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Porque a culpa não é só de Rui Jorge e Bento: É preciso valorizar o jogador português!

As mais recentes derrotas das selecções nacionais voltaram a colocar em causa o valor do produto nacional (jogadores). Temos muitos jogadores dos sub-21 que pouco ou nada jogam, o mesmo se passando na selecção AA. Paulo Bento, com algumas falhas na convocatória é certo, quase que foi obrigado a colocar suplentes nos seleccionados para a Dinamarca, tal a escassez de jogadores portugueses a jogar ao mais alto nível e com regularidade. A actual geração estará garantida até ao Euro 2016 (assim se façam as melhores opções no banco), contudo, se a aposta dos clubes portugueses continuar a ser na ausência de jogadores nacionais, então o futuro pós-2016 poderá estar hipotecado.

Depois de o FC Porto ter acabado a temporada passada sem nenhum jogador da sua formação no plantel (algo único na história do clube), 2011-12, com o empréstimo de Ventura e Castro o cenário não será diferente. Já no Benfica, com a saída de Coentrão o clube da Luz corre um sério de risco de jogar 95% das partidas na próxima época sem nenhum jogador português no 11. Por sua vez, o Sporting que era a excepção e de longe o melhor exemplo para o futebol nacional, não conseguiu resistir à tendência e contratou 14 jogadores (todos estrangeiros). Três clubes, três equipas que deviam ser exemplo para todas as outras a nível nacional, mas que com esta política em nada estão a contribuir para uma falta de identidade do futebol português. No plano económico, está igualmente provado que o jogador português é dos que vende melhor no Mundo, como tal, esta aposta nula é uma má política de mercado (como querem vender jogadores como o Nani, Coentrão, Carvalho, se não apostarem neles?). Os outros clubes da Liga Zon-Sagres infelizmente dão continuidade a este flagelo e salvo algumas excepções o cenário para a próxima época é ainda menos animador. Como tal, parece-nos oportuno voltar referir o projecto que o Visão de Mercado elaborou para o futebol português e destacou no último mês de Setembro de 2010.


Soluções?

O Visão de Mercado sugere algumas soluções a aplicar pela Liga de Clubes, como forma a reduzir esta invasão de jogadores extracomunitários. As medidas são na nossa perspectiva realistas e de acordo com os padrões do futebol português. A saber:
– O número de inscrições na Liga ZON-Sagres fica fixado nos 27 jogadores, no entanto, desse número, pelo menos 5 jogadores terão que ter sido formados no clube (a mesma regra da UEFA: ter jogado pelo menos 3 anos no seu clube, entre os 15 e os 21 anos).
– Para equilibrar o número de jogadores portugueses no 11 inicial, sugerimos que obrigatoriamente em todos os jogos, as equipas coloquem 4 jogadores nacionais de inicio, como forma a que joguem pelo menos 64 portugueses no fim-de-semana desportivo. Esta medida, obrigaria os clubes nacionais a terem um plantel com pelo menos 10-12 jogadores nacionais, como forma de prevenir qualquer lesão ou castigo.
– Limitar as transferencias de jogadores do exterior para 8 ou 10 (desde que pelos menos 5 deles sejam internacionais por qualquer escalão de formação do seu país). Esta medida visa reforçar as trocas internas, fomentando a circulação interna do dinheiro e maior equilíbrio das contas dos clubes.
– Quanto à limitação de jogadores extracomunitários, consideramos essa medida um pouco xenófoba, preferindo a obrigatoriedade de utilizar jogadores nacionais, em vez de restringir a entrada de extracomunitários.

Em relação à II Liga, seria também razoável implementar a obrigatoriedade de inscrever mais jogadores portugueses (pelo menos 14 jogadores em 27, 5 jogadores da formação e 5 jogadores no onze inicial). Quanto aos escalões de formação, seria importante obrigar os clubes a utilizar pelo menos 8 jogadores nacionais no onze inicial, como forma de fomentar a formação de jogadores portugueses. É lamentável não conseguirmos estar de maneira assídua nas grandes competições juvenis (este Mundial sub-20 é a excepção), e pela forma como países como a Alemanha, Bélgica, França, Espanha e até a Inglaterra estão a trabalhar há muito perdemos o estatuto de potência ao nível da formação.

PS – Caso os 4 principais clubes nacionais utilizassem regularmente pelo menos 4 jogadores nacionais de inicio, formariam uma boa base de apoio para a selecção nacional, pois seriam 16 jogadores em competição acesa, quer na Liga Nacional, quer nas Competições Europeias. Quem ficava a ganhar era a selecção nacional!

Que medidas equaciona para uma melhoria do nosso futebol? O que acrescentaria ou retirava às ideias do Visão de Mercado para permitir evoluir a nossa Liga, indirectamente ajudar o futuro da nossa selecção, e para dar mais condições ao jogador português? Recordamos que em 2004 (parece que foi há um século, mas foi há meia dúzia de anos) o Porto de Mourinho venceu a Liga dos Campeões com 9/10 portugueses a jogar assíduamente, como tal, a ideia de os clubes só poderem ser mais competitivos com jogadores estrangeiros não faz sentido. E se os nossos melhores querem sair, ao menos que se criem condições para outros apareceram e mostrar o seu valor…e para isso só actuando com regularidade. O 2º lugar no Mundial sub-20 irá alterar mentalidades? Poderá Portugal estar a correr sérios riscos para o futuro?

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