O futebol francês é um caso interessante no contexto das grandes ligas europeias devido ao equilíbrio e imprevisibilidade que cada época oferece. Apesar de ter jogadores de classe mundial e títulos a nível de selecções, o futebol francês não tem tido equipas capazes de deixar marca a nível internacional.
O Olympique de Marselha, fundado em 1899 é um dos históricos do futebol francês e uma das equipas mais laureadas em território gaulês. Reunindo uma longa falange de apoiantes e simpatizantes, a melhor fase do clube deu-se nos anos 90, onde conseguiram conquistar um “tetra”-campeonato, dominando internamente e celebrando a conquista de uma Liga dos Campeões. Contudo, estes foram também os anos mais negros da histórica do clube, depois de se ver envolvido em casos de corrupção desportiva ditando que o seu destino fosse os escalões secundários franceses e o retirar de alguns títulos obtidos. A travessia no deserto foi longa, tal como a angústia e ausência de títulos num clube histórico e que tinha dominado o futebol francês durante anos, conseguindo elevar o nome de França até ao topo do futebol internacional.
O “renascimento” do conjunto do sul de França surgiu na passada temporada sob o comando técnico de um dos históricos do clube: Didier Deschamps. O treinador francês que levou o Mónaco a uma final europeia e que re-colocou a Juventus na Serie A aceitou o desafio de trazer títulos e glória ao Velodrome e consegui-o. Na temporada passada, com Mandanda, Heinze, Lucho ou Niang, a equipa francesa voltou a celebrar a conquista da Ligue 1 dezoito anos depois da última conquista.
Na luta pelo título e com um bom desempenho na edição da “Champions”, Deschamps e os seus comandados prometem recuperar os anos perdidos e voltar às conquistas a nível interno.
Depois de “anos negros”, terá o O.Marselha encontrado o rumo certo? Conseguirá o conjunto marselhês retomar a hegemonia que ostentou outrora no futebol francês?
A.Mesquita

