A I Liga tem sido palco para a valorização de vários activos em tenra idade nas últimas décadas e esta temporada não é excepção. São vários os jovens que têm dado nas vistas em Portugal, tanto nas equipas grandes como nas restantes, sendo que fica desde logo na retina a curiosidade em torno do D. Aves, que ainda não utilizou jogadores com idade superior a 30 anos e que na última jornada utilizou sete elementos abaixo dos 24 anos. Ainda assim, o clube que mais tem contribuído para uma média de idades mais baixa é o Famalicão, que tem uma percentagem de 63% de utilização de jogadores sub-23, seguido de Belenenses SAD (28%) e Benfica (25%). A juventude não é, por isso, sinónimo de insucesso, sobretudo se tiver qualidade, como comprova o líder destacado do campeonato. Em sentido inverso situa-se o FC Porto (5%), que segue uma estratégia totalmente distinta, apostando maioritariamente em jogadores acima dos 23 anos. Já o Paços de Ferreira é o clube com a maior percentagem de trintões (34%), seguido de Belenenses SAD (32%), Rio Ave (31%) e Vitória FC (30%).
Em termos individuais e, tendo em conta a parceria do Visão de Mercado com a RealFevr, nota para os jogadores sub-23 mais pontuados em cada sector: Rúben Dias, um titular indiscutível do Benfica e da Seleção, lidera nos defesas com 116 pontos; Já Max, a nova esperança da baliza do Sporting, é o guarda-redes mais pontuado, somando 33 pontos em 8 jogos. O Famalicão, por sua vez, conta com o melhor médio entre os sub-23, Pedro Gonçalves, mais conhecido por “Pote”, que soma 97 pontos e o melhor avançado, Toni Martínez, espanhol que, apesar de dividir a titularidade com Anderson, já leva 70 pontos.



5 Comentários
Antonio Clismo
Estas estatísticas tem o valor que têm uma vez que não existe correlação entre a idade e o rendimento. Não é por ter uma equipa extremamente jovem que os resultados vão aparecer ou vice versa. Aliás é fundamental haverem jogadores mais maduros em igual número de elementos mais jovens para haver passagem de conhecimento.
O que importa ressalvar é a planificação da época e a organização técnica durante a época. Isso sim tem papel fundamental. Toda a gente dizia que o Famalicão iria descer com esta equipa de jogadores sem experiencia e estão a fazer uma época brutal onde a equipa já valorizou umas 5 vezes (lá está, houve uma planificação e gestão cuidada no início da época e agora colhem os frutos).
Já o Aves deixou-se ir na conversa do Inácio e montou uma equipa madura, experiente (segundo ele próprio) com jogadores vindos dos 4 cantos do mundo. Os dirigentes deixaram-se ir na conversa (falta de conhecimento do futebol desta direcção) e hipotecaram a época. Não é por acaso que agora tiveram que recorrer à sua equipa sub23 (que curiosamente tinha sido campeã no ano transacto e que tinha muitos jovens jogadores de qualidade que o Inácio não quis ver). Bruno Morais, Mangas, Reko e Zidane Banjaqui são todos sub21 e têm levado a equipa às costas nos últimos tempos. Se conseguirem a manutenção não deverão ficar muito tempo na Vila das Aves.
O Marítimo é outro clube que planificou muito mal o plantel para esta temporada. Mais parece uma torre de babel aquela equipa. Muito disfuncional. Se não soubesse até diria que também tinha sido o Inácio a montar aquela equipa. Muito aquém daquilo que um clube como o Marítimo pode fazer.
O B Sad é um caso diferente em que aposta na juventude porque pura e simplesmente não tem outros recursos para tal. Na maioria das vezes sai mal, mas basta conseguirem potenciar um jogador para vender que pagam logo a época e sobrevivem mais um ano. Curioso pela aposta no Nilton Varela, acho que é esse o miúdo que vai salvar as contas do clube este ano.
Manel Ferreira
Completamente de acordo com o primeiro parágrafo (vá lá), mas isso do “toda a gente disse que o Famalicão ia descer” é um bocado treta. Houve gente a dizer isso, mas também houve muita gente a dizer que iam ser a sensação até antes da época começar. Em relação a colher os frutos, há vários jogadores que estão lá por empréstimo (Fábio Martins, Perez, Centelles, Rakic, Diogo Gonçalves) o que significa que só vão colher de alguns. E não foi um planeamento feito do zero, mas também devido às relações com clubes como Atlético ou Wolves, ou seja não é algo tão fácil de replicar nos outros clubes.
E essas “contratações maduras” do Aves são mais mito teu que outra coisa qualquer, quase todos os reforços foram jovens, e mesmo jogadores como Wellinton e Mohammedi (ambos com 26 anos) têm sido das figuras da equipa. O Marítimo é uma “torre de babel”, como foi mesmo nos seus anos de sucesso, nós é que gostamos de esquecer isso. Portanto, o problema não é a Torre de Babel, mas sim que o dinheiro é menor e portato mais difícil de arranjar os jogadores que façam a diferença.
De resto, cada clube sabe de si, não há uma maneira de atingir o sucesso. Só acho um pouco desonesto que o artigo refira que “a juventude não é sinónimo de insucesso” usando o exemplo do Benfica, já que o clube da Luz tem uma formação obviamente a anos-luz de quase todas as outras. Nunca pode servir de “exemplo de sucesso”.
Amigos e bola
O Vítor Ferreira se tivesse entrado mais cedo estaria neste lote.
Arrisco dizer que é o melhor produto da formação portuguesa desde o Bernardo Silva.
MV
O Vitinha fez um jogo e é mehor produto que o João Félix?
j. chamberlin
Muito interessante este tipo de análise. Que venham mais se possível.