Todos os adeptos reconhecem a posição de Guarda-Redes como a mais ingrata do desporto. Encontram-se familiarizados com a lenga-lenga do costume: se um avançado falhar vários golos cantados, mas marcar um, mesmo que não seja o golo da vitória, a bola no fundo das redes é rapidamente elogiada ao passo que os falhanços caem no esquecimento; se um guardião passar os noventa minutos da partida a defender “tudo e mais alguma coisa”, mas sofrer um único golo onde falha de alguma maneira, mesmo que com culpas partilhadas, leva com críticas avassaladoras em cima e o resto da equipa é ignorado.
Confirmação de estatuto…
Não é segredo nenhum que Arruabarrena foi uma peça vital para o sucesso do Arouca na época passada e jornada após jornada vai demonstrando que é dos melhores da Liga. Não fez um jogo repleto de defesas contra o Porto e não é por um penalty defendido que se vê a qualidade de qualquer GR, mas o Uruguaio tem uma presença, postura e confiança de quem joga numa equipa “grande”. É natural existirem leituras exageradas de adeptos dos candidatos ao título que só veem os jogos das suas equipas e sempre que um guardião tem uma exibição inspirada contra o clube querido, tira-se a conclusão do costume: “só contra nós é que é assim”. E, de facto, são situações que acontecem. Mas Arruabarrena possui consistência suficiente para começar a ser considerado como o próximo GR de tanto Benfica, Porto ou Sporting, visto que todas estas equipas precisam ou vão precisar já na próxima época de renovar as suas balizas.
Uma dúvida que teima em desaparecer…
Admito desde já a possibilidade de estar a ser incompreensivelmente rigoroso com Ricardo Batista (Casa Pia), mas a verdade é que permaneço com imensas dúvidas sobre se realmente contribui para a solidez defensiva da equipa-sensação da época passada ou se são os colegas que ajudam a esconder os defeitos evidentes do guardião. Com 36 anos e uma carreira esquecível – a sua contratação e passagem pelo Sporting foi, no mínimo, estranha – surge agora associado a uma das melhores defesas do campeonato. Não encheu a época passada de grandes exibições e começa a atual com falhas muito pouco percetíveis a “olho nu”, mas que aparentam indicar um cenário de um GR colocado numa equipa demasiado boa para a sua qualidade. Os últimos dois golos sofridos, nesta jornada e na última, serão observados por muitos como golaços, mas o posicionamento e tipo de salto do guardião não são, de todo, os ideais. Fica a dúvida se é só impressão e uma análise potencialmente exagerada ou se realmente será um fator preocupante para a equipa de Filipe Martins esta época.
Defesas Neuer da Jornada:
– Ricardo Velho (Farense): boa estirada aos 54’
– Arruabarrena (Arouca): fantástica mancha aos 59’ e um penalty-bomba defendido aos 90+14’.
– Antonio Adán (Sporting): defesa com ponta dos dedos aos 12’.
Falhas Kralj da Jornada:
– Bruno Brígido (E. Amadora): pedia-se um melhor desvio ao primeiro remate na origem do golo adversário aos 37’.
– Dani Figueira (Estoril Praia): golos por entre o poste coberto pelo GR nem sempre são culpa do mesmo, mas o guardião dá a sensação de poder ter feito mais aos 40’.
– Kewin Silva (Moreirense): saída terrível aos 71’, falhando por completo a cobertura da sua baliza.
Visão do Leitor: AdeptoImparcial


4 Comentários
sStriker
A passagem de Ricardo Baptista só foi estranha para quem não percebe os meandros. Patricio era suplente de R Baptista na selecção S21 e bem, pois à época R Baptista era melhor gr. Como Patricio não conseguia tirar o lugar, o SCP contrata R Baptista e coloca-o a suplente, facilitando assim a ascenção de Patricio. A dúvida que tenho era se Patrício já pertencia ao carrossel do Chiclas, e companhia
Antonio Clismo
O Ricardo Baptista era titular nos sub21 mas era 2 anos mais velho, quando o Patrício apareceu começou logo a morder-lhe os calcanhares uma vez que não jogava muito em Inglaterra, apesar de ter boas qualidades para a baliza.
O Ricardo Baptistafoi o titular da geração dele pela baliza dos sub21 competindo com GR’s como Mário Felgueiras.
Na geração anterior o titular era o Paulo Ribeiro e o Ricardo Baptista já lá andava nas convocatórias juntamente com outro açoriano do Santa Clara, o Botelho.
Já na geração do Rui Patrício (1988) foi dono e senhor do lugar, competindo com o Hugo Ventura (eterna promessa do Porto) e com o Pedro Trigueira.
Jeco Baleiro
Adepto Imparcial,
Achas que o Arruabarrena está mais preparado para chegar ao próximo patamar que o Luiz Junior?
Ambos já foram colocados na rota dos grandes (o Arruabarrena ainda há poucos dias foi associado ao Benfica) porém creio que na semana passada colocaste algumas reticências na capacidade do Luiz Junior em dar o próximo passo e estás mais confiante nas capacidades do uruguaio.
AdeptoImparcial
Jeco Baleiro,
Pessoalmente, creio que sim. A verdade é que também estamos a comparar um Luiz Junior de 22 anos que, naturalmente, tem muito para evoluir com um Arruabarrena de 26 anos com a experiência e consistência necessária para potencialmente dar esse passo grande.
Agora, claro, teoria é muito bonita. Diria que esta época será perfeita para uma análise mais apertada a ambos os guardiões para perceber se realmente têm o que é preciso para ser GR de um dos grandes. Não basta defender penalties e fazer defesas bonitas, para além de que é mais fácil sobressair numa equipa “pequena” onde se é obrigado a estar em ação mais frequentemente do que nos candidatos ao título. O quão bons serão LJ e Arruabarrena jogo após jogo onde apenas têm um par de abordagens? Ver para crer.
Depois também há a questão de como Porto, Benfica e Sporting jogam. Não consigo imaginar um LJ a jogar num Sporting de Amorim onde o jogo de pés é vital para a construção de jogo da equipa. Mas, lá está, é um GR muito jovem e que pode evoluir bastante – relembrar que o Patrício era uma nódoa com 22 anos. São, sem dúvidas, dos melhores guardiões do campeonato e avanço já que Famalicão e Arouca voltarão a fazer épocas bem sólidas em muito devido aos GRs que possuem.
SL