Qual a equipa ideal para o promissor português? Por norma os ciclistas que deixam a Deceuninck-Quick Step, como demonstraram Jungels, Viviani, Gilbert, Mas, Tersptra, Gaviria ou Kittel, não conseguem ter o mesmo rendimento. Mas o caldense tem condições para contrariar isso e não faltam equipas – Trek, Bora-hansgrohe, Movistar ou Bahrain, mesmo a UAE (para as provas onde não está Pogacar), à procura de um chefe-de-final.
Patrick Lefevere, o mítico diretor desportivo da Deceuninck-Quick Step, revelou publicamente que João Almeida vai deixar a formação belga no final desta época. “O João vai deixar a nossa equipa no final do ano. O seu agente tem mostrado relativamente pouco respeito nas negociações…”, anunciou no Het Nieuwsblad apontando o dedo ao agente João Correia. “Durante as negociações vinha com frases como ‘juro pelo meu filho’ e sou intolerante com frases desse género. Quem é honesto não precisa desse tipo de linguagem. O Almeida deixará a equipa no próximo ano”, escreveu. Já se esta saída vai ter impacto no Giro, revelou: “Não vai determinar a escolha tática para o Giro. Serão as pernas a decidir. Não me interessa nada, se ganhar o Giro, que seja com um belga ou um português. Quem me conhece, sabe que a camisola da equipa é mais importante que as nacionalidades. O João é o líder, o Remco terá liberdade. Mais tarde, se o Remco for o mais forte dos dois e o Almeida não fizer o que se espera dele, a sua bicicleta irá para o camião e ele abandonará. E será exatamente o mesmo no caso oposto”.


4 Comentários
Rush
Preferia que ele continuasse na Deceuninck mais 1 ou 2 anos e depois saísse com outra maturdade. Mas pronto, sendo a sua saída certa acho que a Trek seria uma das melhores opções. Com o Nibali e o Mollema a aproximarem-se do final da carreira, abre-se espaço para um novo líder em grandes voltas e algumas provas de 1 dia (que não me parece que vá ser o Ciccone). Para além disso, a notoriedade que o Giro do ano passado deu ao João torna-o mais apetecível para uma equipa patrocinado pela Segafredo, sobretudo quando parece haver alguma escassez de jovens italianos com potencial para semanas.
Fora a Trek, e indo por exclusão de partes, a Bahrain e Bora são as opções mais interessantes, dependendo sempre da renovação ou não dos seus atuais líderes.
Bio
Acho uma péssima decisão da parte do João.
A Deceunick não tem assim muita concorrência para este tipo de provas e ele poderia perfeitamente ser chefe-de-fila regularmente numa equipa organizada e com ciclistas de muita qualidade.
Só espero que não acabe na Flopistar.
Filipe__Santos
Se o objetivo de carreira do João é afirmar-se como voltista, não sendo um trepador de excelência, vai ser complicado mudar para melhor. Isto porque os blocos de gregários de montanha que poderiam elevar o nível do português nas grandes altitudes são os que estão já a “guardar” os grandes nomes do pelotão. Por exemplo a Bora de Kelderman, ou a UAE de Pogacar, conseguem apresentar boas equipas de montanha, mas nas corridas onde não estão os líderes, também não vão estar as melhores unidades de segunda linha.
Provavelmente o João vai conseguir uma proposta muito vantajosa financeiramente – e temos de compreender que para um desportista Português que não futebolista de topo essa tem de ser sempre a principal preocupação -, mas não vai juntar-se a uma organização mais forte (melhores que a Deceuninck só a Ineos e talvez a Jumbo) nem vai conseguir garantias de ter escudeiros melhores que Masnada e Knoxx.
A ver vamos, bola para a frente e que o futuro seja risonho!
DD28
Má decisão na minha opinião, a fazer lembrar o Rui Costa.
Compreendo que tenha propostas mais vantajosas e compreendo que não queira viver na sombra do Remco. Posto isto, se o objectivo é ser lider, parece-me um passo demasiado grande. Ao dia de hoje, não está ao nivel do Pogaçar, Roglic, Remco, Bernal, Yates entre outros. Depois, não existe nenhuma equipa com um projecto melhor que o da Deceuninck que não tenha um lider superior a ele.
Se for financeiro, compreendo, mas considero que é demasiado cedo. Devia crescer na sombra do Remco, aproveitando o investimento que vai ser feito nele e assim ir atacando a Vuelta ou o Giro. Mais tarde teria acesso a um super contrato de uma Israel ou Emirates, por exemplo.
Por fim, este Giro ganhou uma importancia gigante para o João. Se flopar, o poder negocial vai todo por agua abaixo, Se terminar top 10, poderá ganhar um super contrato.