A luta pelo campeonato francês está reduzida a dois emblemas: PSG e Montpellier, que aproveitaram a época menos conseguida de Lyon, Marselha e do campeão Lille. Os novos ricos do futebol europeu procuram chegar ao título que lhes foge desde a época 1993/1994, enquanto que o clube do Sul de França tenta vencer a Ligue 1 pela primeira vez na sua história.
À semelhança de clubes como o Málaga ou o Manchester City, também o PSG foi comprado por um bilionário do Qatar. O forte investimento feito no plantel, com a entrada de vários jogadores de top, faz com que a conquista do título seja praticamente obrigatória para Carlo Ancelotti (que entretanto substituiu Kombouaré). Tendo como director desportivo Leonardo, foram vários os jogadores brasileiros a reforçar o emblema da capital francesa: Maxwell, Thiago Motta e Alex (houve igualmente interesse em Pato, Damião, Hulk e Káká), que se juntaram a nomes de peso como Pastore ou Gameiro. Apesar de várias opções de qualidade para o ataque, o técnico italiano tem adoptado uma estratégia muito conservadora (com claras melhorias em termos defensivos, já que o PSG é a melhor defesa do campeonato), que se tem reflectido na produção ofensiva da equipa. Com a lesão do médio argentino ex-Palermo (regressou no duelo com o Montpellier), não existe um claro estratega ofensivo – Motta e Sissoko têm lugar assegurado, enquanto que a terceira vaga tem sido ocupada por Matuidi ou Bodmer -, ficando a frente de ataque entregue a Menez, Nenê e Gameiro. O afastamento na primeira fase da Liga Europa permite concentração total para o que resta do campeonato.
O único adversário dos parisienses nesta fase é o Montpellier, com um orçamento claramente inferior, mas com um plantel bastante homogéneo. Bem orientado pelo técnico René Girard, o emblema do Sul de França assenta todo o seu futebol em Belhanda, um jogador de enorme qualidade técnica. Juntamente com Giroud, que leva 16 golos e é o melhor marcador do campeonato, forma uma dupla fantástica, de grande entendimento, responsável por grande parte dos golos da equipa (que é o melhor ataque da prova). Apesar de praticar um futebol positivo, é um conjunto que consegue manter alguma consistência defensiva, com centrais fortes (o experiente Hilton e o jovem Yanga-Mbiwa) e uma dupla de pivots, onde se destaca o chileno Estrada. Depois de ter feito uma boa temporada na época passada, o Montpellier volta a repetir o feito, desta vez prometendo lutar até final. Seria histórico conseguir o título, ainda para mais com muito menos argumentos que o PSG.
Para já, o PSG segue na frente com 1 ponto de vantagem em relação ao Montpellier. No duelo do fim de semana passado, a turma de René Girard conseguiu um empate a 2 no Parque dos Príncipes, estando a vencer até bem perto do final.
Quem será campeão? Até que ponto a estratégia conservadora de Ancelotti poderá ser prejudicial para o PSG? Numa liga como a francesa (onde há pouca concorrência), justifica-se este investimento (que promete continuar para o próximo ano) em tantos jogadores que em circunstâncias normais não aceitariam a transferência?


