O Braga perdeu novamente em casa, desta feita com o Paços de Ferreira, e pode estar a comprometer a luta por um lugar nas competições europeias, na época que se avizinha. Com uma entrada positiva em campo, acabaram por sofrer dois golos em apenas sete minutos, de uma forma desastrosa, comprometendo assim o resto da partida. Péssimo teste para o importante jogo que se aproxima frente ao Lech Poznan.
Com onze minutos jogados, Guilherme, a jovem promessa do Braga que jogou adaptado à lateral esquerda, perdeu a bola de forma infantil dentro da área bracarense e cometeu penalti na sequência da jogada, que deu o 0-1 na conversão, por Manuel José. Aos 18´, e apesar de o Braga dominar a partida, a passividade da defesa bracarense permitiu novo golo do Paços, com um bom cruzamento de Manuel José para a área, e Sílvio a fazer auto-golo, depois de Rondón falhar o remate em frente a Artur. Domingos mexeu na equipa muito cedo, aos 30´ lançou Meyong e o Braga continuou a toada ofensiva, conseguindo reduzir por intermédio de Ukra, com uma bela finalização aos 34´.
Na segunda parte, o Braga continuou à procura do empate, mas esbarrou sempre na boa organização defensiva Pacence, que apostava em rápidos contra-ataques (muito bem organizados diga-se) para tentar dilatar a vantagem. Quando a defesa nada podia fazer, entrava em acção Cássio, que com várias defesas de bom nível tanto na primeira parte como na segunda parte, seguraram a preciosa vitória. David Simão ainda acabaria por ser expulso aos 77 minutos, mas o resultado iria-se manter inalterado até ao final.
Destaques
Braga – Este jogo veio comprovar o que o Visão de Mercado tem dito ao longo dos jogos desta época: o ponto mais fraco do Braga está na defesa, pois já sofreu um sem número de golos devido a erros defensivos, que se pagam caro. Além dos dois golos em que a defesa esteve mal, Rodriguez e Guilherme tiveram várias hesitações e passes de risco em zonas proibidas que podiam ter custado ainda mais caro. O elevado número de lesões (quase inexplicável num plantel ao longo de uma época) pode ajudar a explicar a falta de identidade desta equipa, pois obriga Domingos a mexer no onze titular em quase todos os jogos. Hoje a equipa ressentiu-se com a falta dos seus elementos mais influentes, como Alan e Vandinho, e com Lima no banco. No entanto este plantel tem qualidade para muito mais, e exige-se muito mais a esta equipa que passa a ocupar um modesto 8º lugar na Liga. A construção no último terço do terreno também foi hoje, tal como na Polónia, um aspecto demasiado mau, onde os dois avançados nunca conseguiram ser municiados como deviam ser.
Paços de Ferreira – Hoje a equipa de Rui Vitória não precisou de muito para vencer o apático Braga, e subiu assim ao 5º lugar da Liga Zon-Sagres. Aliás, viu-se a vencer confortavelmente muito cedo sem pouco ou nada ter feito para tal, tendo aproveitado bem os deslizes adversários. Destaque para a rapidez de organização desta jovem equipa, quer a atacar onde aparece na área adversária num contra-ataque com 3 ou 4 homens bem posicionados, quer a defender onde anulou sempre bem a contra-ofensiva bracarense.
Manuel José – Não terminou a partida, mas foi por força das circunstâncias talvez o melhor em campo, pois marcou o primeiro golo, esteve na origem do cruzamento para o segundo, e teve mais alguns lances pela ala que podiam ter sido perigosos para o Braga. Cruza muito bem.
Cássio – O guarda-redes pode e deve ser associado a esta vitória, pois efectuou uma exibição sem nada a apontar. Brilhantes defesas mantiveram o marcador a favor da sua equipa hoje, no Axa.
Rondón – O avançado venezuelano teve hoje uma força inesgotável. Sempre na frente dos contra-ataques, obrigou Rodriguez e Kaká a estarem sempre atentos. No entanto quando a partida obrigou a tal, não desistiu de nenhum lance defensivo, sendo uma grande ajuda aos seus companheiros quando os castores já só tinham 10 unidades.
Ukra – Foi o melhor elemento do Braga. Irreverente, imprevisível, começou muito bem a partida, criou espaços na defesa contrária por várias vezes, marcou, viu outro ser-lhe negado por Cássio, e quer na direita quer na esquerda, foi dos mais inconformados desta noite.
Vinicius – Estreia discreta do médio contratado à Olhanense, lançado apenas na segunda parte.
Keita e Meyong – O primeiro mostrou mais uma vez que não tem qualidade para este plantel. O segundo, apesar de toda a sua história no futebol português e no Braga, já parece não ter a infuência no jogo, na área, de que o Braga precisa.
Guilherme – Com Marco Ramos, contratado ao Lens de França em Janeiro, no banco, Domingos preferiu adaptar o jovem brasileiro Guilherme à lateral. Má opção, pois a sua falta de rotina naquela posição custou o primeiro golo ao Braga e alguns calafrios. Na segunda parte com mais liberdade para atacar, mostrou todo o seu valor em alguns lances individuais. É um jovem para apostar, sem dúvida, mas preferencialmente na sua posição de raiz, como médio ofensivo.

