incríveis de jogadores, mas também estes venderam estes activos como Prosinecki, Savicevic, Jugovic, Hagi, Popescu, Seedorf, Davids, Kluivert… No futebol actual em que o mercado foi realmente alterado por clubes com um imenso poder económico, estes modelos são cada vez mais infrotiferos no que toca a ganhar uma grande competição. Outro aspecto que poderá influenciar este insucesso das equipas francesas será uma clara fractura na sociedade no que toca a desportos e o tipo de adepto que normalmente é considerado como gostando de futebol. Rugby, Tenis são desportos mais ligados a classes elitistas e mais de acordo talvez com alguma sobranceria arrogância francesa, enquanto futebol sera sempre um desporto mais popular que não reúne o apoio de classes mais altas como por exemplo a NBA. Penso que aqui poderá residir um dos principais problemas, se a Liga dos Campeões representa o expoente máximo da paixão futebolísitca e carreira futebolista, como poderá ser conquistada como adeptos assim assim???
JCCR
Que melhor exemplo para esta dispersão das classes altas com poder económico para investir em relação ao futebol, que em Paris não haver um único campo de futebol de rua onde possas jogar com os teus amigos? Existe um na Bastilha, mas além de vedado, diz específicamente “para prática de Andebol”.
Pao com Presunto
Se falamos de mediatismo, acho que ainda antes de Zlatan deveria ser mencionado David Beckham. Foi em final de carreira, mas antes do efeito Cristiano Ronaldo nas redes sociais, era David Beckham quem enchia tablóides e era, seguramente, o jogador mais falado do mundo (fosse pelo seu futebol, ou pelos penteados e patrocínios). Ajudou, nesse sentido, a dar notoriedade global a um PSG de nível nacional (à altura).
Af2711
Beckham rumou em janeiro de 2013 ao PSG, Cristiano Ronaldo e Messi nas redes sociais esta época já estavam noutro nível (era o auge da rivalidade). Eles já eram muito mais citados que o Beckham.
Af2711
Vendo a Ligue 1 hoje comparada ao que foi entre 2005-2010, desceram um nível.
Vejo mais como um campeonato a dar espaço para os jovens crescerem e proporcionarem grandes vendas. O Stade Rennais nos últimos anos tem protagonizado algumas contratações caras, Nice também.. Em algum momento o Lille também investiu forte.
Enfim… A França é vista como uma entrada na Europa de jogadores de outros continentes, mas tirando o PSG nenhum outro grande é capaz de uma transferência bomba.
Vendo o potencial de crescimento face o investimento e condições que cada campeonato tem, acho que em Portugal com equipas com menos recursos (comparo os menores de cada país) apresentam uma maior sustentabilidade e mais potencial de crescimento do que os em França. Nos médio-grandes, vejo os quatro portugueses a conseguirem bater-se de frente com os franceses (tirando o PSG da discussão). Se não houvesse PSG a Ligue 1 atrairia pouquíssimo interesse.
Santander
Basta ver que Lyon que conseguiu Lisandro e o Marselha que conseguiu Lucho e mesmo assim pouco fizeram… Não me parece que a questão seja essa.. Portugal e Holanda também perdem para os outros 4 campeonatos e mesmo assim contam com maior sucesso internacional.. e basta olhar para o 11 do Lyon (por exemplo)
Lopes
Dubois
Boateng
Denayer
Bruno Guimarães
Aouar
Paqueta
Ekambi
Dembele
Shaqiri
Há muita qualidade mas simplesmente a equipa parece que não rende.. E o mesmo exercicio poderia ser feito para o Mónaco por exemplo…
Af2711
Santander, penso que é difícil estas equipas estarem lutando por títulos europeus pela falta de competitividade da liga. Acabam sentindo nos grandes jogos. O PSG tem chegado às cabeças sempre porque simplesmente formam plantéis pornográficos, mas nos momentos decisivos ainda não conseguiram dar o salto para o título da Champions.
Esporadicamente as equipas francesas até têm feito boas figuras nas competições europeias. Nas últimas cinco épocas, tirando o PSG, as equipas de Lyon e Monaco foram às meias como underdogs, Marseille foi finalista vencido na UEL…. É um feito notável para a Ligue 1, que considero bem abaixo de uma Bundesliga, Serie A ou Premier.
El Pipito
Ó treinador é uma ótima explicação para essa equipa não estar a render.
Cossery
Na verdade a França só no final da década de 90 se começou a afirmar (apesar do brilharete Platiniano de 84), antes disso não era tida nem achada. Claro que como potência de equipa nacional a partir daí assumiu-se como top-5 de forma consistente, mas a nível do campeonato não houve o mesmo crescimento e não fosse a família mais rica do mundo ter decidido largar milhares de milhões no PSG seria um campeonato top-8.
Mesmo com o PSG, que apesar de todos os milhões não conseguiu passar da hegemonia interna (quebrada já duas vezes de forma inacreditável) para a glória europeia, uma só final e num ano claramente atípico.
A bem dizer nunca concordei com a expressão Big 5 em relação aos maiores campeonatos europeus, para mim são os Big 4 e depois vêm os outros.
Talvez daqui a uma década ou duas consigam cimentar no campeonato o estatuto que já têm a nível de seleção, mas por enquanto estão bem longe disso. Tenho a tênue e romântica esperança que as regras mudem para proteger os campeonatos e clubes menos ricos e, se assim for, não vejo a França ultrapassar Portugal e Holanda a nível histórico nem daqui a duas décadas.
Manel Ferreira
“não fosse a família mais rica do mundo ter decidido largar milhares de milhões no PSG seria um campeonato top-8.”
Isto também já me parece exagero. Nos últimos 5 anos, Lyon e Mónaco conseguiram ambos chegar às meias-finais da LC, foram dois grandes feitos. Que outro país fora do top-4 fez isto recentemente? Portugal, tirando o Porto em 03/04, não chega a esta fase há 30 anos. Mesmo Itália, tirando a Juve e aquela época da Roma 17/18, não tem sido muito relevante em termos de LC nos últimos anos.
França precisa que clubes como o Marselha se assumam de vez, este clube em particular tem sido muita parra e pouca uva. Acho que este ano têm boas hipóteses de chegar longe, por exemplo na LE.
Valderrama
O termo big five não faz qualquer sentido pelas questões colocadas neste artigo.
Na realidade há um big 4 mais o PSG.
TOPPOGIGGIO
100% de acordo, eu também tenho essa visão há muito tempo, pese embora tenham alguns bons clubes e com mais poderio financeiro que as equipas portuguesas por exemplo…
Relativamente à selecção francesa, na análise pré-europeu também comentei que embora tenham um lote de inegável qualidade e quantidade, não os via (se superiores) com uma superioridade de tal forma evidente (numa análise conjunta entre qualidade de jogadores e futebol praticado) que me levasse a subscrever cegamente a ideia de que estaria num patamar superlativo face aos demais. Teria uma visão diferente caso esse lote de jogadores, fosse um clube, e com um bom treinador que incutisse rotinas e uma matriz de jogo trabalhada… Mas não é o caso.
Rui Miguel Ribeiro
Eu diria que é um Big 4, um clube não faz um campeonato.
Valderrama
Sem dúvida
nmpatronilha
Questão interessante mas que não é tão estranha assim, pelo menos para alguém que vive em França. A qualidade media do treinador Francês é baixa, por alguma razão poucos são aqueles que partem do campeonato Francês para o estrangeiro e dão cartas (Não podemos incluir Zidane nesse lote pois ele nunca treinou sequer em França e penso que a grande maioria concordara que tacticamente não é um prodígio nesse vertente, sendo muito mais alguém com uma fantástica capacidade de gerir o balneário). Outro dos pontos a ter em consideração é o facto de que o sistema de scouting é França ser de baixa qualidade, e para comprovar isso basta ver a dificuldade dos clubes Franceses em descobrir talento fora de portas em comparação com a liga Portuguesa, Belga e Holandesa. Para alem de que ainda recentemente tivemos casos de 2 treinadores, entre eles Galtier, a admitirem que algumas das suas transferências serem aconselhadas por amigos e não pelo scouting dos clubes. Outro ponto que se deve ter em consideração é que, mesmo que a equipe nacional Francesa possua um grande leque de jogadores disponíveis, nas ultimas convocatórias a grande maioria dos seus jogadores integrantes jogam fora de portas, o que significa que a liga por mais meios que tenha, não consegue guardar dos seus melhores jogadores. Para mim, e claro esta, não passa de uma opinião, estas são as principais razões para que a Ligue 1 não seja uma liga mais atractiva. Sinceramente, em comparação com a liga Portuguesa, os recursos e infraestruturas Francesas são melhores, mas a liga é ultrapassada simplesmente pela fraca qualidade de treinadores e organizações directivas dos clubes.
Tiago Silva
Concordo em parte, com a questão dos treinadores estou 100% de acordo, comparando com os treinadores portugueses por exemplo os treinadores franceses estão a léguas no que diz respeito ao conhecimento tática do jogo e mesmo em questão de treino. Mas em termos de scouting, depende um pouco dos clubes. Veja-se por exemplo o Lille, conseguiu ir buscar pechinchas a outros campeonatos, jogadores que estavam na mó de baixo de outras equipas, conseguiram construir uma verdadeira equipa. Este ano veja-se o Rennes que conseguiu ir buscar outros jogadores de outros campeonatos como o Doku, o Sulemana, o Majer, muita qualidade. Ou o Nice que foi buscar muitos talentos ao futebol holandês e mesmo ao futebol suíço.
Outra questão a apontar na minha opinião é a falta de criativos que se formam em França. É verdade que tem melhorado houve Aouar, Cherki, Fekir, Ikoné ou Faivre recentemente, mas no grande geral das equipas há muito músculo e pouco cérebro, algo que até já é característico deste campeonato. Lá fora isso pode fazer a diferença porque são os criativos que fazem a diferença nos grandes jogos.
Em termos de formação de jogadores e de desenvolvimento dos mesmos em termos individuais não há ninguém que se aproxime deles, mas deixam imenso a desejar na integração das individualidades num grande coletivo. Acho que é mais essa a questão que também referiste e eu concordo.
nmpatronilha
Compreendo o que dizes mas se formos a ver a grande maioria desses jogadores estavam em campeonatos em países colados a França ou já não eram propriamente jogadores desconhecidos.
Quando falo na questão scouting é mais em termos de descoberta de jogadores de campeonatos extra Europa ou de uma Europa mais remota. A França vive da formação ou das academias implementadas em África. Tirando isso pouco mais faz em termos de mercado. Volta e meia ira aparecer um exemplo diferente como o Lille mas temos que entender que o Lille beneficiou do scouting português já que o seu director geral era Português. Por exemplo a contratação do Luis Henrique pelo Marselha na época passada, vários membros do clube admitiram que o contrataram a pensar que ele era PL quando ele sempre jogou mais como extremo. Isto é de um amadorismo absurdo.
nmpatronilha
Quanto aos criativos, estou inteiramente de acordo. Penso que em parte se deve ao facto de a França formar um género de jogador, segundos certos parâmetros físicos. Dando uma clara preferência a jogadores mais físicos. O que faz muitos jogadores irem fazer formação para fora. Outra das razoes penso estarem relacionadas com a formação mais pessoal e não tão colectiva. O jogador é formado numa vertente individual e menos colectiva do que deveria no meu parecer. Para alem de que mentalmente e psicologicamente o jogador jovem Francês parece ser muito mal seguido e para conferir isso basta ver a quantidade de problemas provocados pelos os mesmos assim como a péssima higiene de vida que a maioria leva.
Rui Miguel Ribeiro
Excelente análise.
Helder C
Maior que isso, é a dor dos franceses não vencerem um Tour de France desde 1985 com Hinault.
O Olympique Lyonnais na década 2000-2010 chegou algumas vezes às meias-finais. O PSG poderia ter ganho em 2020 e a única vez que venceram é cheia de polémica. 1993 Marseille
Kafka
Uma das chaves é de certa forma também ela um pouco inexplicável (pois a França tem uma população similar ou até superior no caso da Espanha), são as receitas dos direitos televisivos
Os contratos actuais:
– Inglaterra: 3.6 biliões eur
– Espanha: 2 biliões eur
– Alemanha: 1,4 biliões eur
– Itália: 1.3 biliões eur
– França: 700 milhões eur
Esta diferença faz com que os clubes franceses não tenham dinheiro para reter os melhores jogadores, pese terem uma base formativa de excelência, mas invariavelmente acabam todos os melhores jogadores por ter de sair e França para as 4 ligas que pagam mais
Agora como é que a França com 60 milhões habitantes tem uma disparidade tão grande de receitas para a Espanha que tem apenas 50 milhões? Essa é uma boa questão…. Que terá sempre várias respostas possíveis…. Mas a Espanha ter conseguido criar a nível histórico 2 colossos Mundiais sendo 1 deles o maior clube da história, tambem ajuda imenso a maximizar ao máximo as receitas televisivas, especialmente a nível externo….. Outra possibilidade é dentro do mercador interno, apesar de tudo a França parece-me ser dos 5 países o mais eclético de todos e onde o futebol apesar de ser a modalidade líder, não tem de todo a força mediática e a paixão que consegue ter nos outros 4 grandes mercados….ora não havendo igual paixão e amor ao futebol por parte da população, acaba por ser “normal” as receitas televisivas não serem tão altas como nos outros 4 grandes mercados, onde as populações acabam por consumir mais futebol do que em França
Haverá com certeza várias explicações, e a resposta concreta é impossível de obter, será no fim de contas o somatório de um bocado de todas as explicações possíveis
Santander
Concordo e essa é exatamente a questão que também deixo no final do texto.. Mas principal comparação até é face a Holanda e a Portugal, onde existe uma superioridade financeira mas que não se verifica a nível de títulos mesmo a nível histórico.. se a comparação fosse frente aos restantes quatro campeonatos a diferença seria colossal..
Kafka
Sem dúvida, essa é outra questão bastante pertinente e também ela inexplicável, que é o facto de Portugal e Holanda com bastante menos recursos financeiros e humanos, tenham ainda assim sido capaz de ter tido melhores resultados ao longo da história que a França, a nível de clubes
Filipe Ribeiro
O futebol só passou a ser o desporto n1 em França com a geração do Zidane e com cada vez mais africanos e descendentes que se identificam mais com o futebol.
Ainda hoje em dia tem zonas de França o desporto n1 é o Rugby.
Muito diferente dos outros países onde o futebol é claramente o desporto n1 desde sempre.
Kafka
Pois Filipe, isso então ainda ajuda a explicar melhor o porquê da França nunca se ter conseguido impor ao nível de clubes
Marcio Ricardo
A Espanha conseguiu se internacionalizar na questão da transmissão dos jogos muito mais cedo. Lembro de ver em canal aberto, em Portugal, jogos do Barcelona e do Real. Acredito que se dava em Portugal dava em boa parte do mundo também. A Inglaterra por ter o campeonato mais intenso, organizado e espetacular do mundo tbm se conseguiu vender bem. Até porque conta com várias equipas de bom nível. Ainda houve a Itália que por muitos anos rivalizou com estes. Isto há décadas atrás… A França era um campeonato sem interesse, que ainda tinha à sua frente, pelo menos, a Alemanha.
Só agora, com a chegada destes investidores o campeonato francês deu um upgrade, mas lembro que as equipes francesas sempre contaram com bons jogadores.
No PSG passou Ronaldinho, Weah, Raí, Valdo, Ricardo Gomes, Lama, Ginola, Anelka, Djorkaeff, Makelele, Sorin, etc..
Pelo Mônaco passaram Klinsmann, Morientes, Sagnol, Yaya Toure, Scifo, Diarra, Bervatov, Bierhoff, Adebayor, Panucci, Riise, Dia Vaio, Evra, Barthez, Saviola, Thuram, Henry, Ricardo Carvalho, James Rodriguez, Março Simone, Trezeguet.
No Marselha passaram Papin, Rudi Voeller, Lucho, Deschamps, Gignac, Drogba, Cantona, Bakayoko, Heinze, Blanc.
No Lyon estiveram Tiago, Lloris, Diarra, Domenech, Abidal, Essien, Vou, Lacombe, Sonny Anderson, Juninho Pernambucano, Fred, Benzema..
Não faltam nem faltaram bons jogadores em França. Tinham obrigação de fazer muito melhor que Portugal.
Marcio Ricardo
Lembro de ver os jogos espenhois há uns 20/25 anos atrás.. *
Jonas SCP
E o Pauleta não conta?
Marcio Ricardo
Pauleta foi um bom jogador, mas comparado com a maioria dos avançados que citei aí ele nem cheira.
TOPPOGIGGIO
Não deixa de ser verdade que tem menos gabarito, mas se compararmos a amostra possível dos dois na Ligue 1, das duas uma: ou faz todo o sentido incluir o Pauleta ou então faz ainda mens sentido ter o Fred (bom jogador) na lista…
Marcio Ricardo
Podem incluir o Pauleta, não tenho nada contra ele. Fez uma bela carreira em França. Como ele, esqueci ou ignorei vários outros.
Valderrama
Realmente é perguntar a qualquer francês. Ao lado de craques como Bakayoko, Fred ou Di Vaio, Pauleta nem cheira.
Incrível como tanto benfiquista despreza a carreira do Pauleta de forma a valorizar a do Nuno Gomes que até foi pouco mais que mediocre na maioria das temporadas que jogou de águia ao peito.
Marcio Ricardo
Podes ter razão, mas não é o meu caso. E até concordo contigo que apenas a primeira passagem de Nuno Gomes foi a que se aproveitou na Luz. Quando falo de Pauleta não me lembro de Nuno Gomes… E não tenho problema nenhum em dizer que o açoriano foi mais consistente.
carlos costa
E fazem, nós últimos 5 anos só por 2x é que Portugal conseguiu fazer mais pontos.
A diferença é que este ano as equipas portuguesas já realizaram mais eliminatórias que os clubes franceses.
São 14 jogos das equipas portuguesas contra 6 das equipas francesas.
E vamos ver quantos clubes portugueses conseguem se manter na Europa depois da fase de grupos.
Neste momento Portugal já perdeu 2 equipas e a França 0.
Santander
Fiquei a saber que 1 título contra 6 é muito mais e que 12 finais contra 15 é muito mais também.. Talvez o texto não tenha sido muito explícito.. Faço a comparação entre França, Holanda e Portugal… Ninguém pede que França fosse uma Premier ou La Liga (apesar de ter todas as condições para o ser) mas que tem muito mais obrigação que Holanda e Portugal isso é inquestionável e ao contrário do que dizes, não faz mais que estes dois.. Aliás faz bem menos
carlos costa
Primeiro não estava a responder ao texto, mas ao comentário que falava do ranking.
Se calhar não fui muito explicito ou então não viu que eu respondi a um comentário em vez de ser um comentário livre.
Flavio Trindade
Há um comentário abaixo do NMPatronilha que eu subscrevo por completo.
Muito má a qualidade dos treinadores (são muito poucos, mesmo muito poucos os que se aproveitam), scouting deficiente e muito limitado as países francófonos.
Como o Kafka referiu e bem a questão do valor dos clubes faz também toda a diferença. É impensável que a Ligue 1 tenha uma receita tão inferior à liga espanhola, sendo que o mercado potencial para a Ligue 1 pode até ser superior.
Apontaria mais 3 fatores:
– O primeiro vem na linha dos anteriores mas é uma questão social. O chauvinismo francês que faz com que eles achem que são melhores do que são na realidade, e que a sua liga seja melhor do que é realisticamente.
Acham mais depressa que são uma versão light da Premier que uma versão chic do tugão…
– A nível de formação o modelo de jogador também se alterou.
Clairefontaine trouxe para cima da mesa a construção de um futuro de jogador assente na técnica e no elevado QI futebolístico.
Hoje em dia esse predicado alterou-se para preferir jogadores de potência, explosão e muito fortes no plano físico.
Por muito que um Pogba ou um Martial sejam muito bons, eu não trocaria com um Zidane, um Henry, um Pires, um Petit ou um Tigana para recuar mais um pouco.
– Terceiro e última ideia. A tal mentalidade francesa impede muito que o jogo seja vivido com o mesmo nível de paixão do que na Inglaterra, na Espanha ou na Itália. Por muitos adeptos que possam ter, não dá sequer para comparar a paixão por um PSG, um Lyon ou um Nice (já nem falo do Monaco que esses nem adeptos têm) com a paixão por um Newcastle, uma Lazio ou um Sevilha já para não falar nos grandes.
O único clube que tem essa dimensão de fervor é o Marselha
Kafka
Concordo com todos esses pontos…. E até conheço fruto do meu trabalho muitos colegas franceses e sinto isso mesmo q dizes sempre que falo com eles de futebol, eles gostam e tal, os de Paris então estão como é óbvio entusiasmados com o PSG actual, mas epah sinto sempre que lhes “falta” ali qualquer coisa de emoção e paixão, quando comparado com a forma como um espanhol/inglês/alemão/italiano fala do seu clube….. Como é óbvio pode ser só uma percepção errada da minha parte (alguém que viva em França, poderá com certeza ter uma visão mais acertada que a nossa) mas pelo menos tenho a mesma percepção que tu
Flavio Trindade
Sim Kafka.
Já tive a oportunidade de lá estar várias vezes e até numa cidade que gosta muito de futebol (Bordeus) mas o nível de intensidade é incomparavelmente menor, mesmo ao nosso.
Não nutro nenhuma simpatia pelo Marselha, bem pelo contrário, mas respeito imenso essa forma de viver o futebol. No mínimo são bastante apaixonados.
Ricardo Lopes
Texto muito interessante. É um campeonato desigual atualmente. Tem um vencedor antecipado e um conjunto de equipas com bons planteis, como o Lille, Monaco, Rennes ou Nice, além de Lyon e Marselha. De resto as equipas não são muito fortes, havendo sempre muitas mexidas na tabela de ano para ano. O futebol até é interessante, mas parece que falta sempre algo. Ainda assim têm algumas das melhores formações do mundo, incluindo na segunda divisão com o Sochaux e o Caen. Um investimento em históricos como St Etienne ou Reims poderia tornar o campeonato melhor, mas neste momento está a léguas dos quatro principais mais PSG.
lipe
O facto de o campeonato francês já ter tido ao todo 19 clubes vencedores e existir uma certa tendência para os clubes serem inconstantes pode ajudar a explicar o falhanço europeu. Por exemplo: o primeiro tetra-campeonato no campeonato francês aconteceu apenas em 1970 (Saint-Éttiene). Entre 1932 e a data do primeiro tetra, 13 clubes diferentes foram campeões nacionais. O tetra seguinte acontece apenas em 1992 com o Marselha (que acabou mesmo por ser campeão europeu no ano seguinte). No início do século aparece o Lyon e vence sete campeonatos seguidos, tendo produzido boas prestações europeias durante esses anos. Para ilustrar o quão competitivo e inconsistente era o campeonato francês pré dinheiro catari no PSG, entre o último campeonato do Lyon e o primeiro do PSG (2007-2013), 6 clubes diferentes foram campeões nacionais.
Com a chegada de rios de dinheiro à capital essencialmente acabou-se a brincadeira e penso que não será descabido dizer que é apenas uma questão de tempo até o PSG vencer uma Liga dos Campeões.
Obviamente não explica tudo mas penso que é um motivo que, juntamente com muitos outros que já foram comentados, ajuda a explicar o fracasso dos clubes franceses na Europa.