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Pepe: Líder invisível, coração português e enorme qualidade

Dois pontos prévios: Como já é sabido por parte dos nossos leitores, não concordamos com a naturalização de jogadores, a menos que tenham chegado ao nosso país com menos de 19 anos (no entanto, somos contra uma certa hipocrisia e mais concretamente ao esquecimento. Muitas vezes os portugueses que criticam as naturalizações ignoram por exemplo que as nossas selecções jovens estão cheias de jogadores na sua maioria guineenses que chegaram ao nosso país há 2/3 anos como é caso de Bruma, Edgar Iê, Sancidino Silva, Romário Baldé, etc). Acima de tudo, as selecções não são clubes, senão corremos o risco de um país sem expressão futebolística, endinheirado (Catar, por exemplo), se lembrar e naturalizar jogadores que irão representar aquela nação apenas por interesse. Outro aspecto, é o que é realmente “ser português”. Um bom português, é aquele que independentemente da formação académica, da profissão que tenha, chega ao fim do dia com a noção do dever cumprido. É aquele que olha para a bandeira e recebe uma força interior, é aquele que ouve o hino e o sente…à sua maneira (não somos mais portugueses se cantarmos o hino a plenos pulmões em vez de apenas o cantarmos interiormente). É aquele que critica e mostra a sua opinião nos momentos oportunos (porque todos temos o direito a ela, mas há muita gente, e fazendo referência ao desporto, completamente inoportunas), que  enaltece as proezas dos nossos cidadãos fazendo deles heróis nacionais (desportistas, médicos, escritores, arquitectos, bombeiros…), em suma, é aquele que luta todos os dias, todas as semanas, todas os meses, para fazer de Portugal um país melhor…e maior.

E no futebol, há um elemento, que naturalizado, é uma grande representação do que é “ser português”, Pepe. É um género de líder invisível, um enorme português e um jogador com uma qualidade tremenda. Canta o hino (festeja os títulos no Real com bandeira de Portugal), é decisivo (a sua velocidade, “agressividade” positiva, leitura de jogo, garra e espírito de combate são um contributo fundamental na nossa selecção), vê-se que sente Portugal e acaba por ser uma resposta a quem critica os jogadores naturalizados (nos seus momentos maus foi muitas vezes criticado e inclusivamente chamado de “o brasileiro”). Um central que dada a sua qualidade (é neste momento um dos 5 melhores do Mundo) podia perfeitamente jogar pelo Brasil, que empresta à selecção não só essa categoria (defesas de qualidade são cada vez mais raros no futebol actual, equipas como a Rússia e Holanda no Euro 2012 são um excelente exemplo de como equipas talentosas mas com defensivas fracas por norma resultam em desaires), como uma presença e liderança (não sendo o capitão é ele que “empurra a equipa para a frente” nos momentos complicados e que mais incentiva os companheiros) notável. 

A. Carvalho

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