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Polaco assume o trono; Inter goleado em casa; Nápoles regressa às vitórias; AC Milan volta a perder pontos

Fica bem entregue. Ganhou o ciclismo de “ataque” e o promissor polaco fez uma época ao nível de campeão do Mundo.

Mais um ano em que a leitura de corrida foi o factor determinante! Michal Kwiatkowski é o novo Campeão do Mundo de Estrada, depois de um ataque que antecipou nalguns metros a última subida e que mostrou-se irreversível para o resto dos candidatos. Portugal esteve discreto embora Rui Costa (apenas 23.º) tivesse estado na discussão até à última subida, Gerrans e Valverde (6.ª vez que fica no pódio) conquistaram as medalhas de prata e bronze, respectivamente. Kristoff foi o mais forte entre o grupo maior mas era apenas o 8º lugar que estava em discussão. A prova começou com uma fuga de 5 elementos, que entretanto ficou reduzida a 4, e que chegou a conquistar uma vantagem de mais de 15 minutos. Quem pegou na corrida foi a Polónia de Kwiatkowski, uma das equipas de 9 elementos, controlando a fuga até que um grupo mais perigoso que incluía Tony Martin e onde estavam representadas muitas das principais seleções saltou do pelotão obrigando a Austrália e a espaços também Portugal a perseguir o grupo. Entretanto também este grupo esteve controlado e até à última volta foi um grupo que incluía Kiriyenka, De Marchi, Gautier e Valgren a encontrar-se em fuga. A este grupo de 4 juntou-se Michal Kwiatkowski antes da última subida que aí se isolou. Nesta última subida atacam Rodriguez, Gerrans, Gilbert, Van Avermaet, Valverde e Tony Gallopin que não conseguem alcançar Kwiatkowski que passa no topo com 8s de vantagem, 8s que foram suficientes para manter até à linha de meta e permitir ao jovem polaco envergar a camisola arco-íris em 2015.
AS Roma e Juventus vão aproveitando – O Inter de Milão perdeu hoje, no seu reduto, frente ao Cagliari, por 4-1. A equipa de Mazzarri ainda esteve empatada a uma bola antes dos 20 minutos (marcaram Sau e Osvaldo), mas a expulsão de Nagatomo (duplo amarelo em apenas 3 minutos) tornou o jogo fácil para o conjunto forasteiro. Albin Ekdal foi o grande destaque do jogo, ao apontar um hat-trick, sendo que Cossu ainda falhou uma grande penalidade pelo meio. Por sua vez, o Nápoles, num jogo sem grandes oportunidades, venceu de manhã o Sassuolo por uma bola a zero, com Callejón, num fantástico trabalho de Higuaín, a fazer o único golo da partida. Já o AC Milan, não foi além de um empate a 1 frente ao Cesena. A equipa de Inzaghi assumiu sempre as despesas com bola do jogo, mas mostrou-se pouco atrevida ofensivamente. Individualmente os nomes que mais saltam à vista deste jogo são os da retaguarda defensiva. Abbiati, que ofereceu um golo a Succi; Zapata, que levou vermelho directo; e Rami, que apontou o golo da turma de Milão. Nos restantes jogos, destaque para o empate a 1 entre Torino e Fiorentina, resultado que Chievo – apesar do domínio evidente – e Empoli também imitaram.

0 Comentários

  • Rodrigo
    Posted Setembro 28, 2014 at 3:26 pm

    Vitoria tremenda do Kwiatkowski. E ainda jovem, mas ja e uma das grandes figuras do pelotao internacional e este titulo vem coloca-lo como uma das grandes figuras da temporada. O facto de nao pertencer a uma das Selecçoes mais fortes e com mais elementos ainda lhe da maior merito.
    Valverde, Gerrans, Gilbert ou Bouhanni estiveram perto, mas reagiram tarde demais ao polaco.
    Por fim, o Rui ficou em 23°, nao tendo tido pernas para responder na ultima subida.

    Em Italia, o Milan terminou com 10 elementos e minimizou os estragos, embora seja um mau resultado claro. O Napoles respira e o Inter foi humilhado em casa. A expulsao do Nagatomo perturbou a equipa e os forasteiros conseguiram uma bela vitoria. Destaque para o desequilibrador Ibarbo e para o hat-trick do medio sueco Ekdal (possivelmente o 1° da carreira).

    • RicardPereira
      Posted Setembro 28, 2014 at 3:41 pm

      Ele estava numa das selecções com mais elementos.

    • Jorge
      Posted Setembro 28, 2014 at 9:18 pm

      A Polónia tinha uma equipa de 9 elementos (o máximo que uma seleção pode ter) , até por isso iniciou a perseguição à fuga que ia nos 15 minutos ..

      Quanto ao Kwiatkowski , foi um grande ataque ainda antes da última subida e , como bom contrarrelogista que é , conseguiu manter vantagem para o grupo perseguidor .

      Quanto a Portugal e a Rui Costa , confesso que fiquei desiludido com a nossa equipa .. tínhamos 6 bons corredores e na parte final da corrida só tínhamos Nelson (grande trabalho deste grande ciclista) com o Rui e o Tiago Machado estava na cauda do pelotão (já não conseguia ajudar) . O resto já nem se encontrava no pelotão .. Acho que a equipa tinha capacidade para fazer melhor ao nível de ajudar o Rui Costa , por isso é que me desiludiu . Já o Rui , não conseguiu acompanhar o grupo perseguidor do polaco e ficou confinado ao pelotão ..

      Estes Mundiais são muito imprevisiveis por serem corridas de um dia e acho que aí está um bocadinho da magia dos mesmos ! Continuamos a ter uma enorme geração de ciclistas e , no geral , Portugal esteve bem no Mundial .

      Para o ano há mais !

      Cumprimentos

  • 123
    Posted Setembro 28, 2014 at 3:39 pm

    Ganhou a seleção que mais lutou para o conseguir, numa fase em que ninguém queria pegar na etapa para anular a fuga foi a equipa polaca a assumir as despesas do pelotão por inteiro. A partir desse momento toda a gente soube que Kwiatkwoski estava bem fisicamente.
    Claro que sempre quis que um português conseguisse a vitória, não sendo nenhum corredor luso, quem mais merecia era um corredor da Polónia e foi isso que aconteceu.

    • Anónimo
      Posted Setembro 28, 2014 at 3:48 pm

      Este resultado vem demonstrar a grande importância do trabalho de equipa, e nesse campo a Polónia esteve muito bem.

      Bruno M.

  • Anónimo
    Posted Setembro 28, 2014 at 3:45 pm

    Parabéns ao Kwiatkowski, a camisola fica mesmo muito bem entregue!
    Grande trabalho da equipa durante a corrida, e no final, a antecipação do ataque do Kwiatkowski foi letal.
    Valverde mais uma vez vai ao pódio mas não chega ao ouro.
    Quanto aos portugueses, o Rui Costa esteve sempre muito bem posicionado, mas faltou o ataque final. De qualquer das formas, o traçado não era o ideal para as suas características.
    Destaque para mais uma grande prova do Nelson Oliveira, depois do excelente contra-relógio de quarta-feira, a mostrar mais uma vez o apoio/ protecção total ao Rui Costa. É um aguadeiro de luxo!
    Para os outros, talvez com excepção do Tiago Machado que se manteve até ao final no pelotão, não correu tão bem. Faltou apoio ao Rui (cenário comum esta época), e assim é mais complicado obter tão bons resultados.

    Somos uma selecção pequena, mas não nos podemos esquecer que a camisola arco-íris já não é um sonho mas sim uma certeza!
    Este ano fica muito bem entregue, e coroa o grande trabalho e sacrifício da equipa.

    Bruno M.

  • Bruso
    Posted Setembro 28, 2014 at 3:58 pm

    Prova como se esperava. Tudo muito calmo até à última subida. Tal como o ano passado os ataques dos favoritos ficam sempre para o final. No papel é fácil e prevê-se sempre que o Cancellara, Tony Martin, Nibali ataquem de longe mas após 200kms e mais de 5horas não é fácil ter pernas para o fazer. Tony Martin aproveitou o facto de estar em fuga e ainda andou escapado mas quando foi apanhado morreu completamente e nunca mais o vimos.
    Aquele ataque imprevisível do Kwia foi o momento chave. Entrou naquela curva perigosíssima da barragem na frente do pelotão e acelerou logo à saída da curva num momento que o pelotão estava muito alongado, depois daquela descida perigosa. Aqui se mostra a importância da colocação nestes momentos mais técnicos do percurso.
    Juntando isto ao facto de terem demorado a responder ao ataque, Kwia ganhou logo um tempo confortável e sendo bom contra relogista como o é não deu qualquer hipótese. Foi o culminar de uma grande época para o polaco e para o ciclismo polaco. Kwia começou a época a ganhar (Volta Algarve, Strade Bianche…) e acaba a época com esta grande vitória. Para além de Kwia a Polónia teve ainda em Majka um ciclista em destaque nos GT's. Estas prestações permitiram que a Polónia levasse uma equipa com 9 ciclistas e diga-se de passagem que foram a seleção que melhor aproveitou a sua equipa e que mais trabalhou na frente do pelotão. (Espanha devia aprender!!)

    Quanto aos portugueses: Nelson Oliveira estee fantástico no apoio ao Rui Costa não se coibindo de assumir a frente do pelotão quando foi necessário (notou-se um grande entrosamento entre os dois). O Tiago Machado chegou a ficar para trás mas consegui reentrar e chegou à meta num grupo a 50segundos do vencedor. Durante a semana foi dizendo que as sensações não eram as ideais, e o facto de ter de despender um esforço adicional para reentrar no pelotão não permitiu vê-l ao ataque. O Sérgio, o André e o José Mendes já se sabia que eram homens que tentariam aguentar no pelotão ao máximo para o caso de acontecer alguma coisa ao Rui Costa e foram ficando para trás aos poucos e depois desistiram. Quanto ao Rui Costa esteve sempre muito bem colocado e o única coisa que se pode apontar é não ter conseguido responder ao ataque do Purito. Depois de não ter conseguido entrar naquele grupo perseguidor aliou-se completamente da luta pela tabela classificativa. Para ele acabar em 15º ou em 23º é a mesma coisa. Ou está na luta pela vitória ou então é só chegar à meta.

    Desilusões: Cancellara e Sagan. Cancellara apostou tudo neste Mundial mas acabou por nem atacar a prova. Até Albasini esteve mais interventivo. Quanto ao Sagan, as expetativas não eram que fosse o vencedor (devido à Vuelta péssima) mas estava à espera que fizesse alguma coisa na corrida ou que estivesse no grupo da frente. Nem apareceu!!

    Entre os sprinters o vencedor foi o Kristoff que bateu Degenkolb, Bouhanni, Swift, Colbrelli e Mathews e fechou em 7ºlugar.

  • João Lains
    Posted Setembro 28, 2014 at 4:06 pm

    Exibição muito pobre do Nápoles na visita ao campo do Sassuolo. Um golo de Callejón na única oportunidade de golo em todo o encontro foi o suficiente para garantir o triunfo. Pela positiva, a exibição da dupla de centrais do Nápoles, composta por Albiol e Koulibaly que esteve intransponível. Pela negativa, a exibição do tridente de ataque do Sassuolo composto por Sansone, Floccari (jogou na ausência do castigado Berardi) e Zaza. O último esteve especialmente desastrado acabando o jogo sem um único remate. O Pavoletti, que entrou para o último quarto de hora de jogo, lutou bastante mas não trouxe consequências para a equipa do Nápoles.

    Tarde de pesadelo para o Inter de Milão (!). Depois de conhecer este desfecho é fácil procurar explicações para uma goleada como esta, mas não consigo entender sinceramente a razão para Mazzari ter apostado em Vidic, em detrimento de Ranocchia, que tem estado bastante seguro neste início de temporada, ao ponto de ter sido titular no duplo compromisso da selecção italiana, no início deste mês. Nagatomo, ocupou o lugar de Jonathan, mas não quero criticar esta opção sem conhecer os motivos para esta ausência. A verdade é que estes dois jogadores que eu mencionei, estiveram mal na fotografia no primeiro golo, não se entenderam, acabando por deixar a bola passar para o Sau, que inaugurou o marcador e depois o japonês, que até assumiu a braçadeira de capitão deitou tudo a perder, já depois de Osvaldo ter reposto a igualdade, sendo duplamente amarelado no espaço de 2 minutos. Depois, tudo se precipitou. O Cagliari fez dois golos no espaço de 5 minutos e quando o pénalti defendido por Handanovic (nos últimos cinco anos, defendeu 15 num total de 40. Diego Alves e Leno, surgem na segunda posição, entre as cinco principais ligas, com "apenas" 8, embora com uma taxa de sucesso ligeiramente superior) poderia dar uma injecção de moral à equipa, Ekdal completou o hat-trick no lance seguinte. Na segunda parte, o Inter surgiu completamente refigurado mas sem argumentos para inverter o resultado apesar das várias tentativas. O Cagliari limitou-se a gerir o resultado e não criou perigo durante este período.

    No campo do Cesena, Inzaghi viu, uma vez mais, a sua equipa reduzida a 10 homens e sem possibilidade para discutir uma vitoria até final. À semelhança do que tinha acontecido com o Empoli, também ele um recém-promovido, o Milan entrou a perder com um golo de Succi, com muitas responsabilidades para Abbiati (a renovação de contrato foi uma péssima decisão). O Milan partiu em busca do empate que chegou pouco depois por Rami, após um canto de Honda. Mas, no geral, foi um jogo muito repartido, e o empate acaba por se aceitar. O Milan teve mais bola, controlou o jogo mas não levou muito perigo para a baliza de Leali, que só teve um par de intervenções de maior dificuldade. Quando Inzaghi poderia ter apostado numa solução mais ousada a partir do banco, Zapata viu o vermelho directo, e o técnico foi obrigado a retirar Honda de campo para recompor o sector defensivo.

    Uma jornada que não foi tão emotiva quanto as anteriores.

  • João Lains
    Posted Setembro 28, 2014 at 4:22 pm

    Hoje aproveitei para ver pela primeira vez em acção o RB Leipzig, a famosa equipa da segunda divisão alemã que foi adquirida pela Red Bull e logo num dos estádios mais atraentes do futebol europeu. Na ESPRIT arena, o Fortuna Düsseldorf, recebeu o RB Leipzig, que desperdiçou a oportunidade de assumir a liderança isolada. Não sei quantas pessoas estavam no estádio, mas semana sim, semana não, o Düsseldorf conta com uma tamanha atmosfera de 33 mil pessoas (46 mil na última vez em que disputaram a Bundesliga).

    A equipa forasteira assumiu o controlo de jogo no primeiro quarto de hora, mas sem criar muito perigo. Foi o Düsseldorf que criou a primeira grande ocasião de golo ao minuto 15, mas Hoffer, falhou o desvio. O Leipzig respondeu logo de seguida e inaugurou o marcador. A equipa recuou mais no terreno e entregou a iniciativa à equipa da casa, que apesar da vontade nunca criou verdadeiro perigo. O Leipzig apostava no contra-ataque onde era verdadeiramente rápido, apesar de não ter os melhores executantes, e numa dessas transições, a equipa poderia ter aumentado a vantagem mas o remate saiu completamente desajeitado.

    No segundo tempo, manteve-se a mesma toada e o Düsseldorf chegou finalmente à igualdade por Pohjanpalo, aquele miúdo finlandês que se tornou viral na internet, quando apontou um hat-trick com somente 17 anos na Primeira Liga Finlandesa. Na jogada seguinte, bola a meio-campo e o Leipzig colocou-se de novo em vantagem. A equipa procurou segurar a vantagem, mas teve o Düsseldorf acabou por merecer o empate que chegou a 5 minutos do fim.

    É uma pena que o Leipzig tenha deixado escapar os três pontos, porque estaria nesta altura na liderança da Segunda Divisão, mas creio que na próxima temporada estarão no escalão principal, mais rápido do que os responsáveis da Red Bull estarão à espera.

    • Kafka I
      Posted Setembro 28, 2014 at 4:37 pm

      Excelente análise ao jogo do Leipzig…só acrescentaria relativamente ao Leipzig que derivado da tal lei dos 50+1 na Alemanha, a Red Bull apenas detém 49% do Leipzig, pois só desta forma o Leipzig poderia subir de divisão

    • Awesome_Mark
      Posted Setembro 28, 2014 at 4:45 pm

      Podes me explicar o que é que é essa lei do "50+1" Kafka I ?

      Agradeço

    • Kafka I
      Posted Setembro 28, 2014 at 5:03 pm

      Resumidamente na Alemanha, nenhum clube pode ser detido de forma maioritária por uma empresa ou particular, ou seja, o Clube terá SEMPRE de ter pelo menos 51% da participação do clube…isto visou essencialmente proteger os clubes e a sua identidade, dos magnatas Russos e Árabes, ou mesmo dos tão agora falados fundos poderem vir a comprar clubes na Alemanha…

      Derivado desse facto, a Red Bull tentou comprar o Leipzig, mas o máximo que conseguiu foi deter 49% do mesmo, pertencendo os outros 51% ao próprio clube

    • João Lains
      Posted Setembro 28, 2014 at 5:09 pm

      Kafka, basta referir que as iniciais RB que o Leipzig ostenta no seu emblema referem-se à palavra RasenBallsport e não ao nome da empresa, por força dessa regra imposta pela Federação Alemã.

    • João Lains
      Posted Setembro 28, 2014 at 5:33 pm

      O objectivo da Red Bull passa por colocar o clube na Bundesliga e diz-se que existem 100 milhões de euros que serão investidos para montar a equipa. Para já tudo tem corrido da melhor forma, já que em 2009/10, o RB Leipzig estava no quinto escalão.

      Para os mais curiosos, a Red Bull apostou primeiramente na cidade de Leipzig por três razões:
      – elevada densidade populacional (mais de 1 milhão de habitantes)
      – Zentralstadion (único estádio da Alemanha Oriental que sediou o Mundial)
      – tradição desportiva (foi a primeira sede da Federação Alemã)

      O director desportivo é o Ralf Rangnick, antigo treinador alemão com relativo sucesso mas que já conseguiu uma proeza semelhante à do Leipzig (este escalar de divisões) com o Hoffenheim. Uma equipa a seguir!

    • van Basten
      Posted Setembro 28, 2014 at 8:57 pm

      Começo por dizer que algo pode ter mudado desde a última vez que me debrucei sobre a questão, mas pessoalmente, não posso concordar com esta situação referente ao RB Leipzig. Aliás, recordo-me que logo no início da época (não sei como está a situação agora porque não a tenho seguido de perto) foram muitos os adeptos de muitos clubes da 2.Bundesliga que se manifestaram contra o clube e a forma como este tem encontrado para contornar as regras.

      Primeiro, a questão dos 50+1 aqui é totalmente falaciosa. Até há bem pouco tempo, pelo menos, o clube tinha salvo erro 14 ou 15 membros, todos ou quase todos eles com ligação à Red Bull. Ora, isso não faz muito sentido, como é óbvio (a questão do nome que o João Lains menciona foi apenas uma forma encontrada para dar a volta à legislação, e em sentido prático não muda absolutamente nada). E só para se ter uma ideia, o valor necessário para alguém se tornar membro era absurdamente mais elevado que qualquer equipa da Bundesliga. A título de exemplo, quem quer ser membro do Bayern tem que pagar, aproximadamente, 60€. Quem quer ser membro do RB Leipzig, 800. Diferença absolutamente ridícula e que só se explica pelo facto da RB conseguir assim manter a maioria no clube sem manter a maioria no clube, se é que me entendem.

      Segundo, a forma como o RB Leipzig está a competir é, quanto a mim, injusta em comparação com os outros clubes. O orçamento da equipa é gigantesco quando comparado com as outras equipas do seu escalão, e inclusive com muitas equipas da própria Bundesliga. Só neste último período de transferências, gastou mais de 10M, valor incomportável para os seus rivais. Situação que não é de agora. Aliás, foi este fluxo súbito de dinheiro que lhes permitiu dar o tal salto rápido entre divisões. Realmente, Red Bull dá-te mesmo asas.

      Há mais acerca do clube, mas isto é o que eu considero ser o mais intelectualmente desonesto. O RB Leipzig nem me parece que esteja a fazer algo de muito novo no futebol alemão actual, mas exagera-o de forma incrível. Pessoalmente, uma das coisas que me fez começar a seguir menos a Premier League foi a desvirtuação do desporto por causa do dinheiro trazido por magnatas que de repente se lembraram de comprar um clube de futebol. Muito sinceramente, até porque é o campeonato que mais sigo, espero que o mesmo não se comece a passar na Bundesliga.

    • João-Pedro Cordeiro
      Posted Setembro 28, 2014 at 9:42 pm

      And that, caro van Basten, is why a minha liga preferida é o Championship.

    • João Lains
      Posted Setembro 28, 2014 at 11:01 pm

      Percebo o teu ponto de vista, mas pessoalmente sinto-me entusiasmado com este projecto. Apesar de ter armas que outros clubes não têm, não houve um investimento desenfreado como em muitos outros clubes. Há um projecto muito bem estruturado, existem objectivos a longo prazo que passam pela presença no primeiro escalão e a própria escolha da cidade vai de encontro a esse plano que foi traçado pelos responsáveis da Red Bull (tem uma equipa em cada um dos continentes).

      Se conheces a realidade do RB Leipzig, também já deves ter lido que este não foi bem aceite nos primeiros tempos pela população. Mas o que contribuiu decisivamente para a aceitação foram os vários anos que a equipa passou no quarto escalão. É verdade, o RB Leipzig passou três anos consecutivos na Regionalliga até conseguir a promoção à 3. Liga e foi isso que fez com que as pessoas percebessem que não se tratava apenas de mais uma equipa construída com dinheiro.

      Actualmente, existem uma mão cheia de equipas com os mesmos argumentos para lutar pela subida à Bundesliga, apesar de não terem investido tanto dinheiro. Eu mesmo só conheço meia dúzia de jogadores desta equipa, não conheço o treinador de lado absolutamente nenhum, portanto não sei como essa desvirtuação possa ser assim tão grande neste caso.

      Aprecio o RB Leipzig, em boa parte, pelo Rangnick, já que também acompanhei a ascensão do Hoffenheim desde muito cedo.

    • van Basten
      Posted Setembro 29, 2014 at 12:06 am

      É verdade que as coisas no RB Leipzig podiam estar a ser ainda mais desvirtuadas, concordo nesse ponto, mas há que ver que o que é 'normal' fazer-se noutros campeonatos não é normal fazer-se na Bundesliga. Aliás, o exemplo que mencionas do Hoffenheim é excelente, e apesar de estar agora algo desvalorizado, na altura suscitou bastantes protestos também, e eu pessoalmente não me esqueço da influência que o dinheiro de Hopp teve na ascenção do clube. Rangnick, a quem reconheço ter qualidade inclusive como treinador, soube gerir da melhor forma essa influência. E apesar de também não concordar com o que se passou no Hoffenheim, penso que acabam por ser duas situações diferentes, já que este não tem ligação directa com uma marca específica que se pretende elevar à custa do sucesso alcançado no futebol.

      A permissa é simples. O projecto da Red Bull é um projecto idêntico a um modelo de franchising. Todos os clubes que a empresa detém caem na mesma 'forma', não havendo tradição de clube absolutamente nenhuma, claro, algo que quanto a mim é importantíssimo no futebol: todas as suas equipas jogam num estádio com o nome da empresa. Todas têm os mesmos uniformes, e o mesmo símbolo, ou practicamente o mesmo símbolo. Têm RB incorporado nos nomes. Claramente, querem associar uma imagem de sucesso à marca, usando clubes de futebol onde injectam milhões de euros que não conseguem ser igualados pelos rivais, visto não terem as mesmas armas financeiras. Sinceramente (e este é só o meu ponto de vista, claro), isto para mim é sinónimo de desvirtuação do desporto, e o que a RB está a fazer é a explorar loopholes da estrutura dos 50+1 alemã.

      Concordo também que poderia ser pior em termos de como o está a fazer (se bem que estou convicto que não o fazem de forma mais aberta apenas por estarem na Alemanha. Já assim estão a enfrentar muitas dificuldades). Mas convenhamos, situações como a de Rebić, ou dos empréstimos de Bruno ou Sabitzer (essa então, com a questão da cláusula, foi risível) não contribuem em nada para que possa olhar para este novo clube de qualquer outra forma.

      Mais uma vez, claro que isto são só opiniões. Se fosse adepto do clube (se bem que nunca seria adepto de um clube com 5 anos de história), admito que pudesse ter uma opinião diferente. Mas também te posso dizer que já imaginei várias vezes o clube que apoio em Portugal ser comprado por um magnata em forma de pessoa ou empresa, e o pensamento, sempre que o tenho, está muito longe de ser agradável.

  • Kafka I
    Posted Setembro 28, 2014 at 4:26 pm

    Polónia continua em grande, depois de no Domingo passado se ter sagrado campeã do Mundo de Vólei, hoje passa a ter o campeão do Mundo de Ciclismo…

  • van Basten
    Posted Setembro 28, 2014 at 6:37 pm

    No Imtech Arena, electrizado por um ambiente espectacular, o Hamburgo tentou a sua primeira vitória no campeonato, naquele que foi o terceiro jogo do inexperiente Zinnbauer ao leme da equipa. A vitória do Frankfurt, por 2-1, é seguramente um dos resultados mais enganadores dos últimos tempos, já que os Dinossauros foram muito superiores durante a maioria dos momentos da partida.

    Aos 25', os da casa já detinham um recorde que ninguém gosta de deter, e que até hoje pertencia ao Bochum: com 475 minutos, o HSV é agora a equipa que demorou mais tempo a marcar um golo em toda a história da Bundesliga. No entanto, a história que se passou hoje tem mais contornos. Durante a primeira parte, o Hamburgo foi mais pressionante, mais esclarecedor, e mais determinado na procura do golo. Como tal, o balde de água fria servido por Seferovic, aos 44', veio completamente contra a corrente do jogo. Neste lance, nota ainda para a má abordagem do recém-chegado Cléber, ele que até acabou por fazer uma exibição positiva, e que pode ser muito importante na defesa ao longo da época.

    Na segunda parte, o Hamburgo veio ainda mais determinado do que o que tinha demonstrado nos primeiros 45', mas ao mesmo tempo mostrou maior clarividência no momento de definir os lances ofensivos. Resultado, o Frankfurt mal se viu, e o golo de Müller, que fez rugir o estádio, chegou com inteira justiça e só pecou por tardio.

    A partir daqui, o Hamburgo balanceou-se para a frente e esteve perto de conseguir a reviravolta no marcador por várias ocasiões, que nunca chegou a acontecer, ou por causa do acerto do quarteto defensivo da equipa de Schaaf (Wiedwald, o jovem que se estreou a titular na Bundesliga no lugar do lesionado Trapp, também esteve bem entre os postes), ou por falta de clarividência no momento do remate, ou ainda pela arbitragem, que hoje esteve desastrada e com várias decisões erradas que bloqueavam o momentum da partida, quase sempre com prejuízo para o Hamburgo.

    Perante esta incapacidade, a velha máxima de 'quem não marca arrisca-se a sofrer' teve hoje novo expoente máximo. Piazón, que havia entrado 4 minutos antes, quase matou de desgosto as cerca de 48 000 pessoas que assistiam ao jogo. No último minuto da partida, o brasileiro cedido pelo Chelsea marca um livre de uma forma extraordinária, vergando um Hamburgo que hoje tinha tudo para vencer o seu adversário. Alegria imensa para os visitantes e desilusão desmedida para a equipa de Zinnbauer, que não merecia este desfecho.

    Individualmente, destaque para Holtby (só hoje, o médio emprestado pelo Tottenham terá feito mais do que Van der Vaart fez nos últimos cinco jogos pela equipa, em termos de jogo corrido), Müller, o mais perigoso em campo, e Arslan – Zinnbauer voltou a colocar o médio onde ele rende mais e este tem correspondido. No Frankfurt, menção para a exibição de Russ – cortou quase tudo o que podia cortar – e para Seferovic, que para além do golo procurou sempre colocar a defesa do HSV em sentido. HSV que, com mais uma derrota, mantém o estatuto de Lanterna Vermelha da Bundesliga. Mas sem dúvida que, a continuar com este nível exibicional, não será esta a última classificada da Bundesliga no final da época.

  • joao
    Posted Setembro 28, 2014 at 6:44 pm

    A camisola continua num grande campeão…

  • André Pinho
    Posted Setembro 28, 2014 at 9:29 pm

    Muito bem entregue o arco-íris, mas a minha análise difere um pouco das anteriores que aqui li. Pese embora todo o trabalho da Polónia que merecia de facto uma prenda destas, creio que este título é entregue "por defeito".

    A corrida tinha de ser dinamitada na penúltima subida. Não percebi como é que a Espanha e a Itália assumiram a frente nas duas últimas voltas, enrijeceram tanto o ritmo e depois não lançaram os favoritos. É claro que não sabemos em que condiçao poderiam estar os principais favoritos nessa fase, mas faz-me sempre confusão este tipo de corridas (este ano já tivemos um monumento em que aconteceu o mesmo), em que todas as estratégias têm como objectivo ter a corrida fechada em determinada zona, e depois ninguém a abre quando se chega a essa altura!

  • Nuno
    Posted Setembro 29, 2014 at 11:41 pm

    Vitória merecida do polaco. E grande trabalho da sua equipa ao longo de toda a corrida.

    Teve realmente um ano digno de receber esta camisola de campeão do mundo. Nesta corrida soube fazer exactamente o que o Rui Costa fez no ano passado: ler, da melhor forma, a corrida e saber quando atacar.

    Segundo lugar para o Gerrans, ele que era considerado o principal favorito e que estava em grande forma, enquanto que o 3º lugar foi, mais uma vez, para o Valverde. LOL Já é a 6ª vez que fica no pódio.

    Relativamente aos portugueses é de destacar o excelente trabalho do Nélson Oliveira em prol do Rui e, também, dizer que claramente este não era um perfil indicado para o próprio Rui Costa, portanto não considero negativo este resultado. Talvez pudesse ter feito um pouco mais para acompanhar aquele grupo que saiu com o Valverde e com o Purito na parte final, mas a verdade é que aí já estava completamente sozinho e torna-se mais difícil assim (um aspecto positivo é que esteve sempre muito bem colocado ao longo de toda a prova).

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