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Porque não é só futebol, o legado de CR7

A despedida de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional não representa apenas o fim de um percurso futebolístico. Representa o encerramento de um capítulo da história do desporto português e da memória coletiva de várias gerações.

O alcance de Cristiano nunca se limitou aos relvados: estendeu-se à economia, à projeção internacional de Portugal e, sobretudo, àquilo que representa enquanto figura de inspiração para milhões de pessoas.

Comecemos pelo futebol, naturalmente, a razão pela qual tudo começou. Cristiano Ronaldo é, sem dúvida, o maior futebolista português de todos os tempos e os números não mentem: Cinco Bolas de Ouro, inúmeros prémios individuais e recordes que desafiam a própria longevidade de uma carreira. É o melhor marcador da história do futebol de seleções masculinas e o jogador com mais internacionalizações, mas acima de qualquer distinção individual, ficam as conquistas coletivas – o Campeonato da Europa de 2016 e as duas Ligas das Nações, em 2019 e 2025. Mais do que os golos que marcou, fica o contributo para transformar Portugal numa seleção capaz de competir e conquistar títulos ao mais alto nível internacional.

O seu impacto ultrapassou largamente o desporto, Cristiano Ronaldo tornou-se uma das maiores marcas pessoais do mundo, um verdadeiro negócio global, capaz de movimentar milhões através de patrocínios, publicidade e investimentos. Esta notoriedade teve reflexos na própria Federação Portuguesa de Futebol: valorizou a imagem da Seleção Nacional, aumentou a sua exposição mediática e reforçou o interesse comercial em torno do futebol português. Seria exagerado atribuir-lhe isoladamente o desenvolvimento da Federação, mas seria igualmente injusto ignorar o contributo de uma figura que levou o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo.

A sua influência estendeu-se também às novas gerações de futebolistas portugueses, muitos dos quais cresceram a vê-lo como referência e hoje podem partilhar consigo o balneário da Seleção. Ronaldo ajudou, assim, a criar uma cultura de ambição e exigência que ultrapassa a sua própria carreira desportiva.

Contudo, existe uma dimensão mais importante que as anteriores -Cristiano é, acima de tudo, um ídolo. Mesmo para aqueles que não apreciam particularmente a sua personalidade ou o seu futebol, é difícil ignorar a história de superação que construiu. Saiu da Madeira ainda criança, deixou a família para perseguir um sonho e fez do trabalho e da disciplina os alicerces do seu sucesso. A exigência nos treinos, o cuidado com a preparação física e a obsessão pela melhoria constante permitiram-lhe permanecer entre os melhores jogadores do mundo durante décadas. Pelo caminho, enfrentou a morte do pai, a dolorosa perda de um filho, lesões e inúmeras adversidades que, apesar disso, nunca o fizeram desistir ou deixaram de lhe permitir sonhar mais alto.

Como tão bem transmitiu Nuno Matos nas suas narrações, Cristiano é um jogador que parece ultrapassar os limites da lógica. Talvez seja precisamente essa capacidade de superar os próprios limites que melhor explique a sua dimensão enquanto exemplo de perseverança e superação.

Por último, a dimensão central para este texto – a sua relação com Portugal e com a Seleção Nacional. Durante mais de duas décadas, Cristiano Ronaldo não representou apenas uma equipa, representou um país. Vestiu a camisola das quinas, envergou a braçadeira de capitão e levou o hino nacional aos maiores palcos do mundo. Sofreu com as derrotas e celebrou as conquistas como qualquer português que acompanhava a Seleção. Apesar de todo o sucesso alcançado, nunca deixou de se identificar com o rapaz madeirense que um dia partiu para Lisboa em busca de um sonho.

A meu ver, as palavras que escolheu para anunciar a sua saída da seleção nacional dizem muito sobre essa ligação: «Passei a minha vida a trabalhar para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo». Depois de conquistar praticamente tudo aquilo que um futebolista pode ambicionar, é precisamente a oportunidade de representar Portugal que identifica como a sua maior vitória. Há poucas declarações capazes de traduzir tão bem o significado desta camisola para Cristiano.

É por tudo isto que considero indispensável que a Federação Portuguesa de Futebol organize um verdadeiro jogo de homenagem a Cristiano Ronaldo- um estádio cheio, a camisola das quinas, o hino nacional e milhares de portugueses a aplaudir aquele que tantas vezes os fez vibrar. Não se trata de impedir a renovação da Seleção, mas de reconhecer que há percursos que merecem ser celebrados. Cristiano deve sair pela porta grande, com a dignidade e o reconhecimento que a sua história exige.

Todas as grandes histórias merecem um final feliz, a de Cristiano Ronaldo não é exceção. A realização de um último jogo de Ronaldo não seria para prazer do próprio e para alimentar o seu ego, mas uma oportunidade para todos os seus fãs e adeptos da seleção portuguesa lhe poderem agradecer, uma última vez.

No fim, como o próprio mencionou no seu vídeo de despedida – “serei sempre um de vocês, continuarei a sofrer, a vibrar e a celebrar cada vitória de Portugal com um Siuuu”.

Concluindo, com uma nota pessoal: como há alegrias que não se repetem, momentos que não regressam e figuras que não se substituem, Cristiano Ronaldo é e será sempre eterno.

Visão do Leitor: Telmo Lourenço de N. Correia

VM-Desporto
Author: VM-Desporto

10 Comentários

  • onetimeuser
    Posted Novembro 6, 2026 at 1:57 pm

    Lamento mas não li o texto todo, parece-me mais do mesmo e a ferida de ele ter “sequestrado” a nossa seleção durante tantos anos, ainda continua por sarar.

  • Paulo Roberto Falcao
    Posted Novembro 6, 2026 at 1:24 pm

    Eu não gosto de branqueamentos, isto não passa de propaganda. E digo-o eu, que sempre defendi o legado dele como jogador, isto é esquecer os últimos dez anos, e desculpem lá para essa tanga não contem comigo.

  • Kacal
    Posted Novembro 6, 2026 at 12:59 pm

    Obrigado Telmo e Parabéns pelo texto! Finalmente alguma coisa a falar bem de Ronaldo porque com todos os seus defeitos também tem muitas virtudes e o seu legado merece ser falado, elogiado e celebrado! Uma gota num oasis este texto! De minha parte nunca fui tão crítico dele embora criticaste quando achava que devia porque há uma coisa que muita gente tem falta neste Mundo, autocrítica e autoreflexão! Devemos apontar e criticar construtivamente quando é merecido e isso faz com que todos possamos aprender com os erros e evoluir, mas nunca me senti no poder de julgar o outro e me achar moralmente acima. Sou Humano tal como ele, sei que há dias maus, dias que erro e me arrependo, dias que não sou o melhor ser Humano e dias que vacilo, mas também há dias no oposto e gosto de me colocar no lugar do outro e tentar ser sempre melhor no dia seguinte. E às vezes pensei “E se eu estivesse no lugar de Ronaldo com todo o mediatismo à minha volta e pressão, com o fico em mim. Faria melhor?” E não sei responder a isso, mas sei seguramente que muitos que o criticam seria 1000x pior que ele no mesmo contexto. Acho que ele fez o que pôde nas circunstâncias que teve e na forma como cresceu e de quem se rodeou e como foram acontecendo as coisas. Podia e devia ter feito melhor muitas vezes, mas é Humano e todos erramos. Agora uma coisa eu sei, acho que ele sentiu muito a nossa camisola e deu sempre tudo que tinha. E outra também, é um idolo do futebol e desporto para muitos, eu incluindo. E uma inspiração grande para os Portugueses que cresceram a acompanhá-lo. Uma carreira e legado que ficam na história e não me parece que voltemos tão cedo se é que alguma vez voltaremos a ter um jogador a disputar Bolas de Ouro com aquele que é visto como GOAT para muitos (Messi) e que de forma quase unânime é visto como um dos 5/6 melhores da história. Vamos seguramente ter talentos de classe Mundial como temos tido mas como mostra a história toda do futebol um como ele dificilmente porque não acontece a toda a hora. Um atleta especial. E a sua mentalidade caso de estudo. É isso. Muito Obrigado pelo texto Telmo!

  • Duarte Vader
    Posted Novembro 6, 2026 at 12:46 pm

    É quando me vêm com estas tretas que me rio. Vamos então por partes.

    ‘É o melhor marcador da história do futebol de seleções masculinas’

    É. Mas convém dizer que, dos seus 146 golos, 54 foram marcados a equipas fora do top 100. Não é fora top 20. Não é fora do top 50. É fora do top *100*.

    ‘Mais do que os golos que marcou, fica o contributo para transformar Portugal numa seleção capaz de competir e conquistar títulos ao mais alto nível internacional’

    Participou em 15 torneios pela Selecção, incluindo os Jogos Olímpicos de 2004. Não foi eleito o MVP do torneio UMA ÚNICA VEZ.

    Em 23 jogos em fases a eliminar por Portugal, conta com 4 golos e 2 assistências – 1 contribuição de golo a cada 334 minutos, portanto. Dos SEIS mundiais em que participou, contribuiu com UM PENALTY nas fases a eliminar que Portugal alcançou (este ano, contra a Croácia).

    O maior feito dele pela Selecção, o Euro 2016, foi conseguido sem ele em campo, sem ele ser sequer um dos 3 melhores jogadores portugueses do torneio, e num Europeu que pela primeira vez permitiu o apuramento dos 3ºs classificados, algo sem o qual não nos tínhamos sequer apurado num grupo que contava com Hungria, Islândia e Áustria. Fez 3 golos no torneio depois de ser o jogador que, *de longe*, mais rematou ao longo da competição. Aquela taxa de conversão – 6.7% – é obscena para um jogador que se diz entre os melhores finalizadores de sempre. O Griezmann, por exemplo teve uma taxa de conversão QUATRO vezes superior. Precisou de 28 remates para marcar 6 golos. O Cristiano? Precisou de 45 para marcar 3. Foi tortuoso vê-lo destruir ataque após ataque e rematar de todas as maneiras e feitios só para tentar marcar.

    Os outros 2 troféus menores que ele tem com a Selecção, a Liga das Nações, seriam obviamente impossíveis de conquistar antes do Cristiano porque simplesmente não existiam.

    Sem ele, Portugal conseguiu a melhor participação no Mundial. Sem ele, chegámos a 2 meias do Euro, uma das quais nos viu a praticar o melhor futebol que já praticámos nos tempos modernos. Sem ele, qualificámo-nos para 3 Mundiais e 4 Europeus. Sem ele, tínhamos ganho 2 Mundiais Sub-20. Sem ele, já tínhamos Bolas d’Ouro. O que mudou para passarmos a qualificar-nos da forma como nos qualificamos foi o alargamento das equipas, não o Cristiano. Até 1994, os Mundiais tinham apenas 24 selecções, e até 1978, apenas 16. Aliás, COM ELE, se as regras de 1994 se mantivessem, não tínhamos ido a 3 dos Mundiais que fomos (2010, 2014 e 2022). A melhor performance individual dele, o jogo contra a Suécia, nem teria sido possível sem o tal alargamento das equipas. Esta bajulação assolapada que tenta passar a narrativa de que Portugal não era ‘nada’ antes do Cristiano, enquanto português, faz-me uma confusão tremenda, ainda mais quando olhamos para os dados crus e para o contexto no qual eles existem. O único grande feito dele pela Selecção foi ter levado Portugal às meias do Euro 2012, onde aí sim foi claramente o melhor jogador Português do torneio.

    Falem do que Cristiano fez na primeira passagem pelo United ou pelo Real. Falem da sua dimensão extra-futebol. Dos seus seguidores no Instagram. Do que a FPF meteu nos bolsos à custa dele. Agora não me tentem fazer comer gelados com a testa, e não insultem Portugal. Por todos os golos que o Cristiano marcou pela Selecção, muito poucos fizeram a diferença quando mais importava, e não justificam o facto de ter feito da equipa refém da sua personalidade, do seu ego, e de uma obrigação subserviente ao ponto da humilhação. De ter de estragar um sem-número de jogadas só para lhe passar a bola e evitar que o menino amuasse. De ter de levar com pelos menos 16 anos de comportamentos decadentes que constantemente minavam a equipa, mais ainda quando estamos a falar de um suposto ‘capitão’ (passar-se de forma absurda quando os companheiros ousavam rematar em vez de lhe passar a bola, atirar braçadeiras ao chão, atacar seleccionadores em público, tentar roubar golos aos colegas, nem os cumprimentar quando estes ganhavam prémios de MVP em vez dele, abandonar estágios, etc etc etc). De nos forçar, ao longo de 6 anos, a testemunhar o definhar uma das melhores gerações que alguma vez já tivemos e a ter de jogar com 10, só para o continuar a ter como o centro das atenções.

    Sim. Para o mundo, indubitavelmente, o Cristiano foi muito maior que Portugal. E para Portugal, foi precisamente esse o problema.

    • Kacal
      Posted Novembro 6, 2026 at 1:22 pm

      Peço desculpa Duarte, mas há aqueles que não apontam qualquer critica a Ronaldo e depois há aqueles que parecem incapazes de elogiar ou admitir algo bom. E pensei que não fosses do segundo caso, mas parece que a “guerra” com o Artur Trindade tem te prejudicado nesse sentido e começam a ser opostos na opinião, literalmente!

      Sem o bis e assistência dele contra ! Hungria na fase de grupos nem em 3º ficávamos e portanto seria impossível ganhar o torneio. Portugal esteve a perder 3x com a Hungria inclusive 2-1 e 3-2 na 2ª parte e ele com um bis sacou o empate. Teve ajuda da equipa naturalmente, mas foi daquelas exibições que só Ronaldo aparecia a decidir (falando de Portugal). Nas meias-finais com País de Gales faz 1 golo e 1 assistência na vitória por 2-0 que permite ir à final. Sendo que para mim foi o torneio onde até mostrou mais competência como capitão, coisa que lhe apontam que por vezes não foi bom e concordo, mas ali até teve momentos bons como a mitica do Moutinho nos penaltis e na final (onde não tem culpa de ter saido lesionado e nada nos garante que com ele não ganhariamos até antes do prolongamento, por exemplo. Nada garante o contrário tambem é certo, mas lá está não podemos afirmar).

      Na Liga das Nações 2019 que conquistamos ele faz um hattrick contra a Suíça nas meias com mais uma daquelas exibições que só ele seria capaz.

      Mesmo na Liga das Nações 2025 já longe do que outrora foi ainda marca o golo da vitória sobre a Alemanha nas meias e o golo do empate contra a Espanha na final.

      Falei nestas por ser as 3 conquistas de Portugal. Mas fez um Euro 2012 fantástico ajudando Portugal a chegar às meias-finais onde podíamos ter conquistado o torneio até. Como jovem ainda teve bastante bem no Euro 2004 e no Mundial 2006 (no primeiro ainda tão jovem mostrou personalidade e até marcou golos e assistências decisivas. E no segundo foi um dos principais agitadores da equipa). Sendo que depois no Mundial 2010 e 2014 a Selecção era fraquissima, a meu ver. Se ele podia puxar mais? Sim. Mas não teve muita ajuda aí e no 2014 até chega limitado fisicamente. Mesmo no Mundial 2018 faz um brilhante e épico hattrick à Espanha no empate a 3 e marca o golo da vitória com Marrocos na fase de grupos. Além de tudo isto ajudou bastante a decidir jogos nas qualificações que também contam, sem elas não há Europeus nem Mundiais. Parece aquela história de quem vai ao ginásio o ano todo e quem vai só antes do Verão e no mês de Janeiro, as qualificações fazem parte e ele aparecia também nelas. Sendo que era um jogador com alta carga fisica no seu clube onde fazia muitos jogos, muitas vezes chegando ao fim da época limitado que o condicionava no ataque às competições de Selecção mas sempre veio e deu tudo que tinha.

      Se podia ter feito muito mais em Mundiais ou finais na Selecção dada a sua valia? Aceito e posso concordar. Mas tentar provar que não teve muita importância na Selecção ou que não decidiu jogos relevantes, aí não consigo concordar e acho excessivamente crítico. E falaste dos golos marcados contra Selecções fora do Top100, mas marcou quase 100 golos contra Selecção do Top100 como tu próprio apontas há os dois lados da moeda e houve jogadores muitos que nem 100 golos marcaram na Selecção no geral! E mesmo contra essas Selecções era ele que aparecia muitas vezes quando mais ninguém aparecia na nossa Selecção e parecíamos meio perdidos. Também contam.

      Nada contra ti Duarte, mas acho que por vezes nos tornamos o espelho daqueles que criticamos e acho excessivas algumas coisas que apontas, na minha opinião.

      • Duarte Vader
        Posted Novembro 6, 2026 at 2:18 pm

        Não Kacal, aquilo contra o qual eu me insurjo são estas tentativas que procuram impingir a ideia de que Portugal era fraco antes do Cristiano e que tudo o que conseguiu depois da sua chegada foi exclusivamente por mérito dele – aliás, algo que o PRÓPRIO Cristiano tenta passar (vê a última entrevista dele no último Mundial, é só eu, eu e eu). Como Português, isso frusta-me profundamente e não sei como não te causa sensação semelhante, a ti e a todos que conseguem olhar para o futebol e ver o que se passou ao longo destes últimos 20 anos.

        Dei-lhe todo o mérito pelas meias do Euro 2012, talvez não tenhas visto isso. No seu primeiro Euro em 2004 esteve também bastante bem e foi a competição que mais gostei dele a par do de 2012. No Mundial de 2006 não acho que tenha estado nada de especial sinceramente. Não esteve mal, atenção, mas foi mais à base de lances vistosos sem grande consequência concreta e lá está, nessa fase ele era literalmente mais um a ajudar, aí sim irreverente, com arrogância, mas com a equipa em 1º lugar na cabeça dele em vez dos números. A partir do momento em que else se torna *O* foco da Selecção, no pós-2008, e principalmente a partir de 2010, quando os números passam a ser o seu principal objectivo ACIMA dos interesses colectivos da Selecção, tudo mudou e para pior no meu entender. E sinceramente, falares das fases de qualificação, como se Portugal precisasse dos golos do Cristiano para chegar lá com aqueles grupos, é no mínimo muito estranho. Precisas que te relembre o que Portugal fez em fases ou jogos de qualificação nos quais ele *não* participou? Uma pesquisa na internet esclarece isso facilmente.

        Um jogador que desde 2006 desapareceu *sempre* ao longo das fases finais da maior competição do mundo merece este tipo de escrutínio, principalmente quando constantemente se diz estar entre os melhores de sempre e quando há uma bajulação nacional espalhada pelo país em direcção a esta figura que só agora, perante o comportamento hediondo que teve, começa a ser alterada. E chamo-lhe ‘figura’ porque muitas das atitudes que ele teve ao representar a nação foram *deploráveis* e sinceramente não percebo como isso nem sequer parece contar para a avaliação global que fazes dele. Falas de mim mas tu, que até mencionas essas questões, pareces dar-lhes 0 valor e rapidamente voltas ao modo de elogio sem restrições.

        E desculpa lá, falares daquela final de 2016 como se ele tivesse feito o que quer que seja no banco é algo incompreensível. Aquilo foram figurinhas ridículas de alguém que não aceita ter papel secundário e queria que se continuasse a falar dele mesmo que ele já nem estivesse em jogo, nada mais. Mais uma vez, faz-me confusão a facilidade com que muitas pessoas caem nessa esparradela.

        No sentido das contribuições para a Selecção, o Cristiano foi um dos grandes jogadores, como o foram Eusébio, Figo, Rui Costa, Futre, Chalana, Pepe etc. Não foi *o* jogador. As diferenças é que a) todos esses se souberam comportar infinitamente melhor que o Cristiano, especialmente sendo ele capitão, e b) o que ele trouxe de positivo não supera o que ele trouxe de negativo (dentro e fora de campo), na minha opinião. O facto dele ser, claramente, maior que Portugal para qualquer não-português é uma coisa, e vale o que vale. Agora isso não me tolda o raciocínio, nem em relação à nossa história, nem em relação ao contributo concreto dele para o futebol da Selecção.

  • Luke Skywalker
    Posted Novembro 6, 2026 at 12:41 pm

    Um dos melhores textos que passou pelo VM, nos últimos tempos. Obrigado por isso e subscrevo tudo do início ao fim! Que venha de lá esse último e justíssimo jogo de homenagem com a seleção.

  • Saganas
    Posted Novembro 6, 2026 at 12:34 pm

    Bem vejo futebol antes do Ronaldo chegar a seleção e essa tentativa de o colar ao princípio da competitividade da Seleção é mais do mesmo, tentativa mas não verdade.
    A da grande vitória ser representar a seleção portuguesa não passa de tentativa de limpeza de imagem, mostrou exatamente o oposto no mês anterior, além de outras durante a carreira.
    Quanto ao resto pouco a apontar, eterno será, enorme jogador sem dúvida.

    • Valentes Transmontanos
      Posted Novembro 6, 2026 at 12:54 pm

      Pois, não percebo esta ideia de ter sido um excelente representante da nação faz-me confusão tendo em conta o número de vezes que atirou a braçadeira ao chão.

  • sr_arbitro
    Posted Novembro 6, 2026 at 11:37 am

    Excelente texto.

    Aquilo que o Ronaldo representou ao longo de todos estes anos nunca poderá ser abafado pelos seus inúmeros críticos. Críticos esses que, na minha opinião, são os únicos que não percebem a real dimensão do Ronaldo.

    Ronaldo tem (muitos) defeitos, como todos nós. É, no final do dia, um ser humano.
    Mas por tudo que alcançou, parece que todos têm o direito de lhe cobrar a perfeição.

    Nem todas as histórias têm um final feliz, mas talvez por isso o seu percurso tenha ainda mais mística, pois parece que a sua história realmente nunca terminou.

    Acima de tudo: obrigado, Ronaldo.

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