Todos os adeptos de futebol reconhecem a posição de Guarda-Redes como a mais ingrata do desporto. Encontram-se familiarizados com a lenga-lenga do costume: se um avançado falhar vários golos cantados, mas marcar um, mesmo que não seja o golo da vitória, a bola no fundo das redes é rapidamente elogiada ao passo que os falhanços caem no esquecimento; se um guardião passar os noventa minutos da partida a defender “tudo e mais alguma coisa”, mas sofrer um único golo onde falha de alguma maneira, mesmo que com culpas partilhadas, leva com críticas avassaladoras em cima e o resto da equipa é ignorado.
Estatísticas valem o que valem…
Muito se falou de dados estatísticos sobre a eficácia defensiva de Adán e, posteriormente, de Israel na baliza do Sporting. A facilidade com que a equipa de Rúben Amorim sofre golos esta época foi atribuída, naturalmente, ao elemento comum neste tipo de críticas, ignorando problemas coletivos gritantes como a falta de concentração e marcação nas bolas paradas – nesta jornada foi o 14° (!) golo sofrido desta maneira – e exagerando golos que, apesar de não serem indefensáveis nem perto disso, também não mereciam qualquer tipo de alarido. A verdade é que fazem-se as contas e os dois guarda-redes leoninos contribuíram tanto para o atual primeiro lugar como os seus colegas, principalmente em jogos decisivos. Contra Porto e Benfica na I volta, Adán esteve irrepreensível com excelentes defesas em momentos cruciais da partida, apesar de não ter conseguido evitar a tal derrota nos descontos na Luz. Já Israel, mesmo estando mais inseguro do que tem sido habitual com a reposição de bola – não tem a experiência de temporização do seu colega – tem uma defesa brilhante aos 89’ a remate potente de Di Maria, evitando um potencial 1-2 inalterável. A parte irónica chega do lado dos rivais, sendo que tanto Diogo Costa como Trubin comprometeram nestes encontros ao sofrerem golos pelo seu lado ou ficando mal na fotografia em cruzamentos, até mesmo em jogos entre eles. Dá que pensar sobre quem, afinal, é que é mais prejudicado ou beneficiado pelos seus ‘homens da baliza’.
‘Velhos’ são os trapos…
Perdoem-me o mau uso do provérbio, pois apesar do apelido, Ricardo Velho só tem 25 anos. E que 25 anos tão talentosos e absurdamente consistentes! Já conhecem a minha admiração pelo guarda-redes e pela sua técnica acima da média, mas a consistência exibicional para o número de defesas complicadas que é obrigado a fazer – tanta vez na ordem da meia dúzia ou mais – é ridícula e admito já que, se Benfica não for campeão, Velho tem todas as condições para ser nomeado o GR da Liga Portugal Betclic 23/24. Já na última jornada foi uma panóplia de paradas fantásticas e, agora contra o Boavista, repetiu a exibição com intervenções notáveis aos 66’, 74’, 80’ e 89’. Será possível que o nível não desce?!
De volta ao seu nível do passado?
Arruabarrena (Arouca) tem tido uma época extremamente inconsistente, mas ficou demonstrado em artigos passados que parece ser daqueles guarda-redes cuja forma depende do estado da equipa. Quando o Arouca se encontrava em dificuldades para vencer partidas, o guardião uruguaio prejudicava ainda mais os seus colegas, mas quando a equipa se encontra numa boa onda de resultados e exibições, Arruabarrena também eleva o seu nível para corresponder ao resto do plantel. A vitória em Braga por três bolas a zero deve-se tanto à eficácia ofensiva como defensiva, principalmente através de boas defesas aos 36’, 58’, 60’ e 72’. A confiança voltou?
Defesas Neuer da Jornada:
– Franco Israel (Sporting): estirada incrível e decisiva aos 80’ que ainda leva a bola a desviar na trave.
– Ricardo Velho (Farense): a defesa complicadíssima aos 89’ leva o prémio de parada do encontro.
– Arruabarrena (Arouca): a intervenção fantástica aos 60’ terá sido crucial para o resultado final.
Falhas Kralj da Jornada:
– Rodrigo Moura (Chaves): com um Hugo Souza em forma castigado, o guardião brasileiro andou perdido em saídas deficientes e sem comunicação aos 71’, culminando num golo bem caricato.
– Luiz Junior (Famalicão): intervenção infeliz aos 79’ numa abordagem estranha que deixa a bola passar por debaixo das pernas.
– Matheus (Braga): saída precipitada aos 33’ deixa a baliza escancarada para golo fácil.
Visão do Leitor: AdeptoImparcial


32 Comentários
FVRicardo
O futuro da baliza do Sporting é Callai, no entanto ainda precisa de um empréstimo na I Liga para evoluir. Acho para assegurar essa transição a dupla Israel e Ricardo Velho daria conta do recado por 1/2 épocas
Jeco Baleiro
Acho muito arriscada essa previsão. Eu sei que ele é muito novo, mas nos GR’s nota-se muito a transição da formação para o futebol profissional. O Callai esteve muito bem nos sub-19 mas na B já esteve aquém e esta passagem pelo Feirense foi repleta de erros. Vamos ver se lhe deram tarimba.
*
Quanto ao Velho, excelente época no Farense (pelo que leio do Adepto Imparcial e do pouco que vi), pá mas o Sporting é um nível muito acima. Não estará tanto em acção, tem de intervir muito menos e ser quase sempre certeiro. No Farense tem sobressaído por ter que intervir muitas vezes, quase sempre bem é certo. Mas o salto seria demasiado grande, mesmo que fosse para número 2.
*
Claramente precisamos de um keeper com tarimba no Verão. Até para o Israel mostrar o que vale com concorrência de peso, após esta fase de titularidade. Não faz sentido o Adan ficar não sendo o titular. Tem-se falado bastante do Nubel.
FVRicardo
Quanto ao velho: é mesmo um salto grande e a ideia seria começar como suplente e aos poucos tentar lutar pelo lugar. Qualidade ele tem, não é daqueles que tão depressa faz uma grande defesa como dá um frango…
AdeptoImparcial
Estou como o Veridis. Não tenho grande admiração pelo Nubel e a memória que tenho não é propriamente positiva. Mas veremos o que acontece no mercado. Se Amorim ficar, duvido muito que ele vá ao mercado por um GR, a não ser que Adán se retire no fim desta época ou fique no plantel apenas com uma função de manter a voz de capitão tipo Neto.
Jeco Baleiro
Acho que não faz sentido. É um dos salários mais altos do plantel e tem demasiado estatuto para ser suplente. Não me parece que aceitasse esse papel.
Deveremos mesmo ir ao mercado por um GR. Até porque parece óbvio nesta fase que o Amorim vai sair.
AdeptoImparcial
Teremos que esperar para ver também o que vem da lesão. Supostamente ele já deveria estar recuperado, logo poderá estar a ter aquele final de carreira que ninguém deseja de ser obrigado a terminar mais cedo do que queria. Se assim for, espero que sejamos campeões antes da última jornada e que o Adán possa entrar nem que seja 1min no último jogo só para o aplauso final.
FVRicardo
Acho Nubel irrealista, o salário dele é uma barbaridade e o Sporting já não recebe empréstimos.
O sonho seria Ortega, Lunin ou Kelleher. Casteels ou Muso também seriam ótimos. No entanto não sei se há capacidade para dar 10/15M por um redes mais salário alto
Jeco Baleiro
O Kelleher nesta altura parece-me impossível. Tem estado bem e, não ficando em Anfield, deve ter muito mercado em boas equipas da Premier. O Lunin na mesma senda no Real Madrid. Parecem-me alvos muito difíceis.
Veridis Quo
Não tenho acompanhado tanto o Estugarda, mas a prestação do Nubel no Monaco foi aterradora. Erros atrás de erros, muitos deles gritantes e muito pouca segurança. Tanto é que acaba por dar um passo atrás para uma equipa que ultimamente tem lutado para não descer de divisão na Bundesliga. Este ano estão a fazer o oposto e a ter uma época incrível, de forma surpreendente, mas não deixou de sair do Monaco para um clube que andava a escapar de cair para segunda divisão há vários anos. Não sei se subiu o nível drasticamente e atingiu outro nível de maturidade, mas o que mostrou no Monaco foi mesmo assustador para alguém que foi tido como sucessor do Neuer. É um nome sexy, mas não sei até que ponto é um GR particularmente seguro nesta fase. Lá está, falando sem ter visto grande coisa do Estugarda este ano.
Jeco Baleiro
Eu não tenho acompanhado muito também (nem no Mónaco confesso). Tem sido é um nome muito aventado, juntamente com o do GK do Burnley, salvo erro.
Antonio Clismo
Max evoluiu muito depois de ter saído do Sporting. 2 épocas tremendas na La Liga e uma época difícil na Serie A pela Lazio fizeram dele um GR muito mais completo.
.
Com apenas 25 anos, com ligação emocional ao clube, poderia ser uma boa opção para o futuro.
AdeptoImparcial
Evoluiu muito? Em quê? Duas épocas *tremendas* na La Liga? Onde fez parte das duas equipas que desceram de divisão e sofreu uma porradona de golos? Continua com um jogo de pés terrível, uma mancha tecnicamente deficiente e um controlo aéreo muito pobre. Não tem sequer físico para compensar estas falhas. Opção para o futuro só se for para descer de divisão também.
Jeco Baleiro
Um bocado difícil o Max ter evoluído alguma coisa na Lazio. Jogou 6 minutos no primeiro jogo, foi expulso e nunca mais jogou. Ele é muito muito fraco.
Veridis Quo
O Max tem estado miserável no Almeria. Ainda no último jogo teve um erro de iniciado.
Não evoluiu muito, coisa nenhuma. Continua a ser um GR de engate e de equipa pequena que vai fazendo uma ou outra defesa porque o Almeria é miserável e permite um volume gigantesco. Não tem jogo de pés, tem erros caricatos com frequência, não controla bem a profundidade. Não é GR para o Sporting e não é uma boa opção.
AdeptoImparcial
Tenho acompanhado os resumos do Feirense desde que o Callai foi para lá e ele fez jogos tão maus mas tão maus que até perdeu o lugar – voltou a jogar este último fim-de-semana pela primeira vez desde Fevereiro. Nunca consigo perceber se este tipo de comentários – atestar o futuro de um jogador da formação – vem de malta que realmente acompanha os jogadores ou se simplesmente manda aquela posta de “apostar na formação” todos os anos com todos os jogadores até cair certo.
—
Callai tem estatura e uma agilidade acima da média para o físico que tem. Mas é *horrendo* com os pés e, aepsar da sua altura, continua a pecar imenso nas saídas a cruzamentos. Tem *muito* que melhorar mesmo, mas… esperemos que possa evoluir.
Cody Madison
AdeptoImparcial,
__
Sobre o Callai, totalmente de acordo contigo. Na época passada, vi alguns jogos dele na Youth League e foi simplesmente medonho de ver. Se o futuro da baliza do Sporting passa pelo Callai, então mais vale manter o Adán e o Israel.
__
Aliás, esses comentários sobre o Callai, como o do FVRicardo, fazem lembrar quando o pessoal elogiava o Max quando apareceu na baliza leonina em 2019-2020.
__
SL ?
FVRicardo
Callai e Max não têm nada a ver…
Antonio Clismo
Callai ainda não tem nem de perto nem de longe o que é preciso para a baliza do Sporting mas tem nível mais do que suficiente para clubes da II divisão neste momento.
Mesmo na Liga 3 este ano esteve muitíssimo bem na primeira metade da época, muito melhor do que esteve na época transata, e como tal, como a sua evolução foi notória, decidiu-se colocá-lo num patamar superior à Liga 3 para continuar a sua evolução, e por isso está na II Liga. O Feirense tinha perdido o seu GR (João Costa por lesão e recebeu o Callai por empréstimo de bom grado).
.
O Callai cometeu erros na baliza do Feirense? Sim. Mas o que é certo é que a defesa do Feirense mete água por todos os lados e mesmo sem o Callai na baliza os erros continuaram a existir e nem o Oblak conseguiria fazer clean-sheets com uma defesa kamikaze destas.
.
Quando olhamos para o panorama dos GR que competem na II Liga não há muito por onde escolher… Temos o Lucas França do Nacional a fazer uma boa época (falhou em todos os clubes até agora e só agora aos 28 anos é que acordou), temos o Kiesczek com 39 anos no Leiria a fazer uma época bastante áquem, temos o Marafona (36 anos) a fazer uma boa época, temos o do Santa Clara que também tem boa escola. O Ricardo Silva do Tondela também é péssimo com os pés e está a fazer boa época no Tondela. O Trigueira no AVS também está a fazer uma boa época (36 anos).
.
Ora tirando os casos geriátricos (acima dos 35 anos) o único GR a jogar na II Liga com mais qualidade ACTUAL do que o Callai é o Gabriel Batista do Santa Clara e talvez o Grill do Académico de Viseu. (sem contar com os das equipas B, obviamente).
.
Existem 18 clubes na II Liga portuguesa o que significa que devem haver entre 55 e 60 Guarda-Redes a competir nesta divisão e desses apenas 20 ou 30 têm tempo de jogo que os permita evoluir ainda mais rápido. Se partirmos do princípio que só os estrangeiros ou os veteranos devem jogar porque cometem menos erros (quando os cometem na mesma) então estão os ingredientes lançados para termos um grande bottle-neck no futebol português em poucos anos.
FVRicardo
O Olafson do Mafra também não é nada de se deitar fora
manel-ferreira
Vá lá, ao menos já só falas em Segunda Liga, já é uma evolução. Aqui há uns tempos, dizias que ele era titularissimo em quase todos os clubes da Primeira Liga. Ou o André Gomes, por exemplo, esse era outro.
Felizmente já percebeste que nenhum clube da Primeira Liga vai querer entregar as chaves da baliza (posição mais importante, sobretudo em clubes que lutam pela permanência) a um miudo de 19/20 anos que vai, naturalmente, cometer erros e custar pontos de uma maneira que um GR mais experiente não o fará (ou pelo menos não com tanta frequência).
Mas a principal questão nem é essa da experiência, mas sim que nenhum clube quer estar a ter o trabalho todo de desenvolver um GR jovem (com todo o treino e acompanhamento que isso implica), sem ganhar NADA com isso. É trabalhar para o boneco, completamente.
Ainda se metessem alguma percentagem do passe ou de.um futura venda, ou algo assim. Mas sem uma cenourinha, é impossível.
FVRicardo
Concordo em absoluto com o último parágrafo. Devia ser “obrigatório” ceder 5% do passe em empréstimos em que o jogador fizesse x jogos
FVRicardo
Sim, vi os primeiros jogos no Feirense. Vi que custou pontos importantes à equipa. Mas também vi duas épocas na equipa B com 17 e 18 anos em que sumiu perto de zero erros, muitas vezes até foi herói.
É óbvio que precisa de melhorar, por isso disse que precisa de um, talvez dois empréstimos na I Liga para melhorar.
Ainda no outro dia disseste que Israel não deve ser rotulado, pode evoluir, etc? Callai também. Agora imagino o que se dissesse do Israel se os seus erros custas sem mesmo pontos pela equipa que tem à frente não tivesse a capacidade de marcar 2/3 golos por jogo como acontece com o Callai
AdeptoImparcial
Claro, longe de mim fazer o oposto e atestar a falta de qualidade do Callai. Ele talento tem, mas para vir a ser titular do Sporting, precisa de evoluir e muito. Apenas não quero é que o clube passe por outra fase de apostar num GR de formação confiando que ele chegará ao nível necessário – caso de Patrício que demorou vários anos – ou, pior ainda, achar que só por ser da formação vai conseguir chegar a esse tal nível – caso de Max que mal podia ver pela frente.
—
Da mesma maneira que jogos da formação têm um peso diferente, jogos da equipa A também. O Israel e Adán e qualquer outro GR que jogasse pela equipa A obviamente iria sempre ouvir mais críticas, como é natural, do que um GR da formação. Esta época, temos sofrido muitos golos, mas continuo a defender – e cada vez mais se comprova isso – que a vasta maioria deles não são nem culpa de Adán nem de Israel.
FVRicardo
Sim, o caso do Max foi gritante, ele nunca teve qualidade para sequer se reconhecer evolução ali para ser titular do Sporting, no entanto ainda há que chore por ele…
Acredito mesmo no Callai. Posso estar completamente enganado como é óbvio
Paulo Roberto Falcao
Estava com curiosidade por saber a sua opinião técnica sobre a abordagem ao lance do primeiro golo do Sporting-Benfica por parte de Trubin.
Quanto ao resto o Matheus do Braga este ano está irreconhecível, e é um excelente guarda redes. Não se percebe tanta intranquilidade, mas tem prejudicado e muito a sua equipa.
AdeptoImparcial
Em relação a esse lance do golo do Sporting, não acho nada de outro mundo. Podia fazer melhor? Sem dúvida, podia ter socado para mais longe, mas é um passe do Pote à entrada da pequena área, a bola ainda desvia no Otamendi e o Trubin simplesmente mete mais o braço por impulso/reflexo do que outra coisa – ele obviamente não sabia que o Geny vinha do outro lado a correr. Não é, nem de perto, o principal culpado desse golo, nem usaria o termo “culpas” para ele sinceramente.
—
O Matheus até vinha agora de uns bons jogos nesta fase melhorzita do Braga. A saída dele também é daquelas que senti alguma dúvida de colocar aqui nas menções, mas não houve falha maior na jornada. Porque é uma saída até bem temporizada, mas obviamente, é um risco e o jogador do Arouca acabar por chegar primeiro. Acontece, é sempre uma decisão complicada.
JohnWick
Não percebendo muito da posição de GR, fiquei com a ideia que o cruzamento do Pote ressalta na perna do António Silva e que isso a faz subir rapidamente tirando o Trubin do lance. Para mim nessa jogada tanto Florentino como o Bah (ainda fora da area) deixam um espaço enorme para o pote poder pensar e executar os dribles têm muito mais impacto que o Trubin.
JPDF
Nunca percebo o hiperbolismo que muitas vezes se usa para lances em que o GR não defende só pode ser considerado frango monumental. É verdade que a defesa á bola do Di Maria aos 81′ é vistosa mas nunca poderia entrar na baliza de um guarda redes de um nível de primeira liga. Seria daqueles lances que entrando toda gente ia sentir que o GR podia ter feito mais.
Há defesas que são vistosas pelo lance e que são bonitas de se ver. Mas tentar correlacionar a dificuldade de uma defesa com o quão vistosa ela é só pode ser considerado falacios.
Se ainda apontassem a defesa que ele faz a um remate do Di Maria de fora da área no jogo da Taça da passada terça percebia, porque foi algo de superlativo, que não estava ao nível de qualquer um. Mas a bola deste jogo era defendida sem problemas por qualquer GR da primeira liga, e se não fosse é porque o jogador em questão não tinha nível para tal.
AdeptoImparcial
Contra-argumentando o meu próprio comentário e oferecendo um excelente exemplo para o teu ponto de vista: a defesa do Adán a remate de Di Maria na I volta do campeonato. É um remate forte e com um efeitozito tramado, mas é longe demais para um GR de candidato ao título sofrer golo e aí sim choveriam comentários de análise justos. É uma estirada bonita, mas o grau de dificuldade é muito menor que esta que o Israel teve recentemente. Não deixa de ser uma boa defesa, mas aí sim concordo mais com a questão da hipérbole devido à defesa ser flashy.
AdeptoImparcial
Concordo totalmente com o início do comentário, principalmente com guarda-redes que têm um certo hype em volta deles. Mas não concordo em relação a este remate do Di Maria, bem pelo contrário. É um remate potentissimo, à entrada da área, com um defesa que ainda se mete à frente da bola e o Israel apenas tem tempo de defender por reflexo. É uma estirada bonita sim senhor, mas igualmente difícil. Se não defendesse, se iria gerar questões sobre se podia fazer melhor? Talvez, mas também é uma falácia que todos os remates que vão “à figura” – ou neste caso, vamos dizer “área de ação do guarda-redes” – são obrigatórios de defender senão são “frangos monumentais”. É como o mito de que qualquer bola que entre pelo poste que o GR está a proteger são automaticamente culpa dos mesmos quando, na verdade, é bem mais complexo.
—
Recomendo ler os outros 20 e tal artigos desta rubrica, pois se acha genuinamente que “qualquer GR da primeira liga” era capaz de defender isto… é porque não tem acompanhado o campeonato com atenção, perdoe-me. Ou então a sua noção daquilo que deve ser a qualidade de um GR de primeira liga é simplesmente diferente da realidade.
—
SL
JPDF
Assumo não ter um conhecimento profundo de todos os guardiões da primeira divisão, pelo que não me chocaria que existissem guarda-redes sem nível para aquela bola. Ainda assim, daquilo que tenho visto, deixa-me a ideia que o nível de GR na primeira liga tem sido particularmente elevado. Temos guardiões como Arruabarrena, Andrew, Ricardo Velho, entre outros, que demonstram muita qualidade em clubes ditos pequenos da nossa liga. Foi mais nesse sentido que me baseei na expressão “GR de nível primeira liga”, ainda que entenda que possa haver outliers.
De qualquer forma, não vou dizer que sou um especialista em GRs, a minha opinião limita-se ao que vejo empíricamente nos jogos que assisto, o que acaba por ser sempre subjetivo e limitado. Ainda assim, no caso partícular dessa defesa, não me parece ser tanto por instinto (leia-se, reflexo). O remate é violento e à entrada da grande área mas não é particularmente bem colocado e está no raio de ação do GR. Mas o que me leva a dizer que não é instinto, mas que a defesa foi premeditada é que o Israel defende com o braço mais longe da bola (seu direito) em vez do esquerdo que estava bastante próximo do lance. Acho que se fosse algo mesmo por reflexo, como aquelas defesas à queima roupa ele teria sido obrigado a reagir com o braço esquerdo. Outro ponto é que ele parece-me estar um pouco mal colocado (um pouco demais para a sua direita), mas isso só realça a sua rapidez de execução na defesa propriamente dita. Mantenho a minha opinião de que não é uma defesa “de outro mundo” e acho que se a bola entra iamos considerar que tinha sido mal batido. Vou apenas mudar de “qualquer GR do nível da primeira liga deveria defender” para “qualquer GR do nível de uma equipa como o Sporting deveria defender”, o que por si já é uma grande diferença, mas assim penso ser uma afirmação mais acertada, e que talvez concordarás.
Ainda assim, como disse, não sou nenhum expert e aceito a tua opinião, especialmente quando dizes que nem todas as bolas que estão no raio de ação do GR e entram devem ser considerados “frangos monumentais”. Aliás, se fosse esse o caso não haveria golos provenientes de remates a meia distância no futsal, uma vez que o raio de ação do GR nesse desporto é basicamente a baliza toda (ou muito perto disso, expectuando alguns ângulos mortos).
AdeptoImparcial
Alterar para “qualquer GR do nível de uma equipa do Sporting” já aceito sim :b
—
Em relação ao pequeno pormenor do usar o braço direito e não o esquerdo : garanto-te que é exatamente o oposto. Isto é, precisamente por ele ter usado o direito é que comprova ser de reflexo, pois é um movimento mais natural dos GR para fazer as tais estiradas. Simplesmente porque treinamos este movimento para remates altos para o lado oposto ao braço que usamos. Imagina um remate ao canto superior esquerdo da baliza: um GR que faça um voo para esse lado terá menos alcance ao tentar chegar com o braço esquerdo – que tem de vir debaixo do corpo para cima, não conseguindo ter mais altura – do que o braço direito. Aqui, apesar de ser no tal raio de ação de GR, devido à potência de remate e pouco tempo de reação, só mesmo usando o braço direito. Mais fácil de fazer o timing de estirada, com o esquerdo ele teria mais dificuldades em acertar na bola. Mas isto é só um pormenor técnico, não quer dizer que um GR não possa defender na mesma com o braço esquerdo :b
—
No fim, são perceções de um remate diferentes, nada anormal, compreendo perfeitamente a tua perspetiva. Longe de mim estar certo e tu errado ou vice-versa. Acho uma excelente defesa, com o bónus de ter sido no fim do encontro e decisiva, mas também não vou dizer que foi a melhor defesa que já vi no campeonato esta época – nem faz o Top10.