Inicia-se hoje mais um Mundial sub-17, torneio que se caracteriza por lançar promessas de vários países. A prova realiza-se no Brasil e não contará com o atual campeão do mundo do escalão, a Inglaterra, que não foi além de um 3° lugar no seu grupo do Europeu sub-17 (as 5 melhores seleções deste torneio apuram-se para o Mundial). Apesar da forte geração 2002, Portugal também não marcará presença, visto que foi eliminado pela Itália nos quartos de final do Europeu.
A respeito de seleções favoritas a vencerem o troféu, afigura-se logo à cabeça o Brasil, país do futebol, que não contará com a presença do flamenguista Reinier (o clube não permitiu) mas que terá a irreverência de Talles Magno como maior arma (tem sido o jogador jovem do momento no Brasileirão). A Holanda, atual bi-campeã europeia do escalão, parte também como grande favorita à vitória, ainda que não conte com as melhores promessas desta geração como são Mohammed Ihatteren (já brilha na liga holandesa), Ryan Gravenberch e Bryan Brobbey. Os dois primeiros já não estiveram no último Europeu sub-17 ainda que tenham sido decisivos na anterior edição (2018). Porém, nomes como Ki-Jana Hoever (já teve minutos com Klopp), Ian Maatsen, Naci Unuvar (ainda de 2003) ou Jayden Braaf prometem dar que falar com o seu talento. A França, país em grande destaque na formação recheada de jovens valores, é igualmente uma das favoritas e tem uma geração muito interessante onde se destaca a qualidade do trio do meio campo composto por Adil Aouchiche (médio do PSG tecnicamente fantástico que foi o melhor marcador do Europeu sub-17), Naouirou Ahamada (médio fantástico da Juventus) e Lucien Agoume (joga no Inter). Os extremos Isaac Lihadji (já chamado por André Villas-Boas), Arnaud Muinga, Haissem Hassan e Nathanael Mbuku também serão certamente setas apontadas aos adversários. Na defesa, os centrais (que também podem jogar na lateral) Timothée Pembele e Nianzou Kouassi afiguram-se como os mais cotados. A Espanha também quer ter uma palavra a dizer e conta com o avançado da Juventus Pablo Moreno, o criativo Robert Navarro e o extremo Pedri para voltar às conquistas no panorama das camadas jovens. A Itália é a atual vice campeã europeia sub-17 (nos últimos anos os italianos têm tido bons desempenhos nas competições jovens em todos os escalões) e, embora não conte com a principal estrela Sebastiano Esposito (já atua pela equipa A do Inter), nomes como Franco Tongya e Samuel Giovane (ainda de 2003) poderão fazer a diferença. A Argentina, que foi campeã do Sudamericano sub-17, promete chegar longe e tem em Exequiel Zeballos o jogador mais entusiasmante, bem acompanhado pelos irreverentes Matías Palacios e Franco Orozco e pelo avançado Matías Godoy. Uma seleção que poderá surpreender é os Estados Unidos que nos últimos anos tem provado que há jogadores de muita qualidade preparados para despontar na alta roda do futebol mundial (Pulisic, Sargent, Serginho Dest, Alex Mendez, Timothy Weah, McKennie ou Tyler Adams são alguns exemplos) e para esta competição conta com um dos maiores talentos da atualidade da sua geração, o craque Giovanni Reyna, que fez a pré-época pela equipa principal do Dortmund e, certamente, irá dar que falar no futuro (tem uma capacidade de desequilíbrio fenomenal).
Será também interessante ver o que as seleções africanas poderão fazer num torneio onde se costumam destacar (o poderio físico nestas idades ainda faz a diferença), incluindo Angola que pode funcionar como outsider (há bastante talento na ex-colónia portuguesa, com Zito Luvumbo a ser o principal nome). Curiosidade ainda para ver o que faz o reforço húngaro do Benfica Rajmund Molnár, o avançado juvenil Tristan Hammond da formação do Sporting que jogará pela Austrália e o Canadá que nos últimos anos tenta seguir as pisadas dos EUA (não é por acaso que já tem duas das maiores promessas mundiais, Alphonso Davies e Jonathan David) e terá em Jayden Nelson a sua maior figura. Seleções como México, Equador, Japão, República da Coreia, Paraguai e Chile deverão correr por fora mas serão sempre equipas a ter em conta pelos grandes favoritos.
VM Scouting: Hugo Moura


6 Comentários
Marcio Ricardo
Se falasse em Portugal, quem seriam os craques a serem mencionados ?
Rodrigo Ferreira
2002: Fábio Silva, Bruno Tavares, Eduardo Quaresma, Paulo Bernardo
2003: Joelson Fernandes, Ronaldo Camará
Marcio Ricardo
Obrigado.
Só não sei quem são o Bruno e o Eduardo.
Rodrigo Ferreira
Talles Magno é um grande craque e deve guiar o Brasil na ausência de Reinier. Hoever, Adil Aouchiche e Matías Palacios também são bastante interessantes. Diga-se que a maioria dos melhores deste escalão (Reinier, Esposito, Gravenberch, Doku, Ansu Fati, Camavinga, Ihattaren ou Fábio Silva) não estarão presentes.
Muska
Tenho as expectativas muito altas em relação a Ünüvar. À partida diria que é o principal cabeça de cartaz do torneio. Craque da cabeça aos pés.
O Adil Aouchiche também está acima da concorrência neste escalão. Tem uma capacidade técnica fabulosa e uma grande capacidade de chegada á área (faz lembrar Dele Alli, até pelos terrenos que ocupam), embora tenha muito que evoluir antes de chegar aos seniores.
Dos argentinos não tenho opinião formada mas estão muito bem referenciados. Já o brasileiro Talles Magno tem um drible e aceleração fantástico, mas sinceramente não me enche as medidas. Peca no toque de bola e a técnica tanto de remate como de passe é deficiente.
PedroLareira
Curioso para ver o meio campo espanhol formado por Moriba, Pedri e Navarro.