Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

Porto: Maior orçamento da história do futebol português, muita ambição…mas um defeso cheio de erros, atacar a LC apenas com um avançado centro (e inexperiente), e os conflitos internos resultam numa época (até ao momento) desastrosa

Segundo a Lei de Murphy, se há alguma coisa que pode não correr bem, ela não correrá. Desconheço se os dirigentes portistas se terão resignado a tal adágio popular, mas a verdade é que está tudo a sair ao contrário, expectavelmente à fé que nesta época os altos mandatários azuis e brancos depositavam. Poderá argumentar-se que já conquistou um título (Supertaça de Portugal), mas esse quase já parece fazer parte indissociável do ADN do Porto e não enche barrigas. Segue-se a derrota diante do Barcelona, num encontro onde os dragões sabem ser inferiores, mas onde pincelam o Stade Louis II de boas sensações. Que se prolongam por alguns jogos. Até que se dá uma espécie de clique que, em vez de catapultar a equipa para nova onda de sucesso, faz precisamente o oposto: as más exibições esgotam a paciência aos adeptos, os resultados são amargos, acontece a eliminação na Taça de Portugal e, por fim, a impotência para desfeitear o Zenit russo e assegurar a permanência na Liga dos Campeões. Tribunal montado, os fanáticos assumem o papel de advogado de defesa e acusação. Anunciam-se também como testemunhas de um dos maiores descalabros da história de um clube que nunca havia tido um orçamento tão generoso, mas com um retorno desportivo tão parco. Aponta-se o dedo aos culpados, num acto impregnado de raiva e compaixão: tal como Vítor Pereira afirmou, não foi com o Zenit que o F.C. Porto falhou. Isso aconteceu nos jogos com o Apoel. Porquê? Acontecem precisamente na altura em que é notória a falta de compromisso de alguns jogadores com o clube, possivelmente ainda aluados com o interesse alheio no último Verão. Mas essa lacuna de responsabilidade dos jogadores só acontece porque, anteriormente, também os dirigentes a tinham tido para com eles: não supriram a saída de Falcao de forma devida. É só um jogador, é certo, mas sente-se por uma equipa inteira quando o seu substituto é um miúdo que veio do Marítimo. Nem a desculpa da saída abrupta de AVB serve como forma de redenção. A sentença é lida: descida de divisão europeia, acompanhada agora pela necessidade de, numa prova menor, e depois de já não marcar presença na Taça, vender alguns dos seus activos. Isso, e a obrigação de provar que o que aconteceu terça-feira foi um acidente de percurso. Tempo de pena: época inteira. O F.C. Porto compra caro, mas os seus adeptos também não venderão barato o orgulho que agora está ferido.

A.Borges

Deixa um comentário