Fim de temporada é sinónimo de Europeu sub-17. Todos os anos, em maio, dezenas de jogadores começam a mostrar-se ao mundo pela primeira vez. Não sendo garantia de carreira (que o diga José Gomes, melhor marcador e jogador em 2016), é sempre uma importante amostra de talento. Jadon Sancho (2017), Odsonne Édouard (2015), Steven Bergwijn (2014) ou Max Meyer (2012) foram MVP das respetivas edições. Mais atrás, houve Mario Gotze, Bojan Krkic, Toni Kroos, Nuri Sahin, Cesc Fàbregas, Miguel Veloso ou Wayne Rooney.
Esta edição não conta com a campeã em título Alemanha, que acabou por ficar em 3.º lugar no grupo de qualificação que Portugal venceu com categoria. Também os Países Baixos e a Bélgica falham o certame.
Em relação a nós, portugueses, há motivos para partir com ambições elevadas, sobretudo pelo percurso realizado (só vitórias e excelentes exibições) e pelo destacado talento ofensivo. No entanto, o desafio será duro visto que Portugal está inserido no grupo da “morte” juntamente com a Espanha, a França e a Inglaterra. Talvez as quatro nações europeias com mais talento no futebol de formação, ao dia de hoje.
Passando aos nomes que compõem a nossa seleção, importa conhecê-los individualmente:
Diogo Ferreira (Benfica) – Será o número 1 da baliza nacional. Com idade sub-16, já tinha minutos no campeonato nacional sub-19. É um GR seguro, sereno, de boa estampa física e com argumentos a construir com o seu pé esquerdo.
Miguel Gouveia (Sporting) – GR titular dos sub-19 do Sporting, já tendo sido apontado ao Atlético Madrid. Mais ágil e com menor estampa que Diogo, mas também seguro entre os postes.
Duarte Soares (Benfica) – Lateral direito rápido e forte a conduzir. É descomplexado no último terço e resistente nos duelos, apesar da estatura baixa.
Edgar Mota (Braga) – Não é muito evoluído fisicamente para defesa lateral, mas compensa na entrega e na velocidade que coloca na ala direita.
Rui Silva (Benfica) – Central que figura nos sub-19 do Benfica. Fisicamente evoluído, alto e com capacidade para meter o primeiro passe.
Rafael Mota (Sporting) – Central da “moda”, alto e canhoto. Muito confiante com bola, coloca passes à distância com boa dose de tensão/precisão. Fará dupla de respeito com Rui Silva.
Afonso Sousa (Braga) – Partirá como 3º central, mas é figura do Braga. Completo com e sem bola, é fiável em tudo o que faz.
Martim Cunha (Porto) – Lateral esquerdo com uma batida de bola muito interessante. Cruza e passa bem, tendo argumentos para se envolver no último terço. Já com vários minutos nos sub-19 do Porto, será o dono da posição na seleção.
Eduardo Felicíssimo (Sporting) – Será o 6 titular. Esteio nos sub-19 leoninos, tem um excelente sentido posicional e é um construtor confiável, juntando elegância a movimentar-se.
David Daiber (Bayern Munique) – Nasceu na Alemanha. Apareceu nesta geração ao longo da presente época e destaca-se como médio centro de construção, raramente falhando uma ação técnica.
Afonso Meireles (Vitória SC) – Filho de Flávio Meireles, pode ser 6 ou 8. Não é tão agressivo como o pai, mas é mais fino a tocar a bola. Constrói e liga o jogo com a maior das tranquilidades.
Tiago Ferreira (Braga) – Um todo-o-terreno no miolo. Intenso e com um largo raio de ação, aparece na área para assistir ou finalizar.
João Simões (Sporting) – Outra figura dos sub-19 do Sporting e um dos capitães desta geração. Já esteve no Europeu do ano passado. Médio interior canhoto que guarda a bola, progride e solta com elevada categoria.
João Trovisco (Braga) – Médio ou extremo versátil, relaciona-se com a equipa e é refinado na decisão.
Rodrigo Mora (Porto) – Dispensa apresentações, é uma das grandes atrações do torneio. Fará o papel de 10 com a sua visão de jogo e classe a tratar a bola, nomeadamente primeiro toque e drible curto.
Geovany Quenda (Sporting) – Outro que será estrela maior, previsivelmente. Partindo da direita para desequilibrar com velocidade, finta e batida de bola utilizando a sua canhota.
Cardoso Varela (Porto) – O mais novo, sendo ainda da geração sub-16. Já tem Youth League nas pernas e é a grande revelação do futebol de formação por cá. Há 2 anos, jogava nas ruas de Angola. Um extremo super desequilibrador, potente e driblador.
Eduardo Fernandes (Benfica) – Há 1 ano, era estrela do Seixal, mas teve uma lesão complicada. Vai voltando ao seu nível, que é muito alto. Extremo relativamente alto, ágil e imprevisível nas conduções interiores.
Afonso Patrão (Braga) – Já se estreou na Youth League. Como avançado ou extremo, tem relação com a baliza e é criativo quando cai nas linhas. Figura do seu clube.
Gabriel Silva (Sporting) – Golos, muitos golos, mas não só. Baixa para tocar e liga com os colegas de primeira ou depois de entortar algum adversário. Compensa a pouca força com refinamento entrelinhas e dentro de área é temível.
11 tipo: Diogo Ferreira; Duarte Soares, Rui Silva, Rafael Mota, Martim Cunha; Eduardo Felicíssimo, João Simões, Rodrigo Mora; Geovany Quenda, Cardoso Varela e Gabriel Silva
Torna-se óbvio destacar o quarteto ofensivo composto por Mora, Quenda, Varela e Gabriel Silva (coadjuvado por João Simões) que promete ser um dos maiores destaques da nossa seleção. Brilharam em toda a qualificação e chegam com muitos minutos em patamares competitivos superiores aos da sua idade. A dupla de centrais Rui Silva-Rafael Mota já joga junta como titular há bastante tempo e é completa com e sem bola, oferecendo variabilidade a construir e capacidade física tanto a defender a área como profundidade nas costas.
No que diz respeito às outras seleções, trazemos alguns jogadores a seguir nos próximos dias. Apesar das ausências de Pau Cubarsí e Lamine Yamal (Espanha). Jonah Kusi-Asare (Suécia, custou 4,5M ao Bayern) ou Ayyoub Bouaddi (França, bastantes minutos com Paulo Fonseca), a qualidade aparecerá para regalo de todos os apaixonados por futebol de formação e restantes adeptos.
Argyris Christodoulou (Chipre) – Chegou ao Sporting na decorrente temporada e mostra argumentos para ficar mais alguns anos. É um médio relativamente alto e evoluído fisicamente, com capacidade de transporte e facilidade em tirar adversários do caminho. Será, provavelmente, o maior destaque da seleção da casa.
Oliver Hojer (Dinamarca) – Poderia ser latino, dado o seu nível de criatividade e perfil físico. Um médio interior com um tratamento de bola refinado e personalidade a tomar decisões, não sendo propriamente evoluído do ponto de vista físico.
Chido Obi (Dinamarca) – Ponta de lança de origens nigerianas que não se farta de marcar golos em catadupa pelo Arsenal. Tem 1,88 cm de altura e uma presença na área que intimida qualquer defesa, inclusive no jogo aéreo.
Franceso Camarda (Itália) – Ainda poderá jogar o Europeu sub-17 do próximo ano já que ainda é da geração 2008. Estreou-se na equipa principal do Milan e está aqui um projeto sério de avançado para os próximos anos. Combina atributos físicos com recursos a finalizar. Maturidade acima do seu nível etário.
Mattia Liberali (Milan) – Irá repetir o Europeu, já que esteve na edição do ano passado. Mais um talento do Milan, canhoto pela direita com recorte técnico e poder de decisão perto da área. A criatividade italiana vem muito do que ele fizer.
Marc Bernal (Espanha) – Esteve presente no Mundial sub-17 do ano transato. É um 6 à espanhola, com elegância e trato técnico no seu pé esquerdo. Qualidade de passe exímia, sendo um dos principais talentos do Barcelona, atualmente.
Guille Fernández (Espanha) – O seu nome começa a ecoar pelo mundo fora, mesmo sendo 1 ano mais novo que esta geração. É um super talento de La Masia, com recursos técnicos de deixar água na boca. É médio, mas pode cair na faixa dada a sua versatilidade e talento. Conduz, guarda, provoca e define com personalidade de craque.
Daniel Yañez (Real Madrid) – Outro espanhol que se destacou no Mundial sub-17. Extremo canhoto vertiginoso pela direita, é uma tortura para qualquer lateral. Em jeito de comparação, está aqui o Chico Conceição da Espanha.
Igor Oyono (Villarreal) – Mais um com experiência acumulada de Mundial, mesmo sendo da geração 2008 (sub-16, como Guille). Joga a toda a largura do ataque, possante e com argumentos a finalizar de qualquer forma no seu pé esquerdo.
Enzo Sternal (França) – Extremo agitador que tem nos duelos de 1×1 a principal arma partindo da esquerda. Na ausência de Bouaddi, o jogador do Marselha será o maior foco de desestabilização para os adversários.
Ethan Nwaneri (Inglaterra) – Tem 17 anos, mas já jogou um Europeu e um Mundial neste escalão. É um super talento do Arsenal, partindo como médio com liberdade ou extremo pela direita de pé esquerdo. Combina técnica, agilidade e definição.
Chris Rigg (Inglaterra) – Acumula dezenas de jogos no Championship e é a coqueluche do Sunderland. Médio centro canhoto com técnica para dar e vender. Guarda a bola e liga-se com os colegas naturalmente, sendo muito dinâmico e enérgico a cobrir o miolo.
Mikey Moore (Inglaterra) – Teve minutos neste final de Premier League pelo Tottenham. Extremo fisicamente evoluído e de recorte técnico da esquerda para dentro. Relação com a baliza apurada e resiste aos contactos.
Hugo Moura


4 Comentários
O Comendador
Muito curioso para ver o Quenda neste europeu.
SL
Bjorn
Rodrigo Mora tem aqui mais uma oportunidade para mostrar que pode ser o futuro do futebol português. Vamos miúdo
Antonio Clismo
Excelente estímulo para estes 20 miúdos, mas não podemos esquecer muitos outros que não foram convocados e que estão ainda em competição nos seus clubes, a trabalhar e a evoluir e quem sabe daqui a 6 meses já serão eles a serem convocados.
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O futuro do futebol português não se fecha somente nestes 20 nomes, mas sim numa pool de centenas (senão milhares) de miúdos com talento que estão a fazer o seu caminho (das mais variadas formas, nos diferentes clubes e escalões, com diferentes treinadores e estímulos… uns têm a vida mais facilitada e outros nem tanto, é assim…)
Nelson Santos
Compreendo levar o Conceição Jr. porque, mesmo sendo menos jogador do que Pote ou Trincão, é um ala diferente dos outros mas… não levar Matheus Nunes, o único médio centro realmente diferente (como Renato Sanches foi no Euro 2016) é de uma burrice extrema. E depois… Toti! Enfim