Chegou ao fim o Mundial sub-17, realizado na Indonésia, com a vitória da Alemanha perante a França, através do desempate de grandes penalidades (tal e qual como na final do Europeu do mesmo escalão, meses antes). É a primeira vez na História que os germânicos vencem a competição.
Como habitual, o Visão de Mercado destaca alguns dos melhores jogadores do certame.
Paris Brunner – considerado, inevitavelmente, o MVP do torneio e, meses antes, levou o prémio de melhor jogador do Europeu do mesmo escalão. O jovem do Dortmund (destaque na Youth League), partindo sempre da esquerda, foi o principal desequilibrador dos alemães. Potência física, velocidade e descaramento no 1×1 são algumas das suas principais armas. Transporta a equipa rapidamente para as zonas de decisão e tem uma energia inesgotável (também abnegado defensivamente). Ainda peca na definição, mas é com naturalidade que evoluirá a esse nível.
Noah Darvich – o Barcelona investiu 2,5M€ na sua contratação ao Freiburg e é hoje uma das figuras culés, na Youth League. Canhoto, foi o maior criativo da seleção alemã e, talvez, do torneio. Um médio ofensivo elegante e que traz memórias dos “antigos” números 10. Joga sempre de cabeça levantada e com um primeiro toque de classe, elevando o nível técnico de uma geração germânica bastante física. Tem potencial para aparecer, mais tarde ou mais cedo, na equipa principal do Barcelona.
Saimon Bouabré – apesar de não ter feito exibições de encher o olho, é o jogador francês mais espetacular. Um criativo “selvagem” quando pega na bola e encara os adversários. Dotado de uma técnica e agilidade pouco comuns para um médio (também pode descair na esquerda), faz balançar adversários com relativa facilidade (toques orientados e dribles espontâneos). Um puro fantasista a despontar no Mónaco.
Claudio Echeverri – a jovem estrela do River Plate vinha para este Mundial com grande cotação, mas nem fez uma fase de grupos destacada. No entanto, apareceu em grande com o hat-trick frente ao Brasil, nos quartos de final, e demonstrou todo o seu talento para receber nas costas dos médios adversários, rodar sobre si e desequilibrar em condução e drible curto. Desliza em campo e é diferenciado no toque de bola.
Ian Subiabre – o baixinho canhoto, também do River, foi de menos a mais. Portador de um controlo de bola em velocidade que salta à vista, foi dos maiores desequilibradores da competição. Recursos espetaculares na forma como tira oponentes da sua frente e define com requinte, tendo atuado mais pela esquerda do ataque.
Estêvão – num Brasil mais físico que técnico, a jovem coqueluche da formação do Palmeiras (que nem começou a titular), mostrou porque já era tão falado a nível nacional. Canhoto irreverente pela direita, criou e assistiu com mestria. Tem capacidade para inventar jogadas e levantar bancadas com a sua técnica individual.
Marc Guiu – já se tinha estreado com Xavi (e a marcar), portanto até dispensava apresentações. Combina técnica com físico e há muito que é apontado como o próximo número 9 de elite, em Espanha. Acrescenta em apoio e dentro de área. É demasiado bom e demasiado completo para não ter uma ascensão meteórica.
Daniel Yañez – o baixinho elétrico do Real Madrid foi uma surpresa agradável. Pela direita de pé trocado, acelerou e desequilibrou defesas com muita frequência. Velocidade e energia de encher o olho, sempre de bola colada ao seu pé esquerdo. Imprevisível e confiante para assumir jogadas de 1×1.
O alemão Charles Herrmann (extremo canhoto irreverente do Dortmund), os franceses Bastien Meupiyou (central canhoto), Ismael Bouneb (médio muito técnico) e Tidiam Gomis (extremo com bastantes argumentos no 1×1), os argentinos Agustin Ruberto (goleador com vários recursos) e Santiago López (extremo agitador no drible), os brasileiros Rayan Vitor (ala esquerdo de grande dimensão física) e Kauã Nogueira (avançado com qualidade técnica e amplitude), os espanhóis Pau Cubarsí (central super confortável a construir) e Pablo López (canhoto repentista) foram outros dos destaques da competição.
Hugo Moura


5 Comentários
VaideMota
Eu percebo pouco disto mas lembro-me de não há muito tempo andarem todos a explicar o funeral do futebol alemão e afinal sub-17 é só craques. Diria que afinal não há problema nenhum.
Amadeu Carrelo
Sinceramente não achei uma equipa de encher o olho. O que fica para a história é que limparam tudo no escalão mas eu diria que a grande vantagem desta equipa é a capacidade física. Têm uma estatura e um andamento que faz muita diferença neste escalão. O futebol não é nada de especial e o único jogador verdadeiramente diferenciado, para mim, é o Darvich. Não deixando de haver outros bons jogadores claro.
TIveram um pouco a felicidade do jogo no confronto com a Argentina e depois nos penaltys, podendo ser uma lotaria, há mérito também do gr alemão (forte dentro dos postes). Mas sem dúvida que a equipa que mais gozo me deu de ver jogar foi a Argentina, a par da Espanha
Antonio Clismo
Eric Moreira da Silva fez um Mundial tremendo pela Alemanha e tem passaporte português. Just sayin
Amadeu Carrelo
E pela Guiné-Bissau, já agora
Amadeu Carrelo
Da mesma maneira que o Raphael Guerreiro tem passaporte francês e optou por jogar por Portugal, por exemplo. As federações podem (e devem) sempre tentar aliciar jogadores mas há que aceitar que a decisão final é do jogador. Ter passaporte não significa ter interesse em representar outro país. Até sabemos que muitas vezes (não sempre) esta questão de ter outra nacionalidade é aproveitada quando o jogador já não consegue atingir o patamar que permita chegar à equipa A pela selecção onde jogou nas camadas jovens.