Quem para este fenómeno? Aos 22 anos já venceu o Tour, um monumento, várias corridas de uma semana, ficou no pódio da Vuelta e parece intratável em vários tipos de provas. Já Alaphilippe continua sem juntar a Liège, que na teoria é o monumento que mais se adapta a si, ao currículo, ainda por cima é o 2.º ano seguido que parecia ter o pássaro na mão, por na teoria ser o mais forte ao sprint no grupo final.
Tadej Pogačar conquistou a 107.ª edição da Liège-Bastogne-Liège ao bater no sprint final Alaphilippe, Gaudu, Valverde e Woods. O jovem da UAE-Team Emirates, que venceu o Tour em 2020, junta assim o 1.º monumento na carreira ao palmarés, sendo que esta época já tinha vencido o Tirreno-Adriático e o UAE Tour.


7 Comentários
deus_Ex_machina
Pogacar e valverde, 2 corredores com quase 20 anos de diferença e 2 fenómenos na bicicleta. O primeiro que está a dar cartas com uma tenra idade, o outro, já veterano, a mostrar aos mais novos como se faz ;)
Jan the Man
Que craque é Pogacar, até ciclistas como Alaphilippe e Valverde bate ao sprint. Simplesmente incrível. Neste momento é candidato em qualquer corrida que entre e a continuar assim vai deixar um legado fabuloso no ciclismo.
Pena por Valverde, no dia do seu 41o aniversário merecia ter fechado mais um pódio nesta LBL e bater mais um recorde na sua enorme carreira. Fez mais uma grande corrida mas foi “inexperiente” na colocação para o sprint final.
Woods parece um bom discípulo do Bala nesta corrida, tal é a regularidade com que fecha nos lugares cimeiros. Mais uma boa corrida, foi o seu ataque que partiu de vez o grupo dos favoritos. A vitória ainda não foi desta mas acredito que o canadiano possa um dia ser feliz na chegada a Liège.
Gaudu fecha esta 1a fase da temporada com chave de ouro e mostra que vão ter de contar com ele para o Tour. É sem dúvida a melhor hipótese dos franceses voltarem a sorrir em casa nos próximos anos.
Numa corrida longa mas bastante animada, a INEOS foi dando espetáculo más falhou no momento mais importante. Com Pidcock talvez a história tivesse sido diferente, mas creio que falta mais um nome para este tipo de provas ou então uma aposta diferente em Kwiatkowski.
Quem também se pode queixar do bloco de clássicas é Roglic, hoje não esteve ao melhor nível (quase sempre mal colocado) mas o apoio da equipa também foi sempre escasso. A sua temporada já vai longa mas é agora tempo de repousar e preparar o ataque ao Tour.
Chegados ao final da temporada de clássicas, é de enaltecer o espectáculo que o ciclismo proporciona neste momento. Corridas sempre abertas e imprevisíveis, com vários ciclistas a discutirem as vitórias e algumas surpresas pelo meio. Creio que apenas Asgreen e Van Aert celebraram mais do que uma vez em provas de um dia, o que diz bem do quão disputadas têm sido estas corridas.
Fica um sabor agridoce pelo adiamento da Paris-Roubaix pois seria com certeza mais uma grande corrida com este enquadramento, no entanto a possibilidade de voltar a ter esta corrida em condições meteorológicas adversas por ser Outono é algo que deixa qualquer adeptos da clássica a salivar.
Agradecer ao VM pelo destaque que tem dado à estas corridas não tão populares como as GV, acredito que provas como estas possam cada vez mais fazer os adeptos apaixonar-se pela modalidade.
Entramos agora na fase crucial de preparação para o Giro, veremos se o nosso João Almeida consegue igualar o brilharete da edição passada! Um abraço a todos
charles eclair
Pogacar é uma máquina e um talento incrível! Mas também de salientar que após 260 km e com tantas subidas, ganhar ao sprint ao Valverde (a idade do Bala também já pesa) e ao Allaphilipe não é um sprint normal, as forças estão muito mais equilibradas. Para além disso, a Emirates demonstrou ser claramente a equipa mais forte, com muitos ciclistas no grupo principal quando se dão os ataques o que também beneficiou o Pogacar. O próprio Hirschi ainda fecha em 6º.
De qualquer forma, Pogacar é um ciclista espantoso. Não é fácil fazer esta comparação, mas é provavelmente o melhor ciclista do pelotão neste início de época. Com a chegada das grandes voltas, o seu terreno predileto, tem tudo para fazer uma temporada memorável. Neste momento da época, penso que só o Roglic e o van Aert estão a um nível idêntico ao de Pogacar.
Quanto à Jumbo, tinha muita esperança que o Roglic pudesse bisar, após a boa exibição na Fleche Wallone mas como dizes, o bloco da Jumbo não tem estado particularmente bem nas clássicas o que obriga a um esforço grande dos líderes na colocação dentro do pelotão. Já o van Aert “sofreu” do mesmo mal em praticamente todas as corridas, talvez só na Gent Wevelgem teve um colega de equipa junto dele (com capacidade) até ao fim.
A Ineos deu espetáculo mas no momento da decisão da corrida falhou. Não sabemos, mas não creio que Pidcock conseguisse fazer muito melhor, já tem muitas corridas nas pernas e este percurso é muito duro, mais até que a Fleche Wallone. De qualquer das formas a Ineos teve uma muito boa época de clássicas, com vitórias e pódios de Pidcock e Dylan van Baarle.
A Quick Step fez mais um época de clássicas extraordinária, com muitas vitórias e um monumento, mas Allaphilippe, mesmo tendo aliviado a pressão de uma época menos fulgurante coma vitória na Fleche Wallone, continua a bater na trave nesta corrida. Se continuar assim, fica numa situação idêntica à do Greg van Avermat no Tour de Flandres, onde tem muito bons resultados mas sem vitórias.
Por fim destaco 4 equipas/ciclistas por diferentes motivos.
– Gaudu excelente resultado, a França pode ter encontrado os seu líder em provas de 3 semanas e nestas clássicas duras.
– Alpecin, sem MVDP não têm tanta capacidade para ganhar, ainda assim são claramente a melhor equipa não World Tour e com mais vitórias que muitas equipas World Tour. Este ano ganharam clássicas com MVDP, Jasper Philipsen e Tim Merlier.
– Trek este mais discreta nesta corrida com o 8º de Molema, mas conseguiu um monumento com o surpreendente Jasper Stuiven e outra clássica com o Mads Pedersen, ainda assim esperava mais de umas das equipas mais fortes para as clássicas.
– Por fim a maior desilusão é a AG2R, investiram muitos para as clássicas e saem sem vitórias e o único resultado importante foi o pódio no Tour de Flandres. Pela equipa que têm, parece-me que apenas poderão lutar por etapas nas grandes voltas e caso não consigam poderá ser uma época falhada.
A época das clássicas da primavera chega ao fim mas este ano no outono ainda vamos ter muito espetáculo, com o Giro da Lombardia, Paris-Roubaix e campeonato do mundo na Flandres com um percurso digno de um monumento.
Venham as corridas de 3 semanas com um Giro muito forte este ano, o João Almeida não terá vida fácil mas tem potencial para mais um excelente resultado, e um Tour em que espero que haja mais um épico duelo Pogacar v Roglic.
Jan the Man
Concordo contigo, ontem realmente a UAE esteve ao melhor nível, grande trabalho com Hirschi e Formolo à cabeça.
Na INEOS acho que nem eles esperavam estas prestações do Van Baarle, penso que a aposta principal foi quase sempre no Pidcock que baixou o nível depois da Strade Bianche, acabando o holandês por aproveitar.
Quanto à questão da AG2R, acredito que este “falhanço” se deva maioritariamente a dois factores: um menor rendimento da sua “força de trabalho” (corredores como Galopin, Calmejane e Jungels tiveram um início de época demasiado discreto) e a indecisão quanto à aposta para cada prova (Naesen e Van Avermaet até conseguiram estar nas fases decisivas de algumas provas, podiam ter aproveitado bem melhor). Também Cosnefroy, depois de uma excelente temporada no ano passado, esteve abaixo do esperado.
No entanto, dada a qualidade do elenco, é bastante provável que tenham algum sucesso em etapas nas GVs (Paret-Peintre é mais um nome a ter em conta neste desfecho).
Acrescentaria aí nas desilusões a DSM, mesmo não sendo a época de clássicas o seu foco principal. Benoot, Bardet e Kragh Andersen conseguiram apenas um top10 cada quando já demonstraram capacidade para mais. Serão certamente mais uma equipa à procura de vitórias nas provas de 3 semanas.
charles eclair
Sim tens toda a razão, a DSM foi tão discreta neste ínicio de ano que nem me lembrei. Perderam um ciclista que deu a Fleche Wallone o ano passado (Hirschi), mas como dizes continuam com opções de qualidade, por isso mesmo não sendo o objetivo principal podiam ter feito bem mais. Até nas provas de uma semana tiveram discretos com apenas uma vitória em etapa no Paris-Nice. Para as GVs, o Romain Bardet terá de melhorar a sua forma em relação aos rivais caso queira fazer bons resultados.
Sim a AG2R nas GVs voltas vai lutar por etapas e têm uma equipa com qualidade para conseguirem ganhar algumas, no entanto a concorrência é sempre mais forte nestas provas, todas as equipas vão querer ganhar e a AG2R vai correr com pressão extra. Se conseguirem apenas 1 vitória em etapa acaba por ser uma época fraca.
Mas época ainda vai a meio e muito vai acontecer.
Eder26
O que é feito do Egan Bernal?
Jan the Man
Esta em fase de preparação para o Giro. Até fez um belo início de temporada, com pódios na Strade Bianche e Tour de la Provence e um 4o lugar no Tirreno Adriático.
A correr bem, vai lutar pela vitória em Itália.