Vai conseguir juntar o Tour ao seu já impressionante palmarés? A INEOS até apresentou uma armada forte com Bernal, Carapaz, Yates ou Sivakov, a Movistar também tinha Mas, Valverde (foi forçado a abandonar devido a uma queda) e López (que teve um dos amuos mais surreais na história do ciclismo, ao desistir por iniciativa própria na penúltima etapa por perceber que não ia chegar ao pódio), mas o esloveno esteve sempre noutro patamar. Tendo arrebatado 4 etapas (ficou a ideia que se tivesse forçado ainda podia ter conseguido mais) e deixado o 2.º classificado a quase 5 minutos e o 3.º a mais de 7. Veremos é se irá conseguir impor-se ao compatriota Pogacar na Volta a França.
Primož Roglič arrebatou a 76.ª edição da Vuelta. O ciclista esloveno, da Jumbo-Visma, que já tinha vencido em 2019 e 2020, dominou a prova com relativa facilidade e fechou com chave de ouro ao levar a melhor no CR final. Enric Mas, fez 2.º, a 4’42” de Roglic, enquanto Jack Haig completou o pódio a 7’40”. Adam Yates foi o melhor INEOS no 4.º lugar a 9’06”, Gino Mader foi o 2.º Bahrain no Top 5 a 11’33”, enquanto Bernal teve de contentar-se com o 6.º lugar.


4 Comentários
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Roglic é o único cicliesta que pode bater Pogacar no Tour.
Bio
Domínio absoluto de Roglic. Nem teve a mínima concorrência, mesmo sem um bloco propriamente forte a seu lado (Kuss foi o melhor da Jumbo, mas nem trabalhou assim tanto para o esloveno).
A INEOS trouxe uma equipa forte, como habitualmente, e até foi tentando agitar as águas, mas faltaram forças a Yates nas primeiras etapas de montanha e a Bernal nas últimas.
A Movistar esteve razoável, com Enriq Más muito discreto, mas muito certinho e sempre na roda de Roglic. Acabou por ser o que mais se aproximou do esloveno nas montanhas e merece este segundo lugar. Azar na queda de Valverde, que o obrigou a desistir logo no início.
E nota final para o amadorismo incrível de Miguel Ángel Lopez. Se a decisão fosse minha e houvesse essa oportunidade, eu despedia-o. Preferia ir contratar outro ciclista para trabalhar para os meus líderes ou apostar em outro líder. A estratégia de ir sempre com vários líderes também nunca tem funcionado para a armada espanhola.
Em grande destaque a Bahrain (tem feito uma temporada incrível), em especial Magnus Cort Nielsen nesta Vuelta: três etapas fantásticas e não ficou longe da quarta hoje; e Jack Haig: partia como corredor livre e de apoio a Landa e assumiu a liderança da equipa chegando ao pódio (à semelhança de Caruso no Giro).
De resto acabou por ser uma Vuelta morninha e que só teve duas ou três etapas de interesse mais nesta última semana.
Joao Ferreira
Concordo com quase tudo, De facto Roglic está num nível absurdo, vamos ver como se dá contra o compatriota Pogacar no Tour 2022.
Acrescento alguns pontos:
– A Bahrain é uma equipa estranha… Tem um Landa que todos os anos falta qualquer coisa para se afirmar como voltista TOP5, tem uma segunda linha fabulosa (Jack Haig, Damiano Caruso, o próprio Pello Bilbao e o “jovem” Gino Mäder) mas só apareceu nas Grandes Voltas quando perdeu Landa: no Giro perde Landa e Caruso faz um fabuloso 2º lugar (no Tour correu para Colbrelli) e na Vuelta faz 3º com Jack Haig depois da queda de Landa. E depois há aquela etapa que tem uma fuga com elementos de todas as equipas menos a Bahrain, o bloco assume a perseguição mas quem acaba a colocar o ritmo agressivo é Jan Hirt da Wanty.
– A QuickStep (para o ano deixa de ser Deceuninck) deu-me um grande nó: tem Evenepoel e João Almeida (até final do ano), esperava ver a equipa a trabalhar para o TOP10, e ela regressa às “origens” como a melhor equipa a lançar sprinters do WorldTour.
– Pena Bernal ter estado infetado com COVID-19 antes desta Vuelta. Acredito que ainda não esteja no seu top-game e teria sido interessante ver o frente-a-frente com Roglic.
– Yates e o bloco da INEOS foram a desilusão: esperava um Yates mais agressivo e ambicioso (e com mais pernas já agora) e um bloco mais coeso da equipa que tem o maior orçamento de toda a UCI.
– Enric Mas a provar que é ciclista para TOP5 de grandes voltas, mas não para as ganhar. Falta-lhe aquela ambição que se vê em Roglic, Bernal, Pogacar e até nos jovens Jonas Vingegaard e o nosso João Almeida (apesar destes dois últimos ainda terem muito a provar).
– Last but not the least, pensava que iria ser uma Vuelta penosa para a EF com a desistência de Carthy… Mas que grande aparição de Magnus Cort Nielsen!!! Já tinha deixado boas indicações no início do ano, quando ganhou uma etapa no Paris-Nice e fez 3º noutra etapa do Tour, mas a Vuelta é o seu local de afirmação: 1 vitória em 2016, o ano passado tinha ganho 2 etapas e este ano faz 3!! Fabuloso!
Quanto ao resto, a Bora faz um honroso 10º com o Felix (o último nome dele é… coiso…), a Emirates conseguiu a vitória em etapa que queria (junta-se à Bahrain e à Jumbo como a equipa que conseguiu ganhar pelo menos 1 etapa em cada uma das grandes voltas) e a Wanty foi, para mim, a grande vencedora desta Vuelta. Com uma equipa recheada de ilustres desconhecidos, deu uma prova de força e resiliencia nesta última semana fenomenal.
charles eclair
No geral concordo com o que dizes menos em 2 pontos, Jumbo e Enric Mas.
Sobre a Jumbo, Roglic não precisou muito que a equipa controlasse as etapas de montanha mas apresentaram uma equipa muito capaz nesta Vuelta. Sepp Kuss faz top 10 e esteve sempre ao lado de Roglic , exceto na penúltima etapa que ficou para trás e chega com os outros líderes, sendo que com o camisola vermelha estava Steven Kruijswijk, ele que fez uma grande 3ª semana. O resto da equipa não era tão talhada para a montanha, mas foram sempre das equipas que mais elementos tinha no grupo principal e na etapa dos Lagos de Covadonga, ganha por Roglic, tinham a equipa praticamente toda no grupo principal no momento em que Bernal ataca.
Não fizeram um controlo como a Ineos (Sky) nos tempos de Wiggins, Froome, Thomas mas esta nem foi a melhor equipa possível da Jumbo e mesmo assim só a Bahrain pareceu ser mais forte, a classificação coletiva até acaba por demonstras isso, 1º Bahrain, 2º Jumbo (apesar de nem sempre ser o melhor indicador).
Enric Mas, fez top 10 no Tour e apresentou-se ao seu melhor nível de sempre nesta Vuelta, igualou a sua melhor classificação de uma grande volta (em 2018 também na Vuelta), mas de uma forma muito mais sólida. Foi muitas vezes o único que conseguiu acompanhar Roglic e apesar de não ter um perfil tão atacante como outros ciclistas ainda mexeu com uma etapa sendo que Roglic nesse dia foi o único que respondeu e acabou por ganhar. O único dia que acredito que agora se tivesse forças faria diferente, foi o da etapa dos Lagos de Covadonga que Roglic vai com Bernal a 60 Km do fim, mas nem esteve mal, porque um ataque a 60Km podia correr mal se faltassem as forças no final (o próprio Roglic admitiu que nem pensou muito na distância quando respondeu ao Bernal) e porque se manteve no grupo que tinha a Bahrain a perseguir, sendo que teve azar porque o Erviti caíu quando se ia a juntar ao grupo para ajudar na perseguição na fase plana da etapa. Ainda assim não perdeu tempo para mais ninguém. O problema do Mas foi um Roglic intocável.
Uma correção ao teu comentário, o Magnus Court é da EF e não da Bahrain. A Bahrain ganhou a classificação coletiva e a juventude com o Gino Mader, fez Pódio com Jack Haig mas “apenas” ganhou uma etapa com o Caruso, e que grande vitória essa.