No defeso do futebol português, os clubes não estão apenas preocupados em quem deverão apostar para melhorar os seus plantéis. A questão dos dispensados (pode significar venda, empréstimo, rescisão de contrato ou tentativa de introduzir o jogador numa possível aquisição), que surge após uma má política de mercado, por norma assente numa falta de rigor e jogos de empresários que impingem jogadores sem qualidade, é igualmente um dos principais focos de atenção dos principais emblemas, nomeadamente os “grandes”.
Porto, Benfica e Sporting têm entre mãos vários jogadores que, sabendo que não fazem parte das contas dos treinadores, não encontraram ainda colocação. Nos dragões, Tomás Costa, Prediger e Orlando Sá, que custaram quase 10 milhões de euros aos azuis e brancos, já se percebeu que não apresentam qualidade para fazer parte do plantel, estando destinados a serem sucessivamente emprestados. Nos encarnados, a questão prende-se principalmente com o excesso de estrangeiros no plantel (apenas para as provas da UEFA): se o lateral-esquerdo a contratar for de nacionalidade não portuguesa, apenas haverá vaga para 3 jogadores de entre os seguintes – Roberto, Júlio César, Wass, Carole, Shaffer, Urreta, Fernández, Mora, Rodrigo e Kardec. Nos últimos dias, surgiu também a notícia de que Yebda regressará à Luz, depois de ter estado emprestado ao Nápoles, o que virá alargar a lista de elementos com o futuro ainda indefinido. Apesar de Jorge Jesus ter ao seu dispor um dos melhores plantéis que o Benfica já teve, esta situação poderá comprometer seriamente o resto da temporada. Por último, no Sporting, a nova direcção está a remodelar por completo o clube, depois das 2 piores épocas da história, nomeadamente rescindindo com jogadores como Maniche e Pedro Mendes (Caneira deverá ser o próximo), que já pouco acrescentavam. Os casos de Saleiro, Vukcevic, Pedro Silva, Purovic ou Grimi estão ainda por resolver, prejudicando a abordagem ao mercado por parte dos verde e brancos.
Por um lado, a maneira como os jogadores nos dias de hoje dificultam a vida aos clubes, não facilitando a saída mesmo tendo mercado, apenas porque não se importam de se sujeitar a não calçar, é um grande problema. No entanto, apesar de ser impossível ser 100% certeiro em termos de aquisições, existe cada vez mais uma maior necessidade de contratar com precisão, para não correr o risco de condicionar os próximos defeso devido à carga salarial insustentável que apresentam. Não teria sido preferível que o Porto tivesse investido os quase 10 milhões num jogador de top? Não teria sido preferível que o Benfica apostasse em alguns jovens da sua formação, em detrimento de sul-americanos sem qualidade? Não teria sido preferível ao Sporting aproveitar os exorbitantes salários que pagou a Mendes, Maniche e Caneira e ter adquirido 2 jogadores de top? Ainda para mais sabendo que a estratégia dos clubes portugueses deverá passar por valorizar e vender.
O que fazer a estes dispensados? Como evitar que no futuro aconteçam estas situações? E até que ponto este caso dos excedentários (e as indemnizações que por exemplo o Sporting pagou a Maniche e Mendes) não teria permitido contratar alguém acima da média?


