Nota prévia: Apesar do mau momento portista, continuamos a considerar o Porto o principal candidato ao título. No passado recente com Co Adriaanse e Jesualdo Ferreira os azuis e brancos já estiveram em situações piores (os adeptos parecem ignorar que os dragões estão em 1º) e conseguiram dar a volta e conquistar o campeonato.
Vítor Pereira sucedeu a André Villas-Boas depois de uma época onde os azuis e brancos conquistaram os principais troféus em que participaram. Essa brilhante campanha da temporada passada trouxe um grande problema: jogadores contrariados no plantel, por não darem o salto para uma liga mais competitiva ou simplesmente para um clube que lhes ofereça melhores condições a nível financeiro. A estratégia habitual da direcção portista passa por renovar contratos e dar prémios chorudos aos elementos insatisfeitos, mas neste ano não tem resultado e isso nota-se pela atitude em campo; apesar do maior investimento de sempre, o plantel é algo desequilibrado, senão vejamos: nos últimos 2 encontros, o técnico dos dragões não tinha à disposição nenhum lateral direito de raiz, por motivos de lesão. Para além disso, o brasileiro Danilo, o 2º jogador mais caro de sempre do futebol português e que só vem em Janeiro, poderia desempenhar não só essa posição, como também a de médio defensivo ou até no lugar de Moutinho, onde já fez falta. Depois da saída de Falcão, abriu-se igualmente uma vaga na frente de ataque, pois Kléber e Walter (que nem sequer está inscrito na Champions, provavelmente por razões disciplinares ou até pessoais) são 2 jovens que precisam de espaço para evoluir. Para já, não são os goleadores de que a equipa necessita. No entanto, a saída do colombiano poderia ser precavida (o negócio não foi feito em cima do fecho do mercado), com a entrada de um jogador mais experiente, de créditos firmados, que pudesse substituir “El Tigre” convenientemente; não deve ser esquecido que com Vítor Pereira ao leme, o Porto conquistou a Supertaça, deu uma boa réplica ao Barcelona (numa altura em que já estava condicionado pela direcção – foi “obrigado” a alinhar com Cristian Rodríguez e não pôde utilizar James e Álvaro Pereira) e lidera a liga. O único falhanço da época, para já, é a Taça de Portugal (os dragões têm um encontro decisivo na Ucrânia a meio da semana); o problema do Porto não têm sido as questões técnico-tácticas, mas sim a atitude (ou falta dela) dos jogadores. A mudança de treinador nem sempre é a melhor solução.
Os erros que podem ser apontados a Vítor Pereira são ao nível do discurso e da leitura de jogo a partir do banco (as questões motivacionais e de apoio aos jogadores competem a Pinto da Costa, Reinaldo Teles e Antero Henriques. Neste caso, os elementos contrariados conseguem “minar” o balneário por completo e a culpa não é do jovem técnico). No entanto, recordamos que já teve sucesso em alguns jogos com elementos que não foram titulares e saltaram para dar a vitória, por exemplo no encontro com o Setúbal. O onze inicial até tem estado em consonância com o que a maioria dos leitores escolhe.
Sousa Cintra foi o último presidente a despedir um treinador que liderava o campeonato. Na altura, Bobby Robson foi demitido do cargo, com os resultados que se conhecem: foi contratado Queiroz, ainda nessa época, que com um dos melhores plantéis da história dos leões perdeu 3-6 com o Benfica e ainda acabou a Liga no 3º lugar. Estávamos em 1993-94. Curiosamente, nos 2 anos seguintes, o inglês foi bicampeão pelo Porto. Até quando permanecerá Vítor Pereira no comando técnico dos dragões? O próximo encontro na Ucrânia será decisivo ou enquanto liderar a liga não será demitido?


