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O Síndrome de Facchetti

“O primeiro defesa-lateral a ir à linha de fundo cruzar”.
Este poderia muito bem ser o slogan de apresentação de
Giacinto Facchetti. Lenda do “Grande Inter”, Facchetti foi dono e senhor do
corredor esquerdo da dream team milanesa que, orientada
por Il Mago, Helenio Herrera, dominou o futebol europeu e mundial
na década de 60. Retratado pelo site da FIFA como “o Pelé das artes
defensivas”, o defesa transalpino representou somente os Nerazzurri ao
longo da sua carreira (1960 – 1978), sagrando-se tetracampeão italiano e
bicampeão europeu e mundial pelo emblema da região da Lombardia, tendo ainda
conquistado o Campeonato da Europa de 68 pela Squadra Azzurra. A
classe e a qualidade do seu jogo valeram-lhe, em 1965, o segundo lugar na
corrida pela Bola de Ouro atribuída pela France Football (galardão
que naquele ano seria atribuído a Eusébio) e motivaram Massimo Moratti a
retirar, em 2006, a camisola n.º 3 do FC Internazionale Milano, que Facchetti
havia envergado em 634 ocasiões.
Certamente poderia ser dedicada uma extensa obra aos
feitos e às conquistas de Giacinto Facchetti, todavia, não é meu propósito
debruçar-me sobre tal matéria, pois tamanhas façanhas, essas, estão cravadas
nos livros da história. As linhas que se seguem debruçar-se-ão antes sobre o
legado que Facchetti deixou à modalidade pela qual todos nós somos apaixonados
e ao papel que desempenhou na evolução e reconceptualização do jogo e das suas
linhas orientadoras.
De facto, o impacto de Facchetti no jogo foi tal que
poderíamos falar numa era pré-Facchetti e numa outra pós-Facchetti. Adaptado
por Helenio Herrera a lateral-esquerdo, Il Cipe não se limitou
a mimetizar os defesas da sua geração. Pelo contrário, aliou as suas novas
tarefas defensivas aos conhecimentos e movimentos que havia apropriado ao longo
de toda a sua formação, em que atuou como ponta-de-lança e extremo, conferindo
à sua equipa um revigorante fulgor ofensivo. O seu estilo de jogo, à data visto
como irreverente e ousado, fizeram de Facchetti, não um dos pioneiros, mas
antes O Pioneiro no processo de definição das competências ofensivas de um
defesa-lateral. Não admira, portanto, que, num período em que as funções dos
laterais se limitavam à esfera defensiva, Facchetti tenha surgido com um balão
de oxigénio nos relvados europeus.
Ainda assim, não obstante o estatuto de que gozou durante
a sua carreira, o maior elogio dirigido a Facchetti foi prestado pelo futebol
como jogo e modalidade. Surgindo anos-luz à frente dos seus homólogos,
Facchetti definiu como os defesas-laterais passariam a jogar e a movimentar-se
em campo, em suma, definiu como seria o defesa-lateral do futuro, tanto que nos
dias que correm não é concebível que um defesa-lateral de qualidade se coíba de
participar no processo ofensivo da sua equipa. Mais de 35 anos volvidos desde a
aposentadoria do italiano, é indubitável que todos os defesas-laterais carregam
aos ombros o legado de Giacinto Facchetti, ostentando no verso das suas
camisolas “Je suis Facchetti!”.
Se, por um lado, é verdade que Facchetti representa um
aprimoramento estético do jogo, também o é que nem tudo foi um mar de rosas,
pois qualquer mudança ou transição acarreta consigo, concomitantemente, efeitos
benéficos e nefastos. Os segundos, no entanto, tiveram, somente, repercussão no
século XXI, pois se em meados do século XX o plano de jogo de um defesa-lateral
se cingia ao meio-campo da sua equipa, a verdade é que as mudanças operadas,
relativamente ao papel desempenhado por estes jogadores, culminaram,
recentemente, na formação de defesas-laterais que pouco têm de defesas, pois,
ao contrário de Facchetti, os defesas-laterais que atuam competentemente tanto
no plano defensivo como ofensivo são uma raridade e vistos como verdadeiras
preciosidades na atual conjuntura futebolística. Aliás, Jamie Carragher ironizou
na perfeição o perfil do defesa-lateral contemporâneo quando afirmou que estes
“ou são extremos fracassados ou são defesas-centrais fracassados”, rematando,
jocosamente, que “ninguém sonha vir a ser um Gary Neville!”.
Ironia à parte, este comentário explana fidedignamente um
dos problemas cimeiros do futebol atual, que se prende com o facto dos agentes
do meio futebolístico privilegiarem o papel ofensivo dos defesas-laterais em
detrimento do papel defensivo, resultado de uma gradual desvirtuação da posição
que ocorre desde a segunda metade do século XX. Aliás, hoje, mais do que nunca,
é natural vermos extremos a seguir as pisadas de Facchetti e a recuarem no
terreno para se assumirem como laterais improvisados.
O problema surge, no
entanto, do facto destes não aprimorarem os seus atributos defensivos, o que
leva a que uma afirmação como “O Marcelo, do Real Madrid, é o melhor lateral
esquerdo do mundo” seja, ainda que deveras contestável, plausível. Todavia,
basta recuarmos, somente, 10/15 anos no tempo, para que tal afirmação nos surja como
um insulto aos jogadores que atuavam naquela posição – Maldini, Roberto Carlos,
Lizarazu, Abidal, Heinze, Ashley Cole, etc. Esta comparação cronológica expõe,
sem sombra de dúvida, a gritante – e, pior ainda, crescente – precariedade que
a posição de defesa-lateral atravessa. De resto, e após algumas horas de
meditação, concluí que somente uma equipa de topo da actualidade recorre a dois
defesas-laterais “à moda antiga”: Chelsea FC
… A resposta talvez não surja como
uma surpresa, ou não fossem os londrinos orientados por José Mourinho, no
entanto, até mesmo o Special One teve de contornar o imbróglio
que é cerne deste comentário, pois nem Ivanovic, nem Azpilicueta atuam na sua
posição de origem: o primeiro surgiu no futebol como defesa-central (função que
ainda desempenha na seleção nacional da Sérvia) e o segundo foi adaptado ao corredor
esquerdo, face às debilidades defensivas dos concorrentes por aquela posição no
conjunto dos Blues. De resto, quando Filipe Luís (uma contratação
por 25 milhões!) é preterido por um lateral-esquerdo adaptado, compreendemos
claramente quais os atributos privilegiados por José Mourinho no processo de
seleção do seu quarteto defensivo e, ainda, as lacunas que os “novos
defesas-laterais” apresentam.
Não obstante o facto de Mourinho ser considerado um
“exemplo a seguir” no planeta do futebol – pelo menos, a respeito da sua
inteligência e astúcia tática -, a verdade é que esta sua filosofia não tem
muitos seguidores, nem é provável que os venha a conquistar no futuro (não
pretendo com estas palavras questionar a qualidade de Mourinho, aliás, toda a
sustentação que corrobora a minha opinião é completamente alheia à figura de
Mourinho). Ainda que o problema que deu origem a este comentário seja evidente
e esteja identificado por todos os que acompanham a modalidade, os agentes do
jogo não parecem preocupados em solucioná-lo. Parece-me, antes, que o futebol
atravessa, atualmente, uma crise de identidade que começa, agora, a motivar uma
mutação das noções básicas e da filosofia do jogo. É, até, plausível afirmar
que atravessamos um período de transição, em que o futebol procura
reinventar-se, de modo a adaptar-se às problemáticas que enfrenta, de resto,
tal como aconteceu há cerca de meio século atrás, no período “pós-Facchetti”.
Aliás, a meu ver, algumas equipas entraram recentemente nesse processo de
transição e começaram a construir o futuro da modalidade, vendo nas suas
debilidades um meio e uma oportunidade de se anteciparem aos seus adversários.
Basta analisarmos como alinharam o Bayern de Munique, o Manchester United, o
Liverpool e a Juventus ao longo desta época para percebemos que presente e
futuro andam de mãos dadas. Todas as equipas mencionadas implementaram ou
tentaram implementar um sistema tático defensivo assente em 3 defesas centrais
e dois alas, solução que surgiu, creio, como resposta ao facto do defesa-lateral,
na verdadeira acepção da palavra, ser uma espécie que se encontra praticamente
extinta.
Atendendo às debilidades e virtudes dos defesas-laterais
contemporâneos, arrisco-me a afirmar que, nos anos que se avizinham, todas as
equipas terão que realizar este procedimento, dando origem a uma nova era no
futebol, que, possivelmente, vigorará tanto, ou mais, tempo como a do
“pós-Facchetti”, até que dela advenham novos problemas e o futebol encontre,
novamente, urgência em modificar e abalar os alicerces das noções básicas do
jogo.
Na História da Civilização, perante adversidades e
obstáculos, por meio da mudança e da adaptação, o Homem prevaleceu…Na História
do Futebol, mais do que o Homem, prevaleceu o Adepto!
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Pedro Pateira

0 Comentários

  • Anónimo
    Posted Abril 4, 2015 at 3:50 pm

    Que riqueza de artigo. Muito actual, factual e superiormente redigido.

    Quanto ao conteúdo, concordo que seja uma temática muito interessante de ser discutida. Contudo, parece-me que essa mudança de paradigma que se pode depreender, não será tão real assim. Aliás, há uma fornada de laterais esquerdos muito interessantes a surgir na alta roda do futebol europeu. Este texto podia ser aplicado aos laterais direitos, uma vez que a quantidade e a qualidade de opções para essa posição é reduzida. No entanto, existirão outras maneira de remediar a situação e as soluções, escassas, que ainda existem, chegarão para saciar as necessidades dos tubarões europeus.
    Saudações
    Crow

  • Gargalo
    Posted Abril 4, 2015 at 3:48 pm

    Não faz sentido endeusar o Fachetti e ignorar o Nilton Santos, esse sim, o primeiro lateral ofensivo. Estar constantemente a ler nos comentários que o Herrera inventou o catenaccio sem que vocês elucidem realmente os leitores com a verdade (não inventou nada, quanto muito popularizou) menos sentido faz.

  • Magno Neiva
    Posted Abril 4, 2015 at 11:21 am

    Muito interessante este texto, mas acho que esta situação que muitos sugerem de "não existem laterais de qualidade em quantidade" não é bem verdade. Simplesmente, sendo uma posição do terreno onde é o treinador que define na táctica que tipo de equilibrio pretende para a equipa, é natural que esta posição seja ocupada por jogadores de perfil mais táctico do que técnico e com elevado nível de adaptabilidade às funções atribuidas. Eu considero que, muito basicamente, teremos sempre:
    – O defesa direito/esquerdo que será sempre um central adaptado e cuja principal função é defender, dando boas opções em lances aéreos, mas a nível de ataque só apareça no terreno para dar linha de passe, ou a acompanhar a descida do extremo adversário.
    – O 50/50. Aquele que ataca e defende de forma equilibrada, se quiserem, será este o verdadeiro lateral do texto. Mas normalmente, mais que um central, médio, extremo adaptado, este será sempre sim um jogador de grande capacidade física e táctica.
    – O lateral. Como o nome indica é alguém que pode fechar a defesa, mas está lá para subir pela linha e será sempre a escolha natural para equipas de topo que atacam bastante ou equipas que possuem extremos que procurem espaços interiores.

    Mas a táctica e estilo de jogo é que interessam. Eu gosto do equilibrio táctico. De um lado um lateral ofensivo e como compensação um defesa do outro. Até ajuda na própria variação dos atacantes por flanco, podendo o atacante que vai para o lado do defesa lateral, respirar e pensar no sprint pois tem as costas cobertas…

    Agora, uma coisa parece certa. A parte lateral defensiva, independentemente da táctica, requer sempre jogadores com boa análise táctica e inteligência para ver o que se passa à frente, e jogadores assim são sempre "convidados" a actuar em outras posições primeiro… (So me lembro do Lahm a ter esse processo ao contrário).

  • karabatic13
    Posted Abril 4, 2015 at 10:02 am

    óptimo texto. Parabéns.

  • Benny
    Posted Abril 4, 2015 at 9:52 am

    De facto o Carragher tem razão no que diz, ja que há cada vez mais laterais adaptados por serem principalmente extremos "fracassados". Como é dito no texto, o próprio Facchetti não era lateral na formação.

    Parabéns pelo texto e pela qualidade do mesmo. No entanto, há uma pequena gralha: é conjuntura e não conjetura (apesar das duas palavras existirem).

    • Anónimo
      Posted Abril 4, 2015 at 1:59 pm

      Tem toda a razão. Peço imensa desculpa pela gralha e, acima de tudo, obrigado pelo apontamento :)
      Cumprimentos,
      Pedro Pateira

  • Anónimo
    Posted Abril 4, 2015 at 9:16 am

    O êxito de Fachetti só foi possível, porque na época o futebol europeu e especialmente o italiano, jogava no sistema cattenácio, criado por Helénio Herrera, que o instalou no Inter, depois de anteriormente ter utilizado o 4-4-2 no Barcelona, (sistema apresentado pelo Brasil no Mundial de 1058) onde foi campeão com Kubala, Koksis, Evaristo, Suarez e outros.

    Ele o Helénio Herrera, foi o iniciador no futebol europeu do período mais fraco que alguma vez tenha existido na europa, no que diz respeito ao futebol como espetáculo. No Inter, eram quase todos atrás, com o galego Luiz Suarez no meio campo e Corso na extrema-esquerda a servirem Mazzola e com por vezes as subidas de Fachetti para desequilibrar.

    Mazzola era o filho do malogrado jogador do Torino que morreu na queda do avião, quando vinha de um jogo disputado em Lisboa com o benfica.

    Souto

  • Alexis
    Posted Abril 4, 2015 at 9:02 am

    Muito bom texto, muito pertinente e muito bem escrito. Parabéns!!

    Só tenho um reparo a fazer. Na década de 60 o Inter dominou o futebol a par do… Benfica (Se tivessemos ganho a final do "frango" do Costa Pereira acabaríamos a década de 60 destacados).

    Quanto a laterais ofensivos, tem muito a ver com a tática implementada e sobretudo pela capacidade de fechar espaços pelo jogador da posição 6 e 8.

    Deve-se também à cultura tática do extremo, pois sem apoio, o lateral pouco sobe.

    No caso de uma defesa a 3 é mais que normal ver o ala a defender e atacar.
    Num meio campo a 4 (442 losango por exemplo) o lateral passará mais tempo no ataque visto que tanto o trinco como os interiores compensam muito melhor, estando o jogo exterior dependente do que o lateral vai oferecer. Num 433 ou 424, o lateral tem de ter uma apetencia ofensiva controlada, a menos que tenha muito pulmao para o vai-vem no corredor, velocidade para recuperar e ainda conhecimentos na posição (veja-se o caso do Danilo que precisou de um largo tempo de aprendizagem).

    Quanto a Mourinho, creio que ele não liga se precisa de 4 defensores ou se dará liberdade aos laterais.
    Se usamos o Chelsea como exemplo, onde Ivanovic é o lateral, veja-se o caso do Inter onde Maicon era quase um segundo extremo..
    Isto tudo para dizer que a utilização de um lateral ofensivo ou defensivo tem a ver com a ideia de jogo para aquele plantel, a obrigação da equipa ganhar ou não os jogos todos (exigência) e por ultimo a materia-prima à disposição do treinador (Cada vez mais rara).

    • Alexis
      Posted Abril 4, 2015 at 3:55 pm

      Sim Filipe.. mas quis ressalvar que, caso não houvesse aquele azar do Costa Pereira teríamos acabado a década de 60 com 3 Liga dos Campeões e o Inter apenas 1…

    • Anónimo
      Posted Abril 4, 2015 at 3:35 pm

      Alias,o benfica e que foi considerado a melhor equipa da decada de 60,num estudo que ate saiu recentemente.. hugo silva

    • Anónimo
      Posted Abril 4, 2015 at 12:55 pm

      Por esse prisma juntamente com o Milan que tb venceu duas taças dos campeões europeus.

      Filipe Ribeiro

  • Winervic
    Posted Abril 4, 2015 at 7:17 am

    Grande post! É por tratar o desporto assim que aprecio VM. Obrigado.

  • Edilson
    Posted Abril 4, 2015 at 6:34 am

    Eu acho que a posição de lateral esquerdo é a mais difícil de desempenhar em campo, o jogador tem de atacar sem depois deixar o seu flanco descoberto e saber o Timing correcto para atacar, o que desgasta muito o jogador.

  • miguel
    Posted Abril 4, 2015 at 3:01 am

    faltou um dato.
    neste momento os extremos perderam espaço o futebol joga-se mais por dentro. desta forma as equipas podem dar largura com os laterais

  • LuisrafaelSCP
    Posted Abril 4, 2015 at 1:02 am

    O Ivanovic será provavelmente o melhor "defesa-lateral" da actualidade, pela forma como conjuga o processo defensivo com o ofensivo, algo que como está no post, hoje em dia, é quase uma raridade.

  • Anónimo
    Posted Abril 4, 2015 at 12:59 am

    Simplesmente Excelente!
    Os meus parabéns!

    Smalls

  • Pedro, o Polvo
    Posted Abril 4, 2015 at 12:50 am

    Não concordo a 100% com a parte do futuro ser sinónimo de várias equipas com 3 centrais, no entanto até uma táctica que aprecio bastante. 4231, 3511 ou variantes, são as minhas formações favoritas. O problema de uma defesa de 3 centrais é a inteligência táctica para estarem 3 para apenas 1 avançado (como quase todas as equipas jogam agora).

    Antigamente jogava-se mais com 2 avançados e por isso eram utilizados muitas vezes 3 defesas. Hoje, enfrentando só 1 avançado, isso "só" funciona bem se os 3 centrais forem muito bons tacticamente e bons a iniciar a construção de jogo (inclusivamente com condução de bola). Caso contrário, vão ficar jogadores a mais atrás e os da frente estarão mais estáticos. Por isso é que o Guardiola qd joga assim, às vezes mete lá jogadores que nem centrais são.

    Essa questão dos laterais é interessante mas não acho que seja suficientemente importante no jogo para uma equipa decidir jogar com 3 centrais. A Alemanha no Mundial tinha um défice nas alas defensivas e acabou por optar por ter uma linha de 4 mais compacta e dar liberdade ao Hummels. E acho que fez melhor do que colocar lá 3 centrais e "inventar" uns alas a partir de uns extremos ou algo do género.

    Nota também para o Ashley Cole e o Heinze que nada tem haver com a qualidade dos restantes que referiste.. O melhor feito do Heinze na sua carreira foi ajudar a convencer o Ronaldo a ir para o RM, pois eram amigos pessoais ahah. O Cole, talvez por embirração, nunca me convenceu! Esses laterais oriundos do Arsenal (Cole e Glichy) sempre foram demasiados desconcentrados e permeáveis para meu gosto.

    Em geral, acho um bom tema e parabéns pelo texto.

  • Anónimo
    Posted Abril 4, 2015 at 12:11 am

    O texto está muito bom, embora nao concorde com dois pequenos detalhes.

    1-Afirmar que o Marcelo é o melhor lateral esquerdo do mundo para mim nem sequer é plausivel quando existe Alaba que é para mim, se conseguir manter o nivel, um candidato a discutir com o Maldini e o Roberto Carlos o rótulo de melhor LE de todos os tempos (mas ainda tem que comer muita sopa). Nota : Isto vai ser dificil porque infelizmente não espero que tenha grande carreira ao nivel da selecçao já que joga numa fraca ( Alaba ). E dá-se muita importancia a este aspecto quando se fala nos melhores de sempre.

    2- Julgo que o Bayern Munique não se deve incluir nesse grupo de clubes, porque os seus laterais têm muita qualidade, e se estes não jogam como laterais é apenas por opção do treinador e não pela ausencia de qualidade nessas posiçoes (Lahm e o já referido Alaba são dos melhores de sempre na minha opinião).

    Cumprimentos,
    João Gonçalves

    • Anónimo
      Posted Abril 4, 2015 at 10:56 am

      C. César eu referi que se Lahm e Alaba não jogam como laterais é por opção do treinador, mas porque de momento estejam a fazer outras funçoes, nao deixam de ser laterais.

      Cumprimentos,
      João Gonçalves

    • Anónimo
      Posted Abril 4, 2015 at 5:59 am

      Alaba não joga como lateral esquerdo já tem um bom tempo.

      C. César

  • Flávio Trindade
    Posted Abril 3, 2015 at 11:56 pm

    Antes de mais, os meus parabéns ao Pedro Pateira! Este é certamente um dos melhores textos que li por aqui onde a qualidade é elevada normalmente.
    Pela introdução e referências históricas e cuidadas ao grande Inter da década de 60 e ao grande Facchetti, e pela visão mais do que acertada e muito global da problemática dos laterais e da sua evolução.
    Este texto respira futebol por todos os poros. Parabéns uma vez mais.
    De resto acrescentaria que o lateral de hoje e a sua importância no jogo não se prende tanto com a qualidade do jogador em si, mas sim com a concepcao de jogo de cada técnico.
    Mourinho sempre utilizou defesas laterais que lhe pudessem garantir que tinham inteligência tactica para compreender os diferentes momentos do jogo, que soubessem fechar por dentro e que acrescentassem qualquer coisa no futebol aéreo. Por tudo isso Ivanovic é hoje um dos melhores laterais do mundo.
    Outro exemplo que deste e bem foi o de Marcelo. Dos que mais acrescenta no momento ofensivo e dos mais permeáveis a defender, como tal longe de ser um defesa lateral.
    Em equipas de grande balanceamento ofensivo e que utilizem um pivot defensivo, um pouco à semelhança dos recentes Benficas e Portos com Javi Garcia, Matic e Fernando como exemplos, a utilização deste tipo de jogadores faz com que os laterais se possam soltar mais e serem mais produtivos no momento ofensivo.
    É tudo uma questão de entendimento do jogo e do perfil de cada técnico.

  • João Lains
    Posted Abril 3, 2015 at 11:48 pm

    Não sei se estás certo ou errado, a verdade é que eu sempre tive o esquema táctico de três centrais como o predilecto para as equipas italianas, e foi preciso que a mais forte de todas elas – a Juventus, abdicasse dele para recolher algum sucesso nas competições europeias.

    Mais, a recente subida de forma do Manchester United está intimamente ligada ao abdicar do esquema de três centrais. Desde que o Van Gaal adoptou uma defesa a quatro, a equipa registou 6 vitórias, 1 empate e apenas 1 derrota (num total de 8 jogos). Curiosamente, nos 8 jogos que antecederam esta série (Van Gaal apostou sempre no 3-1-4-2), a equipa somou apenas 4 vitórias, 3 empates e 1 derrota. Estamos a falar de 19 pontos contra 15. A diferença não é significativa, mas o Manchester United atravessa uma série de 4 vitórias consecutivas, entre as quais se contam triunfos sobre Newcastle, Liverpool e Tottenham. Não me parece que neste momento passe pela cabeça de Van Gaal regressar a uma defesa com três centrais, por mais maluco que ele seja.

    Em relação ao Liverpool, tenho de admitir que a equipa tem feito uma segunda volta fantástica jogando num sistema com três centrais. Em relação ao Bayern Munique, o fosso para os seus adversários é tão grande que Guardiola pode experimentar o que muito bem entender, que no final sorri sempre. Já chegou ao ponto de alinhar de início com Robben, Müller, Götze, Ribéry e Lewandowski. É preciso dizer mais alguma coisa em relação à forma como o Bayern (não) é posto à prova?

    Resumindo, acho que essa nova era não está para chegar assim tão cedo.

    • Anónimo
      Posted Abril 4, 2015 at 7:18 pm

      Só equipas com características muito próprias conseguem jogar com uma defesa a três! Já vimos Itália, Brasil, Alemanha e Argentina a jogar assim e algumas vezes com um futebol extraordinário! Mas não se têm criado muitos Beckenbauer, sensini e Passarella. Só com liberos fora de série e alas com condições muito específicas a defesa a três é realmente um sistema viável.

      Já vimos um barça, uma Roma com o Capello, um Milan, um Bayer Leverkusen que chegou até à final da champions, o Dortmund do Dede e do Ivanilson , mais recentemente a Juve a jogar a três e a praticar um futebol agradável e com resultados! Ultimamente vemos o Guardiola a tentar estabelecer esse sistema.

      Em Portugal, com sucesso, só me lembro do Vitória de Guimarães com o Inácio, e tiveram momentos na época em que eram de longe a melhor equipa a jogar em Portugal. Com o Co Adriense não deu para perceber muito bem porque Benfica e Sporting não estavam muito bem. Mas mesmo campeão teve alguns dissabores.
      De frisar que me parece que só um grande treinador consegue transformar um 3-5-2 ou um 3-4-3 e as suas variantes numa máquina de futebol.É uma tatica que me agrada porque bem treinada é a mais difícil de contrariar por ser a menos usual.

      Falta só referir que é de facto um grande texto.

      Del Piero

    • Rabensandratana I
      Posted Abril 4, 2015 at 1:26 pm

      Eu sou um amante das equipas que actuam com 3 defesas.

    • Kafka I
      Posted Abril 4, 2015 at 9:44 am

      Concordo João Lains e Luis Rafael

    • LuisRafaelSCP
      Posted Abril 4, 2015 at 1:25 am

      Pessoalmente, não gosto nem nunca gostei de sistemas com 3 defesas… acho que a linha defensiva é sempre com 4 elementos, ponto.

  • Luis La Liga
    Posted Abril 3, 2015 at 11:45 pm

    Eu acho que depende dos moldes das equipas. O Real Madrid é uma caso simples de analisar. O Marcelo era titular em muitos jogos (onde o Real tinha uma tendencia ofensiva), mas nos jogos a doer punha-se o Coentrao. Se analisarmos bem há uma maior descrepancia entre os valores das equipas. O underdog raramente ganha ao favorito devido as diferencas entre equipas, o que se traduz numa maior verticalidade ofensiva dos grandes.

  • Anónimo
    Posted Abril 3, 2015 at 11:34 pm

    Os meus parabéns! Que post incrivel!

    Rafael

  • Rodrigo
    Posted Abril 3, 2015 at 11:14 pm

    Excelente texto, Pedro, e um tema bastante interessante para a discussao publica.

    De facto, a ausencia de laterais puros começa a ser uma realidade cada vez mais frequente no futebol mundial, uma vez que sao cada vez mais os ex extremos que passam a ser laterais das suas equipas para poderem colocar a sua propensao ofensiva em beneficio da equipa. O caso paradigmatico e o do Valencia, tendo oferecido nos ultimos anos ao futebol de topo Jordi Alba, Bernat e Gaya, todos eles extremos esquerdos de raiz. O caso do Ivanovic e mais raro, visto que de um grande central passou a um grande lateral direito, o melhor esta temporada no futebol europeu. Schuster tentou fazer o mesmo com o Sergio Ramos (foi campeao europeu e mundial nessas funçoes), mas apos alguns anos de teste, o andaluz regressou a posiçao de central com Mourinho e afirmou-se definitivamente nessa posiçao.

    Outro facto curioso e mesmo essa tentativa de varias equipas passarem a actuar num sistema que nao privilegie laterais puros. Man Utd, Bayern, Liverpool e Juventus a nivel de clube ou Alemanha e Italia em termos de Selecçoes sao alguns desses exemplos. A propria Belgica faz uma coisa diferente, actuando com 4 centrais no sector defensivo, ficando Alderweireld e Vertonghen com as missoes de lateral. Veremos se essa teoria que avanças e mesmo para avançar, isto e, se estamos a caminhar para um período sem laterais e onde a maioria das equipas (de topo) irao actuar com alas a fazer o flanco.

    Na verdade, esse factor de nenhum miudo querer ser um "Gary Neville" e preocupante, bem como o facto de qualquer jogador mais rapido e com alguma tecnica ser de imediato encaminhado para extremo, medio ofensivo ou avançado. O futebol mundial precisa de laterais que tenham conhecimento da posiçao e essas bases adquirem-se maioritariamente na formaçao. Veja-se o caso do Ricardo no FC Porto, um extremo adaptado e que na ultima parte fez um penalty num lance onde e visivel a sua falta de rotina na posiçao de lateral direito, isto pela forma como abordou o lance.

  • Anónimo
    Posted Abril 3, 2015 at 11:06 pm

    Ivanovic, neste momento é o melhor lateral direito do mundo, devido á sua enorme qualidade defensiva, mas essencialmente devido ao seu Killer instinct nas áreas adversárias.

    A grande evolução táctica do futebol nos últimos tempos, é a capacidade do lateral aparecer por fora, mas essencialmente conseguir jogar por dentro, baralhando as marcações dos defesas-médios adversários.
    O "cliche" do lateral ir á linha e centrar está ultrapassado, os grandes laterais de hoje em dia são aqueles que surgem quase como segundos avancados, desequilibrando os jogos a seu favor. O Barcelona de Guardiola foi praticamente pioneiro, mas para mim, em Portugal, temos o Benfica de Jesus, onde Maxi Pereira faz quase mais minutos perto da área adversária que da sua.
    Temos os exemplos claros do sérvio, de Maxi, Dani Alves, Jordi Alba, e até do já citado Marcelo.

    João Silva

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