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Peseiro: O patinho feio do futebol português ou simplesmente o maior pé frio do futebol mundial? Salvador apostou no ribatejano para o Braga chegar a outro patamar (passar a ser uma equipa dominante e apoiada num bom futebol), mas estariam os minhotos preparados para essa revolução (gverreiros passaram de um conjunto operário e sólido defensivamente para um registo de 27 golos sofridos até ao momento)?

O atual treinador do Sporting de Braga tem-se mostrado ao longo dos últimos anos merecedor de figurar nos principais compêndios da ciência como quem quer provar que as probabilidades de vitória não se podem resumir a meros cálculos matemáticos e à lei do mais forte. No caso do treinador português, sempre que esteja em causa um momento crucial ou um troféu a conquistar, ela pende invariavelmente para os adversários (quem se pode esquecer da semana fatídica no Sporting onde perdeu tudo o que havia para perder). Além dos nervos em franja, realidade normal nos adeptos das equipas de Peseiro, são as próprias casas de apostas desportivas que se arriscam a entrar em colapso, caso os apostadores já tenham reparado que apostar no opositor do treinador português, nas referidas circunstâncias, dá sempre lucro.
Salvador sabia disso quando apostou no ribatejano, mas certamente com o desejo de ver o seu Braga num patamar diferente do actual (não só em termos de títulos, mas igualmente na capacidade de dominar os adversários), deu uma hipótese ao talento técnico-táctico de Peseiro. Aposta arriscada, não só pelo passado “pé frio” do treinador, mas por representar também uma mudança de paradigma no Braga. Nos últimos anos os minhotos foram sempre fortes defensivamente e faziam da capacidade de luta, trabalho e humildade armas importantes. Ora, este ano, tudo mudou, os gverreiros dominam melhor os adversários,  marcam mais golos, não demonstram receio de jogar em toda a largura do campo e de igual por igual com qualquer equipa, mas perderam faculdades que no passado tinham resultado. Conclusão: o Braga já está fora da corrida pelo título, fora da Liga dos Campeões, não ganhou nenhum jogo “grande”, sofreu até ao momento 14 golos na Liga (o ano passado nesta fase era a equipa menos batida, apenas com 4 golos sofridos), a que junta mais 13 na LC, e pelo menos neste momento parece evidente que os minhotos (jogadores/estrutura) não estão ainda preparados para “esta revolução”.
Sem esquecer o futebol atraente que as equipas de José Peseiro normalmente apresentam (apesar deste ano o Braga apresentar um futebol mediano), importa questionar se aquilo que mais interessa aos adeptos de futebol se traduz num técnico resultadista que faça do lema “as finais são para se ganhar” uma forma de vida, ou um lírico, que faz da exibição coletiva a sua principal preocupação, deixando para segundo plano a sua concretização em títulos?
Os adeptos mais idílicos, apreciadores do jogo jogado, levantar-se-ão das suas cadeiras e defenderão com unhas e dentes José Peseiro, recordando com saudosismo a brilhante Laranja Mecânica dos anos 70 ou o Brasil do Mundial de 82, curiosamente equipas em modo Peseiro, grande futebol, mas feitas as contas: zero tituli. Os mais pragmáticos e realistas, apercebendo-se que o futebol e os clubes vivem de títulos e que dos fracos não reza a história, apontar-lhe-ão o dedo sem misericórdia.
Dir-me-ão que o ideal será porventura conciliarem-se ambas as realidades, mas o modelo barcelonista independentemente do timoneiro (até Tito Vilanova apresenta resultados e nota artística fora do comum) é um caso único do futebol mundial, onde as boas exibições andam de mãos dadas com grandes feitos alcançados. Mesmo sem sermos tão exigentes, qualquer pessoa reconhecerá que não é fácil encontrar um treinador que coloque uma equipa a jogar bom futebol e a conquistar alguns títulos como o Dortmund de Jürgen Klopp ou o City de Mancini (não obstante os resultados miseráveis na Liga dos Campeões que em qualquer lugar do mundo e face àquela conjuntura daria direito a despedimento). Sendo tarefa complicada aliar o útil ao agradável, que lugar terá Peseiro no ranking de treinadores? Será um técnico de clubes de menor dimensão onde a principal preocupação passará por entreter o povo e cumprir objetivos mínimos? Ou Peseiro dará a volta por cima? Até que ponto Salvador vai aguentar a triste sina de ver o seu clube sem conquistar qualquer título? Valerá a pena a um clube que almeje fazer algo digno de nota contratar um pé frio como José Peseiro?

Visão do Leitor (perceba melhor aqui!): Sérgio Tomás

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