No rescaldo das duas péssimas exibições de Portugal, mais uma vez ficaram evidentes as lacunas que o Visão de Mercado há muito aponta a esta selecção. A 1ª e decisiva, está relacionada com o nosso meio campo banal, sem capacidade em ter bola, fazer posse da mesma, pautar os ritmos de jogo, construir e ser ao mesmo tempo forte na pressão e recuperação. Bento neste capítulo tem duas hipóteses: colocar Pepe a trinco, subir Meireles e meter Danny numa posição mais de 10, ou colocar Manuel Fernandes ou Veloso a pivot defensivo, meter Coentrão a interior (onde joga no Real) e subir Meireles para médio de transição (quase 10 como fazia a época passada no Liverpool). Apostar em Moutinho que a 8 é muito inferior a Meireles e a 10 (como qualquer conhecedor de futebol sabe) não tem visão de jogo, e apresenta 0 ao nível do transporte de bola e construção é entrar em jogo sem meio campo. A 2ª é a falta de liderança, infelizmente Ronaldo (apesar de ser o melhor jogador português de sempre) não apresenta a coragem de Figo ou Futre, e nos momentos maus mais não faz que levantar os braços e bater com eles nas pernas (qual birra de miúdo que está a jogar numa equipa onde os outros é que tem a culpa e não sabem fazer um passe de jeito), em vez de ser ele a vir cá atrás, pegar na bola, ganhar faltas, ganhar metros, construir jogo, empurrar a equipa para a frente (tal como faziam os citados Futre e Figo, ou Deco no Porto, João Pinto no Benfica, naqueles momentos que queria renovar Pedro Barbosa no Sporting e um exemplo mais recente como se viu Rooney a fazer na Luz que até à zona de pivot defensivo vinha fazer posse e construção de jogo, entre tantos outros casos) – para quem se auto intitula o melhor jogador do Mundo, além de ter de melhorar o seu 1 contra 1 (já não desequilibra desde que saiu do Man Utd, talvez devido ao medo de errar), não pode ficar à espera que os colegas resolvam e ele apenas precise de encostar a bola. Necessita igualmente de aumentar os seus indicies de maturidade (as birras que faz quando as coisas correm mal, não se percebe), esforço (nós sabemos que ele vai jogar pelo menos até ao Mundial 2022, mas esta gestão que ele faz a nível físico só correndo em algumas situações em nada beneficiam o colectivo) e espírito de equipa (não que o consideremos individualista em termos de posse, o problema está no facto de parecer que só quer marcar o seu golo e na sua atitude zero defensivamente…o português não pressiona ninguém e raras são as vezes que corre para zonas recuadas em apoio à defesa e meio campo).
No que diz respeito à defesa, o sector mais visado pela crítica. É certo que Bento não tem a culpa dos falhanços de Rolando, nem que João Pereira a defender cometa erros gritantes (deve ser o único lateral de uma equipa de Top que dá o centro/área aos adversários), mas é certamente o culpado pelas ausências de Bosingwa e Carvalho. Se considerarmos que nos 2 últimos jogos, J. Pereira, Rolando, B. Alves e Eliseu formaram o quarteto defensivo, mas que podia muito bem (caso estivessem a 100% fisicamente) ser Bosingwa, Carvalho, Pepe (ou Alves caso o merengue actuasse a trinco) e Coentrão, não é pela defesa que Portugal irá passar por dificuldades. Por último, no ataque as criticas são as habituais. Se mesmo no tempo de Pauleta (que é o nosso melhor marcador de sempre e sempre foi goleador por onde passou) choviam criticas, mesmo antes quando Sá Pinto tinha de ser adaptado a avançado pois Cadete, Domingos ou Nuno Gomes não davam conta do recado, não seria agora que as coisas iam mudar. Contudo, se Ronaldo é o maior goleador do Mundo, parece óbvio que não é no ataque (ou melhor, em chegar ao golo) que teremos problemas, Bento só terá de escolher se quer um avançado mais forte a segurar a bola e esperar pelos apoios (nesse caso Postiga) ou então alguém com mais presença na frente (principalmente física que acabe por desgastar os adversários) e que seja forte na pressão e defensivamente (ou seja, Hugo Almeida). É certo que ambos não são de Top, mas a presença de CR7 e os 21 golos que fizemos em 8 jogos provam que no ataque vai sempre haver uma solução (nem que tenha de passar por adaptações).


