Quando um dos bons médios da Liga considera mais atractivo jogar na Letónia, provavelmente pelo factor financeiro, em vez de ficar no Paços é sinal que algo tem de mudar no futebol português.
O médio Pedrinho, que estava em final de contrato com o Paços de Ferreira, foi apresentado como reforço do Riga FC, da Letónia, clube que vai disputar as pré-eliminatórias da Liga dos Campeões. O médio, de 27 anos, esteve nos pacenses nas últimas quatro temporadas, tendo apontado 13 golos em 146 jogos.


23 Comentários
Antonio Clismo
Quando os clubes ”maltratam” os jogadores portugueses regularmente menosprezando-os em termos salariais e de aposta nas respectivas equipas é normal que eles saiam para clubes no estrangeiro que lhes dê a importância que aqui nunca tiveram.
Em todo o mundo os estrangeiros são sempre melhor tratados do que os locais, especialmente em Portugal que é um país que sempre venerou o que vem de fora em vez de dar valor ao que tem. Já o escrevia Eça de Queirós há quase 200 anos atrás..
Quando os clubes portugueses que se estão sempre a queixar que não há dinheiro para nada paga 20 mil euros por mês a uma incógnita qualquer vinda do estrangeiro e não renova o contrato a uma promessa vinda da formação do clube mantendo-o a ganhar 1000 euros muitas vezes sendo o português o titular e o estrangeiro fica a ”fazer banco” durante uns meses pois precisa de se ”ambientar” ao país e ao nosso futebol.
Chega ao final do ano, o jovem português fez uns 15 jogos e amealhou 15 mil euros. Já o jovem estrangeiro acabou por não se ambientar ao país e futebol, fez 3 ou 4 jogos e vai embora a custo-zero mas tendo conseguido chular 250 mil euros ao clube durante esse ano..
É normal que esse jogador português ao final de alguns anos, e sem ver o seu salário revisto para o mesmo nível das incógnitas que chegam todos os Verões aceite ir para um clube qualquer no Mundo que lhe garanta um salário superior e com outro tipo de garantias.
Bisc8
Só tenho uma dúvida, o Paços conseguiria competir a nível de ordenado com um clube que está nas pré eliminatórias da Champions?
Manel Ferreira
Eish, tanto disparate! Como é possível, meu São Timofte?
Mas alguma vez um clube como o Paços paga 20 mil euros a um jogador, seja ele português ou estrangeiro? E quem diz Paços diz dois terços da Liga. E um ex-júnior alguma vez ganha 1000 euros, isto quando existe um salário mínimo na 1ª Liga, que creio ser à volta de 2500? Essa ideia ridícula de que os jogadores estrangeiros ganham balúrdios enquanto os portugueses aceitam jogar por amendoins, mas alguém acredita mesmo nisso?
Ainda por cima falas do Pedrinho como se fosse algum pobre rejeitado, quando na verdade foi titularíssimo do Paços nos últimos 4 anos. Se há jogador que não se pode queixar de falta de oportunidades é este. E tê-las-ia em metade dos clubes da Primeira Liga. Só que preferiu ir ganhar mais lá para fora, como fazem muitos, mesmo os que têm oportunidades.
Acontece por vezes clubes de campeonatos ultra-periféricos fazerem grandes investimentos, para a sua realidade (lembro o Sheriff ou o Qarabag, já para não falar do Ludogorets, o Chelsea búlgaro) para poderem chegar a fases de grupos, seja da LC ou da LE. Parece ser o que aconteceu aqui.
Uma coisa é defenderes o jogador português, outra coisa é seres mesmo incrivelmente desonesto. É que só pode ser desonestidade, já que não me parece que acreditas nos disparates que dizes.
A sério, tu fazes-me lembrar o sketch do Gato Fedorento: “Gente que defende boas causas por motivos completamente parvos”. É que só podes fazer de propósito.
VieiraT
Provavelmente o Riga FC ofereceu um vencimento incomportável para o Paços.
Penso que não temos bem noção da pobreza que é a nossa liga.
Kacal
Não me parece que se deva ao futebol da Letónia, mas sim ao facto de ir ganhar mais dinheiro que cá e saber que dificilmente atingirá outro patamar e assim vai disputar a Champions. Mesmo que seja só as pré-eliminatórias e não deverá avançar, pelo menos sentirá essa atmosfera.
Dca
Percebo o negrito, mas é como o VieiraT disse, o Riga deve ter bem mais dinheiro que o Paços.
Se Braga ou Riga tivessem a competir por Pedrinho e ganhasse o Riga, percebia, até eu ficava indignado, assim, acho normal.
AndrePires
Vai lutar por títulos em vez de lutar pela manutenção, vai jogar nas competições europeias e de certeza que também vai ganhar mais…
Bisc8
Força capitão. Serás sempre bem vindo ao Paços de Ferreira. Na ótica do jogador, deve receber um ordenado muito maior aquele que poderia ter no Paços de Ferreira. Saiu pela porta grande ajudando o clube a manter-se na primeira liga.
T. Pinto13
O vencimento será diferente e apesar de tudo o Riga luta por títulos, na perspectiva do jogador isso será importante.
Manel Ferreira
Não concordo muito com o negrito, até porque não sabemos quais os contornos do contrato, o que é que o Riga lhe pode oeferecer, etc. Se lhe ofereceram um grande contrato, o que é que o Paços pode fazer?
Isto também acaba por ser um pouco “preso por ter cão e preso por não ter”, criticamos os clubes por viverem acima das suas possibilidades, mas depois também os criticamos por não igualarem grandes contratos. Em que ficamos?
De resto, não me parece nada que seja comum (e portanto tema de grande reflexão) um jogador que faz mais de 120 jogos em 4 épocas ir para um clube da… Letónia. Já nem sequer para Chipres ou Roménias estas “estrelas” dos clubes pequenos vão com frequência (como acontecia na década dos 00), quanto mais para a Letónia. Deve ter sido mesmo uma grande oferta, parece-me a explicação mais natural.
Kacal
Luta por títulos na Letónia, não é o titulo português mas é o experimentar de estar a competir pelo titulo em vez de a lutar pela manutenção. Deve ir ganhar mais dinheiro com certeza e vai disputar a Champions (dá para sentir essa atmosfera.
Knox_oTal
A questão de fundo é como um clube de uma Liga top-6 na Europa não consegue competir minimamente com um clube como o Riga FC (a Letónia está em 37º no ranking), mesmo este sendo o actual campeão letão!!! E quem diz Letónia, diz Roménia, Chipre, Bulgária ou Grécia – todos abaixo do 15º posto no ranking! E nem é preciso ir buscar clubes candidatos ao título nesses campeonatos como exemplo, tal como o Paços está longe de ser excepção na nossa liga nesse aspecto (é a norma!).
Esta tendência recorrente, dos melhores jogadores das equipas fora do top-4 saírem para ligas periféricas e clubes sem grande expressão (se bem que já não se nota tanto isso no Rio Ave ou Vitória SC, e, para já, no Famalicão), só é sintoma da incapacidade da Liga e dos dirigentes dos clubes em promoverem e encontrarem formas de valorizar e gerar maiores dividendos na Liga. E a história do mercado pequeno não pode ser desculpa para tudo, pois desconfio que a Liga letã ou cipriota desperte maior interesse no mercado internacional que a nossa (além de serem países bem mais pequenos).
O nosso futebol está refém dos caprichos dos supostos 3 grandes e o seu futuro está constantemente condicionado por estes… aliás foi visível pela ausência de vontade em negociar a centralização dos direitos televisivos! E sendo do Benfica estou à vontade para dizer isto, e até junto a política de eucalipto de FCP e Benfica!
Resumindo, e obviamente nem tudo estará mal (e ainda bem!), é impressionante como um campeonato com tradição e conhecido exportador de talento não consegue uma maior valorização, sendo o resultado prático desta uma maior saúde financeira da maioria dos seus clubes. Causas: promiscuidade, incapacidade e comodismo das entidades responsáveis (a começar pela Liga de Clubes), dirigentes incompetentes (sendo simpático!) e que têm levado à ruína muitos clubes, falta de cultura desportiva (a começar nos adeptos) e uma condescendência e até aceitação/exigência de “males” que na mente de muitos são necessários para se ter sucesso (p.ex. clima de suspeição/pressão permanente, corrupção e uma conduta ética mais “maleável”).
E a tudo isto, e além da busca de melhores condições financeiras, também podemos juntar às motivações deste tipo de jogadores o facto de não se sentirem valorizados ou reconhecidos no seu próprio país! Aliás é um sentimento muita vezes exprimido… contrariamente a outros campeonatos (e alguns bem melhores que os nossos) o jogador local aqui não é, no panorama global, promovido ou valorizado, bem pelo contrário!!!
Enfim, é o futebol que temos e que, em parte, merecemos!
Saudações Desportivas
Manel Ferreira
Eu nem vou contestar nada do que tu escreveste, disseste coisas interessantes e pertinentes. Só vou dizer que, apesar de tudo, não é nada comum um jogador que foi titularíssimo num clube pequeno/médio ir para a Letónia, portanto não me parece que possamos fazer disto uma regra do género “vejam como está tudo horrível que até um jogador vai para a Letónia!”, como se fosse algo que acontecesse todas as semanas. Parece-me óbvio que isto é um caso muito especial.
E, como disse antes, já nem é assim tão comum jogadores titularíssimos de clubes pequenos irem até mesmo para Chipres ou Roménias.Isso já aconteceu muito mais do que hoje. Atualmente, muitos dos craques das equipas pequenas até têm ido para divisões secundárias de França, Espanha, Inglaterra, (ou mesmo clubes pequenos/médios franceses e espanhóis) mais do que para países periféricos.
E a questão da falta de valorização também não é aplicável aqui já que estamos a falar de um jogador que fez sempre mais de 30 ogos nas últimas 4 épocas. Acho que este não se pode queixar de falta de valorização ou de oportunidades.
Este parece ser um de muitos casos em que a coisa PARECE pior do que realmente é.
Knox_oTal
Concordo que pode não ser o “melhor” exemplo e que a tendência tem vindo a diminuir, sobretudo nos clubes da primeira metade da tabela. Porém não deixa de ser uma tendência ainda bem presente, os países destinatários é que vão mudando consoante o momento (e não esquecer que as equipas b dos Grandes é que vieram atenuar/alterar um pouco a tendência/destino das saídas).
A questão da não valorização, no caso do Pedrinho podemos dizer que nunca teve uma oportunidade sequer em clubes de uma dimensão e estatuto superior ao Paços na Liga… e isso também é factual! E não é caso único a ter os caminhos “tapados”…
Obviamente que nem tudo está mal, mas com essa atitude do “parece pior do que realmente é” ou “há pior”(nada contra ti, aliás penso que a maioria dos adeptos em Portugal pensa assim) dificilmente as coisas vão melhorar e a tão precisa reflexão e reformulação estrutural dos nossos campeonatos profissionais vai-se fazer (e, não, eu não sou a favor da redução para 10 ou 12 clubes com não sei quantas voltas… é complicar ainda mais. Já reduzir para 16 com 2+1, com linguilha, a descer…). Em Portugal, essa atitude que numa primeira instância até pode parecer equilibrada e sensata redunda numa só coisa: comodismo e manutenção do status quo! Com ciclos perpétuos e viciosos das mesmas situações e erros por parte dos vários clubes envolvidos…
Saudações Desportivas
Kacal
Chipres e Roménias não, verdade que já não é tão frequente mas Polónia e Israel até são, por exemplo.
Luís Rocha, André Martins e Salvador Agra no Légia (campeão na Polónia esta época). Pedro Tiba no Lech Poznan (2º classificado). Tiago Alves no Piast Gliwice (3º classificado). Zé Gomes e Flavio Paixão no Lechia Gdansk (4º classificado). Tomás Podstawski (5º classificado).
Na Israel temos Jair Amador e André Geraldes no Maccabi Tel-Aviv (campeão israelita esta época). Diogo Verdasca no Beitar Jerusalem (3º classificado). Miguel Vítor, David Simão e Josué no Hapoel Beer Sheva (4º classificado).
E nem falei na Grécia e Turquia porque são campeonatos acima já. Mas Polónia e Israel não deixam de ser campeonatos periféricos.
coach407
A questão que deves fazer é como é que clubes portugueses não conseguem segurar os seus jogadores para campeonatos periféricos e, MESMO ASSIM, somos o 6° melhor campeonato da Europa.
Como é que um clube como o Benfica é eliminado da Championspor duas equipas cujo orçamento é 500% do orçamento do Benfica e nós achamos que é uma vergonha.
Somos este campeonato sem capacidade financeira, mas metemos 4 equipas nas fases a eliminar das competições europeias… e ainda achamos que foi uma campanha europeia vergonhosa!
Que é que Portugal fica a dever a qualquer campeonato europeu fora das Big Five? Nada. Somos o n° 1. A menos que aches que é possível Portugal estar ao nível da Premier League, Ligue 1, Serie A, La Liga ou Bundesliga que parece um bocado ridículo.
Knox_oTal
Decerto que a leitura foi precipitada e a resposta baseada no teu instinto em ser do contra apenas porque sim.
O que penso ser implícito no que comentei em cima, é que a falta de capacidade financeira da esmagadora maioria dos clubes da nossa Liga deve-se à diferença abismal na distribuição dos dividendos gerados (dai ter falado nos direitos televisivos) entre os do costume e os restantes ! Porque em Portugal o futebol é estruturado e pensado para servir 3 clubes apenas e não um campeonato como um todo ! Que dirigentes de clubes façam o que eles achem melhor para os seus interesses (do clube ou até pessoais) ainda consigo perceber (sem concordar muitas vezes), agora a Liga de Clubes fazer o mesmo a pensar quase exclusivamente nos interesses de 3 clubes é que me parece muito palerma !
Para ti, portanto, o potencial de crescimento do nosso futebol esta a ser bem fomentado e promovido ?!?
Quanto ao ranking de Portugal, vale o que vale, mas de certeza que não reflecte o nível actual da nossa Liga ! Ainda assim também podemos ir por ai e desconstruir este ranking ! Este ranking e a sua « conquista »/manutenção foram obtidos (de grosso modo) pelos resultados na Europa, numa primeira fase no inicio do séc. XXI, de um clube (FCP) com a colaboração alternada de um segundo (Sporting em 2005 vs as campanhas do Boavistão), e depois, numa fase de consolidação, os resultados obtidos por 2 clubes (Benfica e FCP) mais 1 a espaços (Braga vs Sporting, este de forma muito esporádica) no período entre 2010 e 2015. Pois bem, em 2020 e com os êxitos do passado a ficarem mais longe e com a ultima amostra na Europa que tivemos, vamos ver qual será a nossa posição daqui a 5 anos se nada mudar!!!
O que fica a dever a outros campeonatos fora das Big 5 ? Mas tu seguiste o ultimo campeonato !?! Até dou de barato que não seja evidente para muitos que o nível da Liga tenha baixado de forma gradual desde 2015/2016 (até porque a novela de JJ no Sporting deu para entreter e iludir muita gente), porém foi por demais evidente a falta de qualidade individual e colectiva geral no campeonato de 19/20 (a começar nos 3 Grandes). E isso foi recalcado com os resultados e performance na Europa, excepção feita à caminhada do Braga e um jogo ou outro mais interessante do Vitoria (que na pratica valeram de pouco ou nada em termos pontuais).
Mais, mas tu achas que se uma equipa do meio da tabela da liga holandesa, belga ou até grega jogassem 10 jogos com outra equipa de meio da tabela da nossa liga não ganhavam a maioria desses jogos ?!? Mesmo entre os grandes clubes desses países e os nossos grandes a coisa cada vez esta mais equilibrada ! E podia dar mais exemplos…
Quanto à possibilidade da Liga Portuguesa estar ao nível das big-5, nunca disse ou insinuei algo sequer parecido , logo nem vou perder muito tempo com essa afirmação sem sentido.
Conclusão : os teus argumentos são precipitados, de conveniência e incongruentes !
Bom Domingo!
Chico
A verdade é que no Chipre e na Roménia, não é garantido que o salário caia na conta. Conheci jogadores de segunda liga que tiveram propostas de ir para esses países, mas acabaram por não ir por relatos de companheiros que foram, jogaram e acabaram por voltar de mãos a abanar.
Knox_oTal
Infelizmente é bem verdade que alguns casos acabam assim, porém também não deixa de ser verdade que essa garantia de salários também não é muito fiável nalguns clubes em Portugal!
Saudações Desportivas
coach407
Nenhum bom jogador português dura em equipas que lutam pela manutenção muito tempo se importar-se minimamente com questões financeiras. Qualquer empresário mete-os a ganhar o dobro noutro sítio qualquer facilmente.
O Pedrinho já tem 27 anos, acabou de chegar à I Liga e tem de pensar na sua vida. O objetivo dele no futebol não pode ser tornar-se o novo Rui Costa. Tem de ser realista e pensar no seu futuro.
Joga_Bonito
Não se concordo muito com isto, creio que no caso dele a proposta será irrecusável. Não é nenhuma estrela e nunca o será, já com 27 anos não vai dar nenhum jogador de top, tem de pensar na família. Creio que isto fará sentido equacionar em outros casos, nomeadamente quando saem para ligas onde nem ganham tanto assim mais e mesmo assim preferem assinar. Há uns anos um jogador português que foi bom (Ricardo Fernandes, que até creio passou pelo Porto e Sporting) afirmou que estava feliz no Chipre e que mesmo que em Portugal lhe pagassem muito mais não sairia, porque ali era feliz, jogava, era reconhecido e recebia a tempo e horas. Em Portugal ainda há muito caciquismo, os jogadores sofrem ameaças quando querem reinvindicar os seus direitos e em muitos casos nem recebem metade do que tinham contratualizado. Basta que numa liga qualquer recebam a tempo e horas, jogam e sejam felizes para isso ser melhor que jogar em Portugal e isso sim é que é preocupante.
Zpteixeira
No Paços nunca ia ficar, é jogar para muito, muito mais. Aliás, saíndo o Fransérgio no Braga ou o JCT no Vitória era uma grande opção. Problema é que me parece que nesta fase deve estar bem mais interessado em ganhar dinheiro. Na minha opinião caberia perfeitamente num clube maior, e a ganhar mais do que o Riga lhe vai pagar.
FRE FRE
Conhecem a “história” da chegada do pedrinho ao paços?
O individuo em questão SÓ vê dinheiro a frente.
Lesou o clube formador de forma grave!
Merece o campeonato periférico para onde vai.
Se na Lapónia lhe oferecerem mais 1€ assina pelo ESKIMÓ United!