Em Dezembro de 2013, por alturas do sorteio do Mundial’2014, a Costa Rica ficou a saber que integraria o grupo D juntamente com três selecções campeãs do mundo: Uruguai (4.ª classificada no Mundial’2010), Itália (vice-campeão europeia) e Inglaterra. Neste autêntico “grupo da morte”, todos deram os ticos como condenados, algo natural tendo em conta tratar-se de um conjunto que só havia marcado presença em 3 fases finais e só por uma vez passara a fase de grupos (quando caiu nos oitavos no Itália’90). No entanto, a equipa orientada por Jorge Luis Pinto surpreendeu tudo e todos vencendo o grupo (com duas vitórias e um empate, sendo que até chegar ao Brasil a Costa Rica só tinha 3 triunfos em encontros de fases finais de mundiais), batendo a Grécia no desempate por penáltis nos oitavos-de-final e só caindo nos quartos, também por penáltis, frente à Holanda. Ora, esta façanha projectou o futebol do país caribenho para um estatuto diferente, o qual foi consolidado nos últimos anos. Prova disso foi a forma cómoda como o acesso à Rússia foi garantido (nunca desceram da 2.ª posição no hexagonal final) e as prestações competitivas na Gold Cup em 2015 (eliminado pelo México nos quartos-de-final graças a um penálti aos 124 minutos) e em 2017 (eliminado pelos EUA nas meias-finais). O homem encarregue, desde 2015, dos destinos da selecção é Óscar Ramírez, uma figura do futebol do país que, como jogador, esteve no Mundial’90 e venceu a liga da Costa Rica por 8 vezes e, como treinador, venceu 6 títulos com a Liga Deportiva Alajuelense, uma das principais formações do país. O elenco de jogadores que tem levado os ticos a subirem de patamar no futebol de selecções (a nível de CONCACAF estão hoje muitíssimo mais perto dos dois gigantes da zona – México e EUA – que há dez anos) tem-se mantido estável, com 8 integrantes do XI tipo da histórica campanha de há 4 anos a estarem nos 23 para a Rússia (Keylor Navas, Giancarlo González, Celso Borges, Óscar Duarte, Bolaños, Joel Campbell, Bryan Ruiz e Tejeda, sendo que a juntar a estes repete também presença Marco Ureña, que participou em 4 dos 5 encontros de 2014). Inserida no grupo E juntamente com Brasil, Sérvia e Suíça, o cenário não é o de um “grupo da morte” como há 4 anos mas a Costa Rica está, novamente, longe de ser favorita a chegar à próxima fase. Com um plantel com muito conhecimento mútuo mas que pode acusar alguma falta de frescura (poucos jogadores abaixo dos 28 anos), aos ticos pede-se nova prova de superação para sonhar com repetir os feitos do Brasil, sendo que para a Costa Rica o grande desafio neste torneio deve ser dar uma imagem que prove que o salto de “patinho-feio” para “equipa competitiva” está, efectivamente, dado.
Estrela: Keylor Navas (Guarda-Redes, 31 anos, Real Madrid) – O jogador da história do país com mais impacto no futebol de elite, as esperanças dos costa-riquenhos passam, em boa parte, pelo madridista. Guardião muitíssimo ágil, capaz de autênticas defesas “impossíveis” (pecando no jogo de pés, nas saídas em bolas pelo ar e ao nível da concentração e regularidade), Keylor foi fundamental no percurso de 2014 e, numa formação que deverá passar muito tempo a defender, é crucial que apresente o seu melhor nível, isto depois de uma época no Real Madrid em que começou com um nível insatisfatório mas foi melhorando.
Jogadores em destaque: Bryan Ruiz (Médio, 32 anos, Sporting) – Um dos jogadores caribenhos da história com um percurso mais consistente no futebol europeu, o canhoto é o 5.º jogador costa-riquenho com mais internacionalizações (leva 108) a apenas 2 partidas do 3.º atleta que mais vezes envergou a camisola dos ticos, pelo que deverá integrar o pódio nas próximas semanas. Médio que outrora se destacava pelo poder de desequilíbrio e finalização, Bryan é hoje um elemento mais cerebral, capaz de emprestar critério e qualidade à posse, atributos que, a juntar à sua experiência e maturidade, serão essenciais para os ticos (tal como foram em 2014). Após ter sido afastado do começo de época no Sporting, apresentou-se a bom nível em 2018, chegando à Rússia em boa forma. Celso Borges (Médio, 29 anos, Deportivo da Corunha) – O “Ballack” da Costa Rica é mais um nome que mantém o estatuto de titular há muitos anos nesta selecção. Médio forte fisicamente e com chegada à área, entrou no futebol europeu pela porta dos países nórdicos (primeiro Noruega e depois Suécia) e nas últimas 3 épocas e meia ganhou rodagem na La Liga, com um total de 111 jogos e 15 golos no Deportivo que acaba de descer ao 2.º escalão espanhol. Até tendo em conta esta despromoção, Borges, que tem mais um ano de contrato com os galegos, quererá mostrar o que vale na maior montra do mundo para conseguir atrair atenções que lhe permitam seguir outro rumo para a sua carreira. Giancarlo González (Defesa-Central, 30 anos, Bologna) – Mais um dos elementos que se tem mantido no plantel dos ticos ao longo dos anos e que esteve em excelente plano no Brasil, González é um central seguro que tem ganho o seu espaço na Série A. Óscar Ramírez esperará que o jogador do Bologna mantenha o nível de há 4 anos para suster a postura mais expectante que a Costa Rica deverá ter.
XI Base: Keylor Navas; Gamboa, Watson, González, Acosta, Matarrita; Celso Borges, Guzmán, Bolaños, Bryan Ruiz; Ureña.
Jovem a seguir: Ronald Matarrita (Lateral-Esquerdo, 23 anos, New York City FC) – Como foi referido, este é um elenco muito experiente, cuja maior parte dos principais nomes supera os 28 anos e forma a base da selecção há bastante tempo. Matarrita estreou-se em 2015 e leva 21 internacionalizações, tendo sido titular em boa parte da qualificação e na Copa América’2016. No entanto, problemas físicos afastaram-no da Gold Cup do ano passado e dos últimos amigáveis, sendo que esta propensão recente para lesões pode condicioná-lo durante o Mundial.
Principal ausência: Michael Umaña (Central, 35 anos, Cartaginés) – Com mais de 100 internacionalizações pela Costa Rica, Umaña é uma das principais referências recentes da selecção, tendo sido titular não só no Mundial’2014 mas também no já distante Alemanha’2006. Apesar de já estar bem para lá dos 30 anos, o central foi mantendo o seu espaço na selecção, tendo sido opção no caminho para esta fase final, pelo que a a sua ausência não deixa de ser uma surpresa.
Convocatória: Guarda-redes: Keylor Navas (Real Madrid), Patrick Pemberton (LDA), Leonel Moreira (Herediano); Defesas: Cristian Gamboa (Celtic), Ian Smith (Norrkoping), Ronald Matarrita (NYCFC), Bryan Oviedo (Sunderland), Óscar Duarte (Espanyol), Giancarlo Gonzalez (Bologna), Francisco Calvo (Minnesota United), Kendall Waston (Vancouver Whitecaps), Johnny Acosta (Aguilas Dorados); Médios: David Guzmán (Portland Timbers), Yeltsin Tejeda (Lausanne), Celso Borges (Deportivo da Corunha), Randall Azofeifa (Herediano), Rodney Wallace (NYCFC), Bryan Ruiz (Sporting), Daniel Colindres (Saprissa), Christian Bolaños (Saprissa); Avançados: Johan Venegas (Saprissa), Joel Campbell (Betis), Marco Ureña (LAFC).
Selecionador: Óscar Ramírez
Prognóstico VM: Fase de grupos
Pedro Barata


7 Comentários
Tiago Silva
Seleção fraca e que vai ser rapidamente despachada a meu ver. Só se safarão se tiverem um Navas inspiradissimo.
Rodrigo Ferreira
Não acredito noutra surpresa, até porque a maioria dos jogadores estão mais velhos ou em pior fase que 2014. Uma selecção um pouco em fim de ciclo, que depositará muitas esperanças nas defesas de Navas. Acho que no máximo fazem um ponto, mas veremos. Bryan diz que esperam muito da Costa Rica neste Mundial, mas acho que a maioria espera que não pontuem.
Joao D
Estão no lote das mais fracas juntamente com Arábia Saudita, Irão, Austrália e Panamá.
TheRevolution
Continua a pensar que o Irão é assim tão fraco. Além de manterem a coesão defensiva de à 4 anos atrás (Argentina viu-se tramada para os vencer), desta vez trazem uns avançados interessantes. Um deles o melhor marcador da liga holandesa. Pôr o Irão ao nível da Arábia Saudita é um erro enorme.
Joao D
Espanha é uma seleção de 23 super craques que vai passear no Mundial, Marrocos é nova superpotência do futebol e temível como tudo e o Irão é do melhor que há no mundo a defender e têm craques no ataque.
Dizem que Portugal tem sorte nos sorteios mas quem calha connosco é que é sortudo.
Basta calharem connosco que qualquer Samoa Americana é elevada logo a colosso do futebol.
nomster
Percebeste tudo mal no cometário do TheRevolution.
O que ele simplesmente disse foi para não pores o Irão no mesmo saco que a Arábia Saudita. Não disse que o Irão era um colosso mundial.
E qualquer “Samoa Americana” que calhe connosco não é um colosso mundial, mas normalmente são seleções que se fecham muito nos jogos contra Portugal e temos sempre muita dificuldade em desmontar essas defesas. Por norma, os jogos correm-nos sempre pior quando “temos” de os assumir.
T. Pinto13
Penso que este ano se ficam pelos grupos.