Há uma coisa que o ser humano faz melhor do que qualquer outra: guardar ressabiamento. Não de favorecidos, de privilégios, de facilidades. De monumentos. Porque quando um monumento cai, ou começa a rachar, o prazer coletivo é de uma intensidade que nenhuma conquista individual alguma vez conseguiu gerar. É a lei não escrita do entretenimento humano. É mais fácil sentirmo-nos próximos de alguém quando o vemos tropeçar do que quando o vemos voar.
Cristiano tropeçou no dia 17 de junho. Como já tinha tropeçado nos outros 9 jogos em grandes torneios. Publicamente. Em direto. Com 41 anos e o mundo inteiro a ver.
E toda a gente tem muito para manifestar.
O Que Aconteceu
Portugal estreou-se no Mundial 2026 contra a República Democrática do Congo, na teoria um dos adversários mais acessíveis do grupo. O resultado foi um empate. Ronaldo jogou noventa e cinco minutos. Fez 25 toques na bola. Zero golos. Zero assistências. Zero remates enquadrados. Zero cruzamentos. Zero faltas sofridas. Zero contribuições defensivas.
É uma linha estatística que, retirada de contexto, poderia pertencer a um suplente que entrou aos 85 minutos. Aconteceu ao capitão, ao número sete, ao homem que foi apresentado ao mundo como o motivo para Portugal continuar a existir no mapa do futebol mundial.
A imprensa internacional não esperou muito. O The Independent chamou-lhe “uma estátua”. O The Telegraph aproveitou para comparar com Messi, que no dia anterior fez um hat-trick pela Argentina. A Sky Sports foi mais direta ainda: falou no “problema Ronaldo que Portugal se recusa a resolver”. O The Athletic foi o mais certeiro de todos: “não fez nada hoje, o que, apesar de não ser inteiramente culpa dele, não é um bom presságio para o resto do Mundial”. E depois acrescentou, como nota de rodapé, que os jogadores portugueses foram ao meio campo aplaudir os adeptos no final do jogo. Bem, nem todos. Adivinhem quem já tinha ido para o balneário.
É este tipo de detalhe que vive na memória das pessoas muito mais do que qualquer estatística.
Por Que É Normal Que Ele Seja o Culpado
Há uma distinção importante que muita gente faz questão de ignorar porque complica a narrativa simples que querem contar: Ronaldo não é o único problema de Portugal. Bernardo Silva foi péssimo. Bruno Fernandes foi invisível. João Cancelo é uma sombra do que foi. Rafael Leão entrou para salvar o jogo e jogou como alguém que não sabia ao certo em que continente estava. Roberto Martínez manteve Ronaldo em campo noventa minutos enquanto trocava outros jogadores que também não estavam bem, o que levanta questões sérias sobre a coragem do selecionador para tomar decisões técnicas sem considerar hierarquias de balneário.
Mas há uma razão objetiva pela qual Ronaldo é e vai continuar a ser o centro de tudo: porque ele quis ser.
Não é injusto. É a lógica implacável do protagonismo.
Durante vinte anos, Cristiano Ronaldo construiu, com um nível de deliberação que raramente se vê num desportista, a narrativa de que era insubstituível. Não apenas o melhor. O necessário. O motivo. A causa. Não houve vitória portuguesa nas últimas duas décadas que não passasse, de alguma forma, por ele, pelo dedo apontado ao céu dele, pelo peito aberto com o nome dele na camisola. E quando as coisas corriam mal, havia sempre uma explicação externa, um árbitro, um sistema de jogo inadequado, falta de apoio dos colegas, lesões do pior timing possível ou um “Vá perguntar ao Queiroz”.
O Europeu de 2016 foi ganho sem ele em campo na final. Mas foi o europeu dele. Porque ele estava no relvado a gritar junto à linha lateral com a perna em frangalhos e toda a gente concordou que sim, foi ele que ganhou. E foi, de certa forma. A sua energia. A sua presença. O homem criou uma marca tão forte que a sua ausência física continuava a ser uma presença simbólica.
O problema de construir esse tipo de identidade é que funciona nos dois sentidos. Se és o responsável por tudo o que corre bem, és também o responsável por tudo o que corre mal. É um contrato implícito que se assina quando se escolhe esse nível de ego público. Ninguém o forçou.
E agora é tempo de pagar.
O Que Está Para Trás
Para perceber o que se passa neste Mundial, é preciso olhar para os últimos quatro anos com pragmatismo.
O Mundial do Catar, em 2022, foi um momento de viragem psicológica. Portugal entrou com Ronaldo em foco absoluto, saiu da fase de grupos com ele a ser assobiado por adeptos portugueses num jogo que ficaria para a história exatamente porque Ronaldo foi substituído e Portugal ganhou. Marrocos eliminou Portugal nos quartos de final com Ronaldo a chorar em campo e a caminho dos balneários. A imagem foi global. Mas o que ficou foi a dúvida, instigada pelo próprio Fernando Santos, sobre se a equipa jogava melhor sem ele do que com ele.
Depois do Catar, Ronaldo foi para a Arábia Saudita. Não foi uma decisão pacífica. Foi uma retirada dourada para um mercado sem escrutínio real, onde os números continuam a crescer num contexto competitivo que não é equivalente a nenhuma liga europeia de topo. Os 973 golos na carreira são um número real. O contexto em que parte deles foram marcados nos últimos três anos é uma conversa diferente.
Entretanto, Portugal cresceu. João Neves apareceu como o jogador mais completo da geração. Vitinha tornou-se imprescindível. Pedro Neto, Gonçalo Ramos, Francisco Conceição, uma geração inteira de jogadores com qualidade genuína para competir ao mais alto nível. Uma geração que, olhando para o jogo contra o Congo, parecia estar constantemente a jogar em função de alguém que não estava a responder, a tentar servir um homem que não estava nem fisicamente nem tacticamente em condições de fazer o que lhe pediam.
O médio do Congo disse, depois do jogo, com um desassombro que custou mais a ouvir do que qualquer crítica da imprensa ocidental: “Para ser sincero, não preparámos muito um plano específico para marcar o Ronaldo, porque sabemos que já não é o mesmo. Está um pouco mais velho.”
Quando o adversário, ainda por cima da RD do Congo, diz isto numa flash-interview pós-jogo…
O Prazer da Queda
Aqui chegamos à parte que ninguém gosta de admitir, mas todos nós sabemos.
Há uma satisfação coletiva muito particular em ver o Cristiano falhar. Não em toda a gente, claro que não. Mas numa fatia suficientemente grande de pessoas para que esse sentimento seja um fenómeno sociológico que merece ser analisado em vez de ignorado.
E essa satisfação não nasce do ódio, nasce da distância.
Ronaldo passou vinte anos a construir uma imagem de si mesmo que era, por vontade do próprio, inalcançável. Perfeição física. Disciplina absoluta. Superioridade sobre os mortais. Era uma narrativa consciente. E foi enormemente eficaz durante muito tempo. Mas o efeito secundário dessa narrativa é que cria ressentimento passivo em quem a absorve. As pessoas não conseguem identificar-se com a perfeição. Conseguem validá-la e, às vezes admirá-la, mas não conseguem aproximar-se dela emocionalmente.
Messi, que construiu a narrativa oposta, de fragilidade humana que supera as expectativas, tem uma relação com os adeptos radicalmente diferente. Não é que Messi seja mais simpático ou mais acessível como pessoa. É que a narrativa que construiu diz “sou como vocês”, “brinco com o meu cão e jogo à bola na sala com os meus filhos enquanto protejo a televisão que tanto me custou a pagar” e não “sou melhor do que vocês”.
Quando o Cristiano falha, as pessoas que nunca conseguiram identificar-se com ele sentem, pela primeira vez, que o percebem. Que ele é humano. Que afinal também envelhece, também erra, também tem noites, semanas, meses e anos mus. E essa humanidade súbita cria uma proximidade que vinte anos de perfeição nunca criaram.
É trágico, se se pensar bem. O homem passou décadas a tentar provar que era diferente de todos os outros e conseguiu. E agora, no momento em que começa a ser igual a todos os outros, as pessoas sentem-se finalmente próximas dele.
E aproveitam o momento com uma energia que jamais usaram para celebrar os momentos em que ele era realmente extraordinário.
Quantas pessoas que hoje partilham os zeros estatísticos de Ronaldo alguma vez partilharam, com a mesma energia, o hat-trick contra a Espanha em 2018? Ou os seus números na Liga dos Campeões? Ou o facto de ter chegado a um sexto Mundial com 41 anos, coisa que nenhum europeu fez antes?
A resposta é conhecida.
O Que É Justo Dizer
O Cristiano é uma parte legítima do problema de Portugal neste Mundial. Não o único problema, mas um problema real.
É justo dizer que 41 anos numa posição de avançado centro, numa competição com esta intensidade, é uma desvantagem física que não se resolve com mentalidade nem com horas de ginásio. O corpo tem limites que o carácter não esconde.
É justo dizer que uma equipa que constrói o seu sistema ofensivo em torno de um jogador que fez 25 toques na bola em noventa e cinco minutos está a desperdiçar recursos.
É justo dizer que o selecionador que não tem coragem de fazer substituições por razões “estatutárias” está a colocar a hierarquia do balneário acima do resultado do jogo.
É justo dizer que o Cristiano, ao aceitar e incentivar esta dependência da equipa relativamente a si, está a ser egoísta de uma forma que prejudica colegas que merecem mais.
Mas é igualmente justo dizer que o homem marcou oito golos em Mundiais. Que ganhou um Europeu e duas Ligas das Nações. Foi ainda Vice-Campeão Europeu e fez 4º lugar num Mundial. Que carregou Portugal nos ombros durante uma geração inteira quando a alternativa era o quê, exatamente? Foi, durante pelo menos uma década, um dos dois melhores jogadores do mundo sem margem para discussão séria.
E que a forma como o país, e o mundo, está a devorar este momento diz muito mais sobre a psicologia coletiva do que sobre o futebol.
O Desfecho
Este pode ser o último Mundial de Ronaldo. Provavelmente é.
E há uma crueldade particular na ideia de que a última imagem que ficará pode ser esta: um homem de 41 anos a jogar noventa e cinco minutos contra o Congo, a fazer zero de tudo, a ir para o balneário enquanto os colegas ainda estavam no relvado.
Portugal tem jogadores para chegar longe neste torneio. A geração que apareceu nos últimos anos tem qualidade real e joga quase toda nos maiores palcos do mundo. Mas para isso acontecer, alguém tem de ter a coragem de fazer uma escolha que ninguém quer fazer.
O problema não é só o Cristiano. O problema é que ninguém, nem o selecionador, nem a federação, nem os colegas, quer ser o homem que diz ao maior português de sempre que o seu tempo acabou.
E enquanto essa conversa não acontece, Portugal vai continuar a entrar em campo com um sistema desenhado para um avançado que já não existe e sair com resultados que não refletem a qualidade real do plantel.
A conta vai chegando. Com juros.
A questão é se alguém tem coragem de a pagar antes de ser tarde demais.
Porque quem pagou a conta durante duas décadas ficou sem saldo e continua a viver à grande e à Portuguesa.
GioBonnie


30 Comentários
Fiscal de Linha
Parabéns pelo excelente texto!
AndreChaves9
Repito, esta versao de jogador é um dos piores que já vestiu a camisola da seleção nacional.
Kacal
Olha que o Hugo Almeida vestiu a nossa camisola e o Edinho também ahah.
DNowitzki
Vou “responder” da seguinte forma.
A minha maior desilusão desportiva é a derrota do Brasil 82, por causa de tudo o que foi aquela seleção é por causa de Zico.
Esse mesmo Brasil voltou em 86 e Zico falhou um penalti que dava a passagem pela França e a continuação para as meias. Nunca lhe apontei o dedo, nunca o critiquei, não passei a gostar menos dele; essencialmente, sofri com ele aquela nova eliminação.
Porquê? Zico é uma excelente pessoa! Um ser humano simples, acessível, sem ponta de vedetismo, que reconhece o valor dos outros e que diz sem hesitar “fulano foi melhor do que eu”. Gosto de pessoas simples e humildes.
É isto.
Daervar
Gostei muito do texto, parabéns.
Concordo quase por absoluto. Este mundial até pode correr bem (mesmo sem se ganhar) mas acho que sem ele as coisas poderiam correr bastante melhor. Com Ronaldo em campo e no balneário é difícil ser-se uma equipa. Quem entender, entendeu.
Neville Longbottom
Como já escrevi aqui, vi o Ronaldo crescer no meu clube. Vi-o vir jogar à minha cidade com idade de juvenil na longínqua época de 2000/2001 pelos juniores do Sporting (na altura o Boavista era um adversário de peso na formação, o campeoanto de juniores tinha uma espécie de final four com duas voltas e 6 jogos). Por isso, arrisco-me a dizer que quando muita gente ouviu falar dele pela primeira, eu já o conhecia há muito tempo. Admirei-o muito e a carreira dele fala por si.
Dito isto, não posso ignorar o que os meus olhos viram até hoje. “Foi, durante pelo menos uma década, um dos dois melhores jogadores do mundo sem margem para discussão séria”. Para mim isto não é verdade. Havia um jogador acima de todos os outros e depois havia os restantes “grandes jogadores” nos quais se inclui Cristiano Ronaldo. Lamento, é a minha opinião.
Isto serve para suportar uma outra opinião minha. O facto dele ter uma série de gente que acha o mesmo que o autor do texto (e muita gente que o acha o melhor de todos) alimentou um monstro. Ronaldo não é diferente hoje do que era há 10 anos quando ganhou aquelas Champions pelo Real Madrid. Já na altura não escondia o descontentamento quando eram outros que marcavam, aquela pose ridícula a pedir fora de jogo sempre que a sua equipa marcava e não era ele. Este tipo de atitudes estavam lá, como hoje as coisas correm constantemente mal ao Ronaldo, elas são muito mais frequentes, mas ele não mudou, é um desvio de personalidade que se assemelha muito à egomania e narcisismo.
Isto não me impede de admirar a sua carreira. Como grande jogador que foi, entregava dentro do campo, respondia as provocações com golos e foi decisivo muitas vezes. É uma pena que tenha este final de carreira esquecido nas Arabias e com um futebol absolutamente penoso dentro do campo. Ele lá sabe, a vida é dele, mas que lenda seria CR7 se se tivesse reformado ainda na Juventus com 36 ou 37 anos? Talvez numa tivesse tido a infeliz entrevista com o Piers Morgan em que rasga completamente o clube que o projeta por exemplo. Tudo isto é triste e mancha o seu legado.
Na seleção já devia estar fora desde o Euro 2020, mas nisso ele tem zero culpa, dão-lhe o lugar e ele aproveita, na prossecução absolutamente legítima do seu interesse individual. Mas para mim é uma pena que esteja neste estado lastimável.
Kacal
Podes achar o que tu quiseres Neville, é um direito teu. Por isso a opinião é livre e é como o cu, cada um tem um. Não é discutivel a tua opinião. É a tua. Dito isto, eu posso dar a minha e para mim é surreal e ilusão e viver num Mundo à parte, querer ser diferente e especial de corrida. Querer ser do contra. Apagar a realidade porque assim queremos. Tanta coisa. A que tu preferires. Mas em Mundo nenhum CR7 não foi o 2º melhor do Mundo destacado muito acima de todos os outros! Achar Messi o melhor acho válido, achar que foi muito melhor discordo e é discutivel, mas aceito. Achar que o 2º melhor não foi CR7 destacado dos outros é simplesmente atroz. Uma coisa é preferencia e gosto, outra é a realidade. Mas pronto esta é a minha opinião tal como tu tens a tua! Mas as 5 Bolas de Ouro não podes apagar nem ninguém e confirmam muita coisa!
Neville Longbottom
Amigo, eu também acho surreal que existam deputados do PCP e do Bloco de Esquerda. Mas como democrata que sou, só tenho de aceitar que haja gente que vota neles e que pense de forma radicalmente diferente da minha. Ninguém pode apagar os votos que tiveram nas eleições.
“Uma coisa é preferência e gosto, outra é a realidade”. Sim de acordo. Como acabei de provar há quem veja a realidade de forma diferente. E saúdo isso, não vejo qualquer problema.
Tomé Cahnbergs
Bem… democrata não és.
Aposto que também não queres negros por perto, mas não és racista.
NCM77
As opiniões acerca do clube não estão erradas. Vê o que disse Mourinho e outros depois. O MU ficou para parado no passado e vamos ver quanto tempo demora a reerguer-se.
Neville Longbottom
Uma opinião não é certa nem é errada (por isso é que é uma opinião), muito menos me passa pela cabeça julgar a substância do que o Ronaldo disse sobre o United. Não sei se um clube exemplar ou não. Isso não é relevante. O que eu julguei foi a forma. Se o United está mal, ele estava calado mesmo que isso custasse não defender publicamente a sua imagem, foi uma atitude nojenta.
O Mourinho é um manipulador por isso o que ele diz passa-me completamente ao lado.
HugoSilva 79
Parei de ler a meio…
Já não tenho paciência para o politicamente correto! Vamos ser claros,a seleção não joga porra nenhuma porque é impossível competir com qualquer adversário minimamente preparado jogando com 10! Porque sim, Cristiano Ronaldo é um jogador a menos! Aliás, provavelmente até seria mais proveitoso jogar literalmente com 10, porque ele próprio condiciona as acções dos colegas.
_Mushy_
É o típico português…
Lê na diagonal, não percebe o texto, o texto quando tem mais de 50 palavras já começa a ser complicado..
Depois não se esforça em perceber o excelente texto, mas como é longo, lê as primeiras linhas e depois deduz o resto.
CR7 é um jogador a menos, sorte é que tivemos um Bernardo que jogou por 2 certo? ou mais uma vez passa pelos pingos da chuva, ou pelo seu passado e cor clubistica, tem uma benesse?
O erro coletivo no golo sofrido, onde um certo central ficou a dormir, a culpa já não é dele, novamente pelas mesmas razões, passado e seu clube?
O que fez o resto da equipa a jogar para os lados e para trás?
Claro que é mais fácil culpar um só, e o texto diz isso mesmo.
Mas como este texto também é longo, vais ficar pelo 1 paragrafo e deduzir o resto
Artur Trindade
As vitórias contra a Alemanha e Espanha no ano passado, aconteceram com 11 ou com 10?
NCM77
Não vejo o politicamente correcto no texto. Agora se não gostas de análises coerentes esse o problema está em ti e não no artigo.
É óbvio que vai continuar a jogar até à eliminação de Portugal.
NCM77
Se é só isso que tiraste do artigo então o problema é teu. Excelente análise ao passado e ao momento actual.
JJ Okocho
Trágico é perder tempo e recursos a discutir um ex jogador
Já foi o 2⁰ melhor do mundo. Já jogou muito. Deu muito à selecção. Inegável, inatacável, se apaga o passado, isso so na defunta urss.
Mas passado é passado.
Ver Felix, Ramos ou Leão no banco para uma Marca Comercial jogar isso sim é trágico
Luke Skywalker
Um dos textos mais lúcidos e equilibrados sobre este assunto, em vários sentidos, que já apareceu no VM. Parabéns.
beterrabapragmatica
Tanta coisa para no fim vir também com a falácia do “carregou anos a seleção às costas”…
Tiago Silva
Exato o Ronaldo não carregou a seleção às costas como muitos querem fazer parecer. Os números dele pela seleção são muito bons, mas a maioria dos golos foram em qualificações e contra adversários mais fracos que Portugal. E não nos momentos decisivos.
Certo que ele fez jogos memoráveis por Portugal, o hattrick contra a Espanha ou o hattrick contra a Suecia são os casos que mais me lembro. Mas as maiores conquistas da nossa seleção não foram por causa dele, ele contribuiu sim mas não foi chave e muito menos “carregou uma geração às costas”.
O Euro 2016 ele foi importante na fase de grupos e principalmente no ultimo jogo. Na fase a eliminar foram outros jogadores que foram heróis como o Patricio, o Pepe, o Nani, o Quaresma e mesmo o Renato Sanches, todos eles foram mais importantes que o Ronaldo. Na final ele praticamente nem jogou.
Nas 2 ligas das Nações também não foi peça chave. Na primeira nem sequer jogou na fase de grupos e vimos Portugal a jogar do melhor futebol dos últimos tempos. Nesta ultima teve alguma contribuição mas longe do que deram Nuno Mendes ou Bruno Fernandes por exemplo.
Este Mundial está a ser o que é. No ultimo Mundial até conseguimos golear a Suiça sem ele em campo e na derrota com Marrocos pouco ou nada fez. Já nessa altura se via que ele estava acabado para a seleção e foi há 4 anos atrás! Leva 10 jogos consecutivos sem marcar em grandes torneios e sempre a jogar todos os minutos. Poderia ser desculpável se ele acrescentasse mais alguma coisa ao jogo, o que não acontece!
Por isso essa narrativa de que carregou uma geração aos ombros só se for fora do campo onde efetivamente teve uma carreira soberba e colocou o nome de Portugal no mapa futebolístico! Mas dentro de campo não mostrou o mesmo. Não basta bater no peito e chorar por Portugal, tem que ter rendimento e mostrar respeito pela sua nação, que nem isso faz quando não celebra os golos dos colegas, não agradece aos adeptos e atira a braçadeira para o chão.
O Ronaldo está acabado para a seleção já há muito tempo. E ninguém tem a coragem de lhe dizer isso e entretanto já passaram meia duzia de anos pelo menos!
Kacal
Saltaste aí umas coisas Tiago… na 1ª Liga das Nações ele mal jogou na fase de grupos mas nas meias-finais faz um hattrick contra a Suíça na vitória por 3-1, sem ele talvez nem fossemos à final. Na 2ª Liga das Nações marca o golo da vitória contra a Alemanha nas meias-finais (2-1) e marca o golo do empate contra Espanha (2-2) que permite ir a penaltis.
No Euro 2012 que fizemos uma grande prestação indo às meias só perdendo com a poderosa Espanha nos penaltis. Ele bisa na vitória por 2-1 contra Paises Baixos na última jornada da fase de grupos numa grande exibição dele que os destruiu completamente (lembro-me bem desse jogo). E nos Quartos vencemos a República Checa por 1-0 graças a um golo de cabeça dele aos 78 minutos quando o jogo estava fechada e parecia que ia dar prolongamento.
No Mundial 2014 nem da fase de grupos passamos tendo um elenco péssimo e envelhecido onde ele estava sozinho e até estava fisicamente limitado do joelho e mesmo assim foi dele a assistência para o cabeceamento do Varela no golo do empate a 2 com os EUA e ele marca o golo da vitória contra Gana (2-1). Não deu para mais mas não foi por ele.
No Mundial 2018 tem o tal jogaço contra Espanha, mas também é dele o golo que nos dá a vitória contra Marrocos de cabeça. Sem ele talvez nem passássemos da fase de portanto, tal como aconteceu no Euro 2016 com a exibição dele contra a Hungria.
Ainda me lembro do mítico jogo Portugal vs República da Irlanda em que ganhamos 2-1 no Estádio do Algarve a contar para a qualificacao do Mundial 2022 em que perdíamos por 1-0 aos 89 minutos e ele de repente saca 2 golos de cabeça nos descontos e vira o jogo. Ainda o jogo com a Arménia para a qualificação do Euro 2016 em que vencemos 3-2 com um hattrick fantástico dele em que começamos a perder por 1-0 e ele fez a reviravolta para 3-1. Isto são mais alguns exemplos.
Se carregou ou não a Selecção é discutível. Em alguns momentos sim, outros nem tanto. Mas que foi importante e disse presente em muitos momentos, disse. E acho que uns sobrevalorizam muita coisa sobre ele e outros é ao contrário e aqui acho que falaste ao contrário, na minha opinião. Mas que ele teve no prime alguns dos piores elencos que tivemos neste século, teve. Ele devia ter saido da Selecção após o Mundial 2022 pelo menos e sim está acabado, mas não apaguemos a história e o passado!
Francisco Goncalves
https://m.youtube.com/watch?v=48JPs63uAkg&pp=ygUIZXVzw6liaW8%3D Melhor jogador português de sempre?
Mantorras
Que jeito dava um PL como o Eusebio de 66.
Para muitos a melhor performance individual de sempre num mundial.
Pena nunca o ter visto jogar.
Francisco Goncalves
Nem os 973 golos são um número real pois ele marcou 6 golos na Champions árabe que não é uma competição ofocial da AFC ou da FIFA.
filipe19
De que competição estás a falar? Na champions árabe ele tem 14 golos e essa champions chama-se AFC Champions League. A champions 2, onde ele também já marcou, chama-se AFC Champions Two.
NCM77
Então tira os 6 golos se ficas feliz. É óbvio que ele só vai terminar a carreira quando atingir os 1000 golos.
Francisco Goncalves
1000 ou 1006?
NCM77
1007, se ficas feliz. 1006 golos oficiais e 1 golo para ti, com dedicatória especial.
Luso
Clap clap clap clap
ACT
O grande problema deste alarido todo, é que as pessoas que continuam a idolatrar o Ronaldo não vêm os jogos. É pessoal que acompanha a seleção de 2 em 2 anos e ainda vê o Ronaldo como a estrela, tiram umas fotos nas fanzones e metem uns stories do homem a chorar após mais uma eliminação. Este é o tipo de adepto que defende o Ronaldo, já não vou mais longe como um user comentou ontem e com toda a razão.