Nos últimos anos, poucos futebolistas provenientes da África Negra conseguiram deixar a sua marca no campeonato português. No entanto, o Benfica já tem debaixo de olho um jogador com potencial suficiente para contrariar essa tendência. Com apenas 18 anos, Phakamani Mahlambi é a nova sensação do futebol sul-africano e tem despertado a cobiça de diversos clubes do futebol europeu. De acordo com a imprensa local, os encarnados lideram, juntamente com o Hamburgo, um extenso rol de interessados.Nascido a 12 de Setembro de 1997, na cidade de Joanesburgo, Mahlambi iniciou a sua carreira futebolística na Transnet Football School of Excelente, uma associação criada em 1994 pelo antigo internacional sul-africano Neil Tovey, com o único propósito de desenvolver os futebolistas mais talentosos do país. Por lá, passaram os internacionais Steven Pienaar, Jeffrey Ntuka – entretanto já falecido, Masilo Modubi, Bryce Moon ou Bernard Parker.
Em 2013, Mahlambi captou a atenção do Bidvest Wits, que partiu de imediato para a sua contratação. Durante dois anos, o jovem jogador evoluiu na equipa de reservas do clube – sediado nos arredores de Joanesburgo. Em simultâneo com a sua chegada aos Estudantes, como são vulgarmente conhecidos, Gavin Hunt – tricampeão entre 2008 e 2010 com o SuperSport United – assumia o comando da equipa principal. Nas duas últimas temporadas, o técnico de 51 anos conduziu o Bidvest Wits a dois terceiros lugares, igualando a melhor prestação de sempre do clube na primeira divisão, conseguida em 2002/03.
Em Agosto, com apenas 17 anos, Mahlambi estreou-se oficialmente pela equipa principal do Bidvest Wits, ante o Ajax Cape Town, na primeira jornada do campeonato. Chamado ao minuto 65, para o lugar do capitão Sibusiso Vilakasi, Mahlambi foi decisivo ao assistir o moçambicano Domingues para o segundo golo da sua equipa, que valeu um triunfo por 2-1 sobre a filial dos holandeses do Ajax. Apesar da estreia auspiciosa, este jovem só voltaria a receber a confiança de Hunt no campeonato à 8.ª jornada – mais de dois meses depois, na visita ao Orlando Pirates.
Uma série de boas exibições durante o mês de Novembro, valeram-lhe a convocatória para o Campeonato Africano das Nações de Sub-23 – o torneio de qualificação olímpico da CAF, que se disputou entre os dias 28 de Novembro e 12 de Dezembro. Apesar de não ter inscrito o seu nome na lista de marcadores, Mahlambi – o mais jovem elemento da equipa sul-africana, deslumbrou os mais diversos olheiros, que terão apontado o seu nome em letras bem visíveis.
Na última jornada da fase de grupos, o jovem craque saltou do banco para driblar três homens da Tunísia e oferecer de bandeja o golo a Menzi Masuku, que selou a vitória e a passagem dos Bafana Bafana à fase seguinte. Depois de terem sido afastados pela Argélia nas meias-finais, os sul-africanos superiorizaram-se após a marcação das grandes penalidades ao Senegal, no jogo de atribuição do 3.º e 4.º lugar, e com a última de três vagas no Rio ainda em jogo. Mahlambi apontou o penálti decisivo mas o herói seria o guarda-redes Jody February que impediu três tentativas dos senegaleses.
Mahlambi actua preferencialmente como médio ofensivo e impressiona pela velocidade e facilidade com que se desembaraça dos seus adversários. Dono de um remate fácil, o seu treinador não hesitou em confiar-lhe o papel de ponta-de-lança e o seu rendimento disparou. Nos últimos 5 jogos, Mahlambi apontou outros tantos golos. Estes têm-se revelado de uma importância absolutamente vital para as aspirações do Bidvest Wits, que com 13 jornadas já disputadas, ocupa a liderança do campeonato sul-africano. Fundado em 1921, por um grupo de estudantes da Universidade de Witwatersrand, o emblema de Joanesburgo nunca esteve em tão boa posição para se sagrar campeão nacional pela primeira vez na sua história.
O papel do treinador Gavin Hunt também tem sido decisivo na sua afirmação. Há precisamente 20 anos, este antigo lateral direito, no início da sua carreira como treinador, lançou na primeira equipa do Seven Stars – um dos emblemas precursores do Ajax Cape Town, um jovem com os mesmos 18 anos, um tal de Benni McCarthy, por muitos considerado o melhor futebolista sul-africano de sempre. Hoje, Hunt não tem dúvidas quando afirma que Mahlambi tem um potencial superior ao do antigo ponta-de-lança do Porto.
Em 1488, uma frota liderada pelo navegador português Bartolomeu Dias ficou célebre por ter sido a primeira a dobrar o então denominado Cabo das Tormentas, descobrindo o caminho marítimo para a Índia. Mais de 500 anos volvidos, o Benfica, também ele português, parece ter descoberto um verdadeiro tormento para as defesas adversárias. Resta saber se Mahlambi terá de facto o potencial necessário para se tornar numa “Boa Esperança”. O futebol africano bem necessita.
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): João Lains
(function(i,s,o,g,r,a,m){i[‘GoogleAnalyticsObject’]=r;i[r]=i[r]||function(){
(i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o),
m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m)
})(window,document,’script’,’//www.google-analytics.com/analytics.js’,’ga’);
ga(‘create’, ‘UA-71200351-1’, ‘auto’);
ga(‘send’, ‘pageview’);


0 Comentários
Mário
Grande Benny McCharty, que falta fazia agora ao Porto. Pena nunca ter esquecido Vigo, e a noite de lá.
The Monster
Já disse isto à algum tempo, e volto a dizer.
Para mim o Benni foi o avançado mais completo que vi no futebol português.
A nível técnico e físico tinha tudo, velocidade, potência, jogo aéreo, técnica, finta, primeiro toque, remate, bolas paradas. A única coisa que lhe faltava era Juízo.
Podia ter tido uma carreira muito maior.
cards
Jackson é superior a McCharty em tudo excepto velocidade
Anónimo
E bolas paradas. De resto concordo com o Cards
Antonio
Tiago Abreu
Não concordo cards, McCarthy tecnicamente nem parecia africano…Talvez o melhor avançado que o Porto teve a nivel tecnico.
João
Os textos do Lains nunca desiludem… excelente, como sempre.
Pena que ao contrário do que se previa o Mundial 2010 não tenha ajudado em nada a África do sul, nos últimos anos os resultados das selecções são anedóticos.
- Stalley -
Mais um bom texto do João Lains.
De referir que esta equipa Bidvest Wits, conta com o Português Jucie Lupeta, formado no Porto, este no Vitória de Setúbal o ano passado, mas só marcou um golo em 14 jogos, esta aventura até agora também não está a ser muito famosa, em 13 jogos, participou em 5 e 0 golos.
SL!
João Lains
Não foi à toa que ontem referi o seu nome. Khumalo também é um nome conhecido para muitos de vós. Antigo defesa central do Tottenham, trocou o SuperSport United, onde foi orientado entre 2007 e 2011 por Gavin Hunt, pelo Bidvest Wits, na última semana.
Bigodes
Lupeta ainda tá na fase de adaptação à vida e futebol de lá, acredito que vingue.
João Magalhães
O Lupeta é para lá de péssimo..
João Lains
Na última temporada vi meia dúzia de jogos do Setúbal e era horrível.
José S.
Bom texto João.
Se de facto tiver tanto ou mais potencial que tinha o ex-avançado do porto, é um jogador a seguir e que encaixaria bem em qualquer clube dito dos grandes em Portugal.
Cumprimentos
Nuno Abrunhosa
Só não concordo com o "africa negra" será mais correto africa subsariana..este miúdo tem o que chamamos "mzanzi magic" pelo qual se suspira desde Dr.Khumalo..um miúdo com muita qualidade para vocês espreitarem,..pelo menos hype tem à grande e mais que o de Bidvest chama se Tyroane Sandows emigrou para o Brazil há uns anos para jogar no São Paulo estando hoje com 20 anos no Grémio na equipa segundária entercalando com a 1ª
Nuno R
Africa negra é um termo sinónimo de subsariana. Claro que é redutor, dada as diferenças étnicas, mas é uma terminologia comum usada para separar os países magrebinos e Egipto,que historicamente sempre estiveram à parte da restante África (ate pelo domínio árabe e proximidade da europa)
Nuno Abrunhosa
Entendo mas eu discordei porque "Africa negra" é Ghana,Nigéria,Senegal,Côte de Ivoire e por aí fora..divide se em 3 partes,..(para mim que sou Sul Africano)..Africa branca do "Mahgreb",..Africa "negra" Central e "subsariana"…mas acima de tudo..gosto que o visão de mercado traga notícias de MAMA AFRICA ;)
João Lains
Nuno Abrunhosa, obrigado eu, pelo teu complemento valioso ao meu texto. O Nuno R fez questão de explicar exactamente aquilo que eu penso. Não foi com nenhum fim depreciativo.
João Neves
O texto está engraçado e percebe-se a ideia mas este é um caso típico de sobre-valorização desmedida que tem tudo para dar mau resultado. O ambiente competitivo em que este miúdo joga não permite concluir absolutamente nada para já. O Akwá também chegou ao Benfica com o novo Eusébio e depois foi o que se viu. E exemplos sul-africanos temos no Porto. O Zwane e o N'Tsunda (o tal que supostamente era rápido como o vento) chegaram às Antas com a fama de irem colocar a Á.Sul no mapa futebolístico. O resto é história, ou melhor, falta dela.
António Vilares
Excelente texto João! Parabéns pelo conhecimento ;)
Na CAN de 2015, apesar do péssimo registo de resultados, gostei da forma como a África do Sul procurou implementar o seu jogo. Pareceu-me uma equipa consistente e com ideias de jogo mais desenvolvidas que a maioria das equipas africanas. Desta selecção quem mais gostei de ver jogar foi Manyisa, muito rápido no flanco e com gosto para se apoximar da baliza adversária e médio Andile Jali, que oferece muita estabilidade ao meio-campo.
O jogador em destaque não conheço, sou sincero ;)
ntorion
Não sei campeonato muito fraco. Aliás joga por lá um ex júnior do porto, que o ano passado jogou no Setúbal, Lupeta…
Luís Freitas
Não acompanho o jogador no seu campeonato obviamente mas este tipo de miúdos Africanos são os mais propensos a se tornarem nas típicas ''estrelas de seleções sub-23'' indo desaparecendo à medida que envelhecem quando se esperaria o contrário…
Quanto aos interesses de alguns clubes parecem-me algo plantados até porque na Alemanha não existe qualquer indício de interesse por parte do Hamburgo.
Aproveitando para deixar nota já que falei nos ''dinossauros'', Marcelo Diaz está em Espanha para negociar contrato com o Celta de Vigo. O campeão sul-americano que salvou o Hamburgo da despromoção com um livre fantástico está de partida para a equipa que deverá perder Nolito neste mercado, falando-se em 2M de euros.
João Lains
O meu objectivo é sempre o mesmo: fazer o retrato do futebol local. Neste caso, um jovem de 18 anos colocou uma equipa que nunca se sagrou campeã nacional, na rota do título e ajudou a seleção sul-africana a qualificar-se para os Jogos Olímpicos, 15 anos depois. Com a curiosidade de ter despontado pela mão do mesmo treinador que lançou Benni McCarthy, há precisamente 20 anos.