Dinamarca 2-1 Portugal (Krohn-Dehli 13′ e Bendtner 62′; C. Ronaldo 90+2′)
Numa actuação a fazer lembrar outros tempos (não os da geração de ouro), Portugal foi relegado para os playoffs e terá que realizar mais duas partidas com vista ao apuramento para o Euro 2012. As oportunidades de golos foram raras, os ataques escassearam, o meio campo estava alugado e a defesa meteu água por todos os lados, numa combinação fatal para Portugal.
A partida começou praticamente com um golo anulado à Dinamarca, num lance de bola parada que nada de bom augurava. Pouco tempo depois, Krohn-Dehli marcou mesmo, num excelente lance individual, onde beneficiou de um desvio da bola em Rolando. A forte pressão dinamarquesa parou por aí, mas nem assim a selecção nacional conseguiu incomodar Sorensen. Apenas nos últimos 3 minutos da primeira parte é que o guarda-redes dinamarquês foi obrigado a “tocar” na bola, após remates de Ronaldo, Carlos Martins e um cruzamento de João Pereira. No segundo tempo, quando se esperava que Portugal partisse para cima do adversário, foi precisamente o ataque da Dinamarca a criar jogadas de perigo e a desperdiçar frente a Patrício. O 2º golo chegou mesmo, depois de uma arrancada de Rommedahl, que serviu Bendtner com grande classe. Paulo Bento colocou M. Veloso e Quaresma em campo, contudo, o jogo português em nada se alterou. A Dinamarca ficou sempre mais perto do 3-0 do que do 2-1, mas foi Cristiano Ronaldo a marcar de livre já no período de compensações. Resultado insuficiente para ultrapassar a Suécia como melhor 2º.
Destaques:
Paulo Bento – Voltou a colocar o meio campo habitual, uma defesa bastante remendada e um avançado na frente que joga futebol na posição errada. Depois de uma qualificação só com vitórias (na era Bento), embora sem grandes exibições e de uma goleada à Espanha, a selecção voltou a denotar graves falhas de jogo, como os lances de bola parada, falta de sentido colectivo e de interajuda e pouca garra na disputa dos lances. Não se percebe a não convocatória de Bosingwa e muito menos a substituição entre Eliseu e Miguel Veloso (se era para dar segurança defensiva, então devia ter apostado no jogador do Génova de início). Apenas uma qualificação para o Euro 2012 apagará a imagem do Parken Stadium.
Rui Patrício – O único jogador em evidência pela positiva na selecção nacional. Após um lance difícil nos primeiros minutos, soube conter os nervos e livrar Portugal de uma goleada.
Rolando/Bruno Alves – O defesa do Zenit ainda chegou a ser elogiado pelos comentadores da RTP (?), contudo, fica na retina, mais uma vez, a facilidade que Bendtner tem em iludir os defesas centrais portugueses. Duas exibições a roçar o medíocre, com destaque para Rolando, que raramente ganhou um lance aos dinamarqueses.
João Pereira/Eliseu – Mais duas exibições negativas na defensiva nacional. O primeiro foi ultrapassado no 1º golo, enquanto que o segundo ainda viu o “velhinho” Rommedahl passar por sia grande velocidade no 2º golo.
Meireles/Martins/Moutinho – A mediocridade esteve em toda a equipa, contudo, o meio campo português esteve simplesmente imparável nesse ponto. João Moutinho é talvez o melhor médio do mundo a realizar passes para trás. No apoio ao ataque, quando se viu, ou fez um cruzamento para fora ou voltou a passar para trás… Raul Meireles, não fez passes para trás, mas fez para os jogadores de camisola vermelha (sim, a Dinamarca), não soube construir e tal como Moutinho, a transportar bola, não existiu. Carlos Martins voltou a demonstrar que vive de fogachos (foi dos poucos a tentar o remate), mas oferece muito pouco ao 11 nacional.
Hélder Postiga – Pouco há a dizer sobre a exibição do “caxineiro”. Kjaer e Bjelland não deixaram o avançado português aparecer em campo.
Cristiano Ronaldo – Pode ser o melhor do mundo para ele, contudo, toques de calcanhar e números de circo bem podem ficar nos treinos. Falhou mais de 10 passes de simples execução, esteve escondido do jogo, esbracejou, ficou a ver os colegas a correrem para recuperar as posições defensivas, enquanto ele passeava em campo, etc. Claro que marcou um grande golo, mas fez muito pouco para o merecer. E não nos venham dizer que é um extremo, porque normalmente um extremo é exímio no 1×1, algo que Cristiano Ronaldo tem vindo a perder ao longo dos anos.
Nani – Ainda tentou lutar pela qualificação directa, mas esteve bastante desinspirado. Aqui ou ali arrancou uns bons dribles e desequilibrou, contudo, a anos-luz do que é capaz.
Portugal – Por incrível que pareça (não nos podemos queixar da sorte), Portugal ficou pela 3ª vez consecutiva no 2º lugar do grupo (Polónia em 2008 e Dinamarca em 2010 e 2012), mas poderá continuar com a excelente série de fases finais consecutivas.
Dinamarca – Não é uma selecção de topo (o Mundial 2010 provou-o), contudo, os dinamarqueses têm um enorme coração, dão tudo pelo seu país (e ao contrário de algumas vedetas, raream jogadores com tatuagens e penteados estilosos) e contam com um excelente colectivo. Obviamente que Bendtner e Eriksen (grande jogada sobre Rolando) foram e são os grandes desequilibradores dos nórdicos, jogadores esses que encaixariam no 11 português de “olhos fechados.”

