A política continua a interferir no futebol, sendo mais um episódio após a recente ausência de Mkhitaryan da final da Liga Europa.
A Federação Montenegrina de Futebol despediu o seleccionador Ljubisa Tumbakovic, de nacionalidade sérvia, por este não ter dirigido a equipa no encontro da fase de qualificação para o Euro 2020, frente ao Kosovo. Em causa está, por isso, “uma violação das suas obrigações profissionais”, sendo que Mirko Ivanic e Filip Stojkovic, dois jogadores de origem sérvia, também não estiveram no encontro, vítimas de “pressões” segundo a federação. Ljubisa Tumbakovic era seleccionador do Montenegro desde Fevereiro de 2016.


11 Comentários
JoaoMiguel96
Mas quem é que se lembra de pôr Montenegro a jogar contra o Kosovo? Já foi a Sérvia com a Albânia e foi o que foi. Ainda para mais com países dos Bálcãs, que para além de terem uma história super recente, têm também sangue quente por natureza.
Está mais do que na altura da UEFA e FIFA terem cuidado com os grupos de qualificação e respectivos conflitos.
Joga_Bonito
Isto tem que ser esclarecido.
Porque não foram? Por medo de serem atacados por serem sérvios? Então, a culpa não é deles é da falta de segurança.
Não foram porque não querem reconhecer o Kosovo? Então, deixaram a politica interferir, conquanto aqui a questão seja complexa. Lembremos quando um conjunto de jogadores da Suíça, de origem albanesa, usaram um jogo contra a Sérvia para provocar esta, marcando golos e celebrando em jeito de provocação.
Em vez de ser uma Suíça-Sérvia, parecia um Albânia-Sérvia. Acho que a FIFA deve esclarecer isto, porque a questão nunca será fácil.
Há países que ameaçam os seus cidadãos de represálias se visitarem certos países com os quais têm conflitos. Logo, muitos podem temer represálias caso viajem para esses países, quando regressarem aos países de origem.
Depois há a questão complicadíssima da objeção de consciência. Quando se quis boicotar a África do Sul do apartheid, houve bastante apoio a quem o fizesse. Logo, é preciso perceber que as emoções influem nestas coisas. É como a questão de Israel jogar na zona do Médio Oriente ao invés de na Europa. Acabou a jogar o Euro, porque se teme um boicote dos países árabes a Israel.
Sinceramente não sei como iremos resolver estas questões.
Estigarribia
Ridículo. Política e Futebol nem sequer se deviam misturar. Que culpa tem o agora ex-seleccionador de Montenegro de toda esta situação. É mais vítima que culpado. Infelizmente, como o VM refere, e bem, a política continua a interferir no futebol e é mais um passo rumo ao abismo.
Made in Recife
Eu, com uma monografia em Relações Internacionais escrita sobre o uso do futebol como ferramenta política (E que dedico um capítulo inteiro a mostrar exemplos de como futebol e política se misturaram voluntariamente ou não) discordo total e completamente do seu comentário
100Clubismo
Sérvios e Kosovares nem se podem ver à frente, muito devido a personagens como Milosevic, Karadzic e o desejo de independência do Kosovo, numa relação (a meu ver) até mais corrosiva que Espanha/Madrid-Catalunha por 2 motivos: Numa houve guerra e reconhecimento internacional (Kosovo), e noutra não houve guerra (o que aconteceu em 1640 (Guerra dos Segadores) não foi uma revolta separatista e há zero reconhecimento internacional (Catalunha).
Em segundo lugar faz-me confusão como é que tanta, mas tanta pode achar que o futebol consegue amenizar conflitos e aglutinar povos, num discurso fantasioso de paz e amor. Por favor, é só futebol. Conflitos são demasiado complexos e profundos para se resolverem com um joguinho de futebol. Claro que durante o jogo, facções normalmente beligerantes podem concentrar-se neste belo desporto e conviverem juntas em harmonia, mas depois voltam à batatada (vide a Guerra que o Pelé supostamente “parou” na Nigéria). Neste caso isso nem sequer acontece. A cegueira ideológica é tão grande que nem se pisa solo kosovar. O mesmo com Mikhtaryan.
O futebol não tem esse poder de espalhar amor e puruprinas pelo ar ao ponto de o jogo a disputar se superiorizar ao conflito. Não transformem este desporto em mais do que ao que é.
Made in Recife
O Drogba literalmente parou a guerra civil da Costa do Marfim usando o futebol. E não foi só uma pausa, ele foi o grande nome do fim da guerra de fato.
É fato que o futebol não é um jogo mágico que acaba com todas as guerras do mundo e trará paz a humanidade, mas dizer que o futebol não PODE aglutinar povos e resolver conflitos só faz sentido se você não acompanha futebol.
Made in Recife
Em outra notícia mais recente, o número de casos de Islamofobia em Liverpool vem caindo a pique desde a chegada do Salah.
Mais uma vez, o futebol ajudando a aglutinar povos e evitar conflitos.
Chico
Estes países, que partilham imenso entre si, nunca iram para a frente à custa do seu nacionalismo bacoco.
Chico
irão*
Antonio Clismo
Então e o Beqiraj que é de ascendência kosovar e joga pela selecção do Montenegro?
rcarreira
O conflito é entre a Sérvia e o Kosovo… Convém ler a notícia antes de comentar!